29 novembro, 2008

A nova oportunidade que a ministra não pode ter


Quando a ministra da Educação ensaiou as primeiras arremetidas de destruição massiva da escola Pública, muitos elogiaram a "determinação" e até o presidente da República lhe deu suporte expresso.

Quando os primeiros protestos surgiram, muita imprensa os silenciou e vários comentaristas os depreciaram.

Quando os professores e os seus sindicatos disseram que o modelo de avaliação do desempenho era inexequível, para além de inaceitável, o primeiro ministro veio à liça, mentiu e lançou lama sobre os professores.

Quando os 100.000 saíram à rua, o país interrogou-se.

Quando a plataforma sindical assinou o memorando para salvar as escolas e o caos em que o fim do ano lectivo de então estava mergulhado, a ministra salvou-se.

Quando a ministra respondeu agora, cínica e autista, aos 120.000 que lhe disseram não, condenou-se.

Não pode ter segunda oportunidade.

O país está hoje esclarecido. Foram três anos de tempo perdido, de retrocesso, de injustiças, de atropelos à lei e a aquisições civilizacionais básicas. É tempo de fazer o que tem que ser feito e não ceder. As falsas vestais já se movem, seráficas, em beatíficos apelos à paz. Mas quem fez a guerra e a perdeu é que tem que ceder. Não deve ceder a força da razão. Deve ceder a razão da força.

Os professores não devem ter medo das ameaças.

É complicada a situação que se criou? Sócrates está numa encruzilhada? Pois que se saia dela sem que os professores lhe abram o trilho da retirada. A execução deste modelo de avaliação do desempenho tem que ser suspensa e o nado enterrado.

Ouvi Cavaco Silva, na abertura do ano lectivo da Escola Naval, dizer: "O meu apelo é este: que cada um faça um esforço para que a tranquilidade e a serenidade regressem às escolas. Pelo menos para desanuviar esta situação que existe de alguma tensão no sector." A inflexibilidade do primeiro ministro e a bonomia do apelo à "serenidade de todos" devem-se entender nas reuniões da boa coexistência institucional de Belém. Mas não devem influenciar a determinação dos professores e dos seus sindicatos.

A contenção que o presidente da República advoga é por vezes difícil de entender. Por exemplo, e para não nos afastarmos no tempo, independentemente da razão que julgo assistir-lhe, não foi contido no caso do estatuto dos Açores, que motivou até uma comunicação ao país. Mas já foi magnanimemente contido quando Alberto João lhe fechou a porta da Assembleia Regional e se remeteu a um silêncio ensurdecedor a propósito das diatribes que se seguiram à exibição do símbolo nazi.

Devem os professores reflectir sobre isto e preparar-se para os passinhos de lã que, em nome dos interesses do Estado, se começam a ensaiar. Não pode haver segunda oportunidade. Capitula quem perdeu. Não capitula quem ganhou.
Crónica de Santana Castilho

28 novembro, 2008

Sempre actual - Eça de Queirós

Enviado por uma colega e amiga.

É bem verdade é a primeira vez que se faz uma negociação de algo definitivo. O ministério da educação envia para as escolas as orientações do simplex, e depois vai negociar, kiakiakia.

Não sei se benzina chegará....

26 novembro, 2008

25 novembro, 2008

GOLCONDA


Golconda (em francês, Golconde) é uma pintura a óleo sobre tela realizada pelo surrealista belga René Magritte, pintado em 1953.

Pertence à colecção Menil coleção, em Houston, Texas.

A pintura representa uma cena de homens vestidos forma idêntica, com sobretudos escuros e chapéus coco, que parecem estar flutuando ou descendo como balões hélio (embora não haja indícios reais de movimento), num cenário de edifícios e céu azul.
É bem-humorado, mas com uma óbvia crítica das pretensões de individualidade convencional.
Quando olho para esta cena fica-me a impressão de um padrão humano, ilusão que se desfaz depois de um olhar mais atento.
A chuva de homens de dimensões diferentes, e que são diferentes traduzem de facto a ideia de “todos iguais, mas todos diferentes.
A toilete do homem, colagem do próprio Magritte, é uma composição de modelo de “alfaiate masculino” belga e procura o contraste surreal entre o real tão bem representado e o imaginário, vizinho do ilusório, expressando bem a falsidade da representação.
O seu trabalho vive sempre duma dualidade profunda, exigindo um esforço de interpretação da parte do observador, revelando assim a genialidade do autor.

Curiosidade:

O título Golconda foi encontrado por seu amigo poeta Louis Scutenaire. Golconda é uma cidade arruinada no estado de Andhra Pradesh, na Índia perto de Hyderabad, que desde metade do sec XIV até ao fim do séc XVII era a capital de dois reinos sucessivos; a fama que adquiriu através sector diamantífero foi tal que o seu nome continua a ser, de acordo com o Dicionário Oxford Inglês ", um sinónimo de 'mina de riqueza'."

(não percebo qual a relação)

23 novembro, 2008

Parti

(clique para ampliar)

22 novembro, 2008

Horário dos professores, afinal

"Deve ser lido por todos……os portugueses que opinam sem se informarem (...) afirmam que os professores descansam no Natal, no Carnaval, na Páscoa e no Verão, (esqueceu-se de mencionar que também descansamos aos fins-de-semana). "
Vamos lá pegar no lápis para fazer contas!
"O horário semanal de trabalho do professor é 35 horas. Dessas trinta e cinco, 11 horas (em alguns casos até são apenas dez) são destinadas ao seu trabalho individual, que cada um gere como entende. As outras 24 horas são passadas na escola, a leccionar, a dar apoio, em reuniões, em aulas de substituição, em funções de direcção de turma, de coordenação pedagógica, etc., etc.
Bom, centremo-nos naquelas 11 horas que estão destinadas ao trabalho que é realizado pelo professor fora da escola (já que na escola não há quaisquer condições de o realizar): preparação de aulas, elaboração de testes, correcção de testes, correcção de trabalhos de casa, correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo, investigação e formação contínua.
Agora, vamos imaginar que um professor, a quem podemos passar a chamar de Simplício, tem 5 turmas, 3 níveis de ensino, e que cada turma tem 25 alunos (há casos de professores com mais turmas, mais alunos e mais níveis de ensino e há casos com menos - ficamos por uma situação média, se não se importar). Para sabermos o quanto este professor trabalha ou descansa, temos de contar as suas horas de trabalho.
Vamos lá, então, contar:
1. Preparação de aulas: considerando que tem duas vezes por semana cada uma dessas turmas e que tem três níveis diferentes de ensino, o professor Simplício precisa de preparar, no mínimo, 6 aulas por semana (estou a considerar, hipoteticamente, que as turmas do mesmo nível são exactamente iguais -- o que não acontece -- e que, por isso, quando prepara para uma turma também já está a preparar para a outra turma do mesmo nível). Vamos considerar que a preparação de cada aula demora 1 hora. Significa que, por semana, despende 6 horas para esse trabalho. Se o período tiver 14 semanas, como é o caso do 1.º período do presente ano lectivo, o professor gasta um total de 84 horas nesta tarefa.
2. Elaboração de testes: imaginemos que o prof. Simplício realiza, por período, dois testes em cada turma. Significa que tem de elaborar dez testes. Vamos imaginar que ele consegue gastar apenas 1 hora para preparar, escrever e fotocopiar o teste (estou a ser muito poupado, acredite), quer dizer que consome, num período, 10 horas nestetrabalho.
3. Correcção de testes: o prof. Simplício tem, como vimos, 125 alunos, isto implica que ele corrige, por período, 250 testes. Vamos imaginar que ele consegue corrigir cada teste em 25 minutos (o que, em muitas disciplinas, seria um milagre, mas vamos admitir que sim, que é possível corrigir em tão pouco tempo), demora mais de 104 horas para conseguir corrigir todos os testes, durante um período.
4. Correcção de trabalhos de casa: consideremos que o prof. Simplício só manda realizar trabalhos para casa uma vez por semana e que corrige cada um em 10 minutos. No total são mais de 20 horas (isto é, 125 alunos x 10 minutos) por semana. Como o período tem 14 semanas, temos um resultado final de mais de 280 horas.
5. Correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo: vamos pensar que o prof. Simplício manda realizar apenas um trabalho de grupo, por período, e que cada grupo é composto por 3 alunos; terá de corrigir cerca de 41 trabalhos. Vamos também imaginar que demora apenas 1 hora a corrigir cada um deles (os meus colegas até gargalham, ao verem estes números tão minguados), dá um total de 41 horas.
6. Investigação: consideremos que o professor dedica apenas 2 horas por semana a investigar, dá, no período, 28 horas (2h x 14 semanas).
7. Acções de formação contínua: para não atrapalhar as contas, nem vou considerar este tempo.Vamos, então, somar isto tudo:
84h + 10h + 104h + 280h + 41h + 28h = 547 horas.
Multipliquemos, agora, as 11horas semanais que o professor tem para estes trabalhos pelas 14 semanas do período: 11h x 14 = 154 horas.
Ora 547h - 154h = 393 horas.
Significa isto que o professor trabalhou, no período, 393 horas a mais do que aquelas que lhe tinham sido destinadas para o efeito.
Vamos ver, de seguida, quantos dias úteis de descanso tem o professor no Natal.
No próximo Natal, por exemplo, as aulas terminam no dia 18 de Dezembro. Os dias 19, 22 e 23 serão para realizar Conselhos de Turma, portanto, terá descanso nos seguintes dias úteis: 24, 26, 29 30 e 31 de Dezembro e dia 2 de Janeiro.
Total de 6 dias úteis.
Ora 6 dias vezes 7 horas de trabalho por dia dá 42 horas.
Então, vamos subtrair às 393 horas a mais que o professor trabalhou as 42 horas de descanso que teve no Natal, ficam a sobrar 351 horas.
Quer dizer, o professor trabalhou a mais 351 horas!!
Isto em dias de trabalho, de 7 horas diárias, corresponde a 50 dias!!!
O professor Simplício tem um crédito sobre o Estado de 50 dias de trabalho. Por outras palavras, o Estado tem um calote de 50 dias para com o prof. Simplício.
Pois é, não parecia, pois não? (...)"

21 novembro, 2008

Para descontrair

SIMPLEX II

Não queremos um modelo cheio de remendos, queremos um modelo coerente e e aplicado na globalidade, adaptado à realidade da escola pública, E QUE SEJA UMA REFERÊNCIA NA PRÁTICA LECTIVA.
Isto é um PÉSSIMO exemplo para a classe docente! Imaginem que na avaliação dos alunos andassemos a saltar de simplex em simplex!!!!!!....
Imaginem se fizessemos uma avlaição diferenciada para os que querem ter muito bom ou excelente?
Não nos convence!
Pergunta-se:
Uma LEI que em menos de um ano precisa de dois SIMPLEX's é passível de ser aplicada?
NÃO!

As alterações

As alteraçoes ao modelo de avaliação.



20 novembro, 2008

AVALIAÇÃO


(CLIQUE PARA AMPLIAR)
A dona da pirâmide anunciou alterações ao projecto da pirâmide, indicou novos escravos, simplificou uns pequenos corredores, mas afirma que o modelo arquitectonico não sofreu nem um beliscão, ou seja: continua tudo na mesma.
PAPEL, PAPEL, TRAGAM MAIS PAPEL! A PIRÂMIDE RUIRÁ, MAS CONTINUEM A TRAZER PAPEL!

Ginger e Fred


O edificio que já deu a volta ao mundo várias vezes através da caixa de correio electrónica, integrada num conjunto de fotos designado por "Casas estranhas" ou "Casas bizarras" é afinal um edificio conhecido por "Ginger e Fred".
O edificio dá a ilusão de um casal dançando perpetuamente, está localizado ao longo do rio Vltava, em Praga.
As torres cilindricas, uma apresenta um volume sólido, a outra é deformada e construida em vidro, apoiadas em colunas esculturais, criando uma pequena praça coberta ao nível do chão do edifício. A torre de vidro é formada por uma dupla camada de aço.
O projecto foi realizado através da modelação tridimensional do computador, facilitando o processo e as tecnologias de construção e controlando custos.


Arquitecto Frank Gerhy

Prás sobrinhas

19 novembro, 2008

Frase do ano

Esta é o pensamento e a frase do ano! Cerca de 90% dos professores têm habilitações académicas superiores às do primeiro-ministro.
Importado de http://www.luisnovo.com/blog/

A antiga avaliação

Porque saímos à rua.


Para quem acha que até agora a avaliação dos professores era uma balda ou até nem existia, convido a clicar neste endereço:
Para quem acha que era uma reles formalidade burocrática, veja os principais itens que teria de abordar:
a) Serviço distribuído;
b) Relação pedagógica com os alunos;
c) Cumprimento dos núcleos essenciais dos programas curriculares;
d) Desempenho de outras funções educativas, designadamente de administração e gestão escolares, de orientação educativa e de supervisão pedagógica;
e) Participação em projectos da escola e em actividades desenvolvidas no âmbito da comunidade educativa;
f) Acções de formação frequentadas e respectivas certificações;
g) Estudos realizados e trabalhos publicados.
Agora para quem acha que são apenas 7 alíneas, veja o que continham:
«Quadro de referência para a elaboração do documento de reflexão crítica»

Actividade do docente:
1. Conteúdo:
1.1. Serviço distribuído (componente lectiva e componente não lectiva);
1.2. Cargos desempenhados, considerando:
1.2.1. Administração e gestão;
1.2.2. Orientação educativa;
1.2.3. Supervisão pedagógica;
1.2.4. Outros.
2. Desenvolvimento do processo ensino / aprendizagem:
2.1. Planificação do processo ensino / aprendizagem, considerando:
2.1.1. Selecção de modelos e métodos pedagógicos;
2.1.2. Cumprimento dos núcleos essenciais dos conteúdos programáticos;
2.1.3. Cooperação com os professores da escola / turma / grupo disciplinar;
2.1.4. Outros aspectos relevantes.
2.2. Concepção, selecção e utilização de instrumentos pedagógicos auxiliares do processo ensino / aprendizagem, considerando:
2.2.1. Manuais escolares;
2.2.2. Outros.
2.3. Processo de avaliação dos alunos, considerando:
2.3.1. Critérios de avaliação e definição de conteúdos nucleares da aprendizagem para a progressão dos alunos;
2.3.2. Aferição dos critérios para uma coerência pedagógica da aprendizagem;
2.3.3. Práticas inovadoras no processo de avaliação dos alunos;
2.3.4. Outros aspectos relevantes.
2.4. Participação em actividades de apoio pedagógico e de diversificação curricular.
2.5. Participação na organização de actividades de complemento curricular.
3. Análise crítica do processo de acompanhamento dos alunos, considerando:
3.1. Informação e orientação dos alunos (vocacional e profissional);
3.2. Detecção de dificuldades na aprendizagem e desenvolvimento de estratégias para a sua superação;
3.3. Gestão de conflitos comportamentais e de índole disciplinar na sala de aula e na escola e desenvolvimento de estratégias para a sua superação;
3.4. Relacionamento com os encarregados de educação;
3.5. Outros.
4. Participação em actividades desenvolvidas na Escola, considerando:
4.1. Projecto educativo;
4.2. Área-Escola;
4.3. Formação.
4.4. Projectos culturais, artísticos e desportivos, considerando:
4.4.1. Participação em projectos culturais locais e de defesa do património;
4.4.2. Organização e participação em visitas de estudo.
4.5. Outros aspectos relevantes.
5. Participação na articulação da intervenção da comunidade educativa na vida da escola.
6. Promoção e participação em actividades inter-geracionais.
7. Participação em actividades no domínio do combate à exclusão.
8. Participação em actividades no domínio da promoção da interculturalidade.
9. Participação em actividades de solidariedade social.
10. Formação
10.1. Plano Individual de Formação, considerando:
10.1.1. Identificação das necessidades de formação, designadamente nos planos científico-pedagógico e profissional;
10.1.2. Articulação do Plano individual de Formação com o Plano de formação da Escola / Associação de Escolas;
10.1.3. Participação em equipas de formação para a inovação e a qualidade.
10.2. Formação contínua, considerando:
10.2.1. A articulação das acções de formação realizadas com o Plano Individual de Formação;
10.2.2. Actividades de aperfeiçoamento profissional e académico, nomeadamente participação em seminários, conferências, colóquios e jornadas pedagógicas;
10.2.3. Outras actividades relevantes.
10.3. Formações acrescidas, considerando:
10.3.1. Graus académicos;
10.3.2. Outros diplomas.
11. Assiduidade do docente.
12. Actividades de substituição.
13. Outras actividades relevantes no currículo do docente.
14. Estudos e trabalhos realizados e publicados.
15. Louvores.
16. Sanções disciplinares.
Para quem não sabe, a avaliação era realizada por uma comissãp de avaliação constituida por docentes da escola nomeados pelo Conselho Pedagógico para o efeito.

Para quem ainda defende que era um modelo caduco pois não permitia a diferenciação, tenha a maçada de ampliar o documento anexo:



E para quem não sabe a avaliação máxima "Excelente" nunca foi atribuida, não por falta de mérito dos professores, mas porque esta diferenciação nunca foi regulamentada por questões economicistas, visto que o docente que tivesse excelente progredia mais rápido na carreira, tal como estava previsto no antigo estatuto da carreira docente.

Não queremos ser avaliados??????


Fazemos questão de ser avaliados!


18 novembro, 2008

17 novembro, 2008

Porque saimos à rua

Sorrio para não chorar



"A Escola do Freixo, em Ponte de Lima, foi o palco escolhido por José Sócrates, na passada quarta-feira, para mais uma acção de promoção dos computadores da JP Sá Couto para o 1.º ciclo. Sócrates chamou os jornalistas e distribuiu os Magalhães pelas crianças. Mas, terminada a cerimónia oficial, os portáteis tiveram de ser devolvidos."


Ao que nós chegamos! A coincidência da semana agitada no sector da Educação e a operação de charme do primeiro ministro para ver se convence a comunicação social. Faz de conta que entrega os Magalhães! Não sei como classifique essa atitude, parece-me ser uma espécie de demagogia!

Tirem-me deste filme!
Avaliação destas cenas a que o Sr. Engenheiro se presta:
fraquiiiiiinho!
(os fedorentos nem precisam de pensar muito para fazer humor, ele surgem em paletes)
Oh Zéquinha, queres um computador não queres? eu até te dava mas a logística administrativa não me deixa!

Porque saimos à rua

Parte V
A manifestação de Março juntou mais de 100.000 professores. Nesse momento essa congregação de protestos, foi a primeira FUGA desta gigantesca panela de pressão feita de descontentamento existente nas escolas, desde que foi aplicado o novo estatuto da carreira docente.
A maioria dos docentes são do sexo feminino, portanto cifra-se numa classe sensível, delicada com uma grande capacidade de adaptação e até de sofrimento, capaz de gerir os conflitos e as contradições com grande tolerância e responsabilidade; como são professoras e mães tudo o que vá afectar os alunos e as famílias é normalmente muito reflectido, pois o seu instinto maternal e de protecção à família é determinante. Os seus horários foram alterados, viram-se obrigados a fazer substituições, alinharam nos concursos para titulares…. até que chegou o momento de ler o despacho 2/2008. O desconforto instalou-se. Aperceberam-se que o organograma da avaliação divulgado como exagerado nos média correspondia à verdade. Descobriram a dificuldade em realizar todo o processo, e a contenção deixou de ser possível. Saíram à rua.
Fez-se um memorando de entendimento através dos sindicatos e assim foi possível terminar o ano lectivo.
Houve milhares de professores que até ao no final do ano lectivo foram poupados ao processo de interiorização deste modelo de avaliação.
Destacaram-se alguns professores titulares para organizar fichas e grelhas que dessem apoio a todo o processo, e esses afogaram-se nesta avaliação de desempenho. Os outros foram poupados. A palavra é mesmo essa: foram poupados.
Os titulares viveram o final do ano lectivo já completamente afogados em papeis e a trabalhar para além das 35h semanais, constataram e testaram a mostruosidade do presente modelo, difícil cumprir para os avaliados e devastador para os avaliadores, que sem qualquer formação na área de avaliação de adultos e de pares, serão os grandes obreiros e responsáveis pelo funcionamento de um processo com o qual não concordam.
Investigaram e descobriram que o modelo foi importado do Chile e apresentado sob a forma de grelhas comuns a todas as escolas e publicadas no site do ministério da educação. Então onde fica a autonomia das escolas? Efectivamente pode-se dar as voltas que quiser dar, mas no final de tudo a avaliação tem de se expressar nas tais grelhas do ministério.
As grelhas são iguais para todos, educadores, professores do 2º, 3º ciclos e secundário. Não distingue qualquer especificidade de cada nível de ensino, das diferentes disciplinas, dos níveis etários que são leccionados.
Logicamente, no tal grupo de trabalho, começaram desde logo os problemas, os paradoxos e as contradições a flutuar, tornando-se visível a incapacidade de levar este modelo à prática. Os docentes empenharam-se horas e horas, dias, semanas a estudar todo o processo, consultaram outros modelos de avaliação, e até consultaram o tal modelo Chileno em toda a sua dimensão, já que os secretários de estado só copiaram uma parte. Com as novas tecnologias de apoio à comunicação, foram trocadas informações com outras escolas: as questões foram discutidas em todas as suas vertentes.
Por vezes os nossos governantes dão quase que a entender que existe uma má interpretação da legislação. Isto é um discurso que pode colar noutras classes profissionais, na nossa só tem a capacidade de irritar ainda mais. Se os professores não tem a capacidade de ler e interpretar, então quem a terá?
Ainda houve o apoio dos CAE, fornecido por colegas a defender o modelo, mas sem soluções para enfrentar as dificuldades ou com soluções de algibeira que deixaram escandalizados muitos dos docentes presentes.
Nasceu aí o argumento que os professores é que complicam. Incapazes de entender que os docentes querem ser avaliados de forma justa, honesta, sem subjectividade, e de forma rigorosa, pedagógica e numa perspectiva formativa, avançam com SIMPLEXES dignos da sua completa incapacidade de resolver a grande alhada em que se meteram.
O ano lectivo terminou.
Os docentes titulares concluíram o ano lectivo esgotados, desdobrando-se em reuniões de grupo, departamento, conselhos pedagógicos ao longo do 3º período. No final esperava-os uma formação teórica dividida em vários módulos que não passou às questões praticas e que são aquelas que continuam a preocupar a classe docente.

As contradições de base continuam no decreto e em vigor.
Já todos perceberam que o que orienta este modelo não é uma avaliação com uma perspectiva formativa,de valorização do exercício da docência em prole dos alunos, mas sim economicista e penalizadora para o docente.
Este é o grande problema!
“Já que a educação não dá lucros palpáveis objectivados na bolsa, que se reduzam as despesas!”
Esta filosofia contabilistica primária é a que está subjacente a todo o modelo.
O ministério não quer que todos os professores sejam excelentes, só quer que sejam alguns, e há que dificultar o mais possível, para ninguém chegar lá. O primeiro passo é engendrar um compliquex de burocracia para entreter o pessoal, e passar o discurso que os profs não querem trabalhar, para a opinião pública os trucidar.
Os profs gozaram o seu mês de férias, mas já a adivinhar o pesadelo que que os esperaria em Setembro.

Em Setembro começa tudo de novo com mais formação instantânea.
Como é habito e pedagogicamente correcto, iniciou-se o ano lectivo, planificando e organizando aulas, documentos, dossiers e foi aí que a maior parte dos docentes constataram a embrulhada em que estavam metidos.
Verificaram que de todos os actos educativos deveriam recolher as evidências, as provas para o avaliador posteriormente ter matéria para avaliar. Tomaram consciência que não basta reflectir sobre os actos educativos, não basta contactar com as turmas e constatar as suas dificuldades, não basta fazer diferenciação pedagógica, não basta conhecer a personalidade de cada aluno…. é preciso passar tudo isso ao papel.
Os professores impacientaram-se verificando a impossibilidade em esperarar pelo modelo corrigido no final do ano lectivo. As aulas iniciaram-se com muitos dos docentes cansados e desmotivados, e conscientes que tinham que travar o processo custasse o que custasse, independentemente da vontade e do acordo feito pela plataforma sindical.
Já em Março a ministra não foi suficientemente arguta, não entendeu que nenhum sindicato faz manifs de 100.000. Desvalorizou a existência de algo mais, de movimentos espontâneos que conseguem congregar as vontades de todos. O discurso anti-sindical está completamente ultrapassado. Até os sindicatos foram tomados pela surpresa da vontade de todos em acelerar o fim, também não conseguiram prever que rapidamente se iria instalar o caos nas escolas; conforme a informação circula em segundos, as atitudes e as decisões tem de ser tomadas também num outro ritmo. Os docentes vivem a instabilidade na escola das 8,10 às 21h e há que colocar rapidamente um ponto final.
Na situação actual a maioria das escolas ainda não entrou efectivamente em pleno processo de avaliação, portanto adivinha-se que se a ministra continuar com este braço de ferro, a escola vai colapsar, porque isto não é uma questão de teimosia dos professores, isto é uma efectiva impossibilidade de execução, de insustentabilidade.
Fomos para a rua 120.000 e vamos continuar.

Quer choba ou fassa sole, a luta continua

Recriação de um lenço de namorados caracteristico do Minho, adaptado a este espírito de contestação académica.