15 junho, 2011
LE CHIEN
Le chien Léo Ferré
À mes oiseaux piaillant debout
Chinés sous les becs de la nuit
Avec leur crêpe de coutil
Et leur fourreau fleuri de trous
À mes compaings du pain rassis
À mes frangins de l'entre bise
À ceux qui gerçaient leur chemise
Au givre des pernods-minuit
A l'Araignée la toile au vent
A Biftec baron du homard
Et sa technique du caviar
Qui ressemblait à du hareng
A Bec d'Azur du pif comptant
Qui créchait côté de Sancerre
Sur les MIDNIGHT à moitié verre
Chez un bistre de ses clients
Aux spécialistes d'la scoumoune
Qui se sapaient de courants d'air
Et qui prenaient pour un steamer
La compagnie Blondit and Clowns
Aux pannes qui la langue au pas
En plein hiver mangeaient des nèfles
A ceux pour qui deux sous de trèfle
Ça valait une Craven A
A ceux-là je laisse la fleur
De mon désespoir en allé
Maintenant que je suis paré
Et que je vais chez le coiffeur
Pauvre mec mon pauvre Pierrot
Vois la lune qui te cafarde
Cette Américaine moucharde
Qu'ils ont vidée de ton pipeau
Ils t'ont pelé comme un mouton
Avec un ciseau à surtaxe
Progressivement contumax
Tu bêle à tout va la chanson
Et tu n'achètes plus que du vent
Encore que la nuit venue
Y a ta cavale dans la rue
Qui hennnit en te klaxonnant
Le Droit la Loi la Foi et Toi
Et une éponge de vin sur
Ton Beaujolais qui fait le mur
Et ta Pépée qui fait le toit
Et si vraiment Dieu existait
Comme le disait Bakounine
Ce Camarade Vitamine
Il faudrait s'en débarrasser
Tu traînes ton croco ridé
Cinquante berges dans les flancs
Et tes chiens qui mordent dedans
Le pot-au-rif de l'amitié
Un poète ça sent des pieds
On lave pas la poésie
Ça se défenestre et ça crie
Aux gens perdus des mots FERIES
Des mots oui des mots comme le Nouveau Monde
Des mots venus de l'autre côté clé la rive
Des mots tranquilles comme mon chien qui dort
Des mots chargés des lèvres constellées dans le dictionnaire des
constellations de mots
Et c'est le Bonnet Noir que nous mettrons sur le vocabulaire
Nous ferons un séminaire, particulier avec des grammairiens
particuliers aussi
Et chargés de mettre des perruques aux vieilles pouffiasses
Littéromanes
IL IMPORTE QUE LE MOT AMOUR soit rempli de mystère et non
de tabou, de péché, de vertu, de carnaval romain des draps cousus
dans le salace
Et dans l'objet de la policière voyance ou voyeurie
Nous mettrons de longs cheveux aux prêtres de la rue pour leur
apprendre à s'appeler dès lors monsieur l'abbé Rita Hayworth
monsieur l'abbé BB fricoti fricota et nous ferons des prières inversées
Et nous lancerons à la tête des gens des mots
SANS CULOTTE
SANS BANDE A CUL
Sans rien qui puisse jamais remettre en question
La vieille la très vieille et très ancienne et démodée querelle du
qu'en diront-ils
Et du je fais quand même mes cochoncetés en toute quiétude sous
prétexte qu'on m'a béni
Que j'ai signé chez monsieur le maire de mes deux mairies
ALORS QUE CES ENFANTS SONT TOUT SEULS DANS LES
RUES
ET S'INVENTENT LA VRAIE GALAXIE DE L'AMOUR
INSTANTANE
Alors que ces enfants dans la rue s'aiment et s'aimeront
Alors que cela est indéniable
Alors que cela est de toute évidence et de toute éternité
JE PARLE POUR DANS DIX SIECLES et je prends date
On peut me mettre en cabane
On peut me rire au nez ça dépend de quel rire
JE PROVOQUE-À L'AMOUR ET À L'INSURRECTION
YES! I AM UN IMMENSE PROVOCATEUR
Je vous l'ai dit
Des armes et des mots c'est pareil
Ça tue pareil
II faut tuer l'intelligence des mots anciens
Avec des mots tout relatifs, courbes, comme tu voudras
IL FAUT METTRE EUCLIDE DANS UNE POUBELLE
Mettez-vous le bien dans la courbure
C'est râpé vos trucs et manigances
Vos démocraties où il n'est pas question de monter à l'hôtel avec
une fille
Si elle ne vous est pas collée par la jurisprudence
C'est râpé Messieurs de la Romance
Nous, nous sommes pour un langage auquel vous n'entravez que
couic
NOUS SOMMES DES CHIENS et les chiens, quand ils sentent la
compagnie,
Ils se dérangent et on leur fout la paix
Nous voulons la Paix des Chiens
Nous sommes des chiens de " bonne volonté "
El nous ne sommes pas contre le fait qu'on laisse venir à nous
certaines chiennes
Puisqu'elles sont faites pour ça et pour nous
Nous aboyons avec des armes dans la gueule
Des armes blanches et noires comme des mots noirs et blancs
NOIRS COMME LA TERREUR QUE VOUS ASSUMEREZ
BLANCS COMME LA VIRGINITÉ QUE NOUS ASSUMONS
NOUS SOMMES DES CHIENS et les chiens, quand ils sentent la
compagnie,
II se dérangent, ils se décolliérisent
Et posent leur os comme on pose sa cigarette quand on a quelque
chose d'urgent à faire
Même et de préférence si l'urgence contient l'idée de vous foutre
sur la margoulette
Je n'écris pas comme de Gaulle ou comme Perse l
JE CAUSE et je GUEULE comme un chien
JE SUIS UN CHIEN
12 junho, 2011
Como matar uma esquina - Miranda do Douro
Como se mata uma esquina em 9 passos apenas:
1. 1- Olha-se para uma varanda de ângulo e pensa-se: grande complicação! Quero “simplificar”, “melhorar” e “modernizar”.
2. 2 - Duas portas em ângulo não servem para nada, janelas é melhor!
3. 3 - Elimina-se o gradeamento que faz de guarda e parapeito -menos um elemento para atrapalhar!
4. 4 - Constroem-se 2 panos de parede de 0,90m, convertendo as portas em janelas e pintam-se de branco.
5. 5 - O carpinteiro desenrasca duas janelas.
6. 6 - Para proteger da luz, não há nada melhor que duas persianas exteriores.
7. 7 - Chama-se o técnico das persianas. Este apresenta uma solução sem complicação nenhuma, persiana exterior com caixas salientes.
88 - Consciência tranquila do proprietário pois deu resposta às suas exigências actuais de habitabilidade e segundo ele preservou o património não mexendo nos elementos de granito, cumprindo assim o seu dever de cidadão.
9 - 9 - Permitir também que pendurem no cunhal um sinal de transito e uma placa identificadora da rua - fica sempre bem à autarquia!
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As janelas e varandas servem para assegurar o arejamento e a iluminação do interior dos edifícios, até aqui todos estamos de acordo.
A sua função alarga-se para a ligação entre interior e exterior, permitindo utilizar esse rasgo nas paredes para observar o exterior, estender o olhar até à linha do horizonte ou até onde as barreiras exteriores permitirem, criando a ilusão, que estamos ligados ao meio envolvente, que fazemos parte de uma comunidade ou que estamos em comunhão com a natureza.
Parece-me que aceitar isto e compreender é pacífico.
Utilizá-las como canal de comunicação oral para o exterior, também será possível. Nem todos gostam de falar pela janela ou pela varanda… mas é aceitável.
Também ninguém tem dúvidas que são elementos arquitectónicos que imprimem características únicas nos edifícios onde se inserem, ajudando a definir estilos arquitectónicos.
Uma janela é muito mais que um vão, que um espaço vazio de parede… As padieiras, as ombreiras e os peitoris organizam-se numa geometria simples, mas podem assumir formas, volumes e texturas diversas, que imprimem quase um BI a cada janela. A inspiração do arquitecto combinada com a mestria do pedreiro, podem gerar uma obra de arte, que se convertem eventualmente num sinal da cultura de um povo.
Passeei por Miranda do Douro, dentro das muralhas medievais, do tempo de D. Dinis, ficando muito agradada pelo esforço desta comunidade em manter e conservar diversas edificações.
Dobrei uma esquina e vi o resultado de um assassinato arquitectónico e cultural – varanda de ângulo “moderninha”.
As varandas / janelas de ângulo que existem no nosso país são poucas, talvez menos que 50 exemplares. São elementos arquitectónicos utilizados durante o Manuelino e Renascimento, normalmente enquadrados em molduras em granito, com mais ou menos requinte, mas que os convertem em fenestrações muito especiais, de construção mais elaborada, permitindo a visualização para duas ruas em simultâneo e assumindo uma faceta estética única. Estes exemplares são pequenos pormenores, que reforçam a nossa identidade cultural e deverão encher de orgulho os seus proprietários.
Olhei a esquina e apeteceu-me chorar!
Outro exemplar, este, felizmente, ainda não "modernizado"
05 junho, 2011
AMIGOS - Fão 2011
Foi um dia feliz, de emoções muito fortes e doloroso também.
Fui com o Mário e com a Gabi. O Mário apanhou-me em frente do Rivoli. Tudo combinado previamente via telemóvel. Ele o mentor do nosso reencontro, recolheu ao longo dos últimos meses os nossos contactos.
-Conheci-te logo! - disse-me ele.
Eu beijei-o alegremente depois de entrar no automóvel.
-Estás igual!
- Tu também, conheci-te logo, quando entrei na rua! Vamos buscar a Gabi e seguiremos para Fão.
- Porque Fão?
-O Aristides mora perto e decidiu irmos almoçar num restaurante de praia.
Encontramos a Gabi, está tão bem, beijei-a emocionada. Falei-lhe duma manif do 1º de Maio em que desfilamos na Portucel, eu, ela e Gorete; já não se recordava.
Éramos um grande grupo heterogéneo, formado aleatoriamente num café da rua do Breiner, no Porto. O grupo foi crescendo naturalmente, o amigo do amigo, que também era amigo ia avolumando o grupo de tertúlia. Juntavamo-nos ao fim do dia em certos dias da semana, ao sábado à tarde e especialmente, sexta e sábado à noite. Uns residiam próximo do café outros não.
O grupo era heterógeneo, cada um frequentava sua faculdade, ou até já trabalhava, numa faixa de idades que oscilava entre os 18 anos e os 30 anos sensivelmente. Tínhamos dois propósitos: amizade e diversão.
Despíamos os problemas de cada curso ou do trabalho e afastávamos ou intervalávamos um pouco as nossas ideologias políticas, para evitar os atritos de maior e conseguirmos um convívio saudável e duradouro. Os exames, as frequências, os projectos ficavam a repousar na casa de cada um. Isto era um grupo de escape à rotina, aos problemas, aos compromissos, às responsabilidades.... O café servia de ponto de encontro, saboreando cimbalinos, meias de leite e outras coisas, fumando muito, partilhávamos a nossa juventude, as nossas fragilidades, os nossos desejos e a vontade de viver a vida. Era um grupo que já vivia os tempos da liberdade pós 25 de Abril e que se encontrava em crescimento /amadurecimento tal com a liberdade.
Jantávamos frequentemente juntos e saíamos para a noite do Porto, uns de boleia dos outros, poucos tinham carro, a maioria vivia de mesada bem esticada durante o mês.
Não importava quem não estava, o que importava era "estar".
Hoje 30 anos depois, sensivelmente, cada um fez um percurso profissional. Clara (educadora aposentada) Anabela (arquitecta e prof), Mário (engenheiro de minas) Gabi (designer gráfica) Gorete III (bancária) Aristides (médico) Alzira (serviço de catering’) Cajó (bancário) ….Foi um dia de afectos, traduzido nos abraços que demos, nas nossas carícias de olhar, sim os vossos olhares, senti-os como carícias. Os nossos cérebros certamente fizeram uma ginástica tremenda entre o passado e o presente... o presente... o passado...
Faltou ainda muita gente que tentaremos encontrar e virão certamente nas próximas vezes.
Este foi o 3º encontro, a mim só me encontraram agora.
De repente eu estava nos braços da Gabi
De repente eu estava nos braços da Clarinha,
De repente eu estava nos braços do Aristides… que abraço grande que nos demos, tentanto estreitar e engolir os 30 anos passados, grande, grande, vigoroso, apertado, gostoso… pelo caminho já tinha falado com ele pelo telemóvel alta voz do Mário.
– Aristideeeeeees, ainda tens um dente amovível? – faltam-lhe, o bigode enorme e os caracóis louros.
A cada um, eu pedia o “curriculum” – qtos casamentos, qtos filhos e o que se passou em 30 anos. O balanço dos afectos é “desastroso”, excepto a Clarinha (união feliz com Fernando) e a Gabi (eternamente consciente – solteiríssima sempre). Tudo o resto oscila entre casamentos e divórcios, pelo menos uma vez.
A Gorete I , a nossa Gorete suicidou-se. Neste grupo existem 3 Goretes, parece que o “destino” reforçou esse nome prevendo grandes danos com uma delas. Recordamo-la...contaram-me sobre ela, os últimos que a viram ou que falaram ao telefone. Decidiu não viver mais em sofrimento, num acto de grande coragem, devido a um problema de saúde grave. Contei também como a procurei e como soube.
Eu precisava visceralmente desta reunião de amigos, para me ajudar a fazer o luto da nossa Gorete. Acho que precisamos todos. Lembrei-me por diversas vezes do filme “Amigos de Alex”. Também nós estávamos aqui a recordar a Gorete, para nos mimarmos sobre a sua falta, para nos confortarmos, para conseguirmos algum equilíbrio perdido, para não nos perdermos mais uns dos outros. Por vezes eu colocava os óculos escuros e permanecia em silêncio, de resto notado por alguns que tentaram despertar-me.
- Como é que tu não tendo vícios (café, alcool e tabaco), és uma mulher tão interessante? Bajulou-me o Aristides, talvez para me despertar dum desses momentos. Rimos todos. Aristides tu és único, nunca mudes!
- Ouviram, ouviram…. Ele acha-me interessante – risada geral.
Mal acabamos os nossos cursos instalou-se a vontade de cada um investir nas suas profissões, de se realizar nas mesmas, de constituir família, afastando-nos geograficamente e perdendo-nos.
Andamos perdidos décadas… eu, 30 anos.
Não havia telemóveis, e todos se conheciam apenas por um único nome… apelidos era coisa que nem nos passava pela cabeça que poderiam vir a ter alguma utilidade.
Recordamos a Gorete, recordamos-nos a nós, numa sintonia bonita de ver e de sentir. Parece que os nossos afectos permaneceram intocáveis, como se nos tivéssemos visto no dia anterior. Senti-me feliz, apesar de tudo.
Observamos fotos antigas - todos mais novos, mais bonitos, com grandes bigodes, os rapazes, delicadas e frescas, as raparigas.
Vi uma foto tirada em Lagos (nós três tão bonitas num final de tarde, preciso dessa foto – eu Clara e a outra Ana- eu moreninha com uns óculos à Janis Joplin). Falamos do nosso campismo em Lagos, da viagem de ida (Porto-Lisboa viagem nocturna dos Clérigos, Castelo Branco, Pastelaria Suiça em Lisboa, Porto Côvo e finalmente Lagos, dentro de uma Diane), daquela tenda colectiva em que não havia lugares marcados, o lugar para dormir era segundo a ordem de recolha de cada noite – Gorete e Claudino (namorados), Clara, Anabela, Aristides e Lúís, estes dois normalmente só chegavam já de dia. Falamos da praia, da diversão diária e nocturna na discoteca ELÉCTRICO, gozávamos como se fosse o ultimo dia das nossas vidas.. Rimos por a Gorete se chatear connosco, devido às desvantagens de se fazer férias com o namorado, eheheh, rimos da contínua ocupação do Luís e Aristides em orientar as alemãs…. Recordei na minha cabeça, a praia de naturismo, o Jorge, o Carlos e a sua caldeirada de peixe, única, feita pelos pescadores de Lagos, o meu reencontro com alguém de Angola, as danças frenéticas, o encontro com o luar de Agosto à beira mar..
Do Porto, a nossa cidade do coração, recordamos alguns jantares e o apartamento da Clara, que servia de abrigo no final das nossas incursões nocturnas. Os mais dorminhocos e claro a dona do apartamento iam para os quartos, os resistentes que ainda queriam conversar e ouvir musica na companhia dos outros, dormiam no chão da sala - eu habituada a directas a trabalhar, pertencia sempre aos resistentes. Fazíamos lutas de almofadas, parecendo garotos. O Luís tinha uma pedalada de conversa até todos adormecerem.
Revivemos as festas na garagem do Cajó… as fotografias de um Carnaval, onde o Álvaro (desaparecido ainda, espero que só temporariamente desaparecido ), se pintou todo de dourado, e eu com umas pestanas enormes colocadas pela Clara. Falando no Álvaro direccionamos o canal memória para o teatro TUP, onde alguns de nós experimentou as artes de Talma e onde conhecemos o Óscar Branco e a irmã, e o ensaiador João – eu com uma permanência muito curta… os projectos ocupavam-me o tempo todo. A Gabi recordou o edifício SICAP.
Falei do Rui Nogueira e do Zeca, meus colegas da ESBAP, que pontualmente saiam também connosco, e do café campismo de Montes Burgos – outra plataforma de alguns de nós. O meu almoço com ele na semana passada, vindo de Tavira, que foi uma loucura.
Referimos o uso e abuso que fizemos do pub do Hotel Infante D. Henrique no 16º andar.
- Foi aí que conheci o meu ex-marido!- dizia a GoreteIII.
Uma pista de dança com uma vista soberba para toda a cidade do Porto que todos tinham o privilégio de usufruir. Éramos uns privilegiados por podermos viver aquele espaço, projectado pelo arquitecto Rica.Tanta vez subimos e descemos aquele elevador! Tanta vez que dançamos naquela pista!
Falamos do Arnaldo, foi ai que o conhecemos.
_ Quem é o Arnaldo? questionaram alguns.
Avivaram-se memórias. Últimamente encontro o Arnaldo regularmente.
Falamos da Milú, do Joãozinho, da Carmo, da Claudina, da Ana, do Jorge, do Luís e do outro Luís, do Manel Neto, do Augusto, e de outros que faltaram, mas estão localizáveis. Este continuará a ser um grupo com as mesmas características, dificilmente estaremos todos, todos reunidos, porque o grupo é enorme… o que interessa é estarmos os que estiverem.
Falamos com a Milú no telemóvel. Trocamos informações.
Lembrei o apartamento da Ana na rua do Breiner, onde o Cajó se vestia com as roupas dela, bandolete, molas da roupa nas orelhas e depois se passeava divertidamente, pela rua do Breiner e rua Miguel Bombarda. Ele era sempre o mais animado e louco de todos. A Ana casou com o Jorge. Lembrei também as experiências exotéricas dos dois Luíses e Manel Neto, deitados na cama da Ana, a tentar levitar e viajar fora do corpo….loucos varridos!!!
Perguntei pelos colegas do Aristides, e um especial que para mim tinha uns olhos irresistíveis! Eheheh, médico algures.
Olhamos as fotos uma e outra vez , e outra vez, e o nosso olhar entristecia ao ver o rosto alegre da nossa Gorete. Brindamos aos presentes duas vezes, mas foram dois brindes cansados e emociados por 30 anos de experiencias diversas, não partilhadas e muito amadurecimento.
Foi uma óptima ementa, escolhida pelo Aristides. Escolheu um restaurante junto à praia , muito agradável, para que alguém que levasse os filhos pudesse usufruir do sítio. Aristides não tem filhos e esqueceu-se que os filhos dos outros têm mais de 18 anos, já não brincam na praia nem saem com os pais. Acho adorável esta desordem do raciocínio do Aristides !!!!!!!!!!
Eu e o Mário despedimo-nos e regressamos ao Porto, os outros ainda ficaram. Ficou marcado próximo almoço e entretanto pretendemos continuar a divertirmo-nos, desta vez no Porto, sempre que estiver por lá, para que os nossos encontros ultrapassem a fase da recordação e continuem a ser momentos vividos em pleno com novos episódios.
A sós com o Mário, foi possível partilharmos situações mais pessoais das nossas relações afectivas que por sinal e estranhamente coincidem em tantos aspectos.
Regressei a VR e pelo caminho foi inevitável reflectir sobre este dia especial. Somos uma geração de grande riqueza interior, temos em comum tanta coisa boa! Temos a nossa vida afectiva um pouco perturbada, mas isso dá-me a certeza que não somos pessoas conformadas e lutamos para estar bem connosco e com a vida.
Todos me pareceram chocados com o suicídio da nossa amiga e todos carentes desta grande amizade que nos une e ficou adormecida tantos anos.
Todos parecemos pessoas crescidas, amadurecidas, profissionalmente realizadas, autónomas, mas todas evoluíram no meio de frustrações, desejos, contradições… e é isso que somos hoje.
Gostamos da companhia uns dos outros, pois todos nos aceitamos como na verdade somos, seres imperfeitos, como semelhanças e muitas diferenças, defeitos e qualidades. Já não temos tanto sangue na guelra, mas continuamos heterogéneos, queremos estar juntos, resistimos a tanta coisa, respeitamo-nos. Cada um carrega consigo a sua história, que o distingue dos outros, mas com intersecções, com zonas de coincidência que todos entendemos como comuns.
Precisamos do ombro de cada um, para chorarmos e para sorrirmos.
Deixem-me acreditar que precisamos.
Até breve.
Anabela Quelhas
02 junho, 2011
30 maio, 2011
PASSEIO FOTOGRAFICO

25 maio, 2011
15 maio, 2011
30 abril, 2011
Obrigada João

Atrás: Victor, Sérgio, Edmundo, Anabela, João e Zeca.Tudo morria de fome, mas ninguém ousava mostrar as suas competências em pilotar um fogão, num final de dia de Julho. A preguiça e o cansaço sobrepunham-se à vontade de deglutir.
O dia foi cheio, a noite anterior também.
O dia foi dedicado a visitar o património popular do Alto Minho, pontualmente orientado pelo mestre Távora.
A noite anterior foi animada como só os teenagers o sabem fazer - do nada criar um universo de humor, que mata todas as horas da noite até de madrugada. Os blues, o rock e o jazz invadiram aquela casa com uma arquitectura que espicaçou a criatividade de cada um e desde a entrada ocupou espaço no coração de todos. Era uma constante ouvir uma exclamação de apreciação àquele espaço tão bem concebido na sua volumetria interior.
Claro que o João fez das suas ao longo da noite, chegando ao ponto de ser necessário recorrer aos materiais de primeiros socorros. A guitarra foi continuamente dedilhada. Nessa época ninguém se preocupava com os fumadores passivos. A cadeira butterfly de Antonio Bonet foi disputada em toda a nossa permanência naquele espaço habitável. As poucas horas dormidas remataram com o carinho de alguém que delicadamente pôs no leitor de cassetes, o inigualável "Wish you were here" dos Pink Floyd, abrindo suavemente as cortinas sobre a foz do rio Minho.
Mas tudo morria de fome. Os dois que tinham fama de serem os mais decididos da turma, aventuram-se na confecção do jantar.
Eu e João.
Saiu um arroz temperado com brandy e uns saborosíssimos bifes, marinados em grande discussão sobre a emancipação da mulher e o eterno machismo na hora de chegar a casa e fazer o jantar. Alguém me cantou lady Jane lady Anne dos Rolling Stones ,
apaziguando a minha revolta em volta de tachos e frigideiras, seguido de um BB King num blusão que só o João sabia interpretar.
Obrigada João por pores tantas vezes a tua guitarra a cantar e a chorar para nós.
Um aplauso grande para ti.
Até…ao infinito????
Anabela Quelhas
29 abril, 2011
19 abril, 2011
17 abril, 2011
ESTILHAÇOS DE CESARINY POR LUXÚRIA CANIBAL
Estava preparada para assistir a um registo punk à Mão Morta com muita luxúria e pitadas de canibal à mistura.
Arrastei uma amiga comigo.
À entrada pensei que talvez ela não apreciasse, fiquei na dúvida se iria ser seca para ela, mas…
Fomos presenteadas com um espectáculo de altíssimo nível.
Caramba fazem-se espectáculos tão bons em Portugal!
É um espectáculo de poesia, de leitura de textos, a maioria de Mário Cesariny, mas também de música. Adolfo Luxúria Canibal, declama calmamente sentado à mesa no centro do palco, iluminado por um candeeiro de mesa e os músicos acompanham. Não sei quem concebeu a parte musical, mas eu achei de altíssima qualidade. Já procurei na net alguns dos registos, mas não aparece nada. Não não imaginem que foi o seguimento dos registos musicais dos Mão Morta, pois imaginarão errado. Que pena não poder partilhar convosco! A voz de ALC a percorrer as palavras de Cesariny, com o timbre e entoação características só dele e aquela musica de fundo única, absorvente....adorei.
"Os poetas não passam de aprendizes dos mistérios do infinito"
09 abril, 2011
08 abril, 2011
dura dita dura

dura
dita
dura
«Era uma vez um menino pequeno que vivia num país pequeno virado para o grande oceano. Dizia-se que nesse país grandes homens e homens de todos os tamanhos se tinham lançado pelo mar dentro à procura de outros países e de outros homens. Mas isso tinha acontecido há tanto tempo e o menino de que estamos a falar nunca tinha molhado os pés no mar...»
<< Um espectáculo de marionetas para todas as idades acerca da atmosfera de terror surdo que reinou durante meio século num país onde as paredes tinham ouvidos. Através do olhar atento, por vezes atónito, de uma criança bem amada mas permeável ao mal-estar dominante, pretende-se dar a conhecer um passado ainda próximo e tende contudo esbater-se nas “brumas da memória”
Teatro de sombras, animação de objectos, pequenas máquinas de cena e outras engenhocas cinéticas aliam ao texto narrado várias acções de construção plástica. Música e outros efeitos sonoros integram a dimensão narrativa e criam momentos de descompressão e diversão.
DURA DITA DURA É A HISTÓRIA DE UM MENINO, O BALTAZAR, QUE CRESCE ALGURES, NUMA TERREOLA PERDIDA DE UM PORTUGAL ESQUECIDO - MAS APERTADAMENTE VIGIADO E AUTO VIGIADO. BALTAZAR É MUDO, MAS NÃO SURDO. A SUA VIVACIDADE DE MENINO FORA DO BARALHO CONFLITUA MANIFESTAMENTE COM O OBSCURANTISMO QUE CARACTERIZA O PORTUGAL DOS PEQUENINOS. BALTAZAR É UM ESCÂNDALO DE SILÊNCIO NUM PAÍS SILENCIADO. MAS NÃO SE ESCOLHE O LUGAR E O TEMPO ONDE SE NASCE.>>
Texto e canção: Regina Guimarães
Encenação, cenografia e marionetas: Igor Gandra
“Era um pais onde se vivia mal e que se achava normal”- é o que permanece na minha memória.
Vi ontem e senti-me privilegiada por estar na plateia ainda por cima como convidada a ver um espectáculo, fascinante e tocante. Desde a primeira cena que o Igor nos induz a conhecer Baltazar e mergulhar no Portugal salazarista. O monólogo multifacetado e desenvolvido de forma dinâmica com os seus pequenos bonecos (figuras estilizadas), num cenário belo, meticuloso e genialmente concebido, articulando luz e som, deu um resultado final surpreendentemente belo.
Nunca esquecerei.
Muito obrigada!
Anabela Quelhas
8/04/2011
02 abril, 2011
Refresh póstumo

26 março, 2011
Mode Gakuen Spiral


Arquitectos Nikken Sekkei
Localização na rua principal em Nagoya, no Japão
Programa: 3 escolas (moda programação e informática)
Data: 2008
Pisos: +36
-3
Altura: 177m
Três torres com salas de aula são chamadas de ASAS . As torres “asas” criam uma curva orgânica, transformando a rotação. As torres em espiral aparentam mudar a sua fachada quando vista de diferentes ângulos, dando uma elegante impressão dinâmica.
19 março, 2011
Olá Pai
Estou perto de ti sem estar.
As nossas dimensões cruzam-se sem necessidade de catalogações terrenas que tudo parametrizam, classificam e justificam.
Sinto a tua falta, apesar de conversar contigo imensas vezes.
Saúdo-te todos os dias, mas falta-me a tua opinião, as tuas observações acutilantes de pessoa experiente e sensível. Falta-me a tua avaliação das coisas que elucidavam as minhas decisões.
Sinto-me sempre a tua filha pequena, frequentemente desobediente, mas sempre protegida por ti.
Hoje recordei-te a conversar com uma amiga, contei-lhe que me obrigavas a pentear o cabelo e traze-lo atado com uma fita azul: Era assim que eu saia de casa, e mal chegava à rua, todos os dias, tirava a fita do cabelo. Aos doze anos frontalmente te desobedecia e andava sempre de cabelos soltos. Passei à fase dos hot paints, das manifs revolucionárias, da fase da régua e esquadro....por aí fora.
Recordei tudo com um sorriso nos lábios.
Gostaria de fazer um replay e viver tudo outra vez retribuindo alguns carinhos que não soube retribuír.
Beijo, anabela
15 março, 2011
01 março, 2011
20 fevereiro, 2011
15 fevereiro, 2011
10 fevereiro, 2011
04 fevereiro, 2011
03 fevereiro, 2011
02 fevereiro, 2011
30 janeiro, 2011
21 janeiro, 2011
"Filme do desassossego" de João Botelho
"Filme do desassossego" de João Botelho
Quero felicitar o realizar João Botelho pelo filme que criou.
Acho que nunca vi um registo em cinema tão belo, e considero mesmo que é aquilo que se pode chamar uma Obra de Arte. (eu não emito facilmente elogios)
Raramente vejo um filme ou leio um livro mais do que uma vez, excepto os livros de poesia.
Neste caso precisarei de ver este filme, outras vezes, pois viajei em pequenas/grandes distracções provocadas pela fotografia excepcional e perdi a ligação ao conteúdo.
Cada ângulo de filmagem, a cor, a composição foram estudados ao detalhe, nada surge ao acaso. Já conhecia as sobreposições de imagens relacionadas com as filmagens da baixa de Lisboa, e apesar de haver um desfasamento de escalas que se torna visível pelo tamanho das janelas, nada disso mancha a intenção. Dei comigo a pensar que todas as imagens se podiam converter em excelentes fotografias. Reparei na preocupação em evitar que as linhas fortes dos planos coincidissem com o paralelismo dos limites das fotografias, o que implica uma grande sensibilidade artística e uma grande sintonia entre o realizador e o técnico que filma, e aí é que se faz a diferença entre um excelente e um razoável registo. Depois a presença frequente de um elemento de cor vermelha a fazer o contraste com os cenários melados e de luz coada que são frequentes, torna as imagens apelativas e de muito bom gosto. Recordo a porta do vidro vermelho, as bandeiras vermelhas, o corrimão do café/restaurante, as cadeiras da igreja de S. Domingos, os lábios Catarina Wallenstein, a caneta vermelha e as riscas vermelhas dos envelopes pousados sobre a mesa de trabalho …. E outros que já não recordo. Belíssimo! Outro pormenor a cor do vestido de Rita Blanco naquele cenário dos anos 50 com uma arquitectura de interiores à anos 50, onde é muito visível um corrimão vermelho, e as cadeiras azuis,… o vestido da Rita tinha que forçosamente ser a cor primária que falta naquele cenário, o AMARELO.
Claro que já não falo do desempenho do actor Claudio Silva que é extraordinário como é demasiado evidente. Um filme para ver e rever, uma obra de arte!
19 janeiro, 2011
16 janeiro, 2011
GALCONDA, René Magritte
Galconda, 1953 (autor: René Magritte)
Galconda, cidade indiana que conheceu o esplendor e a miséria. Certamente Magritte não pensou nesta cidade ao criar esta composição, visto que este nome foi atribuído por Louis Scutenaire.
Nesta pintura há um padrão de homens suspensos no a; uns dizem que se elevam, outros que descem, como uma chuva humana que ocupa diversos planos na composição. O homem é sempre o mesmo desenhado em 3 posições estáticas e serenas,em perfeita levitação, com o mesmo tipo de vestuário, roupas escuras, gabardina e chapéu de coco, formando assim um verdadeiro padrão geométrico baseado num ritmo semelhante à fenestração do edifício localizado ao fundo. Este padrão humano é um padrão de homens anónimos, iguais, amorfos e sem personalidade própria.
Será?
Magritte viveu a cultura burguesa que representa e critíca na sua pintura, tornando-a inquetante e gerando pontos de partida para o questionamento sobre nós mesmos: a solidão vivida no meio da multidão.
Esta é uma das obras mais emblemáticas de René Magritte, e após 50 anos ainda é reinterpretada por artistas nossos contemporâneos:
1 - O vídeo Across The Universe (2002)do músico Rufus Wainwright mostra Dakota Fanning rodeada de homens de chapéu de coco e gabardine estáticos no ar, numa semelhança inegável com "Golconde". Este músico faz na perfeição a ligação entre a obra dos The Beatles e o mundo surrealista de Magritte.
2 _Uma campanha publicitária para uma seguradora holandesa RVS, inspirada sem dúvida em Golconde.
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