05 abril, 2012

4º Enconto de Jazz Acrolat'in



Mais uma vez com Laurent Filipe e José Meneses. Foi um grande espectáculo. Estão todos de parabéns.
Vitinho admiro o teu empenho ao longo destes anos, és o grande pilar desta orquestra. Beijinho.

25 março, 2012

DEAD COMBO

Para repetir muitas e muitas vezes. A mistura de sonoridades latinas e africanas, deu nisto. SUBLIME!!!! Adorei o pormenor da luz dançarina. Obrigada Tó e Pedro.

19 março, 2012

Um até já





Passam os anos e as décadas e continuas a habitar no meu velho hábito de sonhar.

Felizmente sonho,

sim,

sonho muito,

acordada e a dormir.

Refiro-me aos sonhos de dormir.

Por isso adoro sonhar, assim não te perdi completamente. Encontro-me contigo naquela dimensão que ninguém sabe definir, como se tudo fosse real, como se fosse aquela rotina de te encontrar todos os dias, como antes. Conforta-me, dá-me ânimo para continuar. Interrompo por momentos aquela estranha e amarga sensação que deixaste plantada dentro de mim no último dia: que estou só no universo.

Quando se perdem os pais, fica-se definitivamente só. Não há filhos,

não há irmãos… ficamos mesmo sós! Só entende isto quem já perdeu, os outros ainda acham que é sentimentalismo e lamechice.

O meu estar virtual contigo é pacifico, com as nossas diferenças bem resolvidas, mas nem por isso amorfo. Tu decidiste ficar de pedra e cal nos meus sonhos. Deves divertir-te a valer ao participares neles, pois eles são tudo menos monótonos… eles são um

pouco da minha imaginação e do meu mundo interior, sempre em constante mudança criativa. Parecem um feed informático.

Gostaria de dar-te a mão como em pequena e ver como tu me parecias al

to e bonito. Sim gostaria.

Um até já entre muitos, enquanto vejo as velhas fotografias.



16 março, 2012

13 março, 2012

Mãêêê





Mâêêê!

Estou aqui.

Continuo na roda da vida que gira sempre em diferentes trajectórias numa velocidade nem sempre constante.

Em anos passados estaria a preparar a nossa festa comum de aniversário com as guloseimas que ambas adorávamos. Dois em um com a diferença de umas horas, para resultar reforçados os laços que nos uniam. Em anos ainda mais passados eras tu que tornavas esses dias especiais. Onde estarás agora? Quem te prepara a festa de aniversário? O pai? Uhhhhmm com o jeito que ele tinha para pilotar fogão deves ficar no prejuízo!

Tenho saudades.

Tenho saudades de ti.

O pensamento já há muito que é insuficiente para colmatar tanta carência.

Estarás a espreitar o que escrevo? Se estás, os teus olhos cor de amêndoa estarão a sorrir e suspirarás fundo.

Mâêêê!

Já não sei cantar as músicas de aniversário, porque será?

Não sei ou não me apetece.

12 março, 2012

19 fevereiro, 2012

17 fevereiro, 2012

09 fevereiro, 2012

1325

Como sempre estiveram espectaculares_ quase 90m de informação, referências, mímica, teatro, musica, humor e reflexão. Estarei sempre presente.

Cristiano Ronaldo

Disciplina e liberdade

Interrogo-me como se constrói o equilíbrio entre a disciplina e a liberdade. Não é fácil! As temáticas intersectam-se. Ser livre é ser indisciplinado? Não ter regras é ser livre? Disciplina e rigor é um espartilho que nos conduz irremediavelmente à ausência de liberdade? Disciplina é formatação, normalização?

Sem rigor e disciplina aprende-se menos! Isto é verdade!

Uma mente disciplinada é uma mente que produz sucesso? Imaginação interfere com disciplina? Se queremos ser criativos temos que forçosamente ser indisciplinados. Indisciplina e irreverência serão a mesma coisa? .

in”Não escrevo em Moleskines, escrevo no verso das contas do supermercado”

07 janeiro, 2012

02 janeiro, 2012

05 dezembro, 2011

24 novembro, 2011

Me encanta a dança


Aos sons das chávenas e das colheres

em compasso aleatório

soma-se o aroma dos cimbalinos

que circulam entre iguais

numa dança

desenhada sobre bandejas.

Aprecio a dança.

Não aprecio o sabor,

Sou de uma anormalidade genética

de não apreciar café.

Sofro de ausência de sensibilidade

para apreciar o precioso liquido.

Liquido marron de tingimento de café,

liquido fumegante

que obriga a rituais e dependências após almoços e jantares,

geração após geração,

acompanhados de conversa sobre coisa nenhuma

gravada nas madeiras,

nos espelhos,

nas mesas dos cafés da baixa do Porto.

Não aprecio,

mas me encanta a dança

E a dependência.


A. Quelhas

20 novembro, 2011

Reflexo dos espelhos

(Clique para ampliar)

Num reflexo dos espelhos

Espreito a alma

De alguém que se silencia a meu lado:

Um ilustre desconhecido.

Divirto-me pensando no acaso

Que me permite aproximar daquilo

Que não conheço

Observar o que nunca vi

Desnudar a intimidade

Do quotidiano de alguém

Que nunca mais encontrarei.

Dentro de minutos voará

Para outras dimensões urbanas

Transportando essências únicas

E in codificáveis

Ignorando-me.

Eu olharei os espelhos novamente

Espreitarei de novo

E saborearei o chá entretanto arrefecido.

Doce

E aromatizado com limão.

Filigrana


Foto: A. Quelhas ( Confeitaria do Bolhão)

17 novembro, 2011

12 novembro, 2011

ALMADA NEGREIROS








Deparei-me com este painel em baixo relevo do ilustríssimo mestre Almada Negreiros localizado no interior do Hotel Ritz em Lisboa. É uma parede revestida em mármore com um baixo-relevo, em que as áreas esculpidas são retocadas com pigmento dourado, dando um contraste belíssimo. Está representado um cavalo com cavaleiro, duas figuras femininas - alguém que dorme a sesta junto aos molhos de trigo e outra que transporta um cântaro à cabeça- e ainda uma figura masculino na parte da obra que evolui para um pilar.
O painel está integrado numa zona de circulação comum não principal, no piso da entrada.


http://www.sodim.pt/hotelritz.htm



11 novembro, 2011


Este é um momento único da minha existência.
Dia 11.11.11 às onze horas e onze minutos.
Data 11 - polissémica. Não vou dizer, mas com muitas, muitas referências na minha vida.
Este momento proporciona-se a alguma reflexão sobre o tempo, que é impossível de parar e de repetir. Sintome-me pequena, minúscula perante a complexidade que é o parâmetro TEMPO.

07 novembro, 2011

Dead Combo





"É editado hoje o quarto álbum da dupla portuguesa, no qual colaboram Marc Ribot, Camané ou Sérgio Godinho.

Os Dead Combo começaram por ser apenas dois. Tó Trips, o homem da cartola e de guitarra em punho, e Pedro Gonçalves, de contrabaixo na mão. À medida que os anos foram passando receberam mais e mais convidados. No último ano vimo-los recorrentemente acompanhados pela Royal Orquestra das Caveiras. As canções que eram então apenas de duas figuras ganharam uma nova dimensão.
Chegados ao quarto álbum surge pela primeira vez uma questão: "O que é que vamos fazer? Mais do mesmo?". A decisão foi então de voltar à base, quando eram apenas dois. Ainda assim, não resistiram a desafiar outros músicos. O resultado dá pelo nome de 'Lisboa Mulata'."
3/11/2011

http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=2030578&seccao=M%FAsica

06 novembro, 2011

Um professor que um dia roubou o céu

O LIVRO DO MEU AMIGO PENA. FRESQUINHO, FRESQUINHO!

04 novembro, 2011

29 outubro, 2011

A perspectiva das coisas

Van Gogh




Matisse





“ A perspectiva das coisas”
Exposição sobre a Natureza-Morta na Europa – Séculos XiX e XX
Esta é a 2ª exposição que ocorre em Portugal, a 1ª aconteceu no ano passado, com obras dos séculos XVII e XVIII. As obras são todas de pintores de referencia na história da pintura, e esta é uma oprtunidade para os apreciarmos aqui bem perto e todos juntos – Matise, Van Gogh, Braque, Cezanne, Picasso, Amadeo, Magritte, Courbet, Gris, Manet, Dali, Rousseau, Morandi, Renoir, Basille, Vieira da Silva, Bonnard e admirem-se até Corbousier.
Todos incidem sobre a Natureza-morta que não me anima muito em si, mas francamente esta exposição permitiu-me refletir sobre muita coisa,pude comparar, observar detalhadamente e viajar mentalmente até outras obras que estão na minha memória.
Pensei em que? Apesar de morta a natureza suscita forma, textura, estrutura, materialidade/imaterialidade, primitivismo,fotografia,sonhos, pesadelos.... várias perspectivas de simples objectos.
Retive Henri Matisse, Amadeo, Van Gogh e Cezanne.
Não percam na Gulbenkian!


17 agosto, 2011

Caricaturas com letras

Fernando Pessoa

Michael Jackon
Dunga

Jean Paul Belmondo

Che Guevara

The Beatles

Amy




Não sei fazer caricaturas

Fiz uma abordagem muito rápida na minha formação académica e apercebi-me apenas da grande dificuldade em que consiste caricaturar através do desenho. Construir um desenho capaz de exprimir de forma simples e rápida as características de alguém, acentuar os gestos, os hábitos, os defeitos, as qualidades ou determinadas formas de um rosto, conferindo-lhe uma identidade única, revelando por vezes a sua personalidade é algo que necessita de uma boa observação, análise de pormenores, muitas horas a praticar e ter sempre presente a economia do traço.

Eu não sei fazer.

Há muito que conheço uma caricatura do Fernando Pessoa de autoria do cartonista Ubiratan Porto. Foi essa caricatura que me levou a descobrir o trabalho deste artista plástico e especialmente as suas caricaturas concebidas a

partir das letras dos nomes das pessoas a representar.

Partilho convosco.

Para ver mais e mais:Aqui


Albert Einstein


02 agosto, 2011

Senti o telemóvel a tocar



Senti o telemóvel a tocar!

Eram 4,00 horas da madrugada, ainda nem tinha começado o dia.

Este foi o primeiro dos vários sintomas de grande stress dos últimos anos, em tempo de

férias.

Dormia superficialmente, logicamente estava a sonhar e não tinha conseguido desligar toda a rede de circuitos tecidos ao longo do jurássico. Dormia,

sonhava e acordava dormindo e sonhando.

Virei as costas ao mundo, pensei em como é difícil desligar e con

venci-me que iria dormir de novo.

Escutei a música das ondas do mar e senti a brisa fresca a empurrar suavemente as cortinas transparentes, misturando o atrito da seda, grávido de vento..

Poderia desligar o telemóvel… mas não uso relógio há muit

os anos… e ele nem sequer tocou…mas…. Tento conciliar o dormir, mas o suposto toque, fechou a porta do meu sono.

Revi as características do perfil dum stressado, tentando auto-convencer-me que estaria tudo sob controle (pura ilusão):

Responsabilidade – quente

Ambição – frio

Liderança – quente

Responder em simultâneo a várias situações – a ferver

Exigência – quente

Ansiedade - quente

Perfeccionismo - caliente

Pontualidade – a ferver

Competitividade - morno

Tempo – boa gestão, tépido

Dificuldade em desligar – escladante

Realizei um gráfico mental atendendo aos conceitos artesianos e à disposição ortogonal, visualizando a predominância do vermelho sinónimo de quente e de alarme, sobre o frio inexistente, no meu adorável azul.

Desliguei o tecnicolor do pensamento e embrulhei-me

em supostos s

onhos em que gostaria de entrar naquela hora tardia – ementa tropical sempre. Fiquei à porta, presa aos eixos das abcissas, colada ao eixo das ordenadas e afastando-me da verdadeira função de DORMIR. Nem a visão de terras ocres, e cacimbos húmidos me deixaram entrar num repousante sono.

Tentei organizar alguma desordem nos pensamentos, segundo uma estrutura de prioridades: os que serenam e os que agitam.. passei para segundo plano os que agitam. Pensei em quem queria pensar. Pensei com carinho, porque queria pensar e escutei mais uma vez o mar… e pensei. As horas escoaram-se após cada ciclo sessenta

minutos deste fait di

vers, ausente de palavras sonantes e rico em palavras imaginadas.

Dei várias voltas na cama, naquela ansiedade do cobre, descobre… pensei no antes, no depois, no faz de conta, no que poderia ser e não foi, no futuro e no condicional, pensei na Corimba e nas musicas que nunca chegaram ao seu devido destino e destrincei cada variante da ausência de sono articulada com as possíveis palpitações do meu velho telemóvel.

Pedi um pacote de sono com pouco açúcar.

Pedi uma cabeça vazia perdida

de s

ono

Pedi aromas de espera para a minha paciência.

Pedi tempo de mim e de brisas do mar.

Pedi o resto da madrugada.

Pedi para não pe(r)d(i) (e )r

Perdi o sono!


Ensaios de escrita – um projecto sempre adiado

(A. Quelhas)


14 julho, 2011

Casa de Chá - Boa Nova





Entra-se, senta-se e mergulha-se numa tela de pintor naturalista, que afinal é uma janela...uma ampla janela de rochas e mar. Uma janela de sonhos e cumplicidades. Uma janela que nos convida a reflectir e depois sonhar.
Mão na mão, um café e um carioca de limão.
...e o mar manso formando pequenas vagas teimosas em invadir a areia, as rochas, as consciências...por vezes reina o silêncio matizado pela música do mar e um jazz qualquer.
Fecha-se os olhos, com o corpo acolhido numa velha poltrona... partilha-se o sonho, toca-se a alma, suavemente como "uma lágrima de cristal", e lentamente o olhar voa até à linha do horizonte, contornando as rochas, sobrevoando a tarde, como a quem já conhece ainda sem se conhecer. Envolve-nos, seduz-nos.
Apetece olhar, apetece tocar, apetece reter o cheiro, apetece parar os ponteiros do relógio e saltar para a outra dimensão, apetece pintar o mundo de azul ciano, apetece mudar de ângulo de visão, apetece apetecer.
Para quando uma, outra e outra vez?

03 julho, 2011

Lucidez e dor

A lucidez não tem que ser necessariamente dolorosa, embora resulte inegavelmente do facto de romper com aquilo que nos “cegava” e o abrirmos a visões mais amplas e menos ingénuas das coisas, é um acto de ruptura com as disposições das nossas cabeças e com as nossas vidas e muda radicalmente os nossos vínculos, para o qual quase sempre parece implicar um parto doloroso. (…) lucidez e dor são inseparáveis em todos os momentos? A felicidade é possível no momento de lucidez? O iluminado está condenado à dor da solidão? (…) parece ser mais aconselhável o risco da dor da clareza do que viver a felicidade na ignorância. Não acham?


http://noticiasderionegro.blogspot.com/2011/06/entre-el-dolor-de-la-lucidez-y-la.html

25 junho, 2011

S. João no Porto







Há certos eventos que para mim, só no Porto fazem sentido. Um deles é a festa popular: O S. João.

O S. João do Porto é uma das festas populares mais significativas do mundo, e eu gosto (informem-se, pois é mesmo).

O S. João é uma festa incomensorável, não sei bem quantas pessoas se envolvem na noite de festa. É uma festa de massas, dos cidadãos do Porto, dos aglomerados vizinhos e de muitos outros lugares que afluem principalmente ao centro histórico, na noite de 23 de Junho, contando que podem virar a noite na rua, aliás em várias ruas, numa diversão sem fim. É uma cidade inteirinha na rua, a sua rua e a rua dos outros da sua cidade.

À partida é uma festa cristã, centrada na figura de João baptizando Jesus, no entanto ela desdobra-se em diversas situações, que talvez estejam mais ligadas aos rituais pagãos assinalando a chegada do verão.

S. João não é padroeiro do Porto, pois esse lugar esta ocupado pela Nossa Senhora da Vandoma, no entanto como fica tudo em familia, tanto dá, João foi adoptado há mais de 5 séculos creio eu, e continuará como símbolo religioso desta cidade, inconfundível nos seus contornos liberais/republicanos, onde o seu povo é genuíno, simpático, acolhedor, lutador pelas suas causas incapaz de se submeter a ideais que não sejam os seus e capaz dos maiores sacrifícios para fazer vingar a sua vontade. Sempre foi assim e assim será. É este o povo que gosto e com o qual me identifico.

A noite de S. João é para complicados e descomplicados (os segundos divertem-se à brava e os primeiros não resistem a divertir-se ao ver o primeiros), foliões, alegres e brincalhões. É uma manifestação de fraternidade numa amálgama de todo o tipo de pessoas. Todo o mundo se veste descontraídamente, não se distinguindo classes sociais, nem profissões, nem ricos, nem pobres e todos gostam de sardinhas e broa. Esta é a cidade da liberdade que sai à rua na noite de S. João para partilhar a alegria de viver. A alegria é um traço comum. Muitos procuram pela sardinha para comer, pela bifana, pela francesinha, pelas tripas, …. Sei lá tudo o que se faz de bom nesta cidade. Porque isto de pular e brincar, faz fome.

Sempre que posso venho até cá.

Preparo-me com sapatilhas, uma pequena carteira a tiracolo (BI, dinheiro, chaves de casa, pequena máquina fotográfica e telemóvel… o resto fica em casa), um pequeno casaco pelos ombros (por vezes há o orvalho de S. João) e aí vou eu.

A melhor maneira de nos divertirmos no S. João é juntarmo-nos ao nosso grupo de amigos, fazer uma filinha para ninguém se perder e atacar a tristeza. Nunca há hora de regresso e a palavra de ordem é folia e diversão – é proibido estar triste.

Começo sempre pelo Bonfim, para admirar uma das várias cascatas Joaninas, Jardim de S. Lázaro, onde compro o meu martelo, para dar resposta as marteladas (inventado nos anos sessenta e logo proibido pelo fascismo) e desço a rua das Fontainhas até ao passeio do séc. XIX do mesmo nome. O cheiro das sardinhas assadas abre-me o apetite. Para comer uma sardinhada, e um caldo verde não é preciso sentar, pois elas, as sardinhas, assam-se e vendem-se no meio da rua.

Gosto de apreciar os moradores desse sitio, onde eu tantas vezes parei a lhes desenhar e fotografar. De seguida vou até à muralha fernandina e desço a escada dos Guindais. A descida desta escada em noite de S. João é uma bela experiência. Inicia-se pela abordagem visual do atelier de um dos maiores pintores portuenses vivos, Júlio Resende, encostado à muralha do séc. XIV e depois entra-se na descida (escrevi bem "entra-se"). Fica-se envolvido na festa para além de se sentir a urbe medieva em plena festa iluminada pelo luar e pelas luzinhas coloridas. As bandeirinhas a atravessar a escadaria sinuosa, os vizinhos juntos a jantar em pequenas plataformas, ao som da musica popular… o convite para a mesa, o brindar de um copo de verde ou maduro, é isto o genuíno S. João… as luzes, as filinhas de foliões, sempre…. Sempre, mais um lanço de escadas, mais uma curva em linha quebrada. De quando em vez, ouve-se Abrunhosa, Rui Veloso, Reininho, Godinho, mas predomina sempre a música popular brejeira e o seu rei, Quim Barreirosss.

Óptimas fotos que fiz, ao cair da noite.

Até que se chega ao rio.

O contraste entre a rua sinuosa e a grandeza da ponte de Eiffell,… e o rio Douro, que eu tanta vez já vi em tom de prata, corre manso reflectindo a vontade do povo na rua, ali naquele local histórico, simbólico, local de luta e coesão social, local de passagem para à outra margem e para outros tempos, onde o tempo marcou as almas das gentes . O bizarro sucede-se ao inesperado. O inesperado sucede-se ao invulgar e ao surpreendente.

E o rio corre manso, colorido de gente, luzes e aromas.

Surge alguém a fotografar o policia na entrada do tabuleiro de baixo, alguém que esfrega o alho porro pelo meu cabelo desejando-me sorte e fortuna e logo a seguir o aroma da erva cidreira. A guerra dos martelinhos… a escolha de uma cabeça arranjadinha para dar uma boa martelada. Os carecas são os melhores, mas que não tragam alho porro, senão a vingança é sempre terrível.

A Ribeira a encher, a encher de gente e mais gente, sentar, nem pensar. Vou até ao cubo do Zé Rodrigues e até ao S. João do Cutileiro que se esqueceu do cordeiro,... e a gente a descer até à praça de S. João, pela rua dos Mercadores e pela rua de S. João Novo. Parece uma torrente de povo a descer para o cais da Ribeira. Rios de gente a correr para o seu rio.

O povo a descer pela rua Mouzinho da Silveira.

Uma bifana servida numa caravana em frente ao Mercado Ferreira Borges e Palácio da Bolsa, ambos lindamente iluminados… e os balões, muitos, mais que muitos a subir, uns com sucesso outros não, incendiando-se a 20 ou 30 m da altura, todos homenageando o Sol e o solstício de verão. O vento puxa a sul, uns mais altos outros menos, mas todos rumam a Gaia, Marrocos para alguns.

Os manjericos e as quadras populares, brejeiras, jocosas, irónicas algumas e sempre divertidas , onde não se pode sentir o aroma com o nariz mas sim com a mão– dá sorte e energia positiva..

(perdoem-me os mais castos)

"Oh meu rico S. João

Casai-me que bem podeis

Já tenho teias de aranha

No sítio que bem sabeis."

…..

Pinta meus olhos pinta

Pediu-me ela de joelhos

Peguei no pincel e nas tintas

Pintei-lhos.

.....

Se me arranjares um doutor

sozinha já não fico

prometo pôr-te no andor

um manjerico e um penico.

S. Bento, um mar de gente, o encontro da avenida, rua 31 de Janeiro, rua do Corpo da Guarda, Mouzinho da Silveira e rua das Flores. A estação belíssima e a seus pés estão os vendedores das plantas mágicas aromáticas e centenas de martelinhos abastecendo os folgazões.

A avenida e a praça repletas. Subi Sto António pois a Sé adivinha-se a abarrotar e fui ver o fogo de artificio no viaduto da duque de Loulé.

O resto da noite fica preenchida com diversos bailaricos das ilhas (pequenas comunidades urbanas retiradas das principais ruas) ao ar livre, com as suas fogueiras, onde é obrigatório saltar, em Massarelos, Miragaia, Passeio Alegre. Impossível ir a todos.

Os momentos que antecipam o nascer do sol devem ser vividos num belo banho de mar . Nesses momentos os foliões cansados e carregando já grandes doses de álcool, devem estar nas praias da Foz para receber o novo dia, refrescar-se e descansar.. descansar a folia, o corpo e a alma.

Gosto mesmo. É bonito.