
12 outubro, 2008
11 outubro, 2008
Cartazes de RAFAL OBLINSKI
09 outubro, 2008
08 outubro, 2008
07 outubro, 2008
Musseques de Luanda

Musseques de Luanda
A cidade de Luanda concentra 3 cidades:
1 - A cidade "colonial" - centro administrativo, dos negócios e urbanizada antes de 1974.
2 - Os musseques - onde moram a maioria dos citadinos.
3 - Os subúrbios de luxo.
OS MUSSEQUES DE LUANDAA palavra musseque tem origem no kimbundo (mu seke) e significa areia vermelha.A um dado momento, musseque, passa a designar os grupos de palhotas, que se adensam no alto das barrocas e que por semelhança à SEKE (vermelho ocre) toma o nome do material (areia) sobre o qual se implantam. O seu desenvolvimento está intimamente ligado ao da cidade propriamente dita.
A partir de 1962, a febre da construção civil e o lançamento da indústria, fascina cada vez mais as populações rurais que abandonam os seus locais de origem e migram para a cidade grande, Luanda. Estas gentes instalam-se nos musseques e reagrupam-se segundo as suas origens.
Os musseques passam a designar o espaço social dos colonizados, assalariados, reduto da mão de obra barata e de reserva, ao crescimento colonial, colocados à margem do processo urbano, surgindo como espaço dos marginalizados, e cuja fisionomia está em constante transformação.
Em 1974, Luanda conta com quase meio milhão de habitantes onde se inclui 340.000 africanos. Nessa época, na planta da cidade, já se podem distinguir três grandes zonas de musseques, organizadas segundo as principais linhas de expansão da cidade:
- A este - localizam-se os musseques mais antigos, Sambizanga, Mota, Lixeira, Marçal, Rangel (o mais populoso), Adriano Moreira e Cazenga (o mais extenso).
- A sul - Calemba, Cemitério Novo e Golfe.
- A sudoeste - Catambor e Prenda, este último "premiado" no início da década com um arranhacéus de betão.
No meio da cidade nova e completamente engolido pelas novas avenidas, e respectivas construções, localiza-se o pequeno B.O. (bairro operário).
O aspecto construtivo diferenciado surge de acordo com a origem dos seus habitantes, a sua ocupação e o grau de adaptação à cidade; existe sempre um traço comum - a organização do espaço.
O musseque é fechado sobre si mesmo, num entrelaçado complexo e orgânico de ruelas, "pracetas" e corredores. As ruas são estreitas, verdadeiros corredores ou espaços de passagem, com a largura de um homem, desconhecendo qualquer tipo de planeamento, respondendo apenas à possibilidade de acesso peatonal aos espaços mais reconditos do coração do musseque, ocupando apenas os pequenos espaços sobrantes entre cada construção. Estes corredores são delimitados pelas próprias construções e por vedações, sustentadas por estacas, e fechadas com diversos materias recuperados nos lixos e abandonados nas obras (lata e desperdícios), fazendo lembrar verdadeiras paliçadas, interrompidas por janelas e portas com as mesmas características.
A configuração caótica e fechada, favoreceu, a formação da personalidade e da identidade nacional no seio do povo, o desenvolvimento da resistência ao colonialismo e a construção de um espírito revolucionário, que tanto inspirou poetas, contadores de histórias e cantores populares.
A história tem confirmado ao longo do tempo (para mal de qualquer ditadura), que a densificação urbana permite a organização e a propagação de ideais revolucionários.
As recentes destruições causadas pela guerra civil, os massacres, e o exôdo das populações do interior, à procura de refúgio dos combates, transformam completamente o aspecto dos musseques de Luanda.
A população actual de Luanda é de 4,5 milhões de habitantes, perto dos 5 milhões - 8 vezes mais que em 1974 - provocando a exaustão da cidade, com ¾ da população a viver em musseques.
Ao longo de três décadas, os musseques deixam de ser bolsas da malha urbana Luandense, passando a grandes manchas disformes, ao redor do núcleo urbano, que foram crescendo desordenadamente, sem qualquer controle, ignorando qualquer determinação urbanistíca (não existe uma polítca de desenvolvimento urbano), absorvendo cada vez mais pessoas, e sem condições de salubridade.
A comuna N'Gola Kiluange, situada na área de Sambizanga tem uma população, estimada em 1994, de 125.000, com crescimento anual de 18%.
As casas, ou se preferirem, os espaços precários destinados à função de habitar, são construídas em adobe, com frágeis fundações, outras, não passam de barracas ou refugios improvisados; concentram-se junto das estradas, desadaptadas à morfologia dos terrenos de suporte, não resistindo por vezes às enxurradas da época das chuvas torrenciais e com esgotos a céu a aberto.
A inexistência de infraestruturas, redes de abastecimento de água, electricidade, recolha de esgotos, águas pluviais e de lixos, é uma constante ameaça à saúde pública - malária, tuberculose, cólera, hepatite, mortalidade infantil elevada, etc. - empurrando esta gente, esquecida e amontoada ao longo dos anos, para níveis de extrema pobreza.
Anabela Quelhas - 2006/07/21
04 outubro, 2008
TRABALHO DOS PROFESSORES
Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008
Resposta a um comentário
Optei por colocar na página principal do blogue a minha resposta ao comentário de um anónimo (comentário relativo ao artigo intitulado «A propósito de “Acabou o facilitismo”»), porque o assunto tratado é muitas vezes discutido de forma leviana pelo senso comum e, também, ainda que mais subtilmente, pelo discurso político da Ministra da Educação.Segue o comentário do anónimo leitor e, depois, a resposta.
Resposta a um comentário
Optei por colocar na página principal do blogue a minha resposta ao comentário de um anónimo (comentário relativo ao artigo intitulado «A propósito de “Acabou o facilitismo”»), porque o assunto tratado é muitas vezes discutido de forma leviana pelo senso comum e, também, ainda que mais subtilmente, pelo discurso político da Ministra da Educação.Segue o comentário do anónimo leitor e, depois, a resposta.
Comentário:«Este senhor professor parece que não gosta mesmo do governo. Vocês professores estavam é muito mal habituados, apareceu alguém que vos pôs na linha e agora estão muito zangados. O que os professores têm é falta de hábito de trabalho. São muitas férias. É muito descanso. É no Natal, é no Carnaval, é na Páscoa, é no Verão. Conhecem mais alguém que tenha tanto descanso? Quando se habituarem a trabalhar como os outros, já não vão ter tempo para protestar. Não gostam, mas tem de ser. Paciência. Trabalhinho, trabalhinho.»Anónimo (18/9/08)
Resposta
Caro anónimo indignado com a indignação dos professores,
Os homens (e as mulheres) não se medem aos palmos, medem-se, entre outras coisas, por aquilo que afirmam, isto é, por saberem ou não saberem o que dizem e do que falam.
O caro anónimo mostra-se indignado (apesar de não aceitar que os professores também se possam indignar — dualidade de critérios deste nosso estimado anónimo..., mas passemos à frente) com o excesso de descanso dos professores: afirma que descansamos no Natal, no Carnaval, na Páscoa e no Verão, (esqueceu-se de mencionar que também descansamos aos feriados e fins-de-semana). E o nosso prezado anónimo insurge-se veementemente contra tão desmesurada dose de descanso de que os professores usufruem e de que, ao que parece, ninguém mais usufrui.
Ora vamos lá ver se o nosso atento e sagaz anónimo tem razão. Vai perdoar-me, mas, nestas coisas, só lá vamos com contas.O horário semanal de trabalho do professor é 35 horas. Dessas trinta e cinco, 11 horas (em alguns casos até são apenas dez) são destinadas ao seu trabalho individual, que cada um gere como entende. As outras 24 horas são passadas na escola: a leccionar, a dar apoio, em reuniões, em aulas de substituição, em funções de direcção de turma, de coordenação pedagógica, etc., etc.
Bom, centremo-nos naquelas 11 horas que estão destinadas ao trabalho que é realizado pelo professor fora da escola (já que na escola não há quaisquer condições de o realizar): preparação de aulas, elaboração de testes, correcção de testes, correcção de trabalhos de casa, correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo, investigação e formação contínua.
Agora, vamos imaginar que um professor, a quem podemos passar a chamar de Simplício, tem 5 turmas, 3 níveis de ensino, e que cada turma tem 25 alunos (há casos de professores com mais turmas, mais alunos e mais níveis de ensino e há casos com menos ¬— ficamos por uma situação média, se não se importar).
Para sabermos o quanto este professor trabalha ou descansa, temos de contar as suas horas de trabalho. Vamos lá, então, contar:
1. Preparação de aulas: considerando que tem duas vezes por semana cada uma dessas turmas e que tem três níveis diferentes de ensino, o professor Simplício precisa de preparar, no mínimo, 6 aulas por semana (estou a considerar, hipoteticamente, que as turmas do mesmo nível são exactamente iguais — o que não acontece — e que, por isso, quando prepara para uma turma também já está a preparar para a outra turma do mesmo nível). Vamos considerar que a preparação de cada aula demora 1 hora. Significa que, por semana, despende 6 horas para esse trabalho. Se o período tiver 14 semanas, como é o caso do 1.º período do presente ano lectivo, o professor gasta um total de 84 horas nesta tarefa.
2. Elaboração de testes: imaginemos que o prof. Simplício realiza, por período, dois testes em cada turma. Significa que tem de elaborar dez testes. Vamos imaginar que ele consegue gastar apenas 1 hora para preparar, escrever e fotocopiar o teste (estou a ser muito poupado, acredite), quer dizer que consome, num período, 10 horas neste trabalho.
3. Correcção de testes: o prof. Simplício tem, como vimos, 125 alunos, isto implica que ele corrige, por período, 250 testes. Vamos imaginar que ele consegue corrigir cada teste em 25 minutos (o que, em muitas disciplinas, seria um milagre, mas vamos admitir que sim, que é possível corrigir em tão pouco tempo), demora mais de 104 horas para conseguir corrigir todos os testes, durante um período.
4. Correcção de trabalhos de casa: consideremos que o prof. Simplício só manda realizar trabalhos para casa uma vez por semana e que corrige cada um em 10 minutos. No total são mais de 20 horas (isto é, 125 alunos x 10 minutos) por semana. Como o período tem 14 semanas, temos um resultado final de mais de 280 horas.
5. Correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo: vamos pensar que o prof. Simplício manda realizar apenas um trabalho de grupo, por período, e que cada grupo é composto por 3 alunos; terá de corrigir cerca de 41 trabalhos. Vamos também imaginar que demora apenas 1 hora a corrigir cada um deles (os meus colegas até gargalham, ao verem estes números tão minguados), dá um total de 41 horas.
6. Investigação: consideremos que o professor dedica apenas 2 horas por semana a investigar, dá, no período, 28 horas (2h x 14 semanas).
7. Acções de formação contínua: para não atrapalhar as contas, nem vou considerar este tempo.Vamos, então, somar isto tudo:84h+10h+104h+280h+41h+28h=547 horas.
Multipliquemos, agora, as 11horas semanais que o professor tem para estes trabalhos pelas 14 semanas do período: 11hx14= 154 horas.Ora 547h-154h=393 horas.
Significa isto que o professor trabalhou, no período, 393 horas a mais do que aquelas que lhe tinham sido destinadas para o efeito.
Vamos ver, de seguida, quantos dias úteis de descanso tem o professor no Natal. No próximo Natal, por exemplo, as aulas terminam no dia 18 de Dezembro. Os dias 19, 22 e 23 serão para realizar Conselhos de Turma, portanto, terá descanso nos seguintes dias úteis: 24, 26, 29 30 e 31 de Dezembro e dia 2 de Janeiro. Total de 6 dias úteis. Ora 6 dias vezes 7 horas de trabalho por dia dá 42 horas.
Então, vamos subtrair às 393 horas a mais que o professor trabalhou as 42 horas de descanso que teve no Natal, ficam a sobrar 351 horas. Quer dizer, o professor trabalhou a mais 351 horas!! Isto em dias de trabalho, de 7 horas diárias, corresponde a 50 dias!!!
O professor Simplício tem um crédito sobre o Estado de 50 dias de trabalho. Por outras palavras, o Estado tem um calote de 50 dias para com o prof. Simplício.Pois é, não parecia, pois não, caro anónimo? Mas é isso que o Estado deve, em média, a cada professor no final de cada período escolar.
Ora, como o Estado somos todos nós, onde se inclui, naturalmente, o nosso prezado anónimo, (pressupondo que, como nós, tem os impostos em dia) significa que o estimado anónimo, afinal, está em dívida para com o prof. Simplício. E ao contrário daquilo que o nosso simpático anónimo afirmava, os professores não descansam muito, descansam pouco!
Veja lá os trabalhos que arranjou: sai daqui a dever dinheiro a um professor.
Mas, não se incomode, pode ser que um dia se encontrem e, nessa altura, o amigo paga o que deve.
http://www.oestadodaeducacao.blogspot.com/
http://www.oestadodaeducacao.blogspot.com/
Assino por baixo
03 outubro, 2008
Dennis McShade
Machado, Dinis - Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquez, Bertrand, 1984
Machado, Dinis - Mão Direita do Diabo, Colecção Rififi, D.Quixote, 1968
Machado, Dinis - Mulher e Arma com Guitarra Espanhola, Coleccão Rififi, D.Quixote, 1968
Machado, Dinis- O que diz Molero, Bertrand, 1977
Machado, Dinis- Reduto quase final, Bertrand,1989
Machado, Dinis- Requiem para D.Quixote, Colecção Rififi, D.Quixote 1968
Machado, Dinis - Mão Direita do Diabo, Colecção Rififi, D.Quixote, 1968
Machado, Dinis - Mulher e Arma com Guitarra Espanhola, Coleccão Rififi, D.Quixote, 1968
Machado, Dinis- O que diz Molero, Bertrand, 1977
Machado, Dinis- Reduto quase final, Bertrand,1989
Machado, Dinis- Requiem para D.Quixote, Colecção Rififi, D.Quixote 1968
O Que Diz Molero não foi o primeiro livro de Dinis Machado. Ou por timidez ou porque o nome britanico talvez vende-se melhor, assinava Dennis McShade.
Dennis McShade faleceu hoje.
26 setembro, 2008
24 setembro, 2008
Hotel cápsula - Tóquio

Hotel da cápsulaO conceito de hotel cápsula aparece dos anos setenta, em consequência do crescimento da população urbana, nas grandes cidades do Japão. Os principais clientes dos hotéis cápsula são os trabalhadores de escritório que trabalham nos centros urbanos e que não têm tempo para ir a casa descansar, quer ao fim do dia, quer à hora do almoço, ou até porque perderam o ultimo transporte público para casa.
Este hotel é um habitáculo de dimensões mínimas 0,90X1,80X1,00m, que se assemelha a uma cápsula ou a uma caixa que tem praticamente a medida do colchão, pouco mais. Estas cápsulas normalmente têm um corredor comum de acesso a várias unidades que podem até sobrepor-se, pois a sua altura é também reduzida.
A imagem do corredor de acesso às cápsulas tem algumas semelhanças ao corredor da morgue, ou ao corredor de acesso aos gavetões dos cemitérios.
Claro que a tecnologia está ao lado dos Japoneses, permitindo-lhes dar algum conforto aos seus utilizadores que podem usufruir de sistema de aquecimento/arrefecimento, tv, som, computador…. O ar de gavetão tem sido amenizado ao longo dos anos, com superfícies transparentes quebrando bastante a característica claustrofóbica dos primeiros hotéis.
Devido à sua rentabilização do espaço, conseguem oferecer preços competitivos com os hotéis de mais baixa categoria. Há hotéis que só admitem homens. Outros há já com um mini wc incorporado, que foram projectados a pensar exactamente nos workaholics
É aqui onde os workaholics podem dormir uma soneca depois do almoço.
Actualmente os turistas que visitam o Japão não abdicam de uma noite dormida nesse mini alojamento.
Este hotel é um habitáculo de dimensões mínimas 0,90X1,80X1,00m, que se assemelha a uma cápsula ou a uma caixa que tem praticamente a medida do colchão, pouco mais. Estas cápsulas normalmente têm um corredor comum de acesso a várias unidades que podem até sobrepor-se, pois a sua altura é também reduzida.
A imagem do corredor de acesso às cápsulas tem algumas semelhanças ao corredor da morgue, ou ao corredor de acesso aos gavetões dos cemitérios.
Claro que a tecnologia está ao lado dos Japoneses, permitindo-lhes dar algum conforto aos seus utilizadores que podem usufruir de sistema de aquecimento/arrefecimento, tv, som, computador…. O ar de gavetão tem sido amenizado ao longo dos anos, com superfícies transparentes quebrando bastante a característica claustrofóbica dos primeiros hotéis.
Devido à sua rentabilização do espaço, conseguem oferecer preços competitivos com os hotéis de mais baixa categoria. Há hotéis que só admitem homens. Outros há já com um mini wc incorporado, que foram projectados a pensar exactamente nos workaholics
É aqui onde os workaholics podem dormir uma soneca depois do almoço.
Actualmente os turistas que visitam o Japão não abdicam de uma noite dormida nesse mini alojamento.

Esta já é um luxo!!!!!!!!!!!
22 setembro, 2008
21 setembro, 2008
Andy Mckee e Dan LaVoie

Repetindo-me ou talvez não, ontem à noite fui rever Andy Mckee, desta vez junto com Dan LaVoie. Ambos com as suas harp guitars. Este ano com novo visual, Andy deixou de rapar o cabelo. Continua virtuoso, simpático e divertido. Deixei-me embalar pelos seus acordes musicais, fui espreitando em mundos paralelos ao meu, que ele ia sonorizando, contornando obstáculos e invadindo-me de cadências de noites de luar.
Senti-me poeta (isa), semicerrei o olhar e deixei povoar a minha consciência de sons coloridos, organizados numa geometria mandálica que só ele sabe musicar , mas incapaz de descortinar as formulas matemáticas que lhe subsistem.
O Douro Jazz, em ambas as vezes, no ano passado ao ar livre, este ano em espectáculo interior, oferece-nos este instrumentista americano genial do fingerstyle que é verdadeiramente imperdível. Conheci-o através das gerações mais novas que utilizam o canal You tube para saber das novidades, e fiquei fâ. No vídeo, Andy parece muito mais velho do que na verdade é, ainda nem tem 30 anos. Um mimo!
Dan LaVoie, talvez menos conhecido que Mckee, também utiliza a harp guitar que toca com grande mestria, dado que ele é só um dos melhores do mundo. No espectáculo, injustamente, fica um pouco em segundo plano, pois a estrela é Mckee, que tem a capacidade de por as plateias animadíssimas.
Voltarei sempre.
O Douro Jazz, em ambas as vezes, no ano passado ao ar livre, este ano em espectáculo interior, oferece-nos este instrumentista americano genial do fingerstyle que é verdadeiramente imperdível. Conheci-o através das gerações mais novas que utilizam o canal You tube para saber das novidades, e fiquei fâ. No vídeo, Andy parece muito mais velho do que na verdade é, ainda nem tem 30 anos. Um mimo!
Dan LaVoie, talvez menos conhecido que Mckee, também utiliza a harp guitar que toca com grande mestria, dado que ele é só um dos melhores do mundo. No espectáculo, injustamente, fica um pouco em segundo plano, pois a estrela é Mckee, que tem a capacidade de por as plateias animadíssimas.
Voltarei sempre.
20 setembro, 2008
18 setembro, 2008
ELVIRA FORTUNATO

Elvira Fortunato, cientista portuguesa de micro-electrónica, uma das melhores do mundo
26 08 2008
Inovação Mundial - Universidade Nova produz primeiros transístores com papel
Os dispositivos poderão ser usados em ecrãs de papel, etiquetas, chips de identificação e aplicações médicas.
Citação do Expresso de 21 de Julho de 2008:
Uma equipa de cientistas do Centro de Investigação de Materiais (Cenimat) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, liderada por Elvira Fortunato e Rodrigo Martins, conseguiu produzir pela primeira vez em todo o mundo transístores com uma camada de papel que são tão competitivos como os melhores transístores de filme fino baseados em óxidos semicondutores, área de investigação de ponta em que o Cenimat detém patentes internacionais.
Transístor de papel desenvolvido em Portugal, na Universidade Nova de Lisboa
Os resultados obtidos “auguram promissoras aplicações no campo da electrónica descartável”, afirma um comunicado da reitoria da Universidade Nova divulgado hoje. Os novos transístores poderão, assim, ser usados em ecrãs de papel, etiquetas e pacotes inteligentes, “chips” de identificação e aplicações médicas. E a produção em larga escala será facilitada pelo baixo custo do papel no mercado mundial.
A celulose é o principal biopolímero existente no nosso planeta e a indústria electrónica está a investir cada vez mais no desenvolvimento de dispositivos com biopolímeros, devido a seu baixo custo, tendo surgido alguns estudos a nível internacional sobre a utilização do papel como suporte físico de componentes electrónicos. Mas é a primeira vez que se utiliza papel como parte integrante de um transístor.
O Cenimat fabricou transístores de filme fino onde o isolante eléctrico - ou dieléctrico - é feito em papel vegetal ou de fotocópia. Um transístor é constituído por três terminais: a fonte, o dreno e a porta (ver ilustração). Nos dispositivos produzidos pelos investigadores da Universidade Nova - os chamados transístores de efeito de campo (FET-Field Effect Transistor, em língua inglesa) - a corrente eléctrica que passa entre a fonte e o dreno é controlada pela tensão aplicada à porta, que tem de estar isolada. A inovação consistiu precisamente no uso do papel para esse efeito num dos lados, e como suporte do próprio dispositivo no outro.
Recorde-se que no final de Maio foi apresentada em Los Angeles uma nova geração de mostradores da Samsung a aplicar em telemóveis e outros suportes, desenvolvida pelo Cenimat e que usa novos materiais cerâmicos com propriedades semicondutoras ligados à chamada electrónica transparente. O centro de investigação da Universidade Nova está envolvido noutros projectos nesta área na Coreia do Sul, Irlanda, EUA, Itália e França.
A cientista que ganhou 2,5 milhões de euros do European Research Council
Elvira Fortunato, da Universidade Nova, conquista o maior prémio de sempre dado a um investigador português.
26 08 2008
Inovação Mundial - Universidade Nova produz primeiros transístores com papel
Os dispositivos poderão ser usados em ecrãs de papel, etiquetas, chips de identificação e aplicações médicas.
Citação do Expresso de 21 de Julho de 2008:
Uma equipa de cientistas do Centro de Investigação de Materiais (Cenimat) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, liderada por Elvira Fortunato e Rodrigo Martins, conseguiu produzir pela primeira vez em todo o mundo transístores com uma camada de papel que são tão competitivos como os melhores transístores de filme fino baseados em óxidos semicondutores, área de investigação de ponta em que o Cenimat detém patentes internacionais.
Transístor de papel desenvolvido em Portugal, na Universidade Nova de Lisboa
Os resultados obtidos “auguram promissoras aplicações no campo da electrónica descartável”, afirma um comunicado da reitoria da Universidade Nova divulgado hoje. Os novos transístores poderão, assim, ser usados em ecrãs de papel, etiquetas e pacotes inteligentes, “chips” de identificação e aplicações médicas. E a produção em larga escala será facilitada pelo baixo custo do papel no mercado mundial.
A celulose é o principal biopolímero existente no nosso planeta e a indústria electrónica está a investir cada vez mais no desenvolvimento de dispositivos com biopolímeros, devido a seu baixo custo, tendo surgido alguns estudos a nível internacional sobre a utilização do papel como suporte físico de componentes electrónicos. Mas é a primeira vez que se utiliza papel como parte integrante de um transístor.
O Cenimat fabricou transístores de filme fino onde o isolante eléctrico - ou dieléctrico - é feito em papel vegetal ou de fotocópia. Um transístor é constituído por três terminais: a fonte, o dreno e a porta (ver ilustração). Nos dispositivos produzidos pelos investigadores da Universidade Nova - os chamados transístores de efeito de campo (FET-Field Effect Transistor, em língua inglesa) - a corrente eléctrica que passa entre a fonte e o dreno é controlada pela tensão aplicada à porta, que tem de estar isolada. A inovação consistiu precisamente no uso do papel para esse efeito num dos lados, e como suporte do próprio dispositivo no outro.
Recorde-se que no final de Maio foi apresentada em Los Angeles uma nova geração de mostradores da Samsung a aplicar em telemóveis e outros suportes, desenvolvida pelo Cenimat e que usa novos materiais cerâmicos com propriedades semicondutoras ligados à chamada electrónica transparente. O centro de investigação da Universidade Nova está envolvido noutros projectos nesta área na Coreia do Sul, Irlanda, EUA, Itália e França.
A cientista que ganhou 2,5 milhões de euros do European Research Council
Elvira Fortunato, da Universidade Nova, conquista o maior prémio de sempre dado a um investigador português.
17 setembro, 2008
14 setembro, 2008
10 setembro, 2008
09 setembro, 2008
pintura e poesia
Gostei de+

Pintura de Graça Morais
Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
Um país ocupado escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
Dum país liberto
Duma vida limpa
E dum tempo justo
Sophia de Mello Breyner Andresen
06 setembro, 2008
O meu aluno X
Arte: Concurso de pintura e escultura para invisuais
Porto, 05 Set (Lusa) - A Associação de Cegos de Portugal (ACAPO) e a empresa Grupótico lançaram hoje o "Mostra Olhares" um concurso de pintura e escultura para invisuais que pretende mostrar o olhar de "quem não vê com os olhos mas com o coração".
A iniciativa, que decorre no Ano da Diversidade Cultural, surge como consequência do trabalho que tem sido desenvolvido pela Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal "na integração e reconhecimento das pessoas com deficiência na sociedade", salientou Luís Almeida, responsável da ACAPO.
A partir de hoje qualquer cidadão invisual pode participar no "Mostra Olhares", nas categorias de pintura e escultura (júnior e adulto), não havendo qualquer tipo de exigência mínima.
O concurso "é um estímulo a que os invisuais descubram que até podem ter talentos que desconhecem", frisou Luís Almeida.
"Será possível, com o evoluir do tempo, ter pintores e escultores com deficiências visuais", sustentou o responsável da ACAPO.
Hélder Oliveira, administrador da empresa sublinhou que a principal intenção da iniciativa "é não só captar os [invisuais] que já desenvolvem este tipo de actividade, mas fazer com que os outros também experimentem".
Os trabalhos vão ser expostos numa mostra itinerante em várias lojas da Grupótico.
Os prémios, três por categoria, são de "índole informática para que os invisuais também possam aceder a esse tipo de equipamento", disse Hélder Oliveira.
A 03 de Dezembro, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, os trabalhos serão leiloados e o valor conseguido será revertido em equipamento para a ACAPO.
Os trabalhos devem ser entregues até 10 de Outubro, na loja da empresa na Boavista, Porto.
Extraconcurso serão admitidas obras fotográficas que serão exibidas na mostra oficial a partir de Outubro.
LYL.
Lusa/Fim.


Entristeci repetidas vezes, por não conseguir obter o sucesso que pretendia, mas o meu aluno não! Animava-me! Era um grande optimista!
O aluno X era craque no registo das texturas, e na recriação das mesmas. Os padrões em duas dimensões eram outro vazio…. a cor, suas tonalidades e interacção das mesmas constiuia o inexplicável que eu tentava traduzir por palavras, fazendo sempre crescer em mim um sentimento de frustração.
Apresentei-lhe Picasso, Dali, Miró, Van Gogh, Leonardo da Vinci e o grande maluco do Andy Warold (como ele lhe chamava), e outros. Ele gostava imenso de saber como apareceram estes pintores e o que eles tinham feito de novo para surpreender as pessoas suas contemporâneas. Delirou com os diversos truques de Leonardo... "grande sabidolas!!!!".

Porto, 05 Set (Lusa) - A Associação de Cegos de Portugal (ACAPO) e a empresa Grupótico lançaram hoje o "Mostra Olhares" um concurso de pintura e escultura para invisuais que pretende mostrar o olhar de "quem não vê com os olhos mas com o coração".
A iniciativa, que decorre no Ano da Diversidade Cultural, surge como consequência do trabalho que tem sido desenvolvido pela Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal "na integração e reconhecimento das pessoas com deficiência na sociedade", salientou Luís Almeida, responsável da ACAPO.
A partir de hoje qualquer cidadão invisual pode participar no "Mostra Olhares", nas categorias de pintura e escultura (júnior e adulto), não havendo qualquer tipo de exigência mínima.
O concurso "é um estímulo a que os invisuais descubram que até podem ter talentos que desconhecem", frisou Luís Almeida.
"Será possível, com o evoluir do tempo, ter pintores e escultores com deficiências visuais", sustentou o responsável da ACAPO.
Hélder Oliveira, administrador da empresa sublinhou que a principal intenção da iniciativa "é não só captar os [invisuais] que já desenvolvem este tipo de actividade, mas fazer com que os outros também experimentem".
Os trabalhos vão ser expostos numa mostra itinerante em várias lojas da Grupótico.
Os prémios, três por categoria, são de "índole informática para que os invisuais também possam aceder a esse tipo de equipamento", disse Hélder Oliveira.
A 03 de Dezembro, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, os trabalhos serão leiloados e o valor conseguido será revertido em equipamento para a ACAPO.
Os trabalhos devem ser entregues até 10 de Outubro, na loja da empresa na Boavista, Porto.
Extraconcurso serão admitidas obras fotográficas que serão exibidas na mostra oficial a partir de Outubro.
LYL.
Lusa/Fim.


O meu contacto com invisuais é muito reduzido e deixa-me sempre perplexa.
Aterroriza-me um mundo vivido na escuridão. Não são os problemas de mobilidade, de socialização, de integração na sociedade que me ensombram. Penso que tudo isso constituem desafios com possíveis respostas mais ou menos mecanizadas ou até humanizadas.
Amedronta-me a ausência de referências visuais, a ausência da forma, da cor do contraste que só o sentido da visão nos consegue fornecer com qualidade. Eu que vivo essencialmente o mundo visual, estético e criativo, a viagem para uma escuridão permanente é algo com que tenho muita dificuldade em lidar.
Aterroriza-me um mundo vivido na escuridão. Não são os problemas de mobilidade, de socialização, de integração na sociedade que me ensombram. Penso que tudo isso constituem desafios com possíveis respostas mais ou menos mecanizadas ou até humanizadas.
Amedronta-me a ausência de referências visuais, a ausência da forma, da cor do contraste que só o sentido da visão nos consegue fornecer com qualidade. Eu que vivo essencialmente o mundo visual, estético e criativo, a viagem para uma escuridão permanente é algo com que tenho muita dificuldade em lidar.
Já tive um aluno invisual, com cegueira total, a quem eu dava aulas de educação visual, e ele desenhava sem problema algum.
O aluno X transpunha para o papel os esquemas mecânicos existentes no corpo humano. Desenhava as proporções correctas, os pontos de articulação que permitem o movimento da figura humana muito melhor e mais rápido do que os colegas, eu diria até de uma forma espontânea, sem ser necessário grande reparo da minha parte, mas em tudo havia a ausência da forma.
A estrutura estava lá, a forma não.
No corpo humano, o meu aluno X não desenhava as formas musculares, como se todos nós sobrevivêssemos apenas com um esqueleto. Nunca consegui obter resultados satisfatórios nesse exercício formal.
Entristeci repetidas vezes, por não conseguir obter o sucesso que pretendia, mas o meu aluno não! Animava-me! Era um grande optimista!
Para ele era mais importante a minha explicação, do que a sua realização gráfica. Para ele não tinha qualquer importância o facto de conseguir ou não, desenhar o que eu lhe explicava, era completamente insensível a isso. Ele gostava de saber o funcionamento anatómico, para que servia e como podia usufruir do corpo que eu tentava que desenhasse, e era isso que eu lhe explicava, a relação da forma com função. Ainda tive que recorrer aos livros de anatomia.
O aluno X era craque no registo das texturas, e na recriação das mesmas. Os padrões em duas dimensões eram outro vazio…. a cor, suas tonalidades e interacção das mesmas constiuia o inexplicável que eu tentava traduzir por palavras, fazendo sempre crescer em mim um sentimento de frustração.
Conversámos mais do que trabalhámos. Ele era um grande criativo e eu admirava-me imenso com as soluções que ele imaginava para o mundo.
Ele apreciava muito as descrições que eu lhe fazia do mundo real. Dizia que gostava de ver o mundo utilizando os meus olhos. Detectava-me pelo meu perfume que eu fazia questão de utilizar diariamente, sempre igual para não lhe baralhar os sentidos.
Apresentei-lhe Picasso, Dali, Miró, Van Gogh, Leonardo da Vinci e o grande maluco do Andy Warold (como ele lhe chamava), e outros. Ele gostava imenso de saber como apareceram estes pintores e o que eles tinham feito de novo para surpreender as pessoas suas contemporâneas. Delirou com os diversos truques de Leonardo... "grande sabidolas!!!!".
Ele contava-me do seu mundo e do seu imaginário.
Ouvi mais do que aquilo que lhe consegui ensinar. Eu aprendi mais, concerteza dessa outra dimensão invisual, e desenhei o aluno X no meu coração, com cores de outras galaxias que tem a qualidade de ser intemporais.
.....
Um dia arranjei um marceneiro para reparar as minhas cadeiras de palhinha e reparei que era invisual.
Um dia arranjei um marceneiro para reparar as minhas cadeiras de palhinha e reparei que era invisual.
Não queria acreditar, mas não houve qualquer problema.
Penso que o problema sou exactamente eu.
Humildemente me curvo por respeito a todos os invisuais que fazem um esforço para não nos sentirmos mal por eles viverem num mundo paralelo, que para nós faz pouco sentido.
Beijo para o meu aluno X.
Beijo para o meu aluno X.

05 setembro, 2008
31 agosto, 2008
30 agosto, 2008
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