05 julho, 2009

23 documentos


Para quem interessar:

Fiz uma pequena actividade numa escola do 3º ciclo sobre "2009 sobre o ano europeu para a criatividade e inovação". Agora vejam o trabalho burocrático que tive que fazer. A actividade apareceu em 23 documentos. Para além de estar devidamente integrada no Plano Anual de Actividades do Agrupamento, foi necessário realizar:



  • a planificação geral das actividades de Educação Visual no inicio do ano lectivo,

  • a planificação como unidade de trabalho em Educação Visual,

  • a planificação anual das unidades da disciplina,

  • a planificação e relatório como actividade de cada docente,
  • referência em duas actas por turma (2º e 3º período),

  • referência em cada Projecto Curricular de Turma,

  • referência no relatório do director de turma;

  • referência em duas actas do grupo (subestrutura) de Educação Visual,

  • a planificação e relatório da Biblioteca referente às actividades de articulação com os departamentos,

  • referência em duas actas da biblioteca,

  • referência em duas actas do Departamento de Expressões,

  • referência em dois relatórios da coordenadora da Biblioteca,

  • referência no relatório do coordenador do Departamento de Expressões,

  • referência na ficha dos objectivos da docente (caso esta tivesse entregue, que não foi o caso),

  • e na sua auto-avaliação.

Ou seja, para tudo estar correctamente referenciado e assinalado totalizam-se por turma vinte e três documentos.


QUEM QUISER SABER O QUE SE PASSA ACTUALMENTE NAS ESCOLAS É VER ESTE PEQUENO RETRATO, E IMAGINAR QUE CADA PROFESSOR, FAZ 2 OU 3 ACTIVIDADES POR ANO, LECCIONA, PREPARA AULAS, CORRIGE TESTES, É DIRECTOR DE TURMA, FAZ VISITAS DE ESTUDO, ETC, ETC..


É isto que põe 140 mil manifestantes na rua.



29 junho, 2009

Times Square





Choi Ropiha colabora com Perkins Eastman e PKSB em Times Square.

O projecto começou em 1999 com um concurso internacional para re-desenhar o popular TKTS stand no centro da Times Square.
A competição solicitou apenas desenhos de uma pequena estrutura arquitectónica para substituir as actuais cabines de bilhetes porém isto inferiu na problematica do desenho urbano.
Os arquitectos consideraram que a Times Square, espaço simbólico, não possui nenhum lugar onde as pessoas se possam sentar e desfrutar daquela dinâmica urbana, onde possam fazer uma boa fotografia global.
Surge assim uma estrutura contendo um plano inclinado, que resolve o problema das cabines e simultaneamente proporcionam um espaço de pausa para os utentes e turitas, tal como um teatro de observação da Times Square.
Concebido como um grande espaço público na encruzilhada do mundo, o projecto oferece as melhores lugares da casa para assistir ao maior show da terra - Times Square.



O anfiteatro é construído inteiramente de vidro e coloca-o na vanguarda da tecnologia deste material..
Os degraus em vidro são iluminados pelo interior, transformando-os em tapetes flutuandes vermelhos.
A energia geotérmica com base em sistemas de aquecimento e arrefecimento controlam a temperatura no interior da cabine localizada na base. Oferecem também aquecimento radiante para derreter a neve durante o inverno e refrescar no verão. Os equipamentos mecânicos são visíveis através das paredes de vidro.

28 junho, 2009

Homens tigre


Passa-se no Rio de Janeiro no início do século XIX
(...)
"A urina e as fezes dos moradores, recolhidas durante a noite, eram transportadas de manhã para serem despejadas no mar por escravos que carregavam grandes tonéis de esgoto às costas. Duranteo percurso, parte do conteúdo desses tonéis repleto de amónia e ureia, caía sobre a pele e, com o passar do tempo, deixava listas brancas sobre as costas negras. Por isso, estes escravos eram conhecidos como "tigres"."
in "1808" de Laurentino Gomes
Fiquei estarrecida!

Hora da sesta


Previsão diária da Maya


Peixes28 de Junho de 2009



SAÚDE: Dia de muita fadiga; não ultrapasse os seus limites de resistência.


AMOR: O momento é propício à análise de sentimentos, não deixando no entanto que situações fiquem mal resolvidas. Reaja com ponderação, sendo directo e conciso.


DINHEIRO: Não seja negligente em assuntos económicos, pois os problemas podem surgir a qualquer momento.


HORA MAIS PROTEGIDA: 13h ás 15h



A Maya acerta especialmente na hora mais protegida: a hora da sesta.


Obrigada Maya posso dormir à vontade.

26 junho, 2009

CC Vasco da Gama



Agora virou moda, mas ainda não ultrapassaram o original.

21 junho, 2009

T- Mobile dance



Mais um, em Londres.

20 junho, 2009

PORTO MAIO DE 77


















Chegou isto ao estir@dor 32 anos depois.
Fiquei emocionada. Eu estava lá, mais os meus colegas da Esbap e os colegas de Psicologia. Em frente ao teatro S. João, do lado direito. Quem esteve lá reconhece todas as imagens registadas possivelmente pelo Mário Vaz e sabe o que se viveu nesta luta estudantil: Cardia estava no poder e pela primeira vez depois do 25 de Abril,: a policia carregou sobre os estudantes. Foi na rua da Firmeza. No tribunal, situado na mesma rua proferia-se a defesa do aluno Torgal, detido no dia anterior. A defesa foi feita pelo arqto Alves Costa, nosso prof, e que fez um discurso inflamado anti-facista, muito bem conseguido, perante o Juiz, que emocionou alguns e ganhou o respeito de todos.

As fotos falam mais do que possíveis descrições.

(Obrigada Zé)

14 junho, 2009

É por isso que eu gosto do Porto, karago!


No Porto, batem à porta de uma senhora e perguntam-lhe:


- Boa tarde, a senhora quer ser Testemunha de Jeová?


A senhora responde:- F###-SE!!!! Eu nem bi o acidente, carago!!!

12 junho, 2009

11 junho, 2009

VII - A ética do género humano (7)


VII - A ética do género humano


"El camino se hace al andar" (Antonio Machado)
A educação deve conduzir à "antropo-ética", levando em conta o carácter ternário da condição humana, que é ser ao mesmo tempo indivíduo/sociedade/espécie. Nesse sentido, a ética indivíduo/espécie necessita do controle mútuo da sociedade pelo indivíduo e do indivíduo pela sociedade, ou seja, a democracia; a ética indivíduo/espécie convoca, ao século XXI, a cidadania terrestre.
A ética não poderia ser ensinada por meio de lições de moral. Deve formar-se nas mentes com base na consciência de que o humano é, ao mesmo tempo, indivíduo, parte da sociedade, parte da espécie.

Carregamos em nós esta tripla realidade.

Desse modo, todo desenvolvimento verdadeiramente humano deve compreender o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e da consciência de pertencer à espécie humana.
Partindo disso, esboçam-se duas grandes finalidades ético-políticas do novo milénio: estabelecer uma relação de controle mútuo entre a sociedade e os indivíduos pela democracia e conceber a Humanidade como comunidade planetária.

A educação deve contribuir não somente para a tomada de consciência de nossa "Terra-Pátria", mas também permitir que esta consciência se traduza em vontade de realizar a cidadania terrena.
Não possuímos as chaves que abririam as portas de um futuro melhor. Não conhecemos o caminho traçado. Podemos, porém, explicitar as nossas finalidades: a busca da hominização na humanização, pelo acesso à cidadania terrena.
FIM

10 junho, 2009

"votozinhos"

(clique para ampliar)

The Hollies



Pode ser que alguém recorde o mesmo que eu.
Obrigada António.

09 junho, 2009

Testes do 1º ciclo

- O Papa vive no Vácuo (!?)
- Antigamente na França os criminosos eram executados com a Gelatina(pelo menos assim não doía tanto)
- Em Portugal os homens e as Mulheres podem casar. A isto chama-semonotonia. (é frustrante que até na 2ª Classe já pensem assim...)
- (A MELHOR) Em nossa casa cada um tem o seu quarto. Só o papá é quetem de dormir sempre com a mamã. (Um destino terrível...)
- Os homens não podem casar com homens porque então ninguém podia usaro vestido de noiva. (a ver vamos)
- Os meus pais só compram papel higiénico cinzento, porque já foiutilizado e é bom para o ambiente. (Que bom!)
- Adoptar uma criança é melhor! Assim os pais podem escolher os filhose não têm de ficar com os que lhe saem. (Pois é, com os animais deestimação também funciona assim!)
- Adão e Eva viviam em Paris. (Sim, lá também é Paradisíaco)
- O hemisfério Norte gira no sentido contrário do hemisfério Sul.(Viver ao longo do Equador deve ser muito divertido)
- As vacas não podem correr para não verterem o leite. (Que bom saber isso)
- Um pêssego é como uma maçã só que com um tapete por cima. (Nuncatinha pensado nisto!)
- Os douradinhos já estão mortos há muito tempo. Já não conseguemnadar! (Conseguem sim! No óleo da frigideira)
- Eu não sou baptizado, mas estou vacinado. (Esta tenho que ensinaraos meus filhos!)
- Depois do homem deixar de ser macaco passou a ser Egípcio. (Mmm...isto ainda não sabia!)
- A Primavera é a primeira estação do ano. É na primavera que asgalinhas põem os ovos e os agricultores põem as batatas. (Nunca maiscomo batatas)

- O meu tio levou o porco para a casota e lá foi morto juntamente como meu avô. (Bem, se o avô já lá estava...)
- Quando o nosso cão ladrou de noite a minha mãe foi lá foraamamenta-lo. Se não os vizinhos ficavam chateados. (E assim como terãoficado?)
- A minha tia tem tantas dores nos braços que mal consegue erguê-lospor cima da cabeça e com as pernas é a mesma coisa. (Acho que a mimaconteceria o mesmo às pernas)
- Um círculo é um quadrado redondo. (Esta é absolutamente fantástica!)
- A terra gira 365 dias todos os anos, mas a cada 4 anos precisa demais um dia e é sempre em Fevereiro. Não sei porquê. Talvez por estarmuito frio. (Um génio!)
- A minha irmã está muito doente. Todos os dias toma uma pílula, masas escondidas para os meus pais não ficarem preocupados. (Sem comentários)

08 junho, 2009

Quando o ambiente é hostil




VI - Ensinar a compreensão (6b)


Educação para os obstáculos à compreensão


Há múltiplos obstáculos exteriores à compreensão intelectual:
- o "ruído" que interfere na transmissão da informação, criando o mal-entendido e ou não-entendido;

- a polissemia de uma noção que, enunciada num sentido, é entendida de outra forma;

- há a ignorância dos ritos e costumes do outro, especialmente os ritos de cortesia, o que pode levar a ofender-se inconscientemente ou desqualificar a si mesmo perante o outro (diversidade cultural);

- existe a incompreensão dos valores imperativos propagados no seio de outra cultura - respeito aos idosos, crenças religiosas, obediência incondicional das crianças, ou, ao contrário, na nossa sociedade, o culto ao indivíduo e o respeito pelas liberdades;

- há a incompreensão dos imperativos éticos próprios de uma cultura, o imperativo da vingança nas sociedades tribais, o imperativo da lei nas sociedades evoluídas;

- existe a impossibilidade, enquanto visão de mundo, de compreender as idéias e os argumentos de outra visão de mundo, assim como uma ideologia/filosofia compreender outra ideologia/filosofia;

- existe, enfim, a impossibilidade de compreensão de uma estrutura mental em relação a outra.

A ética da compreensão

É a arte de viver que nos demanda, em primeiro lugar, compreender de modo desinteressado. Demanda grande esforço, pois não pode esperar nenhuma reciprocidade: aquele que é ameaçado de morte por um fanático compreende porque o fanático quer mata-lo, sabendo que este jamais o compreenderá. A ética da compreensão pede que compreenda a incompreensão.


(cont.)

07 junho, 2009

Sra Ministra em plano inclinado


VI - Ensinar a compreensão (6a)

VI - Ensinar a compreensão


A compreensão é a um só tempo, meio e fim da comunicação humana. Entretanto, a educação para a compreensão está ausente no ensino. O planeta necessita, em todos os sentidos, de compreensão mútua. Considerando a importância da educação para a compreensão, em todos os níveis educativos e em todas as idades, o desenvolvimento da compreensão pede a reforma das mentalidades. Esta deve ser a obra para a educação do futuro.
A compreensão mútua entre os seres humanos, quer próximos, quer estranhos, é daqui para a frente vital para que as relações humanas saiam de seu estado bárbaro de incompreensão. Daí decorre a necessidade de estudar a incompreensão a partir de suas raízes, suas modalidades e seus efeitos. Este estudo é tanto mais necessário porque focaria não os sintomas, mas as causas do racismo, da xenofobia, do desprezo. Constituiria, ao mesmo tempo, uma das bases mais seguras da educação para a paz, à qual estamos ligados por essência e vocação.


As duas compreensões
Há duas formas de compreensão: a compreensão intelectual ou objectiva e a compreensão humana intersubjectiva.

Compreender significa intelectualmente apreender em conjunto, comprehendere, abraçar junto (o texto e o seu contexto, as partes e o todo, o múltiplo e o uno). A compreensão intelectual passa pela inteligibilidade e pela explicação. Explicar é considerar o que é preciso conhecer como objecto e aplicar-lhe todos os meios objectivos de conhecimento. A explicação é, bem entendido, necessária para a compreensão intelectual ou objectiva.
Mas a compreensão humana vai além da explicação. A explicação é bastante para a compreensão intelectual ou objectiva das coisas anónimas ou materiais. A compreensão humana comporta um conhecimento de sujeito a sujeito. Por conseguinte, se vemos uma criança a chorar, nós a compreendemos, não pelo grau de salinidade das suas lágrimas, mas por buscar em nós mesmos as nossas aflições infantis, identificando-a connosco e identificando com ela. Compreender inclui, necessariamente, um processo de empatia, de identificação e de projecção. Sempre intersubjectiva, a compreensão pede abertura, simpatia e generosidade.


(cont.)

04 junho, 2009

NÃO VOTEM EM BRANCO











V - Enfrentar as incertezas (5)


V - Enfrentar as incertezas


As ciências permitiram que adquiríssemos muitas certezas, mas igualmente revelaram, ao longo do século XX, inúmeras zonas de incerteza. A educação deveria incluir o ensino das incertezas que surgiram nas ciências físicas (microfísica, termodinâmica, cosmologia), nas ciências da evolução biológica e nas ciências históricas.
Será preciso ensinar princípios de estratégia que permitiriam enfrentar os imprevistos, o inesperado e a incerteza, e modificar o seu desenvolvimento em virtude das informações adquiridas ao longo do tempo. É preciso aprender a navegar num oceano de incertezas em meio a arquipélagos de certeza.
A fórmula do poeta grego Eurípedes, que data de vinte e cinco séculos, nunca foi tão actual:

"O esperado não se cumpre, e ao inesperado um deus abre o caminho".

O abandono das concepções deterministas da história humana que acreditavam poder predizer o nosso futuro, o estudo dos grandes acontecimentos e desastres de nosso século, todos inesperados, o carácter doravante desconhecido da aventura humana devem-nos incitar a preparar as mentes para esperar o inesperado, para enfrentá-lo. É necessário que todos os que se ocupam da educação constituam a vanguarda ante a incerteza de nossos tempos.


(cont.)

02 junho, 2009

IV - Ensinar a identidade terrena (4)

IV - Ensinar a identidade terrena


O destino planetário do género humano é outra realidade até agora ignorada pela educação. O conhecimento dos desenvolvimentos da era planetária, que tendem a crescer no século XXI, e o reconhecimento da identidade terrena, que se tornará cada vez mais indispensável a cada um e a todos, devem converter-se em um dos principais objectos da educação.
Convém ensinar a história da era planetária, que se inicia com o estabelecimento da comunicação entre todos os continentes no século XVI, e mostrar como todas as partes do mundo se tornaram solidárias, sem, contudo, ocultar as opressões e a dominação que devastaram a humanidade e que ainda não desapareceram. Será preciso indicar o complexo de crise planetária que marca o século XX, mostrando que todos os seres humanos, confrontados de agora em diante aos mesmos problemas de vida e de morte, partilham um destino comum.


A contribuição das contracorrentes
O século XX deixou como herança contracorrentes regeneradoras. Frequentemente, na história, contracorrentes suscitadas em reacção ás correntes dominantes podem desenvolver-se e mudar o curso dos acontecimentos. Devemos considerar, como movimentos importantes e actuantes:

- a contracorrente ecológica que, com o crescimento das degradações e o surgimento de catástrofes técnicas/industriais, só tende a aumentar;

- a contracorrente qualitativa que, em reação à invasão do quantitativo e da uniformização generalizada, se apega à qualidade em todos os campos, a começar pela qualidade de vida;

- a contracorrente da resistência à vida prosaica puramente utilitária, que se manifesta pela busca da vida poética, dedicada ao amor, à admiração, à paixão, à festa;

- a contracorrente de resistência à primazia do consumo padronizado, que se manifesta de duas maneiras opostas: uma, pela busca da intensidade vivida (consumismo); a outra, pela busca da frugalidade e temperança (minimalismo);

- a contracorrente, ainda tímida, de emancipação em relação à tirania omnipresente do dinheiro, que se busca contrabalançar por relações humanas e solidárias, fazendo retroceder o reino do lucro;

- a contracorrente, também tímida, que, em reacção ao desencadeamento da violência, nutre éticas de pacificação das almas e das mentes.


(cont.)

01 junho, 2009

FCP

XUTOS

A música da roubalheira censurada na radio pode ouvi-la aqui.



31 maio, 2009

Manif30maio2009




Não fui à manif por problemas de saúde. Depois de uma queda aparatosa, os médicos entenderam por bem que eu esquecesse a manifestação.
Fiquei frustrada em casa em frente à televisão, rodeada de gelo, ligada ao twitter e a enviar mensagens aos colegas.
Alguns ainda iam nos autocarros e já manifestavam o seu desânimo por serem menos do que na manif de Novembro. Telefonava para Lisboa e informavam-me: eles estão a chegar, o sindicato está optimista, não seremos 140 mil mas vamos aproximar os números à manif dos 100 mil.
A SIC noticias foi informando regularmente durante a tarde, e às 15 horas já não havia dúvidas. Havia autocarros que ainda não tinham entrado em Lisboa e por isso a manif iria atrasar-se uma hora.
Ao contrário das outras duas manifs, vi o Mário pela Televisão. Transmitiram quase 20 minutos do discurso em directo. Focou os pontos essenciais. As imagens da manif foram escassas, imagens aéreas foram nenhumas. Transmitiram a Ministra em Vila Do Conde na sua teimosia cega e surda como já é habitual e que já nos causa uma certa indiferença.
È interessante verificar que alguns comentários já se fazem como se a senhora já não pertencesse ao Ministério da Educação, utilizando os verbos no passado.... de facto esta é uma luta sui generis.
Mais tarde falou o Teodoro, antigo dirigente sindical. Foi breve mas disse quase tudo.
O Sr Engenheiro discursava na campanha eleitoral, um pouco descontrolado, pois vê os votitos a fugir e sem qualquer controlo sobre a nossa classe profissional.
Nós mostramos mais uma vez a nossa dignidade profissional e aos poucos a opinião publica vai percebendo que a avaliação os profs é apenas uma pedra no caminho da destruição da escola publica.

29 maio, 2009

III - Ensinar a condição humana (3)

III - Ensinar a condição humana
O ser humano é a um só tempo, físico, biológico, psíquico, cultural, social, histórico. Esta unidade complexa na natureza humana é totalmente desintegrada na educação por meio das disciplinas, tendo-se tornado impossível aprender o que significa ser humano. É preciso restaurá-la, de modo que cada um, onde quer que se encontre, tome conhecimento e consciência, ao mesmo tempo, de sua identidade complexa e de sua identidade comum a todos os outros humanos.
Desse modo, a condição humana deveria ser o objecto essencial de todo o ensino. É possível, como base nas disciplinas actuais, reconhecer a unidade e a complexidade humanas, reunindo e organizando conhecimentos dispersos nas ciências da natureza, nas ciências humanas, na literatura e na filosofia, pondo em evidência o elo indissolúvel entre a unidade e a diversidade de tudo que é humano.


Enraizamento/desenvolvimento do ser humano
A educação do futuro deverá ser o ensino primeiro e universal, centrado na condição humana. Conhecer o humano é, antes de mais nada, situá-lo no universo, e não separa-lo dele. Todo o conhecimento deve contextualizar seu objecto para ser pertinente; "quem somos?" é inseparável de "onde estamos", "de onde viemos', para "para onde vamos?". Interrogar nossa condição humana implica questionar a nossa posição no mundo. Para a educação do futuro, é necessário promover a consolidação dos conhecimentos oriundos das ciências naturais, a fim de situar a condição humana no mundo, dos conhecimentos derivados das ciências humanas para colocar em evidência a multidimensionalidade e a complexidade humanas.


O humano do humano
O homem é um ser a um só tempo plenamente biológico e plenamente cultural, que traz em si a unidualidade originária. É super e hipervivente: desenvolveu de modo surpreendente as potencialidades da vida. Exprime de maneira hipertrofiada as qualidades egocêntricas e altruístas do indivíduo, alcança paroxismos de vida em êxtases e na embriaguês, ferve de ardores orgiásticos e orgásmicos e é nessa hipervitalidade que o "Homo Sapiens" é também "Homo Demens".
O homem e o humano encontram-se anelados a três circuitos fundamentais para sua vida enquanto ser e enquanto pessoa:
- o circuito cérebro/mente/cultura;

- o circuito razão/afecto/pulsão; e

- o circuito indivíduo/sociedade/espécie.
Todo desenvolvimento verdadeiramente humano significa o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana.
"Unitas multiplex": unidade e diversidade humana
Há uma unidade humana; e há uma diversidade humana. A unidade não está apenas nos traços biológicos da espécie; a diversidade não está apenas nos traços psicológicos, culturais e sociais. Existem outras unidade e diversidades perfilhando as características do ser humano em "ser humano".
Cabe à educação do futuro cuidar para que a idéia de unidade da espécie humana não apague a idéia de diversidade e que a diversidade não apague a unidade. A educação deverá ilustrar este princípio de unidade/diversidade em todas as esferas do conhecimento.


(cont.)

28 maio, 2009

II - Os princípios do conhecimento pertinente (2b)

A inteligência geral
O desenvolvimento de aptidões gerais da mente permite melhor desenvolvimento das competências particulares ou especializadas.
Quanto mais poderosa é a inteligência geral, maior é sua faculdade para tratar de problemas especiais. A compreensão de dados particulares também necessita da activação da inteligência geral, que opera e organiza a mobilização dos conhecimentos de conjunto de cada caso particular.
A educação deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e problemas essenciais e, de forma abrangente, estimular o uso total da inteligência geral. Este uso total pede o livre exercício da curiosidade, a faculdade mais expandida e a mais viva durante a infância e a adolescência, que com freqüência a instrução extingue e que, ao contrário, se trata de estimular, caso esteja adormecida, despertar.
A educação do futuro, em sua missão de promover a inteligência geral dos indivíduos, deve ao mesmo tempo utilizar os conhecimentos existentes, superar as antinomias decorrentes do progresso nos conhecimentos especializados e identificar a falsa racionalidade.
A antinomia - para Morin, nos dias actuais, os sistemas de ensino comportam antinomias - contradições - criando e alimentando disjunções entre as ciências e as humanidades, assim como a separação das ciências em disciplinas hiperespecializadas, fechadas em si mesmas. Os problemas fundamentais da humanidade e os problemas globais estão ausentes das ciências disciplinares; o enfraquecimento da percepção global conduz ao enfraquecimento da responsabilidade (cada um passa a responder somente por sua tarefa especializada), assim como ao enfraquecimento da solidariedade (as pessoas não sentem mais os vínculos com seus concidadãos).

Os problemas essenciais
Disjunção e especialização fechada - hiper-especialização impede tanto a percepção do global (que ela fragmenta em parcelas) quanto do essencial (que ela dissolve).
Redução e disjunção - o princípio da redução (limitar o conhecimento do todo ao conhecimento de suas partes) leva naturalmente a restringir o complexo ao simples. Aplica às complexidades vivas e humanas a lógica mecânica e determinista da máquina artificial. Como a nossa educação sempre nos ensinou a separar, compartimentar, isolar, e não unir os conhecimentos, o conjunto deles constitui um quebra-cabeças ininteligível.
A inteligência compartimentada, parcelada, mecanicista, reducionista, enfim - disjuntiva - rompe o complexo do mundo em fragmentos disjuntos, fracciona os problemas, separa o que está unido, torna unidimensional o multidimensional.
É uma inteligência míope que acaba por ser normalmente cega. Reduz as possibilidades de julgamento correctivo ou da visão a longo prazo. Assim, quanto mais a crise progride, mais progride a incapacidade de pensar a crise; quanto mais os problemas se tornam multidimensionais, maior a incapacidade de pensar sua multidimensionalidade; quanto mais os problemas se tornam planetários, mais eles se tornam impensáveis.
A falsa racionalidade - ou seja, a racionalização abstracta, triunfa hoje em dia, por toda a parte, na forma do pensamento tecnocráta - incapaz de compreender o vivo e o humano aos quais se aplica, acreditando-se ser o único racional.
O século XX viveu sob o domínio da pseudo-racionalidade que presumia ser a única racionalidade, mas atrofiou a compreensão, a reflexão e a visão a longo prazo. Sua insuficiência para lidar com os problemas mais graves constituiu um dos mais graves problemas para a humanidade. Daí, o paradoxo:
- o século XX produziu avanços gigantescos em todas as áreas do conhecimento científico, assim como no campo da técnica. Ao mesmo tempo, produziu nova cegueira para os problemas globais, fundamentais e complexos, gerando inúmeros erros e ilusões.
(cont.)

26 maio, 2009

II - Os princípios do conhecimento pertinente (2a)

II - Os princípios do conhecimento pertinente
Existe um problema capital, sempre ignorado, que é o da necessidade de promover o conhecimento capaz de aprender problemas globais e fundamentais para neles inserir os conhecimentos parciais e locais.
A supremacia do conhecimento fragmentado de acordo com as disciplinas impede freqüentemente de operar o vínculo entre as partes e a totalidade, e deve ser substituída por um modo de conhecimento capaz de apreender os objetos em seu contexto, sua complexidade, seu conjunto.
É necessário desenvolver a aptidão natural do espírito humano para situar todas essas informações em um contexto e um conjunto. É preciso ensinar os métodos que permitam estabelecer as relações mútuas e as influências recíprocas entre as partes e o todo num mundo complexo.


Da pertinência no conhecimento
A pertinência do mundo enquanto mundo é uma necessidade, ao mesmo tempo, intelectual e vital.
É o problema universal de todo cidadão do novo milênio: como ter acesso às informações e organizá-las? Como perceber e conceber o Contexto, o Global (relação todo/partes) o Multidimensional, o Complexo?
Para articular e organizar os conhecimentos e, assim, reconhecer e conhecer os problemas do mundo, é necessária a reforma do pensamento. Entretanto, essa reforma não é programática, mais sim, paradigmática - é questão fundamental da educação, já que se refere à nossa aptidão para organizar o conhecimento.
Esse é o grande problema a ser enfrentado pela educação do futuro - tornar evidentes:
- o contexto: o conhecimento das informações ou dados isolados é insuficiente; é preciso situar as informações e dados em seu contexto para que adquiram sentido;

- o global (relação todo/partes); é mais que o contexto, é o conjunto das diversas partes ligadas a ele de modo inter-retroactivo ou organizacional; assim, uma sociedade é mais que um contexto: é o todo organizador de que fazemos parte;

- o multidimensional: sociedades ou seres humanos são unidades complexas, multidimensionais; assim, o ser humano é, ao mesmo tempo, biológico, psíquico, afectivo, social, racional; a sociedade comporta dimensões histórica, econômica, sociológica, religiosas; o conhecimento pertinente deve reconhecer esse caráter multidimensional e nesse inserir todos os dados a ele pertinentes.

- O complexo: há complexidade quando elementos diferentes são inseparáveis constitutivos do todo e há um tecido independente, interativo e inter-retroativo entre o objecto de conhecimento e seu contexto, partes e todo, todo e partes, partes em si; assim, complexidade é a união entre unidade e multiplicidade.