04 dezembro, 2008
90%
JOSHUA BELL
O tipo desce na estação de metro de NY vestindo jeans, t-shirt e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora rush matinal.
Durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos transeuntes, ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.
Alguns dias antes Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a 'bagatela' de 1000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar rápido, copo de café na mão, telemóvel ao ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.
Conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto.
Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefacto de luxo sem etiqueta de glamour.
Somente uma mulher reconheceu a música...
03 dezembro, 2008
GREVE adesão
Porto – 96,86
Braga – 91,10;
Famalicão – 93,40
Monção – 94,95
Viana – 92
S. João da Madeira – 95,10
Póvoa de Varzim – 94,77
Mirandela – 96,10
Vila Real – 97%
VILA REAL DE 95 A 100% DE ADESÃO
02 dezembro, 2008
GREVE 3 DE DEZEMBRO
a)Coordenação de Departamento não remunerada;
b)Aulas de apoio não remuneradas;
c)Aulas de substituição não remuneradas;
d)Direcção de Instalações não remunerada;
e)Desenvolver actividades extracurriculares não remuneradas.
f)Visitas de estudo não remuneradas.
g)Reuniões fora de horas não remuneradas.
h)Reuniões à noite, fora de horas.
i)Ficar fechado na Escola horas sem fim, sem condições de trabalho,
em vez de estar em casa a preparar as aulas.
j)Estar na Escola à espera que um colega falte, como se os colegas
cumpridores fossem os responsáveis pelos colegas faltistas;
apontem uma outra profissão onde se passe o mesmo.
k)Que a Sra. Ministra obrigue a trabalhar mais horas e o
agradecimento passe apenas por um obrigado cínico no Parlamento.
l)Que um colega de outra disciplina assista às nossas aulas.
m)Que as notas dos alunos que não querem estudar te impeçam
de progredir na carreira.
n)Com o congelamento dos vencimentos e progressão na carreira.
o)Que a maternidade, morte de um familiar próximo te impeça de
progredir na carreira.
p)Com o Estatuto do Aluno.
q)Com a diminuição da autoridade dos PROFESSORES.
r)Com os insultos e agressões por parte de alguns alunos e
respectivos Encarregados de Educação.
s)Com a destruição da Escola Pública.
t)Com a divisão da carreira em duas: titular e não titular colocando
Professores contra Professores.
u)Com as cotas na progressão.
v)Com os critérios que levaram à escolha dos professores titulares.
w)Com o péssimo ambiente de trabalho que se está a instalar
nas Escolas.
x)Com o fim dos destacamentos. y
)Com os concursos por três anos.
z)Com o trabalho excessivo.
aa)Com a permanência na Escola de 40 horas.
bb)Que os Professores se substituam aos Pais e que os Pais
só sirvam para procriar.
cc)Que Professores tenham 10 Turmas, mais de 250 alunos e
1500 testes para corrigir por ano, para não falar dos trabalhos.
01 dezembro, 2008
30 novembro, 2008
Modelos de avaliação
Avaliação de Professores na Inglaterra e País de Gales
Avaliação de Professores nos EUA
Níveis de Desempenho e Resultados da Avaliação1. Excelente (com cota fixada pelo governo). Duas vezes seguidas reduz em quatro anos o tempo de serviço para acesso à categoria de titular; Quatro vezes seguidas dá direito a prémio de desempenho.2. Muito Bom (com cota fixada pelo governo). Duas vezes seguidas reduz 2 anos o tempo;3. Bom. Classificação mínima necessária para progredir.4. Regular. Não progride. Proposta de acção de formação contínua;5. Insuficiente. Não progride. Pode determinar a reconversão profissional.
Resultados da Avaliação1. Destacado ou Competente. Recebe um abono suplementar mensal. O abono dura três e quatro anos.2. Insatisfatório. Repete a avaliação no ano seguinte. Se na segunda avaliação tiver o mesmo resultado e deixa de dar aulas, durante um ano. Se tiver uma terceira avaliação negativa sai da carreira, mas recebe um abono.Nota:Esta informação é a verdade, sem demagogias e não serve para caçar votos. Envia-a ao maior número de colegas possível, seguindo o princípio que indivíduo informado vale por dois.Não nos podemos deixar enganar !!!
Como somos o País mais atrasado da Europa, serve tudo isto para manter a ignorância que permite fazer perdurar o PODER!
29 novembro, 2008
A nova oportunidade que a ministra não pode ter

Crónica de Santana Castilho
28 novembro, 2008
Sempre actual - Eça de Queirós
É bem verdade é a primeira vez que se faz uma negociação de algo definitivo. O ministério da educação envia para as escolas as orientações do simplex, e depois vai negociar, kiakiakia.
Não sei se benzina chegará....
26 novembro, 2008
25 novembro, 2008
GOLCONDA

É bem-humorado, mas com uma óbvia crítica das pretensões de individualidade convencional.
Quando olho para esta cena fica-me a impressão de um padrão humano, ilusão que se desfaz depois de um olhar mais atento.
A chuva de homens de dimensões diferentes, e que são diferentes traduzem de facto a ideia de “todos iguais, mas todos diferentes.
A toilete do homem, colagem do próprio Magritte, é uma composição de modelo de “alfaiate masculino” belga e procura o contraste surreal entre o real tão bem representado e o imaginário, vizinho do ilusório, expressando bem a falsidade da representação.
O seu trabalho vive sempre duma dualidade profunda, exigindo um esforço de interpretação da parte do observador, revelando assim a genialidade do autor.
24 novembro, 2008
23 novembro, 2008
22 novembro, 2008
Horário dos professores, afinal
Ora 547h - 154h = 393 horas.
21 novembro, 2008
SIMPLEX II
NÃO!
20 novembro, 2008
AVALIAÇÃO

Ginger e Fred

O edificio dá a ilusão de um casal dançando perpetuamente, está localizado ao longo do rio Vltava, em Praga.
As torres cilindricas, uma apresenta um volume sólido, a outra é deformada e construida em vidro, apoiadas em colunas esculturais, criando uma pequena praça coberta ao nível do chão do edifício. A torre de vidro é formada por uma dupla camada de aço.
O projecto foi realizado através da modelação tridimensional do computador, facilitando o processo e as tecnologias de construção e controlando custos.
19 novembro, 2008
Frase do ano
Importado de http://www.luisnovo.com/blog/
A antiga avaliação
Porque saímos à rua.b) Relação pedagógica com os alunos;
c) Cumprimento dos núcleos essenciais dos programas curriculares;
d) Desempenho de outras funções educativas, designadamente de administração e gestão escolares, de orientação educativa e de supervisão pedagógica;
e) Participação em projectos da escola e em actividades desenvolvidas no âmbito da comunidade educativa;
f) Acções de formação frequentadas e respectivas certificações;
g) Estudos realizados e trabalhos publicados.
Actividade do docente:
1. Conteúdo:
1.1. Serviço distribuído (componente lectiva e componente não lectiva);
1.2. Cargos desempenhados, considerando:
1.2.1. Administração e gestão;
1.2.2. Orientação educativa;
1.2.3. Supervisão pedagógica;
1.2.4. Outros.
2. Desenvolvimento do processo ensino / aprendizagem:
2.1. Planificação do processo ensino / aprendizagem, considerando:
2.1.1. Selecção de modelos e métodos pedagógicos;
2.1.2. Cumprimento dos núcleos essenciais dos conteúdos programáticos;
2.1.3. Cooperação com os professores da escola / turma / grupo disciplinar;
2.1.4. Outros aspectos relevantes.
2.2. Concepção, selecção e utilização de instrumentos pedagógicos auxiliares do processo ensino / aprendizagem, considerando:
2.2.1. Manuais escolares;
2.2.2. Outros.
2.3. Processo de avaliação dos alunos, considerando:
2.3.1. Critérios de avaliação e definição de conteúdos nucleares da aprendizagem para a progressão dos alunos;
2.3.2. Aferição dos critérios para uma coerência pedagógica da aprendizagem;
2.3.3. Práticas inovadoras no processo de avaliação dos alunos;
2.3.4. Outros aspectos relevantes.
2.4. Participação em actividades de apoio pedagógico e de diversificação curricular.
2.5. Participação na organização de actividades de complemento curricular.
3. Análise crítica do processo de acompanhamento dos alunos, considerando:
3.1. Informação e orientação dos alunos (vocacional e profissional);
3.2. Detecção de dificuldades na aprendizagem e desenvolvimento de estratégias para a sua superação;
3.3. Gestão de conflitos comportamentais e de índole disciplinar na sala de aula e na escola e desenvolvimento de estratégias para a sua superação;
3.4. Relacionamento com os encarregados de educação;
3.5. Outros.
4. Participação em actividades desenvolvidas na Escola, considerando:
4.1. Projecto educativo;
4.2. Área-Escola;
4.3. Formação.
4.4. Projectos culturais, artísticos e desportivos, considerando:
4.4.1. Participação em projectos culturais locais e de defesa do património;
4.4.2. Organização e participação em visitas de estudo.
4.5. Outros aspectos relevantes.
5. Participação na articulação da intervenção da comunidade educativa na vida da escola.
6. Promoção e participação em actividades inter-geracionais.
7. Participação em actividades no domínio do combate à exclusão.
8. Participação em actividades no domínio da promoção da interculturalidade.
9. Participação em actividades de solidariedade social.
10. Formação
10.1. Plano Individual de Formação, considerando:
10.1.1. Identificação das necessidades de formação, designadamente nos planos científico-pedagógico e profissional;
10.1.2. Articulação do Plano individual de Formação com o Plano de formação da Escola / Associação de Escolas;
10.1.3. Participação em equipas de formação para a inovação e a qualidade.
10.2. Formação contínua, considerando:
10.2.1. A articulação das acções de formação realizadas com o Plano Individual de Formação;
10.2.2. Actividades de aperfeiçoamento profissional e académico, nomeadamente participação em seminários, conferências, colóquios e jornadas pedagógicas;
10.2.3. Outras actividades relevantes.
10.3. Formações acrescidas, considerando:
10.3.1. Graus académicos;
10.3.2. Outros diplomas.
11. Assiduidade do docente.
12. Actividades de substituição.
13. Outras actividades relevantes no currículo do docente.
14. Estudos e trabalhos realizados e publicados.
15. Louvores.
16. Sanções disciplinares.
E para quem não sabe a avaliação máxima "Excelente" nunca foi atribuida, não por falta de mérito dos professores, mas porque esta diferenciação nunca foi regulamentada por questões economicistas, visto que o docente que tivesse excelente progredia mais rápido na carreira, tal como estava previsto no antigo estatuto da carreira docente.
18 novembro, 2008
17 novembro, 2008
Sorrio para não chorar

Porque saimos à rua
A maioria dos docentes são do sexo feminino, portanto cifra-se numa classe sensível, delicada com uma grande capacidade de adaptação e até de sofrimento, capaz de gerir os conflitos e as contradições com grande tolerância e responsabilidade; como são professoras e mães tudo o que vá afectar os alunos e as famílias é normalmente muito reflectido, pois o seu instinto maternal e de protecção à família é determinante. Os seus horários foram alterados, viram-se obrigados a fazer substituições, alinharam nos concursos para titulares…. até que chegou o momento de ler o despacho 2/2008. O desconforto instalou-se. Aperceberam-se que o organograma da avaliação divulgado como exagerado nos média correspondia à verdade. Descobriram a dificuldade em realizar todo o processo, e a contenção deixou de ser possível. Saíram à rua.
Fez-se um memorando de entendimento através dos sindicatos e assim foi possível terminar o ano lectivo.
Houve milhares de professores que até ao no final do ano lectivo foram poupados ao processo de interiorização deste modelo de avaliação.
Destacaram-se alguns professores titulares para organizar fichas e grelhas que dessem apoio a todo o processo, e esses afogaram-se nesta avaliação de desempenho. Os outros foram poupados. A palavra é mesmo essa: foram poupados.
Os titulares viveram o final do ano lectivo já completamente afogados em papeis e a trabalhar para além das 35h semanais, constataram e testaram a mostruosidade do presente modelo, difícil cumprir para os avaliados e devastador para os avaliadores, que sem qualquer formação na área de avaliação de adultos e de pares, serão os grandes obreiros e responsáveis pelo funcionamento de um processo com o qual não concordam.
Investigaram e descobriram que o modelo foi importado do Chile e apresentado sob a forma de grelhas comuns a todas as escolas e publicadas no site do ministério da educação. Então onde fica a autonomia das escolas? Efectivamente pode-se dar as voltas que quiser dar, mas no final de tudo a avaliação tem de se expressar nas tais grelhas do ministério.
As grelhas são iguais para todos, educadores, professores do 2º, 3º ciclos e secundário. Não distingue qualquer especificidade de cada nível de ensino, das diferentes disciplinas, dos níveis etários que são leccionados.
Logicamente, no tal grupo de trabalho, começaram desde logo os problemas, os paradoxos e as contradições a flutuar, tornando-se visível a incapacidade de levar este modelo à prática. Os docentes empenharam-se horas e horas, dias, semanas a estudar todo o processo, consultaram outros modelos de avaliação, e até consultaram o tal modelo Chileno em toda a sua dimensão, já que os secretários de estado só copiaram uma parte. Com as novas tecnologias de apoio à comunicação, foram trocadas informações com outras escolas: as questões foram discutidas em todas as suas vertentes.
Por vezes os nossos governantes dão quase que a entender que existe uma má interpretação da legislação. Isto é um discurso que pode colar noutras classes profissionais, na nossa só tem a capacidade de irritar ainda mais. Se os professores não tem a capacidade de ler e interpretar, então quem a terá?
Ainda houve o apoio dos CAE, fornecido por colegas a defender o modelo, mas sem soluções para enfrentar as dificuldades ou com soluções de algibeira que deixaram escandalizados muitos dos docentes presentes.
Nasceu aí o argumento que os professores é que complicam. Incapazes de entender que os docentes querem ser avaliados de forma justa, honesta, sem subjectividade, e de forma rigorosa, pedagógica e numa perspectiva formativa, avançam com SIMPLEXES dignos da sua completa incapacidade de resolver a grande alhada em que se meteram.
O ano lectivo terminou.
Os docentes titulares concluíram o ano lectivo esgotados, desdobrando-se em reuniões de grupo, departamento, conselhos pedagógicos ao longo do 3º período. No final esperava-os uma formação teórica dividida em vários módulos que não passou às questões praticas e que são aquelas que continuam a preocupar a classe docente.
As contradições de base continuam no decreto e em vigor.
Já todos perceberam que o que orienta este modelo não é uma avaliação com uma perspectiva formativa,de valorização do exercício da docência em prole dos alunos, mas sim economicista e penalizadora para o docente.
Este é o grande problema!
“Já que a educação não dá lucros palpáveis objectivados na bolsa, que se reduzam as despesas!”
O ministério não quer que todos os professores sejam excelentes, só quer que sejam alguns, e há que dificultar o mais possível, para ninguém chegar lá. O primeiro passo é engendrar um compliquex de burocracia para entreter o pessoal, e passar o discurso que os profs não querem trabalhar, para a opinião pública os trucidar.
Os profs gozaram o seu mês de férias, mas já a adivinhar o pesadelo que que os esperaria em Setembro.
Em Setembro começa tudo de novo com mais formação instantânea.
Como é habito e pedagogicamente correcto, iniciou-se o ano lectivo, planificando e organizando aulas, documentos, dossiers e foi aí que a maior parte dos docentes constataram a embrulhada em que estavam metidos.
Verificaram que de todos os actos educativos deveriam recolher as evidências, as provas para o avaliador posteriormente ter matéria para avaliar. Tomaram consciência que não basta reflectir sobre os actos educativos, não basta contactar com as turmas e constatar as suas dificuldades, não basta fazer diferenciação pedagógica, não basta conhecer a personalidade de cada aluno…. é preciso passar tudo isso ao papel.
Os professores impacientaram-se verificando a impossibilidade em esperarar pelo modelo corrigido no final do ano lectivo. As aulas iniciaram-se com muitos dos docentes cansados e desmotivados, e conscientes que tinham que travar o processo custasse o que custasse, independentemente da vontade e do acordo feito pela plataforma sindical.
Já em Março a ministra não foi suficientemente arguta, não entendeu que nenhum sindicato faz manifs de 100.000. Desvalorizou a existência de algo mais, de movimentos espontâneos que conseguem congregar as vontades de todos. O discurso anti-sindical está completamente ultrapassado. Até os sindicatos foram tomados pela surpresa da vontade de todos em acelerar o fim, também não conseguiram prever que rapidamente se iria instalar o caos nas escolas; conforme a informação circula em segundos, as atitudes e as decisões tem de ser tomadas também num outro ritmo. Os docentes vivem a instabilidade na escola das 8,10 às 21h e há que colocar rapidamente um ponto final.
Na situação actual a maioria das escolas ainda não entrou efectivamente em pleno processo de avaliação, portanto adivinha-se que se a ministra continuar com este braço de ferro, a escola vai colapsar, porque isto não é uma questão de teimosia dos professores, isto é uma efectiva impossibilidade de execução, de insustentabilidade.
Quer choba ou fassa sole, a luta continua
15 novembro, 2008
Porque saimos à rua
Parte IVO seu nível de formação divide-se em bacharéis, licenciados e mestrados.
Todos desempenham as mesmas funções, com mais ou menos qualidade.
A grande maioria possui formação pedagógica, mas a sua formação cientifica e especifica é efectivamente distinta.
As suas funções são iguais: dar aulas, interagir com os alunos, ser director de turma, ser coordenador ou ser delegado ou ser representante de grupo. A grande maioria dos professores já desempenhou todas esta funções, daí não ter sentido dividir a carreira em dois tipos de professores: professores titulares e não titulares.
14 novembro, 2008
Porque os profs saiem à rua
Integração na paisagem
13 novembro, 2008
Escola Infanta D. Maria
É com grande preocupação que temos vindo a assistir a situações que podem fazer perder progressivamente os atributos que nos levaram a procurar esta escola como a melhor para os nossos filhos. A grande quantidade de legislação que durante todo o ano passado foi chegando à escola obriga a um esforço enorme de reajustamento, perturbando a organização — o Conselho Executivo ficou totalmente mergulhado na burocracia, enquanto, pelo lado dos professores, o cansaço e a insatisfação, devido às mudanças que não aprovam ou não compreendem, contaminaram o clima geral, ameaçando parâmetros como a exigência. Arriscamo-nos a ter professores mais ocupados com a implementação das novas regras do que com a preparação das aulas e mais absorvidos com o futuro das suas carreiras do que com o futuro dos seus alunos.
Este ano lectivo, o grande número de professores que solicitou a aposentação na Escola Infanta D. Maria, mesmo sujeita a penalizações (20% dos professores da Escola, se contarmos as aposentações que se prevêem até final do ano) acrescido ao daqueles que tem recorrido a atestados médicos por doença — tem deixado muitos alunos sem aulas e tem sobrecarregado desmesuradamente os professores remanescentes com aulas de substituição (durante só uma semana no mês de Outubro deram-se 100 aulas de substituição!). Vemos cansaço prematuro e sinais de desmotivação em professores e alunos com risco para as aprendizagens, grupos disciplinares desfalcados dos seus elementos mais experientes (História perdeu todos os professores do quadro, Físico-Química perdeu 4 num grupo de 9), turmas do 7º ano desde 23 de Setembro até agora sem professor a disciplinas fundamentais como o Português!
Lamentando a perda de um corpo docente experiente e estável, uma das garantias de qualidade desta instituição, indagamos então:
— o que levará estes professores, que tanto têm ainda para dar ao sistema, a recorrer à aposentação prematura?
No passado, as aposentações aconteciam espaçadamente e de forma gradual; hoje, antecipam-se e acumulam-se. No passado, as substituições de professores podiam ser solicitadas semanalmente; hoje só podem ser pedidas por ciclos abertos quinzenalmente, o que atrasa visivelmente o processo e prejudica os alunos.
Somos, então, levados a perguntar:
— será este método de substituição de professores o mais adequado?
Estamos convictos de que certas mudanças eram necessárias, nomeadamente um processo de avaliação de desempenho dos professores, mas aos nossos olhos de Pais e Encarregados de Educação, a perturbação causada por este modelo de avaliação no funcionamento normal da escola prejudica o fundamental que é ensinar e aprender.
— irá este modelo de avaliação contribuir para uma escola melhor?
— não estaremos perante sinais de alerta que apontam para uma escola burocratizada em vez de uma escola de qualidade?
Não queremos perder professores disponíveis para os alunos, capazes de os motivar para a aprendizagem com entusiasmo e exigência, fazendo da qualidade das suas aulas o objectivo fundamental do seu desempenho profissional.
Não queremos ganhar, em vez disso, burocratas que esgotam as energias no preenchimento de tabelas, objectivos e planificações: é que podem passar a ver números no lugar dos rostos dos nossos filhos.
Por tudo isto decidimos que tínhamos que nos fazer ouvir!
Coimbra, 6 de Novembro de 2008
A Associação de Pais e Encarregados de Educação
da Escola Infanta D. Maria
12 novembro, 2008
Porque saímos à rua






Porque saimos à rua
Alguns cidadãos ainda não entenderam porque os professores saíram à rua, e porque o número de manifestantes vai aumentando aos milhares.
Para quem viu passar as manifestações em Lisboa não ficou certamente indiferente a esta união no protesto de toda uma classe profissional, de norte a sul do país, em que qualquer colagem ao partido x ou y, ou sindicato é pura demagogia. Todos os professores estão descontentes com as politicas deste Ministério da Educação, tanto na matéria que lhes diz directamente respeito, como com tudo que se legisla para a escola pública, sem ouvir os directamente envolvidos nessa escola.
Os professores estão zangados, desmotivados, sem paciência, mas UNIDOS como nunca o estiveram antes e com espírito de VENCEDORES.
Os professores foram maltratados, difamados e espezinhados, pela subtis afirmações dos seus superiores da 5 de Outubro, vendo-se envolvidos num processo de desprestígio duma profissão amplamente divulgado pelos média. Alguns “fazedores de opinião” continuam a massacrar toda uma classe com a sua verborreia mal intencionada e complexada sabe-se lá porque.
Quando se esgotam os argumentos contra os professores, apela-se a um perfil de um professor impedido de se manifestar, amordaçado e imobilizado ainda pelas grilhetas do Estado Novo, como imagem do dever e da obediência cega, que deve servir de exemplo para os seus alunos.
Estive orgulhosamente nas duas manifestações e estarei nas próximas que vierem, e os meus alunos admiram-me também por isso.
Não vi ninguém a causar distúrbios, não se atiraram coktails molofs, nem very lights, nem ovos nem tomates, ninguém se despiu e mostrou a sua nudez, ninguém fez gestos obscenos ou provocatórios, ninguém utilizou português carroceiro,… todos respeitaram os agentes policiais.
Para quem não sabe, as manifestações são legalmente autorizadas, e pode-se transportar faixas com slogans, pode-se gritar palavras de ordem, pode-se sorrir, pode-se ter sentido de humor…. Não sei onde está o mau exemplo.
Mais de 120.000 professores e educadores encheram as principais ruas da baixa de Lisboa. Nenhum sindicato consegue esta proeza! Esta união deve-se aos sindicatos, aos movimentos que surgiram espontaneamente e essencialmente a nós docentes, que temos cabeça para pensar e se indignar.
PS nunca mais!

TARTARUGA EM CIMA DUM POSTE
Enquanto suturava uma ferida na mão de um velho lavrador, o médico e o doente começaram a conversar sobre a recente manifestação de professores e o descontentamento da classe, relativamente às políticas educativas do Governo.
Então o velhinho disse:
- Bom, o senhor sabe... Essa tal ministra, é uma tartaruga em cima dum poste...
Sem saber o que o camponês queria dizer, o médico perguntou o que era uma tartaruga num poste.
O camponês explicou:
- É quando o senhor vai por uma estradinha e vê um poste de vedação, em arame farpado, com uma tartaruga equilibrando-se em cima dele. Isto é, uma tartaruga em cima dum poste...
O velho camponês olhou para a cara de espanto do médico e, vendo que ele ainda não tinha compreendido, continuou com a explicação:
- Você não entende como ela chegou lá;
você não acredita que ela esteja lá;
você sabe que ela não subiu para lá sozinha; você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá; você sabe que ela não vai conseguir fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;
então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá!
11 novembro, 2008
"Pânico na 5 de Outubro
A história do mandato deste Governo está recheado de numerosas "gaffes" públicas de vários ministros, com destaque para os da Economia ("a crise acabou"), das Finanças ("o sistema bancário português não vai precisar de nenhuma intervenção financeira") ou das Obras Públicas (aeroporto na margem sul, jamais!...). Lurdes Rodrigues também quer subir ao podium do disparate político. As suas reacções ao 8 de Novembro são... do outro mundo! (ver comunicado da FENPROF de 9/11).Visivelmente transtornada, a docente do ISCTE deixou os portugueses que a viram na TV estupefactos com os fantasmas que a senhora foi desenterrar, só possíveis na imaginação de quem está em pânico.Aquela da "intimidação" e da "chantagem" provocadas por uma manifestação de mais de 120 000 cidadãos pacíficos não lembra nem ao diabo!... A sugestão aqui fica: para não atormentarem a senhora Ministra, os Sindicatos, cada vez que organizarem uma manifestação, terão que a dividir em duas etapas: 60 000 docentes manifestam-se ao sábado e os outros 60 000 ao domingo... /
O que queremos para os nossos filhos
se não abrir aceda a
http://www.overstream.net/view.php?oid=l6ssere6l3uj
10 novembro, 2008
Um número crescente nas manifestações de rua não demovem Maria de Lurdes e Sócrates dos seus intentos: destruir a escola pública. Onde andarão os srs do PS do slogan da paixão pela educação? Estarão amordaçados aos seu Jobs? Porque não manifestam a sua opinião?
Em Março, não chegaram 100 mil na rua, há dois dias não chegaram 120 mil. Ofereçam uma máquina de calcular à sra ministra, pois se quase todos os profs estão na rua, como é que a maioria está a fazer o processo de avaliação felizes e contentes?
Este processo não tem volta. Como não somos arruaceiros continuaremos serenos e bem comportados, iremos para a rua as vezes que sejam necessárias e o voto será a nossa arma definitiva.





















