21 julho, 2008

Perdi os dois

Lou Reed e Cohen na mesma noite em Lisboa, é dose!!!
Data pouco conveniente para mim… mas "prontos"! Teria que fazer o pin pan pun, para me decidir; não foi necessário pois não pude ir ver nenhum destes dois espectáculos para cotas.

Lembra-me de Lou reed integrado na banda Velvet Underground, orientado pela filosofia do pai da pop art, Andy Warrol. Pouco comercial e contorverso. Lou reed escrevia quase sempre as letras, extremamente provocadoras e chocantes mesmo para os revolucionários anos 60/70.
Cohen, brilhante na expressão melancólica que imprime à maioria das suas músicas e letras. Um verdadeiro dinossauro da poesia e da musica, com uma voz única.
Chatice!!!!!!!!!!! Não fui!




20 julho, 2008

19 julho, 2008

O pintor catalão José Togores.



(clique para ampliar)


O pintor catalão José Togores.


Ilustração, nº 113 de Setembro de 1930.

Fonte: Blog ilustração portuguesa http://revistaantigaportuguesa.blogspot.com/

18 julho, 2008

O desenrascanço dos tugas

In "Diário de Notícias" João César das Neves

"Portugal fez tudo errado, mas correu tudo bem."

Esta é a conclusão de um relatório internacional recente sobre o desenvolvimento português. Havia até agora no mundo países desenvolvidos, subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Mas acabou de ser criada uma nova categoria: os países que não deveriam ser desenvolvidos. Trata-se de regiões que fizeram tudo o que podiam para estragar o seu processo de desenvolvimento e... falharam. Hoje são países industrializados e modernos, mas por engano. Segundo a fundação europeia que criou esta nova classificação, no estudo a que o DN teve acesso, este grupo de países especiais é muito pequeno. Aliás, tem mesmo um só elemento: Portugal . A Fundação Richard Zwentzerg (FRZ), que se tornou famosa no ano passado pelo estudo que fez dos "bananas da república", iniciou há uns meses um grande trabalho sobre a estratégia económica de longo prazo. Tomando a evolução global da segunda metade do século XX, os cientistas da FRZ procuraram isolar as razões que motivavam os grandes falhanços no progresso. O estudo, naturalmente, pensava centrar-se nos países em decadência. Mas, para grande surpresa dos investigadores, os mais altos índices de aselhice económica foram detectados em Portugal , um dos países que tinham também uma das mais elevadas dinâmicas de progresso. Desconcertados, acabam de publicar, à margem da cimeira de Lisboa, os seus resultados num pequeno relatório bem eloquente, intitulado: "O País Que Não Devia Ser Desenvolvido" - O Sucesso Inesperado dos Incríveis Erros Económicos Portugueses." Num primeiro capítulo, o relatório documenta o notável comportamento da economia portuguesa no último meio século. De 1950 a 2000, o nosso produto aumentou quase nove vezes, com uma taxa de crescimento anual sustentada de 4,5 por cento durante os longos 50 anos. Esse crescimento aproximou-nos decisivamente do nível dos países ricos. Em 1950, o produto de Portugal tinha uma posição a cerca de 35 por cento do valor médio das regiões desenvolvidas. Hoje ultrapassa o dobro desse nível, estando acima dos 70 por cento, apesar do forte crescimento que essas economias também registaram no período. Na generalidade dos outros indicadores de bem-estar, a evolução portuguesa foi também notável. Temos mais médicos por habitante que muitos países ricos. A mortalidade infantil caiu de quase 90 por mil, em 1960, para menos de sete por mil agora. A taxa de analfabetismo reduziu-se de 40 por cento em 1950 para dez por cento. Actualmente e a esperança de vida ao nascer dos portugueses aumentou 18 anos no período. O relatório refere que esta evolução é uma das mais impressionantes, sustentadas e sólidas do século XX.
Ela só foi ultrapassada por um punhado de países que, para mais, estão agora alguns deles em graves dificuldades no Extremo Oriente. Portugal , pelo contrário, é membro activo e empenhado da União Europeia, com grande estabilidade democrática e solidez institucional. Segundo a FRZ, o nosso país tem um dos processos de desenvolvimento mais bem sucedidos no mundo actual. Mas, quando se olha para a estratégia económica portuguesa, tudo parece ser ao contrário do que deveria ser. Segundo a Fundação , Portugal , com as políticas e orientações que seguiu nas últimas décadas, deveria agora estar na miséria. O nosso país não pode ser desenvolvido. Quais são os factores que, segundo os especialistas, criam um desenvolvimento equilibrado e saudável? Um dos mais importantes é, sem dúvida, a educação. Ora Portugal tem, segundo o relatório, um sistema educativo horrível e que tem piorado com o tempo. O nível de formação dos portugueses é ridículo quando comparado com qualquer outro país sério. As crianças portuguesas revelam níveis de conhecimentos semelhante às de países miseráveis. Há falta gritante de quadros qualificados. É evidente que, com educação como esta, Portugal não pode ter tido o desenvolvimento que teve. Um outro elemento muito referido nas análises é a liberdade económica e a estabilidade institucional. Portugal tem, tradicionalmente, um dos sectores públicos mais paternalista, interventor e instável do mundo, segundo a FRZ. Desde o "condicionamento industrial" salazarista às negociações com grupos económicos actuais, as empresas portuguesas vivem num clima de intensa discricionariedade, manipulação, burocracia e clientelismo. O sistema fiscal português é injusto, paralisante e está em crescimento explosivo. A regulamentação económica é arbitrária, omnipresente e bloqueante. É óbvio que, com autoridades económicas deste calibre, diz o relatório, o crescimento português tinha de estar irremediavelmente condenado desde o início. O estudo da Fundação continua o rol de aselhices, deficiências e incapacidades da nossa economia. Da falta de sentido de mercado dos empresários e gestores à reduzida integração externa das empresas; da paralisia do sistema judicial à inoperância financeira; do sistema arcaico de distribuição à ausência de investigação em tecnologias. Em todos estes casos, e em muitos outros, a conclusão óbvia é sempre a mesma: Portugal não pode ser um país em forte desenvolvimento. Os cientistas da Fundação não escondem a sua perplexidade. Citando as próprias palavras do texto: " Como conseguiu Portugal , no meio de tanta asneira, tolice e desperdício, um tal nível de desenvolvimento? A resposta, simples, é que ninguém sabe. Há anos que os intelectuais portugueses têm dito que o País está a ir por mau caminho. E estão carregados de razão. Só que, todos os anos, o País cresce mais um bocadinho." A única explicação adiantada pelo texto, mas que não é satisfatória, é a incrível capacidade de improvisação, engenho e "desenrascanço" do povo português.

"No meio de condições que, para qualquer outra sociedade, criariam o desastre, os portugueses conseguem desembrulhar-se de forma incrível e inexplicável." O texto termina dizendo: "O que este povo não faria se tivesse uma estratégia certa?".

12 julho, 2008

identidade e território




Há uns meses atrás LC questionou-me sobre qual seria o principal problema do nosso Agrupamento de Escolas. Rapidamente respondi: o próprio Agrupamento.
Foi a primeira resposta em que pensei. Reflecti depois e entendi como necessário registar esta resposta, no meio da minha papelada que vai crescendo no estirador, para reflectir mais tarde.
Logo que me surgiu a tal resposta, quase de imediato temi estar a ser precipitada e confiei esperançada em poder alterar a minha opinião. O tempo é nosso amigo e acaba sempre por trazer a verdade para primeiro plano; eu pelo menos confio no tempo, no entanto nunca sei quando a verdade emergirá.
Como se constrói uma identidade?
Decretos-lei não constroem identidades!
Os agrupamentos surgem como imposição do Ministério de Educação na tentativa de reorganizar a rede escolar, atendendo a perspectivas puramente economicistas disfarçados por lógicas pedagógicas teoricamente irrefutáveis e não equacionando nunca a sua eficácia na implantação no terreno.
A centralização é um conceito contraditório com a autonomia tão apregoada, mas tudo isto foi esquecido perante os cifrões ofuscantes, vislumbrados num esquema imposto de cima para baixo na estrutura educativa.
Os conselhos pedagógicos, passaram a ser grandes grupos de trabalho, pouco operacionais, impessoais, quase esvaziados de interesse. Os problemas reais de cada escola ou cada disciplina são engolidos pelos interesses globais do agrupamento.
Passados 4 anos, os agrupamentos continuam a sofrer duma disfuncionalidade gritante resultante logo à partida da ausência daquilo que se denomina por identidade. O nosso agrupamento padece de falta de identidade!...decretos lei não constroem identidades e as boas vontades compreensivelmente exaurem-se rapidamente.
Falta aos agrupamentos algo de único que os distinga uns dos outros e que se converta numa referência forte para todos aqueles que o integram, tornando-se quase num fenómeno ergonómico que devolva e desenvolva um bem-estar colectivo; uma referência que apele ao racional e aos afectos de todos, servindo de ligante a toda a comunidade escolar.
Nada disto se constrói de cima para baixo, antes pelo contrário. Arriscaria a afirmar que a identidade se edifica de forma orgânica, tal qual uma cidade medieval, que cresce sem regras, que se adapta segundo as suas necessidades, ao espaço e ao tempo e onde todos os indivíduos se reconhecem.
Durante quatro anos e apesar do empenho de muitos, continua a não haver identidade e o sentimento que permanece é de frustração, exteriorizando-se em diferentes situações através da divergência e não da comunhão.
Poderemos citar inúmeros impedimentos, os aceitáveis e compreensíveis, os condenáveis e politicamente incorrectos. Parece-me ser uma evidência, que as diferentes faixas etárias, os diferentes níveis de desenvolvimento dos alunos formam barreiras dificilmente ultrapassáveis, mas considero que há um parâmetro estruralmente básico, morfologicamente impeditivo à formação de uma identidade, que é o sitio, o espaço físico. Um espaço que se caracteriza por ser disperso, desagregado, parcelado, nunca favorecerá a unidade e a identidade, pois encontra muitos obstáculos em se constituir numa malha.
Passados 4 anos arriscaria a afirmar que a maioria dos elementos do agrupamento, e aqui englobo pessoal docente, discente e encarregados de educação, não conhece o espaço físico do mesmo. Não me refiro à localização no mapa, refiro-me exactamente ao conhecimento das escolas, das salas de aula, da envolvente de cada escola, dos hábitos da sua utilização, de quem lá está, das histórias que se colam em cada parede, e isso inviabiliza a formação da tal identidade que carecemos.
È completamente irracional atribuirmos culpas a este ou àquele, ao sucesso ou ao insucesso das acções, pois tudo isto, quer queiramos ou não, passa pela primitiva ligação ao território.
Idealizar um projecto comum, convergir vontades e apelos à união, formarão bolsas de acções positivas que poderão pontualmente enganar este apelo primitivo, mas a verdade é imprevisível, emerge quando menos se espera nesta era da pós modernidade.
Quando se assiste ao declínio ou o descrédito das filosofias que tentam orientar as nossas vidas, à alteração profunda dos valores, às mudanças rápidas das sociedades, o que persiste e que todos nós inconscientemente conservamos são os lugares, aquilo que nos aproxima ou nos distingue.
A maior parte das estruturas conhecidas da vida colectiva traduz-se através de formas de territorialidade.
Esta descoberta recente da geografia humana abrange não só a grande escala dos países, mas também as escalas menores, a casa, a escola, a aldeia, o bairro. Desde sempre que a territorialidade foi um eixo de grande importância na vida das várias espécies, e por isso eu utilizo a expressão “ a primitiva ligação ao território”.
Nós, que entendemos ser, superiores e seres civilizados, temos imensa dificuldade em transferir o conhecimento das Ciências Naturais para o comportamento humano, pois queremos acreditar que o filtro da civilização é eficaz para nos separar dos restantes seres deste planeta. Um território pertence-nos ou converte-se na nossa identidade apenas quando existe um fenómeno de enraizamento construído ao longo de anos, formado por laços simbólicos construídos pelos homens que habitam esses espaços, não dependendo de vontades politicas e ou administrativas da parte superior da pirâmide hierárquica.


A identidade não é um começo, é um fim, uma consequência, é uma construção cultural.
Ao fazer esta reflexão de final de ano lectivo sinto que estamos todos a viver uma crise identitária transversal, que não é compensada nem sequer pelo imaginário de cada um… talvez seja dos poucos factores que nos unem, mas tornam-nos cada vez mais frágeis e vulneráveis.
Neste universo resta-nos o empenho, a criatividade e o tempo. Não vai ser fácil.
(bom… agora vou passar lustro às muletas)

10 julho, 2008

09 julho, 2008

08 julho, 2008

PERITO MORENO

Vídeo Mundo
2008-07-08 10:28:20
Glaciar Perito Moreno, na Argentina, perdeu gelo
O glaciar Perito Moreno, na Argentina, libertou recentemente um grande pedaço de gelo. Segundo cientistas e ambientalistas, a queda de um pedaço de gelo com 60 metros de altura e milhares de toneladas de peso pode estar directamente relacionado ao aquecimento global.
Fonte: RTP


07 julho, 2008

Se a falta de petróleo incomoda muita gente, a falta de água incomóda muito mais.




Se a falta de petróleo incomoda muita gente
A falta de água incomoda muito mais


Vamos tendo cada vez mais consciência, que isto aqui onde vivemos, não é uma bola de terra que se entretém a girar à volta do sol, tipo boomerang, confortando-nos com uma sucessão de noites e dias monotonamente parecidos, onde tudo parece definitivamente estável, inscrito num triangulo equilátero, com a base menor bem assente no plano das nossas consciências. Temos vindo a evoluir, na barra cronológica, ora lembrando, ora esquecendo os nossos antepassados Gregos e da sua poderosa deusa Gaia, explorando e esgotando selvaticamente, cada vez mais os seus recursos. Se ficamos com alguma dor na consciência, logo recorremos ao analgésico, cabeça enterrada na areia, assobiamos para o lado e o dia seguinte é outro dia.
Já houve alguém que avançou com a possibilidade do paraíso ter existido lá para os lados do Tigre e Eufrates; interrogamo-nos porque haveríamos nós de estar do lado de fora e assim ….e já que não nos cobraram nada na entrada porque não haveria o paraíso de estender-se até cobrir toda a crosta terrestre?
Nunca nos interrogamos se o paraíso teria limites, se teria passado e futuro.
Existia e pronto. Tinha árvores e maçâs e chegava.
Deduziamos que não teríamos de acordar cedo, nem teríamos hora para dormir, e para comer era só estender o braço… fora o resto.

A instabilidade do acesso ao petróleo, começa a despertar as nossas consciências e afinal às tantas o triângulo é equilátero, mas estará apoiado num susceptível, vulnerável e hipersensível vértice, capaz de num momento para o outro, dar um daqueles espirros estridentes resultantes duma forte corrente de ar e imprimir ao triângulo um movimento geometricamente acelerado daqueles de nunca mais se lhe põe a vista em cima.?
O petróleo vai acabar um dia e a água acabará também. Se a falta de petróleo incomoda muita gente, a falta de água incomoda muito mais. Isto faz-me lembrar a musiquinha/lengalenga irritante do elefante. Para afligir basta a primeira comparação.

Será tudo isto finito?…. a terra mexe, será um organismo vivo, como eu ou como tu, e a sua saúde conta com tudo o que lhe habita? O planeta terá de facto capacidade de controlar sua temperatura, atmosfera, salinidade e outras características que mantêm o nosso lar, doce lar confortável, com condições ideais para a existência da vida? Não vale a pena preocupar???? Terá ela capacidade de se recuperar, reorganizar e auto-regular?
Eu gostaria de acreditar que sim, mas já acreditei no pa
raíso e afinal!!!!!!!.....

05 julho, 2008

Fundação Nadir Afonso, por Siza Vieira

O projecto da Fundação Nadir Afonso deverá ficar concluído até ao final do ano. E, até finais de Agosto, será apresentada a candidatura para o financiamento da obra, projectada pelo arquitecto Siza Vieira.
Além de um espaço destinado à exposição permanente do mestre, a Fundação prevê também um outro para acolher exposições temporárias, uma zona de conferências e um auditório.

30 junho, 2008

27 junho, 2008

Ana d' Or


Clique para ampliar

26 junho, 2008

uase igual

Já me aconteceu uma coisa quase quase igual.

25 junho, 2008

casa armanda passos


















































Casa Armanda Passos
Álvaro Siza

Pensada para ser vivida a todas as horas do dia, quando a luz procura a som­bra e a sombra se abre à luz, a casa atelier, encomendada pela pintora Armanda Passos ao nome mais internacional da arquitectura portuguesa, deixa transparecer, a cada apontamento, a cumplicidade que o arquitecto cria naturalmente com a obra. Esta é a segunda habitação projectada por Siza no Porto. A primeira foi concretizada nos anos 60, na avenida dos Combatentes. Entre o projecto e a obra, passando pelo processo de aprovação junto à Câmara, decorreram três anos (2002-2005). O programa incluiu a demolição da casa existente e a construção de três corpos, interligados e articulados de forma a definir dois pátios ajardinados, pontuados pelas árvores existentes. Surgem ainda um amplo jardim entre o muro limite do passeio da avenida e a frente construída. Outras árvores foram plantadas. Estabelecem, assevera-se, a ponte entre o Ocidente e o Oriente.

Em entrevista à Arquitectura & Construção, Álvaro Siza


- A Casa Armanda Passos foi feita para uma amiga... Agora é, na altura não tínhamos um conhecimento tão próximo. Depois, sim, porque a construção de uma casa é uma grande história.

Como encarou o desafio?

É uma pessoa com sensibilidade, que tem um agarramento grande à casa e criei, de forma especial, não só conforto como todo esse aspecto de ligação com o jardim, de intimidade, de qualidade de luz, etc. É muito agradável para um arquitecto ter um cliente com essa exigência de qualidade.

Qual o programa?

O programa que me foi dado compreende uma parte de residência com sala polivalente, que tem possibilidades de projecção a partir de um palco que se eleva a cota variável. A residência e a sala polivalente estão interligadas por um espaço de transição: um átrio. Depois, há o ateliê com luz do Norte.

O atelier apresenta duas inclinações no te­lhado, como nas fábricas e armazéns antigos, o que lhe dá uma luz especial...

Exactamente. É o chamado ‘cheide’. Tem uma luz alta do Norte.

Nos interiores, jogou muito com diferentes volumes…

O terreno não é grande e queria aproveitar ao máximo o jardim, para não fazer uma massa isolada. Como existiam três partes do programa muito claras na sua função, duas interligadas e uma que podia ser independente, utilizei isso para organizar os pátios. Há um pátio entre a sala polivalente e a residência para Poente; há um outro junto ao acesso automóvel; e há um espaço à frente da sala polivalente, entre esta e um muro de transição que fica entre a rua e a frente da casa. Portanto, há três espaços bem diferenciados.

A casa é ligeiramente mais baixa que as vizinhas. Esse rebaixamento foi intencional?
As casas vizinhas têm todas dois pisos. Nesta, a parte mais visível do lado da rua é só de um piso, embora seja mais alto que o normal. É intencional, porque era possível articular os três volumes e, portanto, criar pátios dos três lados. O volume com dois pisos e o volume mais elevado, por causa dos ‘cheides’, estão para trás. O facto de haver espaço livre à frente e dos dois lados permite colocar árvores e criar uma certa intimidade nas zonas exteriores do lote. Sendo as casas vizinhas de dois pisos, se esta assim o fosse, ficava com a sensação de ser estreita. Desta forma, é possível a sensação de generosidade de espaço livre interior.

Ao mesmo tempo a casa tem elementos característicos dos anos 50 – como as palas – e também apresenta um espírito oriental. Há aqui um entendimento entre Ocidente e Oriente...

Não há dúvida que na arquitectura japonesa tradicional – tão bela que é! – há esse cuidado. Existe uma articulação que organiza uns espaços bem definidos exteriores – os pátios – e permite uma comunicação muito grande. Ao mesmo tempo, íntima do interior com o exterior. Os famosos jardins Zen de Osaka são construções que se articulam e deixam os espaços geométricos, onde fazem arranjos maravilhosos de jardim. Neste caso, a maneira como o jardim está feito não tem a ver com os jardins Zen, mas há a sensação de intimi­dade. Não sendo uma casa demasiado envidraçada, beneficia de comunicação entre o interior e o exterior nas grandes aberturas que enquadram esses espaços exteriores.

As palas rebatem e criam sombra que se desenha no chão, como uma memória da arquitectura. As calhas de água marcam, também, os limites das palas no chão. As palas estão lá para a proteger do sol e do calor e criam, também, uma transição entre o interior e o exterior.A certa altura, os volumes quase se tocam de alguns ângulos...

Sim. O corpo do ateliê com a varanda que vem fora e a pala da residência quase se tocam. São três corpos bem definidos, mas pretendia-se que formassem um todo. Daí a proximidade de elementos de um corpo e de outro para estabelecer os espaços de transição e unificar o conjunto.Há pormenores quase indicadores de ele­mentos. Lembramo-nos de um recorte da varanda que funciona como uma seta a indicar uma árvore ou um pormenor do muro. Portanto, a própria arquitectura acompanha um percurso... Acompanha o tratamento do jardim. Os sítios onde estão plantadas as árvores e arbustos têm a ver com a protecção solar. Por exemplo, a janela da sala polivalente que é virada a Poente tem pala. Primeiro porque a pala protege-a de Sul, com o sol alto. Com o sol baixo, nem tanto. Têm de se usar outros sistemas, como o ‘brise-soleil’. A própria casa vizinha, quando o sol cai, protege bastante. Onde na diagonal podia entrar sol e ser incómodo no verão, foi colocada uma árvore de folha permanente. Junto ao caixilho, na grande abertura da sala polivalente para Poente, há uma árvore de folha caduca, porque assim, no inverno, o conforto da casa melhora ao receber o sol. No tempo quente, está protegida.

É uma casa para as quatro estações?

É. São coisas elementares, que a própria arquitectura espontânea utilizou sempre e a erudita também, de relação entre a natureza e o construído no sentido de convivência. No alto das escadas, a luz que entra pela clarabóia indica os degraus, como mostrando o caminho. É um gesto que se repete... Eu não gosto muito da luz violenta e as cor­tinas são necessárias, mas também gosto que a casa possa estar toda aberta, que haja trans­parências. O controlo da luz não é feito só pelas cortinas, mas pelas palas que quebram a intensidade da luz e pela própria situação e orientação das aberturas, com a finalidade do conforto térmico. Dosear a intensidade luminosa era algo que tinham as casas antigas, e sobretudo as do Sul, de tradição árabe. Pátios com luz muito intensa, pórticos que criam uma transição para o interior, depois uma luz mais quebrada e até zonas de penumbra – são necessários para o nosso conforto.

As suas casas têm essa tradição... Eu não me lembro de ter feito uma casa totalmente envidraçada. Não só por conforto e por não ter de recorrer a meios mecânicos, mas porque sinto que há necessidade de, numa casa, haver ambientes diferentes. Ambientes mais repousantes, serenos, e outros extrovertidos. Uma casa é feita com essas variações. É o simples aparente porque dentro de uma casa faz-se muita coisa.

No espaço interior do atelier, a luz que vem dos ‘cheides’ leva quase à sensação de um olhar às janelas de uma catedral, cuja luz se eleva...

A intenção não foi criar um ambiente religioso, mas, tratando-se da casa de uma pintora, tem de haver um cuidado especial com a luz, para criar condições boas de execução e até de manutenção. Ainda há pouco tempo Armanda Passos me procurou, porque, embora os ‘cheides’ estejam virados a Norte, no verão há uma hora em que entra sol. É não só incómodo como pode danificar a pintura, e aí vamos pôr estores no exterior, para nesses poucos dias poder quebrar a entrada de fogo.

As janelas do ateliê dão a sensação ilusória de se poderem puxar até abaixo. Quase abrindo o céu inteiro...

Neste caso, não acontece. As janelas vão até ao chão, mas têm folhas que abrem. Uma parte delas, as maiores, são portas de correr e nalguns casos correm por inteiro, não há nenhum travessão. É um vidro inteiro que corre para dentro da parede.

Nas janelas e portas, em geral, os planos são bem definidos. Umas abrem mais espaçadamente, outras estreitam. Como se brincasse com os volumes num jogo harmónico...

É uma brincadeira que obriga a muito esforço [risos], mas há alguma dimensão de prazer no meio desse esforço porque a possibilidade de trabalhar para alguém que pede e exige qualidade não é frequente – quer se trate de obra pública, quer se trate de obra privada.

Foi tudo direccionado para a proprietária...

Sim, ela foi extremamente exigente sob o ponto de vista de qualidade da execução – o que é muito bom. Não basta o arquitecto estar a exigir a quem constrói qualidade, mas quem paga a casa exigir qualidade tem outra força. Muitas vezes, quem paga não está interessado em tanta qualidade. Essa exigência de qualidade é considerada uma espécie de ca­pricho de arquitecto chato.

Os muros laterais que separam a casa dos vizi­nhos têm diferentes alturas para resguardar?

Sim. Os muros foram aproveitados. De um dos lados houve uma elevação e a vizinhança não levantou problemas. No outro, nem se tocou.

Quais os materiais utilizados na casa?

É tradicional no ponto de vista de materiais. As paredes e a casca são em betão armado. Da experiência que eu tenho, é muito difícil misturar materiais. Basta qualquer pequeno erro na execução para que apareçam fissuras. Todas as casas que fiz em betão armado estão impecáveis. Até a que fiz nos anos 60 é em betão aparente e nunca teve qualquer problema de fissuras, humidades, etc. Depois, tem o muro de suporte em betão armado que é duplicado no exterior com uma parede em tijolo rebocada. Entre as duas, há uma caixa-de-ar com um material de isolamento térmico. Isto dá uma parede com 45cm de espessura, incluindo o reboco interior e exterior. As vantagens são o isolamento. No exterior, para além do reboco, há um vazamento em granito para proteger da humidade do solo. Em quase toda a periferia existe uma faixa em gravilha, com dreno por baixo, exactamente para a humidade não afectar o reboco.

E em termos de madeiras?

A madeira é toda pintada, caixilharias interio­res e exteriores, excepto o pavimento, em riga antiga recuperada. Nas zonas de água, colocou-se mármore. Desenhou-se a cozinha especialmente para aquela casa, em­bora hoje esteja em produção na fábrica que a executou. Os tampos são em mármore. O resto é madeira lacada. A parte das caixilharias é em madeira? Sim. Tem por fora uma placa em alumínio que segura o vidro, também para proteger a pintura. A madeira é câmbala tratada, para receber bem a pintura.

Quais os materiais do telhado?

Terra e vegetação. É uma cobertura plana em betão impermeabilizado e, logo por cima, uma camada de 40cm de terra para poder ter o relvado.

E o telhado do ateliê? Esse é revestido a zinco.
Os ‘cheides’ dão um movimento muito grande a todo o telhado... Sim, crescem ligeiramente da frente para trás para que a concordância com a rua seja suave. A casa quase passa despercebida. Essa parte recuada retém dois pisos. O ateliê tem mais pé-direito porque a Armanda faz grandes telas e precisa mesmo de espaço, de respiro. Tudo isso se passa nas traseiras, sendo cortado com as árvores. Portanto, não é uma casa exibicionista. É mais interiorizada.
Helena Osório
FICHA TÉCNICA
Projecto de Arquitectura: Álvaro Siza
Localização: Porto
Data de projecto/conclusão: 2002-2005

22 junho, 2008

21 junho, 2008

Mahatma Gandhi - porque gritam?


Muito interessante!!!!

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seusdiscípulos:

'Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?

''Gritamos porque perdemos a calma', disse um deles.

'Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?'Questionou novamente o pensador.

'Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça', retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar:'Então não é possível falar-lhe em voz baixa?'

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.

Então ele esclareceu:

'Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?'O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas?Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê?Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena.Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram.E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta.Seus corações se entendem.É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.'Por fim, o pensador conclui, dizendo:'Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta'.(Mahatma Gandhi)


Completamente de acordo!

Acrescento apenas que as pessoas gritam quando não possuem argumentos para convencer o outro. E gritam tanto mais alto quanto mais se apercebem que estão a sair derrotadas nas suas convicções, convencendo-se ingenuamente que quanto mais gritarem ou quanto mais elevarem o seu tom de voz, maior será seu poder de persuasão. Puro engano. Manifestam sim falta de capacidade de diálogo e prepotência,

Detesto pessoam que gritam!

20 junho, 2008