20 novembro, 2008

Ginger e Fred


O edificio que já deu a volta ao mundo várias vezes através da caixa de correio electrónica, integrada num conjunto de fotos designado por "Casas estranhas" ou "Casas bizarras" é afinal um edificio conhecido por "Ginger e Fred".
O edificio dá a ilusão de um casal dançando perpetuamente, está localizado ao longo do rio Vltava, em Praga.
As torres cilindricas, uma apresenta um volume sólido, a outra é deformada e construida em vidro, apoiadas em colunas esculturais, criando uma pequena praça coberta ao nível do chão do edifício. A torre de vidro é formada por uma dupla camada de aço.
O projecto foi realizado através da modelação tridimensional do computador, facilitando o processo e as tecnologias de construção e controlando custos.


Arquitecto Frank Gerhy

Prás sobrinhas

19 novembro, 2008

Frase do ano

Esta é o pensamento e a frase do ano! Cerca de 90% dos professores têm habilitações académicas superiores às do primeiro-ministro.
Importado de http://www.luisnovo.com/blog/

A antiga avaliação

Porque saímos à rua.


Para quem acha que até agora a avaliação dos professores era uma balda ou até nem existia, convido a clicar neste endereço:
Para quem acha que era uma reles formalidade burocrática, veja os principais itens que teria de abordar:
a) Serviço distribuído;
b) Relação pedagógica com os alunos;
c) Cumprimento dos núcleos essenciais dos programas curriculares;
d) Desempenho de outras funções educativas, designadamente de administração e gestão escolares, de orientação educativa e de supervisão pedagógica;
e) Participação em projectos da escola e em actividades desenvolvidas no âmbito da comunidade educativa;
f) Acções de formação frequentadas e respectivas certificações;
g) Estudos realizados e trabalhos publicados.
Agora para quem acha que são apenas 7 alíneas, veja o que continham:
«Quadro de referência para a elaboração do documento de reflexão crítica»

Actividade do docente:
1. Conteúdo:
1.1. Serviço distribuído (componente lectiva e componente não lectiva);
1.2. Cargos desempenhados, considerando:
1.2.1. Administração e gestão;
1.2.2. Orientação educativa;
1.2.3. Supervisão pedagógica;
1.2.4. Outros.
2. Desenvolvimento do processo ensino / aprendizagem:
2.1. Planificação do processo ensino / aprendizagem, considerando:
2.1.1. Selecção de modelos e métodos pedagógicos;
2.1.2. Cumprimento dos núcleos essenciais dos conteúdos programáticos;
2.1.3. Cooperação com os professores da escola / turma / grupo disciplinar;
2.1.4. Outros aspectos relevantes.
2.2. Concepção, selecção e utilização de instrumentos pedagógicos auxiliares do processo ensino / aprendizagem, considerando:
2.2.1. Manuais escolares;
2.2.2. Outros.
2.3. Processo de avaliação dos alunos, considerando:
2.3.1. Critérios de avaliação e definição de conteúdos nucleares da aprendizagem para a progressão dos alunos;
2.3.2. Aferição dos critérios para uma coerência pedagógica da aprendizagem;
2.3.3. Práticas inovadoras no processo de avaliação dos alunos;
2.3.4. Outros aspectos relevantes.
2.4. Participação em actividades de apoio pedagógico e de diversificação curricular.
2.5. Participação na organização de actividades de complemento curricular.
3. Análise crítica do processo de acompanhamento dos alunos, considerando:
3.1. Informação e orientação dos alunos (vocacional e profissional);
3.2. Detecção de dificuldades na aprendizagem e desenvolvimento de estratégias para a sua superação;
3.3. Gestão de conflitos comportamentais e de índole disciplinar na sala de aula e na escola e desenvolvimento de estratégias para a sua superação;
3.4. Relacionamento com os encarregados de educação;
3.5. Outros.
4. Participação em actividades desenvolvidas na Escola, considerando:
4.1. Projecto educativo;
4.2. Área-Escola;
4.3. Formação.
4.4. Projectos culturais, artísticos e desportivos, considerando:
4.4.1. Participação em projectos culturais locais e de defesa do património;
4.4.2. Organização e participação em visitas de estudo.
4.5. Outros aspectos relevantes.
5. Participação na articulação da intervenção da comunidade educativa na vida da escola.
6. Promoção e participação em actividades inter-geracionais.
7. Participação em actividades no domínio do combate à exclusão.
8. Participação em actividades no domínio da promoção da interculturalidade.
9. Participação em actividades de solidariedade social.
10. Formação
10.1. Plano Individual de Formação, considerando:
10.1.1. Identificação das necessidades de formação, designadamente nos planos científico-pedagógico e profissional;
10.1.2. Articulação do Plano individual de Formação com o Plano de formação da Escola / Associação de Escolas;
10.1.3. Participação em equipas de formação para a inovação e a qualidade.
10.2. Formação contínua, considerando:
10.2.1. A articulação das acções de formação realizadas com o Plano Individual de Formação;
10.2.2. Actividades de aperfeiçoamento profissional e académico, nomeadamente participação em seminários, conferências, colóquios e jornadas pedagógicas;
10.2.3. Outras actividades relevantes.
10.3. Formações acrescidas, considerando:
10.3.1. Graus académicos;
10.3.2. Outros diplomas.
11. Assiduidade do docente.
12. Actividades de substituição.
13. Outras actividades relevantes no currículo do docente.
14. Estudos e trabalhos realizados e publicados.
15. Louvores.
16. Sanções disciplinares.
Para quem não sabe, a avaliação era realizada por uma comissãp de avaliação constituida por docentes da escola nomeados pelo Conselho Pedagógico para o efeito.

Para quem ainda defende que era um modelo caduco pois não permitia a diferenciação, tenha a maçada de ampliar o documento anexo:



E para quem não sabe a avaliação máxima "Excelente" nunca foi atribuida, não por falta de mérito dos professores, mas porque esta diferenciação nunca foi regulamentada por questões economicistas, visto que o docente que tivesse excelente progredia mais rápido na carreira, tal como estava previsto no antigo estatuto da carreira docente.

Não queremos ser avaliados??????


Fazemos questão de ser avaliados!


18 novembro, 2008

17 novembro, 2008

Porque saimos à rua

Sorrio para não chorar



"A Escola do Freixo, em Ponte de Lima, foi o palco escolhido por José Sócrates, na passada quarta-feira, para mais uma acção de promoção dos computadores da JP Sá Couto para o 1.º ciclo. Sócrates chamou os jornalistas e distribuiu os Magalhães pelas crianças. Mas, terminada a cerimónia oficial, os portáteis tiveram de ser devolvidos."


Ao que nós chegamos! A coincidência da semana agitada no sector da Educação e a operação de charme do primeiro ministro para ver se convence a comunicação social. Faz de conta que entrega os Magalhães! Não sei como classifique essa atitude, parece-me ser uma espécie de demagogia!

Tirem-me deste filme!
Avaliação destas cenas a que o Sr. Engenheiro se presta:
fraquiiiiiinho!
(os fedorentos nem precisam de pensar muito para fazer humor, ele surgem em paletes)
Oh Zéquinha, queres um computador não queres? eu até te dava mas a logística administrativa não me deixa!

Porque saimos à rua

Parte V
A manifestação de Março juntou mais de 100.000 professores. Nesse momento essa congregação de protestos, foi a primeira FUGA desta gigantesca panela de pressão feita de descontentamento existente nas escolas, desde que foi aplicado o novo estatuto da carreira docente.
A maioria dos docentes são do sexo feminino, portanto cifra-se numa classe sensível, delicada com uma grande capacidade de adaptação e até de sofrimento, capaz de gerir os conflitos e as contradições com grande tolerância e responsabilidade; como são professoras e mães tudo o que vá afectar os alunos e as famílias é normalmente muito reflectido, pois o seu instinto maternal e de protecção à família é determinante. Os seus horários foram alterados, viram-se obrigados a fazer substituições, alinharam nos concursos para titulares…. até que chegou o momento de ler o despacho 2/2008. O desconforto instalou-se. Aperceberam-se que o organograma da avaliação divulgado como exagerado nos média correspondia à verdade. Descobriram a dificuldade em realizar todo o processo, e a contenção deixou de ser possível. Saíram à rua.
Fez-se um memorando de entendimento através dos sindicatos e assim foi possível terminar o ano lectivo.
Houve milhares de professores que até ao no final do ano lectivo foram poupados ao processo de interiorização deste modelo de avaliação.
Destacaram-se alguns professores titulares para organizar fichas e grelhas que dessem apoio a todo o processo, e esses afogaram-se nesta avaliação de desempenho. Os outros foram poupados. A palavra é mesmo essa: foram poupados.
Os titulares viveram o final do ano lectivo já completamente afogados em papeis e a trabalhar para além das 35h semanais, constataram e testaram a mostruosidade do presente modelo, difícil cumprir para os avaliados e devastador para os avaliadores, que sem qualquer formação na área de avaliação de adultos e de pares, serão os grandes obreiros e responsáveis pelo funcionamento de um processo com o qual não concordam.
Investigaram e descobriram que o modelo foi importado do Chile e apresentado sob a forma de grelhas comuns a todas as escolas e publicadas no site do ministério da educação. Então onde fica a autonomia das escolas? Efectivamente pode-se dar as voltas que quiser dar, mas no final de tudo a avaliação tem de se expressar nas tais grelhas do ministério.
As grelhas são iguais para todos, educadores, professores do 2º, 3º ciclos e secundário. Não distingue qualquer especificidade de cada nível de ensino, das diferentes disciplinas, dos níveis etários que são leccionados.
Logicamente, no tal grupo de trabalho, começaram desde logo os problemas, os paradoxos e as contradições a flutuar, tornando-se visível a incapacidade de levar este modelo à prática. Os docentes empenharam-se horas e horas, dias, semanas a estudar todo o processo, consultaram outros modelos de avaliação, e até consultaram o tal modelo Chileno em toda a sua dimensão, já que os secretários de estado só copiaram uma parte. Com as novas tecnologias de apoio à comunicação, foram trocadas informações com outras escolas: as questões foram discutidas em todas as suas vertentes.
Por vezes os nossos governantes dão quase que a entender que existe uma má interpretação da legislação. Isto é um discurso que pode colar noutras classes profissionais, na nossa só tem a capacidade de irritar ainda mais. Se os professores não tem a capacidade de ler e interpretar, então quem a terá?
Ainda houve o apoio dos CAE, fornecido por colegas a defender o modelo, mas sem soluções para enfrentar as dificuldades ou com soluções de algibeira que deixaram escandalizados muitos dos docentes presentes.
Nasceu aí o argumento que os professores é que complicam. Incapazes de entender que os docentes querem ser avaliados de forma justa, honesta, sem subjectividade, e de forma rigorosa, pedagógica e numa perspectiva formativa, avançam com SIMPLEXES dignos da sua completa incapacidade de resolver a grande alhada em que se meteram.
O ano lectivo terminou.
Os docentes titulares concluíram o ano lectivo esgotados, desdobrando-se em reuniões de grupo, departamento, conselhos pedagógicos ao longo do 3º período. No final esperava-os uma formação teórica dividida em vários módulos que não passou às questões praticas e que são aquelas que continuam a preocupar a classe docente.

As contradições de base continuam no decreto e em vigor.
Já todos perceberam que o que orienta este modelo não é uma avaliação com uma perspectiva formativa,de valorização do exercício da docência em prole dos alunos, mas sim economicista e penalizadora para o docente.
Este é o grande problema!
“Já que a educação não dá lucros palpáveis objectivados na bolsa, que se reduzam as despesas!”
Esta filosofia contabilistica primária é a que está subjacente a todo o modelo.
O ministério não quer que todos os professores sejam excelentes, só quer que sejam alguns, e há que dificultar o mais possível, para ninguém chegar lá. O primeiro passo é engendrar um compliquex de burocracia para entreter o pessoal, e passar o discurso que os profs não querem trabalhar, para a opinião pública os trucidar.
Os profs gozaram o seu mês de férias, mas já a adivinhar o pesadelo que que os esperaria em Setembro.

Em Setembro começa tudo de novo com mais formação instantânea.
Como é habito e pedagogicamente correcto, iniciou-se o ano lectivo, planificando e organizando aulas, documentos, dossiers e foi aí que a maior parte dos docentes constataram a embrulhada em que estavam metidos.
Verificaram que de todos os actos educativos deveriam recolher as evidências, as provas para o avaliador posteriormente ter matéria para avaliar. Tomaram consciência que não basta reflectir sobre os actos educativos, não basta contactar com as turmas e constatar as suas dificuldades, não basta fazer diferenciação pedagógica, não basta conhecer a personalidade de cada aluno…. é preciso passar tudo isso ao papel.
Os professores impacientaram-se verificando a impossibilidade em esperarar pelo modelo corrigido no final do ano lectivo. As aulas iniciaram-se com muitos dos docentes cansados e desmotivados, e conscientes que tinham que travar o processo custasse o que custasse, independentemente da vontade e do acordo feito pela plataforma sindical.
Já em Março a ministra não foi suficientemente arguta, não entendeu que nenhum sindicato faz manifs de 100.000. Desvalorizou a existência de algo mais, de movimentos espontâneos que conseguem congregar as vontades de todos. O discurso anti-sindical está completamente ultrapassado. Até os sindicatos foram tomados pela surpresa da vontade de todos em acelerar o fim, também não conseguiram prever que rapidamente se iria instalar o caos nas escolas; conforme a informação circula em segundos, as atitudes e as decisões tem de ser tomadas também num outro ritmo. Os docentes vivem a instabilidade na escola das 8,10 às 21h e há que colocar rapidamente um ponto final.
Na situação actual a maioria das escolas ainda não entrou efectivamente em pleno processo de avaliação, portanto adivinha-se que se a ministra continuar com este braço de ferro, a escola vai colapsar, porque isto não é uma questão de teimosia dos professores, isto é uma efectiva impossibilidade de execução, de insustentabilidade.
Fomos para a rua 120.000 e vamos continuar.

Quer choba ou fassa sole, a luta continua

Recriação de um lenço de namorados caracteristico do Minho, adaptado a este espírito de contestação académica.

Miriam Makeba

15 novembro, 2008

Gosto de +



Porque saimos à rua

Parte IV
A classe docente é constituida por professores com diferentes formações.
O seu nível de formação divide-se em bacharéis, licenciados e mestrados.
Todos desempenham as mesmas funções, com mais ou menos qualidade.
A grande maioria possui formação pedagógica, mas a sua formação cientifica e especifica é efectivamente distinta.
As suas funções são iguais: dar aulas, interagir com os alunos, ser director de turma, ser coordenador ou ser delegado ou ser representante de grupo. A grande maioria dos professores já desempenhou todas esta funções, daí não ter sentido dividir a carreira em dois tipos de professores: professores titulares e não titulares.
O acesso à carreira de titular foi realizada com base numa pontuação obtida nos últimos 7 anos, para quem estava posicionada nos três escalões mais elevados na carreira.
Esta selecção foi realizada segundo um determinado critério e teve como consequência o facto de alguns professores terem passado a titulares, a quem os seus pares não reconhecem nem mais mérito nem mais competência em relação aos outros que não acederam.
Isto é um problema do estatuto da carreira que foi imposto aos professores por este governo, mas que agora com este modelo de avaliação de desempenho, tem como consequência, algumas situações aberrantes, nomeadamente, licenciados a avaliar mestrados, alguns avaliadores a avaliar professores muito mais competentes.

14 novembro, 2008

Porque os profs saiem à rua

"Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos e, esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta."

Integração na paisagem

O conceito de integração na paisagem de alguns engenheiros de vias de comunicação:

13 novembro, 2008

Escola Infanta D. Maria

Porque saimos à rua
Parte III
Somos Pais e Encarregados de Educação de Alunos da ESCOLA SECUNDÁRIA COM 3º CICLO INFANTA D. MARIA, habituados a contar com uma escola organizada, exigente, de clima estável e pacífico, como convém a uma instituição de ensino de referência como esta. Como parte interessada e interveniente no processo educativo, tal como está consagrado no actual modelo de gestão escolar, pretendemos chamar a atenção da tutela, dos agentes sócio-educativos e da sociedade civil em geral para a situação preocupante que se vive nesta Escola e que julgamos não ser caso isolado no panorama nacional.

É com grande preocupação que temos vindo a assistir a situações que podem fazer perder progressivamente os atributos que nos levaram a procurar esta escola como a melhor para os nossos filhos. A grande quantidade de legislação que durante todo o ano passado foi chegando à escola obriga a um esforço enorme de reajustamento, perturbando a organização — o Conselho Executivo ficou totalmente mergulhado na burocracia, enquanto, pelo lado dos professores, o cansaço e a insatisfação, devido às mudanças que não aprovam ou não compreendem, contaminaram o clima geral, ameaçando parâmetros como a exigência. Arriscamo-nos a ter professores mais ocupados com a implementação das novas regras do que com a preparação das aulas e mais absorvidos com o futuro das suas carreiras do que com o futuro dos seus alunos.

Este ano lectivo, o grande número de professores que solicitou a aposentação na Escola Infanta D. Maria, mesmo sujeita a penalizações (20% dos professores da Escola, se contarmos as aposentações que se prevêem até final do ano) acrescido ao daqueles que tem recorrido a atestados médicos por doença — tem deixado muitos alunos sem aulas e tem sobrecarregado desmesuradamente os professores remanescentes com aulas de substituição (durante só uma semana no mês de Outubro deram-se 100 aulas de substituição!). Vemos cansaço prematuro e sinais de desmotivação em professores e alunos com risco para as aprendizagens, grupos disciplinares desfalcados dos seus elementos mais experientes (História perdeu todos os professores do quadro, Físico-Química perdeu 4 num grupo de 9), turmas do 7º ano desde 23 de Setembro até agora sem professor a disciplinas fundamentais como o Português!

Lamentando a perda de um corpo docente experiente e estável, uma das garantias de qualidade desta instituição, indagamos então:

— o que levará estes professores, que tanto têm ainda para dar ao sistema, a recorrer à aposentação prematura?


No passado, as aposentações aconteciam espaçadamente e de forma gradual; hoje, antecipam-se e acumulam-se. No passado, as substituições de professores podiam ser solicitadas semanalmente; hoje só podem ser pedidas por ciclos abertos quinzenalmente, o que atrasa visivelmente o processo e prejudica os alunos.

Somos, então, levados a perguntar:

­— será este método de substituição de professores o mais adequado?

Estamos convictos de que certas mudanças eram necessárias, nomeadamente um processo de avaliação de desempenho dos professores, mas aos nossos olhos de Pais e Encarregados de Educação, a perturbação causada por este modelo de avaliação no funcionamento normal da escola prejudica o fundamental que é ensinar e aprender.

— irá este modelo de avaliação contribuir para uma escola melhor?

— não estaremos perante sinais de alerta que apontam para uma escola burocratizada em vez de uma escola de qualidade?

Não queremos perder professores disponíveis para os alunos, capazes de os motivar para a aprendizagem com entusiasmo e exigência, fazendo da qualidade das suas aulas o objectivo fundamental do seu desempenho profissional.

Não queremos ganhar, em vez disso, burocratas que esgotam as energias no preenchimento de tabelas, objectivos e planificações: é que podem passar a ver números no lugar dos rostos dos nossos filhos.

Por tudo isto decidimos que tínhamos que nos fazer ouvir!


Coimbra, 6 de Novembro de 2008
A Associação de Pais e Encarregados de Educação
da Escola Infanta D. Maria

12 novembro, 2008

Porque saímos à rua








Prova de recuperação para os alunos com excesso de faltas (humor)

Parte II

O regime de faltas dos alunos.

Um regime de faltas que aparentemente parece razoavel converte as acções pedagógicas num verdadeiro sarilho.

Os alunos que excedem limites de faltas, justificadas ou não, deverão fazer provas de recuperação sobre as materias respeitantes aos dias das faltas. É dificil estar contra isto, se ainda por cima o aluno usufruir de apoio para realizar e interiorização dessas materias.

Estudemos o reverso da medalha:

Problemas:

O aluno que esteve doente, não terá tempo de realizar essa recuperação num curto espaço de temp, assim regressa à escola ainda convalescente e passado uma semana tem de fazer testes a todas as disciplinas.

Quem paga ao professor por dar apoio individual a esse aluno quando já esgotou o seu horário?

O que se passa se o aluno não recuperar?

O que se faz às disciplinas onde se desenvolve trabalho prático?

O que se faz quando as faltas são espaçadas?

E se o aluno falta na apresentação, na aula de autoavaliação e noutra aula de trabalho prático? Como deve ser feito o teste de recuperação?


Agora vejamos, quando o aluno falta sem motivo, alguém acha que esse aluno vai frequentar as aulas de recuperação, ou que ele se empenhará em resolver um teste para ter uma boa qualificação? E entõ este alunos faltista vai ter mais oportunidades de aprendizagem do que os alunos assíduos?
Duvida não esclarecida: quando é que o aluno faz o teste? depois das 18,30H? sim porque o horário do aluno não é o mesmo do professor.


Ou seja leva tudo pela mesma medida, o aluno doente e o aluno baldas, que gosta de escapar às aulas e de "fazer nenhum".
E para quem sobra todo este desvario?
Primeiro para o director de turma que tem que fazer uma vigilância constante, obedecer a prazos, avisar os colegas, avisar os pais diversas vezes. Depois para os professores, que terão que elaborar mais um teste, respectivos critérios de correcção, relatórios, plano de recuperação, e formalizar tudo para entregar ao director de turma para que de seguida o Conselho de Turma reuna e tudo fique bem explicado numa acta e respectivo Projecto Curricular de Turma....


Resumindo:

Como se concilia escolaridade obrigatória com penalizações destas ao absentismo?

É desta forma que se motiva o aluno a frequentar a escola? E para quem está mesmo doente, não será esta uma maneira de stressar um convalescente, e de o penalizar ainda mais.


A apregoada autonomia das escolas aqui não pode mexer.
Se não há profs suficientes para dar apoios aos alunos com dificuldades de aprendizagens, como vai haver para estes alunos?
A utopia pedagógica bate de frente com a politica economicista, e com a igualdade de oportunidades.
Não mata, mas mói!


Porque saimos à rua




Porque os professores saíram 2 vezes à rua


Parte I

Alguns cidadãos ainda não entenderam porque os professores saíram à rua, e porque o número de manifestantes vai aumentando aos milhares.
Para quem viu passar as manifestações em Lisboa não ficou certamente indiferente a esta união no protesto de toda uma classe profissional, de norte a sul do país, em que qualquer colagem ao partido x ou y, ou sindicato é pura demagogia. Todos os professores estão descontentes com as politicas deste Ministério da Educação, tanto na matéria que lhes diz directamente respeito, como com tudo que se legisla para a escola pública, sem ouvir os directamente envolvidos nessa escola.
Os professores estão zangados, desmotivados, sem paciência, mas UNIDOS como nunca o estiveram antes e com espírito de VENCEDORES.
Os professores foram maltratados, difamados e espezinhados, pela subtis afirmações dos seus superiores da 5 de Outubro, vendo-se envolvidos num processo de desprestígio duma profissão amplamente divulgado pelos média. Alguns “fazedores de opinião” continuam a massacrar toda uma classe com a sua verborreia mal intencionada e complexada sabe-se lá porque.
Quando se esgotam os argumentos contra os professores, apela-se a um perfil de um professor impedido de se manifestar, amordaçado e imobilizado ainda pelas grilhetas do Estado Novo, como imagem do dever e da obediência cega, que deve servir de exemplo para os seus alunos.
Estive orgulhosamente nas duas manifestações e estarei nas próximas que vierem, e os meus alunos admiram-me também por isso.
Não vi ninguém a causar distúrbios, não se atiraram coktails molofs, nem very lights, nem ovos nem tomates, ninguém se despiu e mostrou a sua nudez, ninguém fez gestos obscenos ou provocatórios, ninguém utilizou português carroceiro,… todos respeitaram os agentes policiais.
Para quem não sabe, as manifestações são legalmente autorizadas, e pode-se transportar faixas com slogans, pode-se gritar palavras de ordem, pode-se sorrir, pode-se ter sentido de humor…. Não sei onde está o mau exemplo.
Mais de 120.000 professores e educadores encheram as principais ruas da baixa de Lisboa. Nenhum sindicato consegue esta proeza! Esta união deve-se aos sindicatos, aos movimentos que surgiram espontaneamente e essencialmente a nós docentes, que temos cabeça para pensar e se indignar.

PS nunca mais!


TARTARUGA EM CIMA DUM POSTE


Enquanto suturava uma ferida na mão de um velho lavrador, o médico e o doente começaram a conversar sobre a recente manifestação de professores e o descontentamento da classe, relativamente às políticas educativas do Governo.

Então o velhinho disse:


- Bom, o senhor sabe... Essa tal ministra, é uma tartaruga em cima dum poste...


Sem saber o que o camponês queria dizer, o médico perguntou o que era uma tartaruga num poste.


O camponês explicou:


- É quando o senhor vai por uma estradinha e vê um poste de vedação, em arame farpado, com uma tartaruga equilibrando-se em cima dele. Isto é, uma tartaruga em cima dum poste...


O velho camponês olhou para a cara de espanto do médico e, vendo que ele ainda não tinha compreendido, continuou com a explicação:


- Você não entende como ela chegou lá;


você não acredita que ela esteja lá;


você sabe que ela não subiu para lá sozinha; você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá; você sabe que ela não vai conseguir fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;


então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá!

Intimidados