17 novembro, 2008
Sorrio para não chorar

Porque saimos à rua
A maioria dos docentes são do sexo feminino, portanto cifra-se numa classe sensível, delicada com uma grande capacidade de adaptação e até de sofrimento, capaz de gerir os conflitos e as contradições com grande tolerância e responsabilidade; como são professoras e mães tudo o que vá afectar os alunos e as famílias é normalmente muito reflectido, pois o seu instinto maternal e de protecção à família é determinante. Os seus horários foram alterados, viram-se obrigados a fazer substituições, alinharam nos concursos para titulares…. até que chegou o momento de ler o despacho 2/2008. O desconforto instalou-se. Aperceberam-se que o organograma da avaliação divulgado como exagerado nos média correspondia à verdade. Descobriram a dificuldade em realizar todo o processo, e a contenção deixou de ser possível. Saíram à rua.
Fez-se um memorando de entendimento através dos sindicatos e assim foi possível terminar o ano lectivo.
Houve milhares de professores que até ao no final do ano lectivo foram poupados ao processo de interiorização deste modelo de avaliação.
Destacaram-se alguns professores titulares para organizar fichas e grelhas que dessem apoio a todo o processo, e esses afogaram-se nesta avaliação de desempenho. Os outros foram poupados. A palavra é mesmo essa: foram poupados.
Os titulares viveram o final do ano lectivo já completamente afogados em papeis e a trabalhar para além das 35h semanais, constataram e testaram a mostruosidade do presente modelo, difícil cumprir para os avaliados e devastador para os avaliadores, que sem qualquer formação na área de avaliação de adultos e de pares, serão os grandes obreiros e responsáveis pelo funcionamento de um processo com o qual não concordam.
Investigaram e descobriram que o modelo foi importado do Chile e apresentado sob a forma de grelhas comuns a todas as escolas e publicadas no site do ministério da educação. Então onde fica a autonomia das escolas? Efectivamente pode-se dar as voltas que quiser dar, mas no final de tudo a avaliação tem de se expressar nas tais grelhas do ministério.
As grelhas são iguais para todos, educadores, professores do 2º, 3º ciclos e secundário. Não distingue qualquer especificidade de cada nível de ensino, das diferentes disciplinas, dos níveis etários que são leccionados.
Logicamente, no tal grupo de trabalho, começaram desde logo os problemas, os paradoxos e as contradições a flutuar, tornando-se visível a incapacidade de levar este modelo à prática. Os docentes empenharam-se horas e horas, dias, semanas a estudar todo o processo, consultaram outros modelos de avaliação, e até consultaram o tal modelo Chileno em toda a sua dimensão, já que os secretários de estado só copiaram uma parte. Com as novas tecnologias de apoio à comunicação, foram trocadas informações com outras escolas: as questões foram discutidas em todas as suas vertentes.
Por vezes os nossos governantes dão quase que a entender que existe uma má interpretação da legislação. Isto é um discurso que pode colar noutras classes profissionais, na nossa só tem a capacidade de irritar ainda mais. Se os professores não tem a capacidade de ler e interpretar, então quem a terá?
Ainda houve o apoio dos CAE, fornecido por colegas a defender o modelo, mas sem soluções para enfrentar as dificuldades ou com soluções de algibeira que deixaram escandalizados muitos dos docentes presentes.
Nasceu aí o argumento que os professores é que complicam. Incapazes de entender que os docentes querem ser avaliados de forma justa, honesta, sem subjectividade, e de forma rigorosa, pedagógica e numa perspectiva formativa, avançam com SIMPLEXES dignos da sua completa incapacidade de resolver a grande alhada em que se meteram.
O ano lectivo terminou.
Os docentes titulares concluíram o ano lectivo esgotados, desdobrando-se em reuniões de grupo, departamento, conselhos pedagógicos ao longo do 3º período. No final esperava-os uma formação teórica dividida em vários módulos que não passou às questões praticas e que são aquelas que continuam a preocupar a classe docente.
As contradições de base continuam no decreto e em vigor.
Já todos perceberam que o que orienta este modelo não é uma avaliação com uma perspectiva formativa,de valorização do exercício da docência em prole dos alunos, mas sim economicista e penalizadora para o docente.
Este é o grande problema!
“Já que a educação não dá lucros palpáveis objectivados na bolsa, que se reduzam as despesas!”
O ministério não quer que todos os professores sejam excelentes, só quer que sejam alguns, e há que dificultar o mais possível, para ninguém chegar lá. O primeiro passo é engendrar um compliquex de burocracia para entreter o pessoal, e passar o discurso que os profs não querem trabalhar, para a opinião pública os trucidar.
Os profs gozaram o seu mês de férias, mas já a adivinhar o pesadelo que que os esperaria em Setembro.
Em Setembro começa tudo de novo com mais formação instantânea.
Como é habito e pedagogicamente correcto, iniciou-se o ano lectivo, planificando e organizando aulas, documentos, dossiers e foi aí que a maior parte dos docentes constataram a embrulhada em que estavam metidos.
Verificaram que de todos os actos educativos deveriam recolher as evidências, as provas para o avaliador posteriormente ter matéria para avaliar. Tomaram consciência que não basta reflectir sobre os actos educativos, não basta contactar com as turmas e constatar as suas dificuldades, não basta fazer diferenciação pedagógica, não basta conhecer a personalidade de cada aluno…. é preciso passar tudo isso ao papel.
Os professores impacientaram-se verificando a impossibilidade em esperarar pelo modelo corrigido no final do ano lectivo. As aulas iniciaram-se com muitos dos docentes cansados e desmotivados, e conscientes que tinham que travar o processo custasse o que custasse, independentemente da vontade e do acordo feito pela plataforma sindical.
Já em Março a ministra não foi suficientemente arguta, não entendeu que nenhum sindicato faz manifs de 100.000. Desvalorizou a existência de algo mais, de movimentos espontâneos que conseguem congregar as vontades de todos. O discurso anti-sindical está completamente ultrapassado. Até os sindicatos foram tomados pela surpresa da vontade de todos em acelerar o fim, também não conseguiram prever que rapidamente se iria instalar o caos nas escolas; conforme a informação circula em segundos, as atitudes e as decisões tem de ser tomadas também num outro ritmo. Os docentes vivem a instabilidade na escola das 8,10 às 21h e há que colocar rapidamente um ponto final.
Na situação actual a maioria das escolas ainda não entrou efectivamente em pleno processo de avaliação, portanto adivinha-se que se a ministra continuar com este braço de ferro, a escola vai colapsar, porque isto não é uma questão de teimosia dos professores, isto é uma efectiva impossibilidade de execução, de insustentabilidade.
Quer choba ou fassa sole, a luta continua
15 novembro, 2008
Porque saimos à rua
Parte IVO seu nível de formação divide-se em bacharéis, licenciados e mestrados.
Todos desempenham as mesmas funções, com mais ou menos qualidade.
A grande maioria possui formação pedagógica, mas a sua formação cientifica e especifica é efectivamente distinta.
As suas funções são iguais: dar aulas, interagir com os alunos, ser director de turma, ser coordenador ou ser delegado ou ser representante de grupo. A grande maioria dos professores já desempenhou todas esta funções, daí não ter sentido dividir a carreira em dois tipos de professores: professores titulares e não titulares.
14 novembro, 2008
Porque os profs saiem à rua
Integração na paisagem
13 novembro, 2008
Escola Infanta D. Maria
É com grande preocupação que temos vindo a assistir a situações que podem fazer perder progressivamente os atributos que nos levaram a procurar esta escola como a melhor para os nossos filhos. A grande quantidade de legislação que durante todo o ano passado foi chegando à escola obriga a um esforço enorme de reajustamento, perturbando a organização — o Conselho Executivo ficou totalmente mergulhado na burocracia, enquanto, pelo lado dos professores, o cansaço e a insatisfação, devido às mudanças que não aprovam ou não compreendem, contaminaram o clima geral, ameaçando parâmetros como a exigência. Arriscamo-nos a ter professores mais ocupados com a implementação das novas regras do que com a preparação das aulas e mais absorvidos com o futuro das suas carreiras do que com o futuro dos seus alunos.
Este ano lectivo, o grande número de professores que solicitou a aposentação na Escola Infanta D. Maria, mesmo sujeita a penalizações (20% dos professores da Escola, se contarmos as aposentações que se prevêem até final do ano) acrescido ao daqueles que tem recorrido a atestados médicos por doença — tem deixado muitos alunos sem aulas e tem sobrecarregado desmesuradamente os professores remanescentes com aulas de substituição (durante só uma semana no mês de Outubro deram-se 100 aulas de substituição!). Vemos cansaço prematuro e sinais de desmotivação em professores e alunos com risco para as aprendizagens, grupos disciplinares desfalcados dos seus elementos mais experientes (História perdeu todos os professores do quadro, Físico-Química perdeu 4 num grupo de 9), turmas do 7º ano desde 23 de Setembro até agora sem professor a disciplinas fundamentais como o Português!
Lamentando a perda de um corpo docente experiente e estável, uma das garantias de qualidade desta instituição, indagamos então:
— o que levará estes professores, que tanto têm ainda para dar ao sistema, a recorrer à aposentação prematura?
No passado, as aposentações aconteciam espaçadamente e de forma gradual; hoje, antecipam-se e acumulam-se. No passado, as substituições de professores podiam ser solicitadas semanalmente; hoje só podem ser pedidas por ciclos abertos quinzenalmente, o que atrasa visivelmente o processo e prejudica os alunos.
Somos, então, levados a perguntar:
— será este método de substituição de professores o mais adequado?
Estamos convictos de que certas mudanças eram necessárias, nomeadamente um processo de avaliação de desempenho dos professores, mas aos nossos olhos de Pais e Encarregados de Educação, a perturbação causada por este modelo de avaliação no funcionamento normal da escola prejudica o fundamental que é ensinar e aprender.
— irá este modelo de avaliação contribuir para uma escola melhor?
— não estaremos perante sinais de alerta que apontam para uma escola burocratizada em vez de uma escola de qualidade?
Não queremos perder professores disponíveis para os alunos, capazes de os motivar para a aprendizagem com entusiasmo e exigência, fazendo da qualidade das suas aulas o objectivo fundamental do seu desempenho profissional.
Não queremos ganhar, em vez disso, burocratas que esgotam as energias no preenchimento de tabelas, objectivos e planificações: é que podem passar a ver números no lugar dos rostos dos nossos filhos.
Por tudo isto decidimos que tínhamos que nos fazer ouvir!
Coimbra, 6 de Novembro de 2008
A Associação de Pais e Encarregados de Educação
da Escola Infanta D. Maria
12 novembro, 2008
Porque saímos à rua






Porque saimos à rua
Alguns cidadãos ainda não entenderam porque os professores saíram à rua, e porque o número de manifestantes vai aumentando aos milhares.
Para quem viu passar as manifestações em Lisboa não ficou certamente indiferente a esta união no protesto de toda uma classe profissional, de norte a sul do país, em que qualquer colagem ao partido x ou y, ou sindicato é pura demagogia. Todos os professores estão descontentes com as politicas deste Ministério da Educação, tanto na matéria que lhes diz directamente respeito, como com tudo que se legisla para a escola pública, sem ouvir os directamente envolvidos nessa escola.
Os professores estão zangados, desmotivados, sem paciência, mas UNIDOS como nunca o estiveram antes e com espírito de VENCEDORES.
Os professores foram maltratados, difamados e espezinhados, pela subtis afirmações dos seus superiores da 5 de Outubro, vendo-se envolvidos num processo de desprestígio duma profissão amplamente divulgado pelos média. Alguns “fazedores de opinião” continuam a massacrar toda uma classe com a sua verborreia mal intencionada e complexada sabe-se lá porque.
Quando se esgotam os argumentos contra os professores, apela-se a um perfil de um professor impedido de se manifestar, amordaçado e imobilizado ainda pelas grilhetas do Estado Novo, como imagem do dever e da obediência cega, que deve servir de exemplo para os seus alunos.
Estive orgulhosamente nas duas manifestações e estarei nas próximas que vierem, e os meus alunos admiram-me também por isso.
Não vi ninguém a causar distúrbios, não se atiraram coktails molofs, nem very lights, nem ovos nem tomates, ninguém se despiu e mostrou a sua nudez, ninguém fez gestos obscenos ou provocatórios, ninguém utilizou português carroceiro,… todos respeitaram os agentes policiais.
Para quem não sabe, as manifestações são legalmente autorizadas, e pode-se transportar faixas com slogans, pode-se gritar palavras de ordem, pode-se sorrir, pode-se ter sentido de humor…. Não sei onde está o mau exemplo.
Mais de 120.000 professores e educadores encheram as principais ruas da baixa de Lisboa. Nenhum sindicato consegue esta proeza! Esta união deve-se aos sindicatos, aos movimentos que surgiram espontaneamente e essencialmente a nós docentes, que temos cabeça para pensar e se indignar.
PS nunca mais!

TARTARUGA EM CIMA DUM POSTE
Enquanto suturava uma ferida na mão de um velho lavrador, o médico e o doente começaram a conversar sobre a recente manifestação de professores e o descontentamento da classe, relativamente às políticas educativas do Governo.
Então o velhinho disse:
- Bom, o senhor sabe... Essa tal ministra, é uma tartaruga em cima dum poste...
Sem saber o que o camponês queria dizer, o médico perguntou o que era uma tartaruga num poste.
O camponês explicou:
- É quando o senhor vai por uma estradinha e vê um poste de vedação, em arame farpado, com uma tartaruga equilibrando-se em cima dele. Isto é, uma tartaruga em cima dum poste...
O velho camponês olhou para a cara de espanto do médico e, vendo que ele ainda não tinha compreendido, continuou com a explicação:
- Você não entende como ela chegou lá;
você não acredita que ela esteja lá;
você sabe que ela não subiu para lá sozinha; você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá; você sabe que ela não vai conseguir fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;
então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá!
11 novembro, 2008
"Pânico na 5 de Outubro
A história do mandato deste Governo está recheado de numerosas "gaffes" públicas de vários ministros, com destaque para os da Economia ("a crise acabou"), das Finanças ("o sistema bancário português não vai precisar de nenhuma intervenção financeira") ou das Obras Públicas (aeroporto na margem sul, jamais!...). Lurdes Rodrigues também quer subir ao podium do disparate político. As suas reacções ao 8 de Novembro são... do outro mundo! (ver comunicado da FENPROF de 9/11).Visivelmente transtornada, a docente do ISCTE deixou os portugueses que a viram na TV estupefactos com os fantasmas que a senhora foi desenterrar, só possíveis na imaginação de quem está em pânico.Aquela da "intimidação" e da "chantagem" provocadas por uma manifestação de mais de 120 000 cidadãos pacíficos não lembra nem ao diabo!... A sugestão aqui fica: para não atormentarem a senhora Ministra, os Sindicatos, cada vez que organizarem uma manifestação, terão que a dividir em duas etapas: 60 000 docentes manifestam-se ao sábado e os outros 60 000 ao domingo... /
O que queremos para os nossos filhos
se não abrir aceda a
http://www.overstream.net/view.php?oid=l6ssere6l3uj
10 novembro, 2008
Um número crescente nas manifestações de rua não demovem Maria de Lurdes e Sócrates dos seus intentos: destruir a escola pública. Onde andarão os srs do PS do slogan da paixão pela educação? Estarão amordaçados aos seu Jobs? Porque não manifestam a sua opinião?
Em Março, não chegaram 100 mil na rua, há dois dias não chegaram 120 mil. Ofereçam uma máquina de calcular à sra ministra, pois se quase todos os profs estão na rua, como é que a maioria está a fazer o processo de avaliação felizes e contentes?
Este processo não tem volta. Como não somos arruaceiros continuaremos serenos e bem comportados, iremos para a rua as vezes que sejam necessárias e o voto será a nossa arma definitiva.

