14 novembro, 2008
Integração na paisagem
13 novembro, 2008
Escola Infanta D. Maria
É com grande preocupação que temos vindo a assistir a situações que podem fazer perder progressivamente os atributos que nos levaram a procurar esta escola como a melhor para os nossos filhos. A grande quantidade de legislação que durante todo o ano passado foi chegando à escola obriga a um esforço enorme de reajustamento, perturbando a organização — o Conselho Executivo ficou totalmente mergulhado na burocracia, enquanto, pelo lado dos professores, o cansaço e a insatisfação, devido às mudanças que não aprovam ou não compreendem, contaminaram o clima geral, ameaçando parâmetros como a exigência. Arriscamo-nos a ter professores mais ocupados com a implementação das novas regras do que com a preparação das aulas e mais absorvidos com o futuro das suas carreiras do que com o futuro dos seus alunos.
Este ano lectivo, o grande número de professores que solicitou a aposentação na Escola Infanta D. Maria, mesmo sujeita a penalizações (20% dos professores da Escola, se contarmos as aposentações que se prevêem até final do ano) acrescido ao daqueles que tem recorrido a atestados médicos por doença — tem deixado muitos alunos sem aulas e tem sobrecarregado desmesuradamente os professores remanescentes com aulas de substituição (durante só uma semana no mês de Outubro deram-se 100 aulas de substituição!). Vemos cansaço prematuro e sinais de desmotivação em professores e alunos com risco para as aprendizagens, grupos disciplinares desfalcados dos seus elementos mais experientes (História perdeu todos os professores do quadro, Físico-Química perdeu 4 num grupo de 9), turmas do 7º ano desde 23 de Setembro até agora sem professor a disciplinas fundamentais como o Português!
Lamentando a perda de um corpo docente experiente e estável, uma das garantias de qualidade desta instituição, indagamos então:
— o que levará estes professores, que tanto têm ainda para dar ao sistema, a recorrer à aposentação prematura?
No passado, as aposentações aconteciam espaçadamente e de forma gradual; hoje, antecipam-se e acumulam-se. No passado, as substituições de professores podiam ser solicitadas semanalmente; hoje só podem ser pedidas por ciclos abertos quinzenalmente, o que atrasa visivelmente o processo e prejudica os alunos.
Somos, então, levados a perguntar:
— será este método de substituição de professores o mais adequado?
Estamos convictos de que certas mudanças eram necessárias, nomeadamente um processo de avaliação de desempenho dos professores, mas aos nossos olhos de Pais e Encarregados de Educação, a perturbação causada por este modelo de avaliação no funcionamento normal da escola prejudica o fundamental que é ensinar e aprender.
— irá este modelo de avaliação contribuir para uma escola melhor?
— não estaremos perante sinais de alerta que apontam para uma escola burocratizada em vez de uma escola de qualidade?
Não queremos perder professores disponíveis para os alunos, capazes de os motivar para a aprendizagem com entusiasmo e exigência, fazendo da qualidade das suas aulas o objectivo fundamental do seu desempenho profissional.
Não queremos ganhar, em vez disso, burocratas que esgotam as energias no preenchimento de tabelas, objectivos e planificações: é que podem passar a ver números no lugar dos rostos dos nossos filhos.
Por tudo isto decidimos que tínhamos que nos fazer ouvir!
Coimbra, 6 de Novembro de 2008
A Associação de Pais e Encarregados de Educação
da Escola Infanta D. Maria
12 novembro, 2008
Porque saímos à rua






Porque saimos à rua
Alguns cidadãos ainda não entenderam porque os professores saíram à rua, e porque o número de manifestantes vai aumentando aos milhares.
Para quem viu passar as manifestações em Lisboa não ficou certamente indiferente a esta união no protesto de toda uma classe profissional, de norte a sul do país, em que qualquer colagem ao partido x ou y, ou sindicato é pura demagogia. Todos os professores estão descontentes com as politicas deste Ministério da Educação, tanto na matéria que lhes diz directamente respeito, como com tudo que se legisla para a escola pública, sem ouvir os directamente envolvidos nessa escola.
Os professores estão zangados, desmotivados, sem paciência, mas UNIDOS como nunca o estiveram antes e com espírito de VENCEDORES.
Os professores foram maltratados, difamados e espezinhados, pela subtis afirmações dos seus superiores da 5 de Outubro, vendo-se envolvidos num processo de desprestígio duma profissão amplamente divulgado pelos média. Alguns “fazedores de opinião” continuam a massacrar toda uma classe com a sua verborreia mal intencionada e complexada sabe-se lá porque.
Quando se esgotam os argumentos contra os professores, apela-se a um perfil de um professor impedido de se manifestar, amordaçado e imobilizado ainda pelas grilhetas do Estado Novo, como imagem do dever e da obediência cega, que deve servir de exemplo para os seus alunos.
Estive orgulhosamente nas duas manifestações e estarei nas próximas que vierem, e os meus alunos admiram-me também por isso.
Não vi ninguém a causar distúrbios, não se atiraram coktails molofs, nem very lights, nem ovos nem tomates, ninguém se despiu e mostrou a sua nudez, ninguém fez gestos obscenos ou provocatórios, ninguém utilizou português carroceiro,… todos respeitaram os agentes policiais.
Para quem não sabe, as manifestações são legalmente autorizadas, e pode-se transportar faixas com slogans, pode-se gritar palavras de ordem, pode-se sorrir, pode-se ter sentido de humor…. Não sei onde está o mau exemplo.
Mais de 120.000 professores e educadores encheram as principais ruas da baixa de Lisboa. Nenhum sindicato consegue esta proeza! Esta união deve-se aos sindicatos, aos movimentos que surgiram espontaneamente e essencialmente a nós docentes, que temos cabeça para pensar e se indignar.
PS nunca mais!

TARTARUGA EM CIMA DUM POSTE
Enquanto suturava uma ferida na mão de um velho lavrador, o médico e o doente começaram a conversar sobre a recente manifestação de professores e o descontentamento da classe, relativamente às políticas educativas do Governo.
Então o velhinho disse:
- Bom, o senhor sabe... Essa tal ministra, é uma tartaruga em cima dum poste...
Sem saber o que o camponês queria dizer, o médico perguntou o que era uma tartaruga num poste.
O camponês explicou:
- É quando o senhor vai por uma estradinha e vê um poste de vedação, em arame farpado, com uma tartaruga equilibrando-se em cima dele. Isto é, uma tartaruga em cima dum poste...
O velho camponês olhou para a cara de espanto do médico e, vendo que ele ainda não tinha compreendido, continuou com a explicação:
- Você não entende como ela chegou lá;
você não acredita que ela esteja lá;
você sabe que ela não subiu para lá sozinha; você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá; você sabe que ela não vai conseguir fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;
então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá!
11 novembro, 2008
"Pânico na 5 de Outubro
A história do mandato deste Governo está recheado de numerosas "gaffes" públicas de vários ministros, com destaque para os da Economia ("a crise acabou"), das Finanças ("o sistema bancário português não vai precisar de nenhuma intervenção financeira") ou das Obras Públicas (aeroporto na margem sul, jamais!...). Lurdes Rodrigues também quer subir ao podium do disparate político. As suas reacções ao 8 de Novembro são... do outro mundo! (ver comunicado da FENPROF de 9/11).Visivelmente transtornada, a docente do ISCTE deixou os portugueses que a viram na TV estupefactos com os fantasmas que a senhora foi desenterrar, só possíveis na imaginação de quem está em pânico.Aquela da "intimidação" e da "chantagem" provocadas por uma manifestação de mais de 120 000 cidadãos pacíficos não lembra nem ao diabo!... A sugestão aqui fica: para não atormentarem a senhora Ministra, os Sindicatos, cada vez que organizarem uma manifestação, terão que a dividir em duas etapas: 60 000 docentes manifestam-se ao sábado e os outros 60 000 ao domingo... /
O que queremos para os nossos filhos
se não abrir aceda a
http://www.overstream.net/view.php?oid=l6ssere6l3uj
10 novembro, 2008
Um número crescente nas manifestações de rua não demovem Maria de Lurdes e Sócrates dos seus intentos: destruir a escola pública. Onde andarão os srs do PS do slogan da paixão pela educação? Estarão amordaçados aos seu Jobs? Porque não manifestam a sua opinião?
Em Março, não chegaram 100 mil na rua, há dois dias não chegaram 120 mil. Ofereçam uma máquina de calcular à sra ministra, pois se quase todos os profs estão na rua, como é que a maioria está a fazer o processo de avaliação felizes e contentes?
Este processo não tem volta. Como não somos arruaceiros continuaremos serenos e bem comportados, iremos para a rua as vezes que sejam necessárias e o voto será a nossa arma definitiva.
09 novembro, 2008
06 novembro, 2008
05 novembro, 2008
TEXTO DE JOSÉ MATIAS ALVES ( ex elemento da CCAP )Quinta-feira, Outubro 30, 20088 de Novembro Sempre pensei e escrevi e disse que este modelo de avaliação de desempenho era impossível. Sempre pensei e escrevi e disse que era desejável que este ano lectivo se seguisse a recomendação nº 2 do CCAP. Porque permitia às escolas e aos professores organizarem-se numa outra lógica de acção: mais sensata, mais económica, mais holística. Com, provavelmente, menos danos colaterais. Com menos falsificações. Com menos faz-de-conta. Não que se resolvesse o problema de fundo. Mas, a meu ver, atenuava-se e poderia permitir ambientes mais respiráveis até uma revisão obrigatória para o 2º ciclo avaliativo. Que vai ser inevitável.
Agora, um número indeterminado de escolas e de docentes vivem na asfixia. Na maldição do tempo. Na invenção de realidades. Na fuga. Na revolta mais ou menos latente. A raiar o esgotamento e a desmotivação. Não serão todas. Mas serão, provavelmente, a maioria.
E isto causa dilacerantes problemas éticos. Ameaças identitárias cujos impactos no ser e estar na profissão são muito difíceis de prever. Ninguém está a ganhar nestes ambientes. Todos estão a perder. Os alunos, as famílias, os professores, as escolas. Em última análise, o próprio Ministério. Obviamente.
Salvam-se apenas aquelas (suponho que poucas) escolas que tiveram a inteligência (e alguma ousadia) de colocar os alunos primeiro. De centrarem a acção e o tempo dos professores na tarefa de ensinar e de avaliar o resultado da sua acção profissional. De criarem dispositivos de securização.
Como professor que procura ler e compreender o que (não) se passa, não posso deixar de compreender as razões e os sentimentos que vão levar os professores e educadores a Lisboa no dia 8 de Novembro (no que à avaliação de desempenho diz respeito). E de desejar que um compromisso seja possível em nome do mais importante: as pessoas e as suas aprendizagens.




