18 março, 2008

AEROPORTO INTERNACIONAL DE CARRASCO






Aeroporto Internacional de Carrasco, oficialmente conhecido como "Aeropuerto Internacional de Carrasco Geral Cesareo L. Berisso," está situado 11 milhas (18 km) a leste de baixa Montevidéu, a capital do Uruguai.

Com um milhão de passageiros por ano, é um dos dois únicos aeroportos no país que fornecem ligações internacionais durante todo o ano, e como resultado, exerce grande valor simbólico, como a "porta" para muitos visitantes.

A curva suave da cobertura monolítica ajuda a integrar o edifício no seu espaço envolvente, bem como proporciona um espaço coberto sobre o acesso de vias de um lado do edifício, e uma ampla vista para a pista no lado oposto.


O nível destinado às partidas é um grande volume, em consonância com uma longa tradição de grandes espaços de permanência. As vidraças em todos os lados e os apoios estruturais permitem que a cobertura flutue na parte superior do edifício. A grande quantidade de clarabóias possibilitam ampliar a iluminação natural.
Chegadas e partidas são separados verticalmente por motivos de segurança e circulação eficiente.



O átrio adjacente à rua, funciona como uma entrada visual e espacialmente aberta, abriga as duas fases de um passageiro, a chegada e a partida.

Um terraço público, com boa visão paisagista ocupa o segundo piso acima do nível das partidas, oferecendo vistas da pista e dos principais espaços públicos. Também dispõe de um restaurante e espaço adicional para outros usos comerciais ou culturais.

Depois de concluir o check-in e os procedimentos de segurança, os passageiros têm acesso ao duty-free shopping e restaurantes nas zonas de espera.

A chegada de passageiros passa por um nível mezanino, totalmente envidraçado com vista para o terminal e a pista, ajudando-o a orientar-se, antes de descer para a entrega da bagagem, alfândegas, imigração, e ainda as áreas de duty-free shopping.

Os espaços são acolhedores tanto para aqueles que não estão viajando, bem como para aqueles que estão.

Área total: 32.000 metros quadrados

Previsão de conclusão: 2009

Cliente: Puerta del Sur

Arquitecto: Rafael Viñoly Arquitetos

PC Lead Designer: Rafael Viñoly
Engenheiros estruturais: Thornton Tomasetti Group

Engenheiro Mecânico: Luis Lagomarsino & Ass.

Engenharia Elétrica: Ing. Ricardo Hofstadter

Esgotos: Estudio Jack Yaffe Berro

17 março, 2008

Orfeu e Euridíce



Pelos
Bulgarian Dream Dancers
A partir de “Orfeu e Eurídice”
Música original Georgi Andreev
Coreografia Lili Ignatova e Ivailo Ivanov
Guarda-roupa Milena Dobreva
Bailarinos principais Iva Tepeshanova e Kamen Ivanov


ESPECTÁCULO QUE COMBINA DANÇAS FOLCLÓRICAS COM GINÁSTICA RÍTMICA

Na linha de outras produções internacionais como “Lord of the Dance”, o espectáculo dos Bulgarian Dream Dancers pretende partilhar com os espectadores a riqueza da música, da dança e da cultura de um país, neste caso a Bulgária. Integra um grupo de 22 ginastas rítmicos, simultaneamente campeões de ginástica e bailarinos de topo de folclore. O espectáculo é dirigido por Lili Ignatova (uma das mais populares e amadas ginastas rítmicas da Bulgária), contando com a participação de uma das cantoras de As Vozes Búlgaras.

15 março, 2008

JAPONESE ART

Negociar


Saber negociar é uma arte.
É necessário ter um raciocinio rápido e abrangente. É necessário aceitar o outro, analisar e compreender o ponto de vista do outro mesmo não concordando com ele.
É preciso realizar uma anailse bipolar e ter criatividade para acertar pontos em comum.
É preciso ser inteligente e criativo.
Quando há uma hierarquia de poder, é necessário descer dos tamancos, e aceitar-se como igual, e estabelecer-se e diferençar-se o que são desejos e o que são necessidades.
Mas, nem todos nasceram com esse dom.
Ser-se socióloga não é condição suficiente.
Negociar é um joglo duplo. Imagine-se a jogar xadrês, por si e pelo adversário. A dualidade da análise pode gerar os frutos na negociação.
Determinismo, inflexibilização, surdez demagógica, são absolutamente proibidos.
A sra Ministra tenta a todo o custo dividir para reinar. Pensa que descobriu o ovo de Colombo. Tentou dividir através da balda, do facilitismo, da desarticulação, mascarando-a de autonomia. O seu discurso já não convence, nem consegue dividir, e sabem porque? Porque continua a achar que os profs são uns totós, irresponsáveis e incompetentes, e que cairiam na ratoeira do fácil.
Os profs querem uma avaliação digna, rigorosa e exequível.
Os profs não querem nadar em papeis e burocracia, mas querem uma avaliação bem estruturada, uniforme e formativa.
Assim não vamos lá!





14 março, 2008

AMIGOS

AOS MEUS AMIGOS
GUARDO-OS


Nota final: Logo hoje que não consigo inserir gifts animados, mas já estou habituada a caçar com um gato! Anda cá bichano! bxbxbxbxbx!

Alicia Keys

13 março, 2008

Esta comédia desumana


QUANTOS SEREMOS?

Não sei quantos seremos,

mas que importa?!

Um só que fosse,

e já valia a pena

Aqui, no mundo,

alguém que se condena

A não ser conivente

Na farsa do presente

Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,

Nem talvez a mais certa,

A da partida.

Mas podemos fazer a descoberta

Do que presta

E não presta

Nesta vida.

E o que não presta é isto,

esta mentira

Quotidiana.

Esta comédia desumana

E triste,

Que cobre de soturna maldição

A própria indignação

Que lhe resiste.

Miguel Torga

12 março, 2008

Não se calam porque perdem a cabeça, o tino ... a razão já não a têm há muito!


Mário Crespo, Jornalista

Maria de Lurdes Rodrigues não tem condições para continuar a gerir o sistema de educação em Portugal. Porque já não é eficaz nessa função. Porque é um facto insofismável que o pessoal que ela administra não aceita a sua administração. Isso esvazia de conteúdo as suas funções. Já não está em causa a eficácia da sua política. A questão é que ela não vai conseguir implementar as boas ideias que tem, nem impor as más. O argumento de a manter no cargo para não "desautorizar" o Primeiro-ministro é falso e perigoso.

Mantendo-a nas funções que desempenha a desautorização do governo de Sócrates é constante. Chegou a altura de ver que isso é mau para os alunos.

Só podem ser eles quem está em causa. Não pode haver razões de defesa de imagem política que justifiquem esta intransigência porque a manutenção de um percurso de imposição administrativa começa a ser um risco de segurança nacional. É péssimo para o quotidiano escolar ter um sistema totalmente desautorizado com professores a desafiarem o governo e o governo a desautorizar-se em frémitos de afirmação de voluntarismo vazio.
Da necessidade de reformas sabe-se com fundamento científico desde o trabalho de Ana Benavente que denunciou que um quarto dos portugueses mal sabia ler e que só dez por cento da população é que entendia completamente aquilo que está escrito.

Mas esse estudo tem década e meia e nada de substancial foi feito no entretanto. Por isso, o que está em questão não é a avaliação de professores.

Apreciações de desempenho são meros pormenores de gestão de pessoal. O que é preciso, como consta de uma lúcida reflexão dos docentes da Escola Rainha D. Amélia, é fazer a escola cumprir com as suas funções na socialização de crianças e jovens. É promover a criação de hábitos de disciplina interiorizados que se multipliquem depois na vida adulta.

Entre Cavaco Silva, o governante confrontado com o estudo de Ana Benavente, e José Sócrates, este processo de calamitosa estupidificação do país não foi interrompido por um projecto lúcido.

O governo actuou agora como se o problema estivesse nos docentes e não no sistema de docência e nos curricula. Actuou como se o problema único de Portugal fosse o do excesso de privilégios e não o do defeito de cultura. E assim as frágeis construções da demagogia política trouxeram, mesmo com a intimidação de PSPs à paisana e processos disciplinares da DREN, uma centena de milhar para as ruas de Lisboa.

E o Primeiro-ministro mostrou a sua fibra assistindo em silêncio ao martírio de Maria de Lurdes Rodrigues que se desdobrou nas TVs a tentar demonstrar o indemonstrável axioma socrático que a sua política é infalível e o défice de compreensão é do país. A resposta de Sócrates foi a de marcar uma manifestação de desagravo para o Porto.

Primeiro era para ser na rua, depois numa praça, depois num pavilhão e vai sempre soar a falso no clamor sem fim das turbas dos indignados.

Foi um contra-ataque ridículo no meio de muito comportamento bizarro. O Professor Augusto Santos Silva protagonizou o momento de infelicidade quando em Chaves quis assinalar os três anos de governação numa espécie de estágio para o anunciado comício do desagravo. Foi vaiado. Ripostou tentando conjurar os seus Manes. Invocou os nomes dos pais fundadores, dos velhos companheiros que diz serem os seus da luta que diz ser a sua. Salgado Zenha, Mário Soares e Manuel Alegre. E nenhum lhe respondeu. Tentou depois o exorcismo, amaldiçoando os seus demónios pessoais, os grandes e os mais pequenos. Álvaro Cunhal e Mário Nogueira. E nenhum lhe respondeu. Ouviu vaias cada vez mais altas e a voz embargou-se e disse: "eu não me calo...eles calam-se primeiro que eu." Depois repetiu, baixinho como que a querer convencer-se "...eles calam-se primeiro que eu". E não se calaram.

Ao ouvir na Antena 1 este terrível registo de desgovernação só me ocorreram as sábias palavras de Juan Carlos para o tiranete venezuelano: "por que no te callas".

Mário Crespo escreve no JN, semanalmente, às segundas-feiras (10.3.08)

11 março, 2008

Olhem nós todos ali!!!!!

Só dois pormenores, desde a Fontes Pereira de Melo até ao Terreiro do Paço demorei mais de 3h e 30 m, e fomos mais de 100.000, e os que não compareceram estiveram sempre connosco.



















Jactos dos executivos


POR ONDE ANDA A DEMOCRACIA?

Mário Crespo. Lisboa

Pronto! Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes. Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando. Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou. Não precisamos de nada disso. Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África".

Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.Voei uma vez num jacto executivo. Em 1984 andei num avião presidencial em Moçambique. Samora Machel, em cuja capital se morria à fome, tinha, também, uma paixão por jactos privados que acabaria por lhe ser fatal. Quando morreu a bordo de um deles tinha três na sua frota.

Um quadrimotor Ilyushin 62 de longo curso, versão presidencial, o malogrado Antonov-6, e um lindíssimo bimotor a jacto British Aerospace 800B, novinho em folha. Tive a sorte de ter sido nesse que voei com o então Ministro dos Estrangeiros Jaime Gama numa viagem entre Maputo e Cabora Bassa. Era uma aeronave fantástica. Um terço da cabina era uma magnífica casa de banho. O resto era de um requinte de decoração notável. Por exemplo, havia um pequeno armário onde se metia um assistente de bordo magro, muito esguio que, num prodígio de contorcionismo, fez surgir durante o voo minúsculos banquetes de tapas variadíssimas, com sandes de beluga e rolinhos de salmão fumado que deglutimos entre golinhos de Clicquot Ponsardin.

Depois de nos mimar, como por magia, desaparecia no seu armário. Na altura fiz uma reportagem em que descrevi aquele luxo como "obsceno". Fiz nesse trabalho a comparação com Portugal, que estava numa craveira de desenvolvimento totalmente diferente da de Moçambique, e não tinha jactos executivos do Estado para servir governantes.Nesta fase metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência.

O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde. Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias de Samora Machel. Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão.

Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares. Há governantes de países em muito melhores condições que o fazem por uma questão de pudor que a classe que dirige Portugal parece não ter.Vi o majestático François Miterrand ir sempre a Washington na Air France. Não é uma questão de soberania ter o melhor jacto executivo do Mundo. É só falta de bom senso.

E não venham com a história que é mesquinhez falar disto. É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo. Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.

Mário Crespo - Lisboa



Mas tudo bate certo! Ainda ontem Cavaco Silva se congratulava com o seu mandato de presidente da estabilidade pública,.... dizendo que tem contribuido para um clima de confiança, mobilizando os portugueses para grandes causas!

Ora, como parece, uma das grandes causas são os jactinhos executivos!

Bate a letra com a careta!

09 março, 2008

MEGAMANIF

MEGAMANIF- fotos de autor desconhecido

FOTOS FERNANDO GODINHO - marcha da indignação dos professores

FOTOS FERNANDO GODINHO - marcha da indignação dos professores - 8 de março de 2008

As minhas manifs





Já participei em algumas manifs ao longo da vida. Não em tantas como devia. A interioridade, dá razões apaziguadoras ao meu subconsciente, e que justificam a minha estática, sentada no meu estirador. Comodamente, opto mais facilmente pela greve, do que em deslocar-me até à capital do reino.

Das manifs em que já participei, esta é 3ª digna de registo.

Em Maio de 1975, eu ouvia os adultos dizer, que a manif do PRIMEIRO 1º de Maio de 74, após a revolução dos cravos, tinha sido marcante e irrepetível. Essa é que tinha sido boa!
No meu percurso estudantil, no tempo em que MEC era a sigla de Ministério da Educação e Cultura e não de Miguel Esteves Cardoso, lembro-me duma manif de estudantes, que inundou a praça da Batalha do Porto, contra Sottomaior Cardia, Ministro da Educação, que nunca conseguiu conciliar a sua vivência de contestatário do sistema fascista, com a escola democrática que dava os primeiros passos, e que sofreu os primeiros golpes com este senhor.
Nessa altura, eu era jovem, e uma manif que parásse o trânsito, irritásse os policias e envolvesse uma série de RGAs, já estava bom! Esta manif contra Cardia, teve como saldo, um colega de arquitectura preso, ainda por cima menor, que experimentou na pele a dinâmica de alguns “extra longos”.

A 2ª manif digna de registo, passou-se na década de oitenta.
Já não consigo precisar o ano, talvez 1982.
Estava no poder, o sr. Pinto Balsemão e o seu ministro das polícias (administração interna talvez), era o inesquecível e actual dito democrata, Ângelo Correia.
As pessoas têm a memória curta e o tempo é o melhor bálsamo branqueador que existe.
A direita instalada no poder começava a sentir a força dos trabalhadores, e utilizou uma das forças sindicais, para criar clivagens entre a onda contestatária que se desenvolvia e ampliava em poucos meses.
A Avenida dos Aliados e Praça da Liberdade da baixa da cidade do Porto, tradicionalmente utilizada pelos trabalhadores para festejar o 1º Maio, converteu-se ridiculamente,no motivo de conflito entre as duas centrais sindicais, prodigiosamente trabalhado nos bastidores pelo poder.
O poder tentava desesperadamente travar o direito de reunião e contestação de todos. No último dia de Abril de 1982, Ângelo Correia montou na baixa do Porto um aparato policial, armado de metralhadoras e com ordem para disparar, perante o olhar estupefacto dos portuenses.
Os tripeiros não queriam acreditar que a policia de choque do 24 de Abril tinha voltado às ruas.
Pois voltou!
Voltou com o nome de policia de intervenção.
As carrinhas chegavam, e iam estacionando em pontos estratégicos e pouco iluminados: atrás da Câmara Municipal, na rua da Fábrica, S. Bento, Rua 31 de Janeiro,…Rua das Flores, etc, etc. Os reforços ficaram nos Leões e praça da Batalha.
Por volta da meia noite, a policia recebeu ordem para atirar sobre as pessoas que se encontravam pacificamente a festejar o dia do trabalhar, no local autorizado meio ano antes pelo sr. Governador Civil da cidade Invicta.
Atiraram para matar.
Não atiraram para o ar, não atiraram para as pernas, nem com balas de borracha. Atiraram para matar, com balas verdadeiras e à altura do coração.
Dois jovens foram baleados e mortos, junto à esquina da rua Mouzinho da Silveira e subida para a Sé.
A violência policial estendeu-se pela noite fora, cobrindo a cidade do Porto de sangue e de luto, com dezenas de feridos no hospital.
No dia seguinte, as pessoas desceram em massa à rua de várias cidades, para se manifestar contra a violência brutal exercida pela polícia e o poder, sobre pessoas desarmadas que festejavam pacificamente. Não sei se foi em massa, pois o medo perturba a vontade das pessoas.
Esperei pela manif na rua Passos Manuel, em frente ao Coliseu.
Os manifestantes cobertos de luto desceram lentamente esta rua da cidade do Porto. Na linha da frente segurando uma faixa, vinham as figuras histórias da nossa cultura e da luta anti-fascista. Recordo-me destas, Salgado Zenha, Álvaro Cunhal, Vasco Gonçalves, Virginia Moura, dirigente da intersindical (não me recorda o nome), Octávio Pato, Arnaldo de Matos, e mais umas quantas….que se calhar já ninguém se lembra delas. Curiosamente, quase ninguém do PS! Eu não invento! não estavam lá e pronto!



As pessoas envergavam o luto na roupa, nas bandeiras negras, no olhar e no coração.
Momento único e inesquecível.
Foi uma manif de horas, transversal a toda a sociedade.
O Porto ficou sentido e de luto por muitos anos, e eu, atenta às esquinas da vida, consciente que em qualquer momento podemos estar no sítio errado à hora errada, apesar dos nossos direitos de cidadãos.


Ontem em Lisboa, foi a 3ª manif que mais me impressionou.
Entendi que a melhor forma de chegar a Lisboa, seria integrar-me na estrutura do meu sindicato, para que as coisas corressem de forma organizada e serena.
Saí da zona norte por volta das 8 horas da manhã num autocarro.
Sei que da parte da manha, já tudo se encontrava preparado para dar entrada às centenas de autocarros. Existiu uma ordem para a entrada de tanto professor.
Os autocarros que se aproximavam do norte seriam os últimos a entrar em Lisboa.
As áreas de serviço foram servindo para espaço de espera. Logicamente, a maioria só tomava café e utilizava as instalações sanitárias.
Nem foi necessário avisar que cada um teria de levar o seu próprio lanche para passar o dia.
Os autocarros eram às dezenas em todas as áreas de serviço. Achei interessante como de uma forma natural e despreconceituosa, e com muita camaradagem, os profs homens e mulheres partilharam todas as infraestuturas sanitárias, evitando horas em filas para aceder às instalações femininas.
Ao longo da viagem, todos recebíamos constantes sms de colegas que se viram impossibilitados de nos acompanhar, uns porque estavam doentes ou os filhos, outros, os casais de dois profs, para ir um, teve que ficar o outro com os filhos, outros para não serem demasiado pesados para a família, já tão sacrificada ao longo do ano, assegurando o apoio de filhos de profs que tem a vida de saltimbancos.
Sms que nos desejavam boa viagem e força para não desistirmos nunca.
Estávamos todos ansiosos para chegar.
Os sindicatos não previram que o número de profs cresceria a olhos vistos, após a entrevista com a Ministra na RTP1!
Mas tudo se cumpriu organizadamente para chegarmos no momento certo.
Eram perto das 3 da tarde quando chegamos a Rua António de Aguiar. Seríamos a cauda da manifestação, o que nem por isso foi menos aguerrida e animada. As opiniões registadas nos canais de televisão eram constantemente comunicadas via telemóvel também pelas famílias.
Dos 50 mil esperados, rapidamente se transformaram em 60, 70, 80 e a passar dos 100.000.
O que eu vi?
Vi quase exclusivamente profs, de todas as idades, pessoas informadas, de todos os quadrantes politicos, pacificas e ordeiras, que sabem interpretar muito bem a politica do Ministério da Educação, ao contrário da mensagem que a Ministra tenta passar, que fomos 100.000 ignorantes a passear por Lisboa.
Ainda sobre os números, a policia contou 100.000, as televisões espanholas divulgaram 120.000, considerando a maior manifestação da escola na Península Ibérica. Mas nada disto é relevante para a sra Ministra.
Para quem viveu a manif da indignação por dentro, posso dizer que afinal a minha escola não estava exactamente na cauda. Portanto às 15h estávamos na rua Fontes Pereira de Melo, quando entramos na rotunda do Marques, olhei para trás e ainda havia muito manifestante a descer em massa a rua mencionada, a perder de vista, e já passavam das 18, 30h quando finalmente entramos no Terreiro do Paço.
Ou seja, foram mais de 3 horas e meia para descer até ao Tejo.
A manif era compacta, por diversas vezes foi filmada pelo helicóptero, ainda não vi via tv, mas se passaram, verificaram que tenho razão.
Quando o meio da manif chegou ao Éden, ainda nós estavamos a entrar na rotunda do Marquês.
Bem, foi uma manif grande, fomos mais que muitos, não há duvida que ninguém ficou insensível a isto. Não vale a pena dizer que as escolas estão muito felizes a trabalhar nesta avaliação, porque não estão.
Ao longo da manif acenaram-nos com cravos, bateram-nos palmas, recebemos apoio de algumas associações de pais que não se revêm na CONFAP e que entendem que pais, alunos e professores estão sempre unidos. Não se pode esquecer que 150 mil profs tem filhos que utilizam o ensino público.
A chegada aos Restauradores e o percurso da rua do Ouro, foram pontos altos, onde a voz dos profs cantavam em uníssono: Está na hora, está na hora, da Ministra ir embora!
Quando chegamos ao terreiro do Paço, já Mário Nogueira estava a terminar o seu discurso, e ainda a rua do Ouro estava completamente cheia.
Contei quilómetros de autocarros estacionados na 24 de Julho: filas duplas, triplas, quádruplas… nunca tinha visto tanto autocarro junto.
Cheguei a casa muito cansada às 3 horas da manhã.

Fico com a sensação que participei numa manifestação histórica!
Histórica em números, em organização e em civismo.
Talvez nunca mais se volte a repetir.

Felicito os professores por estarmos unidos; é daí que vem a nossa força. Mas a luta vai ser difícil.
A Ministra continua a rotular esta classe como ignorante e pouco trabalhadora. Este é um discurso que vende bem aos pais que acham que os profs são uns previlegiados, porque têm pausas lectivas, esquecendo-se que é necessário momentos de descompressão no ritmo lectivo, e que esse tempo é utilizado para realizar tarefas de avaliação e reorganização académica, não correspondendo a férias.
A maioria dos docentes são mulheres.
A exploração deste facto como fragilidade já está a ser considerado: Não duvidem!
O suposto imprevisto da polícia ir as escolas na semana passada, é uma tentativa intimidatória perante as mulheres professoras. As mulheres não gostam de andar com os policias atrás!
A ministra sabe bem, que as mulheres têm pouco tempo para andar nestas coisas de manifestações de rua, pois infelizmente além da profissão de docente tem as famílias para apoiar em casa: cozinhar, apoiar os filhos, organizar as rotinas domésticas.
A ministra pensa que se insistir levará a sua vontade para a frente.
A ministra sabe que nos casais de professores, as greves são protestos difíceis de aguentar no orçamento familiar.
A ministra sabe que a classe dos profs tem imenso orgulho em ter o seu registo biográfico irrepreensivelmente limpo.
A ministra sabe que pode puxar a corda cada vez mais, pois as mulheres têm uma capacidade de trabalho imensa, e conseguem abdicar de muitos princípios para não lesar as famílias, as delas e as dos alunos.
Mas lembrem-se que temos também uma grande capacidade de resistência, e a pressa é inimiga da perfeição.
Isto está para durar. É preciso resistir!

Ninguém quer saber se está do lado do SPN, se está do lado ANP,ou de outro…. A indignação não se mede politicamente. É importante estar unido e contem que esse facto será um dos pontos que o poder vai atacar certamente. Vai ser um “dejá vu”, e será importante que sejamos inteligentes e não cedermos à divisão.

Não é por acaso que lembrei as manifs do Porto!

Quando é que o poder consegue perceber que é necessário fazer uma reforma no ensino, séria e participada por todos, e que os profs estão dispostos a isso, independentemente das suas opções politicas? Não aproveitem não! Este momento é único!

«Vou continuar a trabalhar para encontrar as melhores soluções, tal como tenho feito e é o que vou continuar a fazer. Compreendo muito bem as razões da manifestação e tenho consciência que se está a pedir às escolas mais esforço e mais trabalho», referiu em declarações à «SIC» a Ministra da Educação.

- Trabalhe sim, sra Ministra! É para isso que lhe pagam e reveja como trabalho de casa a noção de diálogo, escola democrática, escolaridade obrigatória… e já agora se não for pedir muito, horário de trabalho, igual aos outros cidadãos, e local de trabalho adequado, já que tenho uma assoalhada aqui em casa, que é o prolongamento do Ministério de Educação, sobre o qual nunca me foi pago aluguer. Obrigada. (acrescento, com criatividade pf).
P. S. Não esqueça também de fazer tudo de forma organizada, pois nunca se viu implementar uma avaliação e só passado dois meses é que publica a filosofia do que pretende, tirada um pouco a ferros de duas senhoras da Universidade de Lisboa. Só por isto, um qualquer professorzeco levaria com um insatisfaz.


CONTINUAREMOS DE LUTO! Já que continuaremos professores!




Góticos? Não, de luto mesmo!.


Fotos: Portugal diário

06 março, 2008

05 março, 2008

04 março, 2008

Não estamos sós


(Clique para ampliar)

02 março, 2008

29 fevereiro, 2008

Porque não te calas?


Porque não te calas, Manuel Pinho?


28 fevereiro, 2008

O simplex da sra. Ministra

Esta é a estrutura da avaliação que querem impôr aos professores. Como se vê é simples, fácil de executar, e o prof vai ter tempo para tudo!!!!!. Pobres alunos, que ninguém vai ter tempo para os ouvir, e para interagir com eles, como eles merecem. A sra. Ministra diz para simplificar, desde que se cumpra isto.




(clique para ampliar, se ainda tiver paciência para ler e entender)

27 fevereiro, 2008

Novas oportunidades


Qualificações - Novas Oportunidades

O Portugal, país de especialistas!...

NOVAS QUALIFICAÇÕES (CENTROS NOVAS OPORTUNIDADES)

- Especialista de Fluxos de Distribuição ( paquete)

- Supervisora Geral de Bem-Estar, Higiene e Saúde ( mulher da limpeza )

- Coordenador de Fluxos de Entradas e Saídas ( porteiro)

- Coordenador de Movimentações e Vigilância Nocturna ( segurança)

- Distribuidor de Recursos Humanos ( motorista de autocarro )

- Especialista em Logística de Combustíveis ( empregado da bomba de gasolina)

- Assessor de Engenharia Civil ( trolha )

- Consultor Especialista em Logística Alimentar ( empregado de mesa )

- Técnico de Limpeza e Saneamento de Vias Públicas ( varredor )

- Técnica Conselheira de Assuntos Gerais ( cartomante/taróloga )

- Técnica Especialista em Terapia Masculina ( prostituta )

- Técnica Especialista em Terapia Masculina Sénior ( prostituta de luxo )

- Especialista em Logística de Produtos Químico-Farmacêuticos ( traficante de droga )

- Técnico de Marketing Direccionado ( vigarista )

- Coordenador de Fluxos de Artigos ( receptor de artigos roubados )

- Técnico Superior de Distribuição de Artigos Pessoais (carteirista).

- Técnico de Redistribuição de Rendimentos ( ladrão ).

- Técnico Superior Especialista de Assuntos Específicos Não Especializados ( político)

25 fevereiro, 2008

PRÓS E CONTRAS

"Comunicamos a todos que o movimento PROmova foi convidado a participar no programa PRÓS E CONTRAS da próxima segunda-feira (25 de Fevereiro), confrontando directamente a Sra. Ministra da Educação com as nossas reivindicações.

24 fevereiro, 2008

A maior escavdora do mundo

95 metros de altura e 215 metros de comprimento.
Sóóóóóóó???!!!!!!
Só tem um problemazito: passar dum sítio para o outro!

AVALIAÇÂO

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOS DOCENTES
ESCLARECIMENTO DO SPN
Na sequência da providência cautelar intentada, a 8.Fevereiro.2008, pelo Sindicato dos Professores do Norte, requerendo a suspensão dos despachos do Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Educação, de 24 e 25 de Janeiro de 2008, e do Senhor Secretário de Estado da Educação, de 25 de Janeiro de 2008, encontram-se suspensos, neste momento:
- as recomendações sobre a elaboração e aprovação, pelos Conselhos Pedagógicos, de instrumentos de registo normalizados, previstos no Decreto da Avaliação de Desempenho, emanadas pela Senhora Presidente do Conselho Científico de Avaliação dos Professores;
- as fichas de auto-avaliação e avaliação do desempenho do pessoal docente;
- os prazos processuais previstos no art. 34º, do Decreto Regulamentar nº 2/2008,
isto de acordo com o previsto no art. 128º, nº 1 e nº 2, do Código do Processo dos Tribunais Administrativos (CPTA), que dispõe:
"1 - Quando seja requerida a suspensão da eficácia de um acto administrativo, a autoridade administrativa, recebido o duplicado do requerimento, não pode iniciar ou prosseguir a execução, salvo se, mediante resolução fundamentada, reconhecer, no prazo de 15 dias, que o diferendo de execução seria gravemente prejudicial para o interesse público.
2 - Sem prejuízo do previsto na parte final do número anterior, deve a autoridade que receba o duplicado impedir, com urgência, que os serviços competentes ou os interessados procedam ou continuem a proceder à execução do acto".
Assim, podem as escolas trabalhar, designadamente, ao nível da eventual necessidade de alteração de documentos próprios (Projecto Educativo,
Regulamento Interno, etc.), bem como discutindo possíveis formulações de outros documentos necessários, no âmbito do processo de avaliação do desempenho.

Contudo, esse trabalho não pode, para já, sob pena de se incorrer no desrespeito pelas decisões de, pelo menos, três tribunais, incluir:
- a aprovação, pelo Conselho Pedagógico, dos instrumentos de registo normalizados;
- o estabelecimento de objectivos individuais;
- a calendarização de aulas assistidas, mesmo que exclusivamente aos docentes contratados, sem que os dois procedimentos anteriormente referidos estejam terminados.
Porto, 21 de Fevereiro de 2008

22 fevereiro, 2008

19 fevereiro, 2008

18 fevereiro, 2008

casaco


Estranhei o CC manifestar que seria de simplificar a avaliação dos profs.
Peguei na papelada toda e tentei dar resposta a esta primeira fase, que se refere à organização de todo o processo atendendo à legislação e às grelhas que o ministério da educação pretende aplicar.
Verifiquei que as terminologias aplicadas, do tipo checklists e portfólios, me cheiravam a americanisse pedagógica. Segui em frente, consciente que nos querem vestir um casaco às riscas vermelhas e brancas, e alguns espaços estrelados, mas não liguei.
Entre indicadores, parâmetros, grelhas de observação, e muita demagogia publicitada, constato que afinal as escolas, democraticamente têm de seguir as grelhas impostas, restando-lhes apenas fazer pequenos ajustamentos de grandeza, do género ridículo: o docente aplicou sempre…. O docente articulou pouco…, o docente quase sempre planificou… o docente ás vezes recorreu…
Tentei vestir o casaco! Apercebi-me da etiqueta made in Boston University, que passará a vigorar do Minho ao Algarve passando pelas escolas do Portugal profundíssimo, onde Bóston, ainda se confundirá com algo de odor repugnante.
Testei grelhas, testei checklists, testei perfis, testei articulações obrigatórias, testei planos individuais de trabalho, e o casaco de facto não nos serve. Não se adapta ao calor do verão do Alentejo e não se adapta ao frio gélido das escolas da Peneda Gerês. O casaco não serve. As listas desbotam com a tecnologia do quadro lousa da maioria das escolas, as estrelas não cintilam neste pequeno rectângulo à beira do mar plantado. E porque? Porque o casaco não aperta, porque não temos tempo para apertar o casaco, porque efectivamente o horário do prof está saturado a rebentar pelas costuras. O casaco talvez seja de boa qualidade, no melhor estilo demagógico, tem duas mangas, golas, frente e costas, só que os profs portugueses não o conseguem vestir.
Onde estão os gabinetes para trabalhar????? As mesas para nos sentarmos e redigirmos tantos documentos para construir diariamente o nosso portfólio? Onde estão os projectores multimédia, e os computadores para trabalhar na sala de aula?
Ora vejam como o casaco teima em não servir: Como iremos partilhar aquilo que não se consegue dividir???? Estaremos à espera de novos milagres de multiplicação, como Ele fez com o pão?.
Eu estou à espera de uma mesa de luz há nada menos que há 18 anos!
Teremos que organizar listas de espera, para conseguir chegar aos equipamentos necessários às aulas, e finalmente, se conseguirmos serão apenas para os dias das aulas assistidas?
O casaco não serve!
Insiste em ser um casaco megalómano nos procedimentos, teimando em medir objectivamente aquilo que não é mensurável. O casaco não serve e eu começo a fixar demasiada atenção no tal casaco que me obrigam a vestir, e a desviar a atenção daquilo, que de facto é importante, os alunos que me olham e que me acham estranha metido neste casaco às riscas, que afinal nem os alinhavos lhe tiraram. As estrelas, essas estão no céu a olhar para nós e a rir às gargalhadas!

17 fevereiro, 2008

TANGO URBANO


Sem ser espectacular, foi muito bom. Recordar Piazzolla através das mãos de dois optimos instrumentistas.

Cá estou eu nos espectáculos mais ou menos marginais, mas contudo de grande qualidade. Para ser espectacular teria que ser mesmo Piazzolla, pois é insubstituivel.

Uma hora a sonhar de olhos abertos, imaginando as ruas de Buenos Aires entre os sons da sua concertina ou bandonéon, guiado pelo mestre que nos ensinou a entender a modernidade do tango, numa Milonga de anjo sul americano. Que pena Martin Albano não ter tocado de pé.

Porque vou e não fico em casa? (isto faz-me lembrar qualquer coisa... hummmm) Porque não perco momentos unicos que posso incluir definitivamente na minha vida, e passarão a fazer parte de mim, até sempre.




16 fevereiro, 2008

PROmova


Esta


A praia mais delicosa do mundo para curtir bem durante estes meses!!!!
Esta, esta mesmo! Sair do carro e mergulhar.

15 fevereiro, 2008

A educação em Portugal


É um texto longo, mas deve ser lido até ao fim. Eu li, concordo, assino por baixo e felicito o autor Mário Lopes.



A Educação, a bateria e a especialização
Ao contrário da Economia, da Justiça ou da Saúde, em que são habitualmente chamados a pronunciar-se os profissionais da área respectiva, na Educação todos se sentem habilitados a dar palpites sobre o sector e sobre as reformas que são ou não necessárias. Cada vez mais, o estatuto da Educação se assemelha ao do futebol: como toda gente deu pontapés na bola na infância e na adolescência, acha que domina a arte de colocar a bola no fundo da baliza.
Na Educação, também todos passámos pelos bancos da escola e/ou somos pais e, por isso, nos sentimos habilitados a dar palpites sobre Educação e a fazer os mais definitivos diagnósticos sobre o sector.
Basta ligar a televisão ou um qualquer jornal, para vermos políticos, economistas, psicólogos, psiquiatras, advogados, jornalistas ou fabricantes de garrafas a pronunciarem-se de cátedra sobre o assunto. E aqui reside o principal erro que se comete em Portugal em matéria de Educação. Há a ideia generalizada de que este não é uma matéria que exija especialização. Contudo, qualquer professor consciente sabe que, pelo contrário, é um sector que exige uma enorme especialização e experiência.
Há muitos anos atrás, quando um grupo de adolescentes queria formar uma banda de garagem, quem ficava a tocar bateria era quem não sabia tocar nenhum outro instrumento. Hoje a bateria é motivo de teses de mestrado, mas numa época de pouco conhecimento considerava-se que qualquer pessoa era capaz de dar umas batidas nos pratos. Na política portuguesa também é assim: para ministro da Justiça escolhe-se um advogado ou um juiz, para a pasta da Economia escolhe-se um economista, para a pasta da Saúde vai um médico ou professor de Saúde Pública. Para a Educação, vai qualquer um. Não é necessário nem especialização nem o conhecimento do sector. Extraordinário!
Ninguém se lembraria de escolher um veterinário para ministro das Finanças, mas toda a gente achou natural que a economista Manuela Ferreira Leite ascendesse à pasta da Educação. Também toda a gente achou normal
que os engenheiros mecânicos Couto dos Santos e Marçal Grilo (este com algum contacto com o sector) passassem a inquilinos do prédio da 5 de Outubro.
Ou que David Justino, autarca e professor do ensino superior, ocupasse as mesmas funções.
Nada mais pacífico, por isso, que Santana Lopes tivesse convidado uma especialista de telecomunicações para o cargo, com os resultados trágicos que se conhecem. Posto isto, quem se admiraria ao ver José Sócrates convidar uma professora de Sociologia, sem qualquer currículo conhecido na área do ensino básico ou secundário para o cargo? Aliás, parece que todas as profissões dão excelentes currículos para ministro da Educação, excepto uma: a de professor dos ciclos de ensino respectivos!
Quando foi conhecido o nome de Maria de Lurdes Rodrigues para a pasta da Educação, todos se interrogaram quem seria a nova titular, uma vez que ninguém a conhecia. Além de algumas obras publicadas, que nada tinham a ver com o ensino secundário, sabia-se que era presidente do Observatório das Ciências em Portugal. Contudo, logo os jornalistas descobriram uma "qualidade" na nova ministra que a qualificava para o cargo: era conhecido o seu mau feitio. Não demorou muito a que os portugueses demorassem a descobrir que o critério "mau feitio" era extensivo aos seus secretários de Estado. Um critério, no mínimo estranho, numa pasta que envolve milhões de pessoas e em que a capacidade de comunicação deveria ser prioritária.
Existem quase 150 mil professores em Portugal a trabalhar no ensino básico e secundário, mas, ao que parece, nenhum sabe suficientemente de educação para desempenhar o cargo. É caso para perguntar o que fazem estes milhares de professores durante dias, meses, anos ou décadas de profissão. Se dia após dia, não se estão a especializar em Educação, então o que estão a fazer?
Aprender a fazer horários, conciliando uma complexidade de factores, não é especialização? Dirigir uma escola não é especialização? Gerir uma turma de alunos desestruturados não é especialização? Contudo, parece que em Portugal, todo este conhecimento fundamental não habilita nenhum dos profissionais de Educação a dirigir o ministério respectivo. Extraordinário!

Ao invés, parece que o que habilita alguém para o cargo é nunca ter dado uma aula na vida no sector que vai dirigir! Ou que não faça a mínima ideia do que sejam as dinâmicas dentro de uma sala de aula. Não será esta
sistemática ostracização dos professores, afinal, uma falta de consideração da classe política para com os profissionais de Educação deste País?
Como se pode conceber que conhecer o sistema por dentro nada valha para a classe política? Como se admite que, se não me falha a memória, nem um único professor tenha sido convidado para ocupar o cargo de ministro ou de secretário de Estado neste País nas últimas décadas? Será que aos professores do ensino básico e secundário está reservado o estatuto de menoridade mental e profissional, apesar das provas de bom senso que revelam todos os dias?
Com o devido respeito, enquanto cidadão, considero que os professores têm cumprido incomparavelmente melhor as suas funções do que a classe política.
Se alguma dúvida houvesse, bastaria ver o estado em que encontra este País.
Por outro lado, convém lembrar que a responsabilidade das políticas educativas erráticas e inconsequentes é da classe política, não dos docentes, que apenas as executam.


As estatísticas e o sucesso educativo
Os portugueses têm assistido, com alguma perplexidade, às queixas da senhora ministra da Educação sobre as taxas de insucesso e abandono escolar. Afinal, a um ministro da República não se pede que se queixe, mas que resolva os problemas. Para isso tem, primeiro, de conhecer a realidade. Contudo, os argumentos que a senhora ministra e os seus secretários de Estado têm trazido para a comunicação social mais não revelam que um profundo desconhecimento do trabalho produzido nas escolas.
As questões são simples e quem está no terreno conhece as soluções há muitos anos. O entendimento entre os professores não é difícil e, regra geral há consenso sobre a forma de resolver os problemas. Aliás, os profissionais, seja qual for o ramo de actividade, conhecem sempre muito bem os problemas da sua área de actuação e, por isso, as soluções também são geralmente consensuais.
As dificuldades surgem quando aparecem políticos, que não conhecem a verdadeira dimensão dos problemas, a Governar sectores que não dominam. O resultado traduz-se invariavelmente em contestação dos profissionais em causa e medidas avulsas e inconsequentes.
Há anos que os professores deitam as mãos à cabeça com as medidas apresentadas pelos sucessivos governos, cada uma pior que a outra. Com a sua proverbial paciência, professores e conselhos executivos tentam implementar
o que, muitas vezes, não tem qualquer viabilidade ou aderência à realidade.
Se a autonomia das escolas lhes permitisse rejeitar muitas das directivas absurdas que lhes chegam anualmente, por certo, muito dinheiro pouparia o País e muita eficácia ganhariam as escolas.
Mas vamos às queixas da senhora ministra. Para responder a estes questões, não precisamos de comissões de sábios ou de espertos (tradução livre do Inglês), qualquer professor esclarecido conhece as soluções. Porque é que os alunos não completam o 12º ano? A resposta é curta e simples: o elevado grau de abstracção dos actuais programas do 12º ano não é compatível com o perfil de uma parte significativa da população escolar.
O problema não está nos alunos nem nos professores nem nos pais nem sequer no sistema de ensino, mas nos programas, que foram criados com a função de preencher anos pré-universitários. Ora, quem não tem perfil universitário - e são muitos - também não tem perfil para frequentar o actual 12º ano. Se o País quer que a generalidade dos alunos completem o 12º ano tem de lhes propor outras competências, de menor abstracção e complexidade, seja através de cursos profissionais ou outros. E ponto final.
Volto à questão da necessidade de especialização da escola. O Ministério da Educação olha para a população escolar como uma massa uniforme e, por norma, propõe soluções universais para problemas bem distintos. Erro crasso.
Já dizia, Descartes que os problemas complexos se devem decompor em problemas simples, para que se possam resolver.
Ora, com a democratização do ensino, toda a população jovem passou a ter acesso à escola. E com ela chegaram novos problemas às escolas que exigiriam soluções diferenciadas. Contudo, o Ministério da Educação continua a comportar-se como se a população escolar tivesse a mesma homogeneidade de há 30 anos. Não tem. A população escolar de hoje é altamente heterogénea, uma consequência da universalidade do ensino.
Os três nós górdios do ensino secundário
1) O atraso mental ligeiro
Numa linguagem simplificada, eu diria que há três tipos de novos utentes que acederam à escola nas últimas duas ou três décadas e que têm sido ignorados pela classe política. Uma dessas classes, de que nunca se fala, é a população escolar menos favorecida intelectualmente. Não há que ter pudor ou vergonha em falar no assunto, eles existem, há que assumir essa realidade.
Há 30 anos, não passavam do 1º ciclo, hoje frequentam o terceiro ciclo e pretende- se que cumpram no futuro 12 anos de escolaridade.
A população escolar não deve ser dividida numa grande maioria, inteligente, e numa pequena minoria, deficiente. Não. Há uma fatia intermédia da população escolar que, não sendo considerada deficiente, possui, no entanto, o que definiria, ainda que sem rigor científico, como grau de atraso mental ligeiro.
Todavia, não é politicamente correcto admitir que existem alunos intelectualmente limitados, todos preferem assobiar para o lado e fingir que o problema não existe.
Por certo, até hoje nenhum ministro da Educação se lembrou de pedir o perfil da população escolar em termos de Quociente de Inteligência (QI). Seria um exercício interessante confrontar esses resultados com as exigências dos programas escolares. Ora, o Ministério da Educação continua a exigir a estes jovens menos dotados intelectualmente aquilo a que eles não conseguem corresponder.
Numa estimativa meramente empírica, baseado na minha própria experiência de professor, diria que esta população não andará longe dos 10%, o que, concordemos, é um número muito significativo.
Na minha opinião, há que olhar para este problema de forma integrada pois os cursos profissionais apenas o resolverá em parte. Não esqueçamos que, num mundo globalizado, cada vez se exige mais dos profissionais, seja qual for a área. E hoje, exige-se muito a um electricista, um jardineiro ou um mecânico, bem mais do que estes alunos poderão eventualmente dar.
Por isso, mesmo depois de formados, dificilmente estes jovens poderão competir de igual para igual no mercado de trabalho. As limitações intelectuais não desaparecem só porque frequentaram cursos de formação e, por isso, seria importante que o Governo criasse bolsas de trabalho protegidas, quer no Estado quer no sector privado, através de protocolos com as empresas.
Não entendo, por exemplo, porque é que pessoas com QI médio ocupam postos de trabalho no sector da limpeza, quando este, por ser menos exigente, deveria ser um sector de mercado de trabalho protegido dirigido para pessoas de QI baixo, que dificilmente conseguirão emprego estável noutras áreas. O que a sociedade não pode é marginalizar estes jovens nem deixar de lhes oferecer uma colocação profissional compatível com as suas limitações intelectuais. E ao ignorar as suas limitações, o Estado está a empurrar involuntariamente estes jovens para a marginalidade social.
2- a) O mundo das famílias desestruturadas
O segundo tipo de utente que tem acedido à escola nas últimas décadas é o das chamadas famílias desestruturadas. Antes de 25 de Abril de 1974, estes jovens eram perseguidos e marginalizados pelos próprios professores, seguindo as directrizes e as práticas do Ministério da Educação. Se não eram expulsos, eram tão maltratados que acabavam por abandonar as escolas na primeira oportunidade.
Contudo, hoje fazem parte da população escolar e, reconheça-se, de pleno direito. No entanto, mais uma vez, o Ministério da Educação não os reconhece como segmento de população escolar diferenciado e remete a solução dos problemas que causam no normal desenrolar da vida escolar para as escolas, sem os correspondentes meios.
Aqui, as soluções para a resolução deste problema dividem-se. A Alemanha decidiu criar escolas de nível regular, médio e máximo e dar aos pais a opção de escolherem a escola dos seus filhos. A formação dos professores, ao que me informaram, também é diferenciada: os das escolas regulares têm competências reforçadas ao nível do comportamento e integração social e os das outras escolas ao nível científico. Confesso que me inclino, cada vez mais, para esta opção porque é a que mais atenção dá aos diversos públicos-alvo.
A outra opção passa por manter a actual heterogeneidade das turmas. Contudo, também aqui há limites inultrapassáveis, como o número de alunos problemáticos a nível de comportamento por turma. Por norma, um professor consegue gerir satisfatoriamente uma turma com um ou dois alunos problemáticos, mas jamais conseguirá gerir com sucesso turmas com 10 ou 15 alunos problemáticos. Neste caso, o rendimento escolar fica irremediavelmente comprometido.
Bem pode o professor "fazer o pino", pois em Educação não há milagres.
Ora, hoje em dia o Ministério da Educação impõe que as turmas só possam ser desdobradas se tiverem mais de 30 alunos, exceptuando se tiverem alunos com algum tipo de deficiência. Ora, os alunos desestruturados não são deficientes e, por isso, hoje há turmas com 10 ou 15 alunos problemáticos integrados em turmas de 30 alunos. O resultado só pode ser trágico, quer para os alunos problemáticos, que não têm a atenção que lhes é devida, quer para os restantes, que não conseguem aprender o que deviam. Obviamente, a culpa aqui não é dos professores, mas das regras absurdas impostas pelo Ministério da Educação.
Ainda nesta opção, é absolutamente indispensável que a indisciplina orgânica não se torne norma na aula. A sala de aula é um local de trabalho, não o prolongamento do recreio. Contudo, cada vez é mais difícil distinguir o recreio da sala de aula. Ou é o auscultador que o aluno coloca mais ou menos discretamente no ouvido, ou é o telemóvel, ou o caderno e o livro que não são trazidos para a aula, ou a conversa irreverente com o parceiro do lado enquanto o professor tenta explicar a matéria, tudo isto perturba enormemente uma
aula e reduz drasticamente a aprendizagem.
Ora, esta indisciplina orgânica deve ser muito mais penalizadora para o aluno do que é actualmente. A solução, do meu ponto de vista, passa por criar um núcleo disciplinar dentro de cada escola. Se um aluno desrespeita sistematicamente as regras de comportamento na sala de aula, deve ser obrigado a sair, mas não para regressar 10 ou 15 minutos depois à aula seguinte, continuando a ter o mesmo comportamento. Alguém que é expulso de uma aula por mau comportamento deveria ficar até ao final do horário escolar numa sala disciplinar, acompanhado por dois professores, com o perfil adequado para o efeito. Isto já é feito, com êxito, em escolas americanas.
Outra medida poderia passar pela mudança compulsiva de turma ou até, de estabelecimento de ensino, bastando para tal uma avaliação negativa do comportamento do aluno, devidamente fundamentada, por parte do conselho de turma. Só assim, o combate à indisciplina será suficientemente dissuasor. O actual modelo do processo disciplinar, burocrático, interminável e permissivo, não tem qualquer eficácia e deveria ser reservado apenas a casos de violência, física ou verbal. Muitas vezes, quando chega ao fim o processo disciplinar, já acabou o ano lectivo. E, na maior parte das vezes, a pena é tão simbólica que põe o sistema a ridículo.
2-b) A violência na escola
Ainda dentro do capítulo das famílias desestruturadas, é preciso considerar o caso-limite da violência nas escolas, que afecta, sobretudo, a periferia das grandes cidades. O Ministério da Educação não pode remeter o problema para as escolas, lavando daí as suas mãos como Pilatos. Pior ainda quando decide acusar de incompetência os professores e as escolas em dificuldade, com o extraordinário argumento de que há escolas que têm êxito em situações idênticas.
Aliás, nos célebres vídeos da RTP, a estratégia do secretário de Estado passou (surpresa!) por tentar culpabilizar os professores em causa pela violência nas aulas, quando se percebe claramente que há naqueles alunos uma agressividade perfeitamente anormal que exigiria um apoio especializado acrescido àquelas escolas. Aliás, esta é a estratégia recorrente dos responsáveis do Ministério da Educação: quando algo não está bem, a culpa é invariavelmente dos professores. É a visão simplex da Educação.
No caso dos vídeos na RTP, seria previsível que os responsáveis do ME tomassem medidas para resolver os problemas de violência nas escolas. Todavia, logo surgiu a notícia de que o Ministério iria tentar acusar a direcção das escolas de violação do direito de imagem, apesar de ninguém ser identificado na reportagem. Fantástico!
3- O problema da motivação
Um terceiro grupo problemático é o dos alunos que, devido a problemas de motivação ou bloqueios emocionais não conseguem ter um rendimento escolar normal. Muitas vezes, falta de motivação e de resultados não implica mau comportamento nas aulas. Muitos factores podem estar associados a estes problemas. Um deles é conhecido como hiperactividade ou défice de atenção.
Segundo o pedopsiquiatra Nuno Lobo Antunes, 7,5% da população escolar tem este problema. Numa escola de 1300 alunos, 100 alunos sofrerão assim deste problema. Uma multidão.
E qual é a resposta do Ministério da Educação para este problema, que exige tratamento médico especializado? A informação que tenho é que a única consulta do Estado na região, localizada no Hospital de Leiria, tem uma lista de espera de 7 meses... No sector privado, uma consulta da especialidade pode chegar aos 100 euros, bem longe do alcance da maioria dos pais.
Diante deste cenário, que razão tem a senhora ministra da Educação para se queixar dos maus resultados escolares dos alunos? Além destes, existem muitos outros problemas de saúde que explicam o baixo rendimento dos alunos, como dislexia, problemas de visão, audição, etc., muito mais frequentes do que se pode imaginar e que dificilmente os professores conseguem detectar.
Ainda relativamente à motivação, que soluções propõe o Ministério da Educação para os inúmeros casos de falta de acompanhamento dos alunos por parte dos pais? É um erro de palmatória pensar que os professores podem substituir os pais no acompanhamento parental. Com 5 ou 6 turmas de 25 a 30 alunos e horários rígidos, perfazendo 100 a 150 alunos a seu cargo diariamente, os professores não têm nem tempo nem vocação para fazer esse acompanhamento. O resto não passa de fantasias delirantes. Ponto final.
A "solução" do Ministério da Educação de alargar os horários escolares para permitir o melhor acompanhamento desses alunos dificilmente terá qualquer eficácia. Primeiro, porque não é em 45 minutos ou mesmo 90 minutos que se consegue dar o mínimo de acompanhamento parental a grupos de 5, 10 ou 15 alunos. Em segundo lugar, mais horas num horário escolar já sobrecarregado soa como um castigo extra para os alunos, que, ao fim do dia, já estão cansados e stressados e só querem ir para casa descansar.
Outra medida inconsequente são as chamadas aulas de substituição. Se elas são compreensíveis no 1º ou 2º ciclo, dada a tenra idade dos alunos, que exige uma supervisão apertada, o mesmo não acontece no 3º ciclo e no ensino secundário, onde os alunos já dispõem de razoável autonomia. O argumento da senhora ministra de que se os alunos não estiverem na sala de aula andam pelos cafés a embebedarem-se não colhe.
Em primeiro lugar, se as escolas não estão vedadas, é obrigação do Ministério da Educação fazê-lo. Os alunos devem permanecer no espaço escolar durante o tempo do horário escolar. E a esmagadora maioria dos alunos
portugueses não são bêbados nem toxicodependentes, são jovens que precisam de brincar e de socializar, coisa que sempre fizeram de forma saudável.
Com esta medida, a senhora ministra impede os alunos de o fazer no recreio.
A consequência é que transformam o espaço da sala de aula, que deveria ser sagrado e reservado ao estudo, no recreio. Os resultados desta medida em termos de cultura escolar são, obviamente, catastróficos.
As medidas piedosas e populistas do Ministério da Educação, que podem parecer óptimas para pais e leigos na matéria, traduzem-se afinal em mais custos para os contribuintes e resultados nulos. Este é mais um exemplo de que a Educação precisa de especialização e que os especialistas deste sector não são gestores, sociólogos ou engenheiros mecânicos, mas professores.
E, já agora, qual é a penalização (ou incentivo) para os pais que nem sequer vão à escola quando são solicitados? Será que o sucesso educativo não passa pela responsabilização de todos os intervenientes no processo educativo? Muito francamente, não me parece sério um discurso que só procura responsabilizar uma das partes e se demite totalmente de responsabilizar os outros intervenientes no processo. Ou será que o Ministério da Educação optou por afrontar apenas os professores por serem apenas 150 mil e não tem coragem de responsabilizar pais e alunos, por estes serem 3 ou 4 milhões?
A avaliação dos professores
a) Os "maus professores"
Em quase 20 anos de ensino, contam-se pelos dedos de uma mão os comportamentos não responsáveis de professores que observei. Por isso, é com perplexidade que ouço falar da necessidade de punir os "maus professores".
De que País estamos a falar: da Somália, do Sudão ou do Burkina Faso?!
Com certeza os professores são humanos, terão seguramente personalidades muito diferentes, qualidades e defeitos, mas, se há classe que me merece confiança, é a dos professores.
De resto, numa profissão sujeito ao escrutínio de tanta gente, dificilmente algum professor não cumprirá as suas obrigações. Qualquer aluno, encarregado de educação ou professor se pode queixar ao conselho executivo da escola e todas as queixas são tidas em conta, consideradas e dado o devido encaminhamento. Os casos poderão depois ser passados à inspecção que os analisa a pente fino e, mesmo assim, raras são as condenações de professores.
Só quem não percebe nada do que são as escolas portuguesas - e muitos são, incluindo a maioria dos jornalistas - consegue acreditar na fantástica tese de que o problema do ensino secundário reside na qualidade dos professores.
Lembro que a quase totalidade dos professores são pessoas formadas e, como já sublinhei, têm de dar diariamente provas de bom senso. Na verdade, o que falta nas escolas são regras eficazes a todos os níveis e flexibilidade na gestão.
Por isso, é lamentável que a campanha de difamação dos professores parta precisamente dos responsáveis do Ministério da Educação. E mais lamentável ainda é que num dia lancem lama sobre a classe, para logo no dia
seguinte virem dizer que não era bem assim, e que a culpa é do jornalista que deu a notícia. A senhora ministra acusou os professores de só se preocuparem com as boas turmas e de as colocarem de manhã para os funcionários da escola colocarem lá os seus filhos. Ora, isto é uma acusação claríssima de corrupção.
Em quase 20 anos de profissão, nunca observei tal prática e, por isso, considero que a senhora ministra difamou os professores. Em primeiro lugar, com a natalidade em queda, não me parece que os professores tenham assim tantos filhos e menos ainda na escola onde leccionam. Da minha experiência, cada escola talvez tenha em média dois ou três filhos de professores a estudar na mesma escola enquanto há 20 ou 30 turmas por escola. Além disso, muitos são os professores que têm os filhos a estudar noutras escolas, públicas ou privadas.
Por aqui se vê que essa acusação não tem qualquer base de sustentação.
No entanto, a ser verdade esta prática nalguma escola, a obrigação da senhora ministra era mandar a Inspecção averiguar, não lançar lama contra uma classe profissional inteira.
Por outro lado, a comparação dos professores com os médicos é, uma vez mais, reveladora do desconhecimento que a senhora ministra tem da profissão docente no ensino secundário. A cura da doença dos pacientes só depende do médico, mas a aprendizagem dos alunos não depende só do professor.
Só por desonestidade intelectual e/ou leviandade se podem comparar situações tão distintas.
b) A avaliação fantasma dos pais
Os alunos não aprendem por um conjunto variado de factores, que já atrás referi, e dos quais o Ministério da Educação é o principal responsável. Os professores fazem o melhor que podem e sabem. De resto, a intenção persecutória dos responsáveis do Ministério da Educação contra os professores e as suspeitas públicas quanto ao seu profissionalismo são claras. A última afronta é a proposta de Estatuto da Carreira Docente.
Com efeito, a proposta de avaliação dos professores por parte dos encarregados de educação parte da suspeita não confessada de que os professores não são responsáveis. Assim, os pais (supostamente cidadãos responsáveis) controlariam os professores (supostamente profissionais irresponsáveis).
A medida, tão populista como perversa, mereceu a reprovação da maior parte dos partidos, do Bloco de Esquerda ao CDS, e até da generalidade dos comentadores, sempre tão benevolentes com os actuais responsáveis do 5 de Outubro.
A proposta não sobrevive ao mais rudimentar escrutínio. Primeiro, como podem os pais avaliar professores, se nem sequer os conhecem? Por outro lado, se não os conhecem, as informações em que se baseiam são transmitidas pelos filhos, de 10, 13 ou 16 anos! Ora, que maturidade tem uma criança ou adolescente para avaliar um professor?
Por outro lado, é preciso não esquecer que entre professor e aluno também existe uma relação de poder. E deixar na mão de um adolescente o poder de avaliar o educador é uma total perversão. O poder do educador não pode ser diminuído pelo receio de uma revanche do aluno. No limite, uma turma de marginais terá o professor na mão, porque se este os afrontar leva com uma avaliação negativa e o seu salário será diminuído. Em termos de relação de poder, é como se um juiz passasse a ser avaliado pelas pessoas que tem de julgar! Um completo absurdo.
E nem a tentativa da senhora ministra de tentar fugir à questão, dizendo que este é apenas um acto de avaliação, entre muitos outros, é minimamente admissível. Não é por ter menos peso que a proposta se torna mais séria ou aceitável! Além disso, um trabalhador não pode ver o seu desempenho avaliado por factores subjectivos, de que nunca poderá recorrer, deve ser avaliado em função de critérios objectivos. A avaliação profissional é uma coisa séria, não pode ser uma lotaria.
A insinuação de que os professores não querem ser avaliados é outra peça na campanha contra a classe que circula pelos média. A verdade é que os professores já eram avaliados até aqui, dependendo a aprovação da frequência de acções de formação e do cumprimento das tarefas atribuídas. É certo que o processo de avaliação não era muito exigente, mas a responsabilidade é, naturalmente, dos responsáveis do Ministério da Educação que aprovaram essa legislação, não dos professores, que se limitaram a cumprir o estipulado.
c) O mito da falta de assiduidade
Faço aqui um parêntesis para abordar a questão da assiduidade, que tem sido alvo de uma campanha demagógica contra a classe docente. Em primeiro lugar, o ensino é uma profissão maioritariamente de mulheres. Ora, tradicionalmente, quem cuida dos filhos quando estes estão doentes são as mulheres, sem falar que mulheres engravidam e, por isso, também têm por vezes de faltar por razões de saúde. Por isso, é natural que a assiduidade seja menor entre os professores que noutras profissões. Qual é a alternativa? Querem
que as professoras deixem os seus filhos ao abandono?
Por outro lado, a falta de um professor tem uma repercussão social ampliada. Quando um funcionário falta numa repartição o utente raramente dá por isso. No caso dos professores, quando um deles falta um único dia, há 150 alunos que dão pela sua falta e que contam a 300 pais. No total, a falta de um único professor é notada por quase meio milhar de pessoas.
Por outro lado, não entendo porque os professores não podem repor as aulas em que têm de faltar. Bastaria que, para tal, fosse marcado no horário escolar uma mancha para esse efeito. Aqui está um mecanismo de gestão que, incompreensivelmente, não é utilizado e que poderia minorar bastante os efeitos das ausências pontuais dos professores.
Por outro lado, é preciso entender que os professores têm horários extremamente rígidos e a um simples atraso de 5 minutos, devido a trânsito intenso ou outro motivo imprevisto, pode corresponder uma falta de um dia inteiro, se essa for a única aula do dia, ou, no mínimo, a ¼ de dia de falta.
Quantos profissionais deste País têm penalizações tão gravosas, embora compreensíveis, por atrasos de 5 minutos?
Além disso, é uma profissão muito exigente em termos de cansaço e desgaste psíquico. Um dia inteiro a lidar com adolescentes irreverentes é uma tarefa duríssima, sobretudo, quando se tem de lidar com turmas problemáticas, sem falar no trabalho que os professores levam para casa. Por isso, por vezes, quando um professor está "de rastos", nada mais lhe resta que parar um dia, mesmo perdendo um dia de férias, para recuperar energias ou até a sua sanidade mental.
Seguramente, não é por causa da assiduidade dos professores que o ensino está mal. A única excepção sucede quando um professor está de atestado médico menos de um mês, uma vez que a legislação só permite a substituição se a ausência for igual ou superior a um mês. O incumprimento do programa agrava-se ainda mais quando a instabilidade da saúde professor o leva a pôr sucessivos atestados médicos de curta duração.
São casos raros, mas acontecem e penalizam bastante os alunos. No entanto, cabe ao Ministério da Educação modificar essa legislação e encontrar soluções mais criativas para que os alunos não fiquem sem aulas tanto tempo.
d) Avaliação sim, mas objectiva
De qualquer forma, quem não deve não teme e os professores não têm qualquer problema em ser avaliados, desde que os critérios sejam objectivos e estejam relacionados directamente com o seu trabalho. Não é aceitável que a sua avaliação dependa dos resultados dos alunos, pela simples razão de que os resultados dependem de muitos outros factores, além do trabalho do professor.
Por exemplo, um professor com turmas problemáticas nunca pode ter os mesmos resultados que um professor com bons alunos. Por outro lado, isso seria mais um convite ao facilitismo porque, naturalmente, pressionaria os professores a inflacionar as classificações dos alunos.
Por outro lado, é clara a intenção deste Governo ao fixar numerus clausus no acesso ao topo da carreira e não querer pagar aos professores, independentemente do seu mérito ou competência. Ora, como quer o Governo
atrair para a carreira bons profissionais se não lhes paga em consonância? A proletarização da classe docente é uma realidade típica de países de Terceiro Mundo, não de países civilizados. E mal vai Portugal se tenciona continuar a desvalorizar a profissão de professor.
Parafraseando a magnífica frase de Medina Carreira há alguns dias na RTP, também "eu gosto dos determinados, mas é quando acertam." Como já aqui demonstrei, a nomeação desta equipa da Educação é um monumental erro de casting e o País vai pagar caro a política populista e voluntarista que está a ser seguida neste sector. Em vez de mobilizar energias, Maria de Lurdes Rodrigues mais não faz do que incendiar o País e comprar guerras inúteis e despropositadas com os professores.
O descrédito da actual equipa da Educação é total nas escolas portuguesas e, por mais que isto custe a José Sócrates, tal não se deve a questões salariais, mas ao facto da sua competência não ser reconhecida. Não se governa um País com base em estatísticas, sobretudo, quando não se percebe o que está por detrás desses números. E quanto mais Maria de Lurdes Rodrigues brande desajeitadamente as estatísticas, mais expõe a sua ignorância e se põe a ridículo aos olhos dos professores. E muito mal vai uma organização quando os subordinados não reconhecem a competência do chefe.
Mário Lopes.

14 fevereiro, 2008

Amor paixão

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. (será? interessante, dar-lhe-ia outro arranjo)
O coração guarda o que se nos escapa das mãos.
A vida é uma coisa, o amor é outra.

Extratos de texto de MEC


A paixão é um sentimento oriundo da afinidade intelectual, da afinidade de interesses, da admiração sobre a personalidade alheia, do nível comparativo de utilidade da própria personalidade e sua conseqüente reafirmação. (leituradiaria.com)

13 fevereiro, 2008

12 fevereiro, 2008

11 fevereiro, 2008

Professorzecos!

O incrível sucedeu.

Este mês a ministra da educação foi à assembleia da república e alguns deputados do PS questionaram-na sobre algumas das suas políticas da educação.
Confrontada com essas dúvidas o que faz a ministra... Responde ?

Não...

Acusa antes os deputados de ao colocarem dúvidas estarem a dar voz aos "professorezecos"...
Assim mesmo, os "professorzecos".

Vale a pena ? Vale ?
Esta notícia foi publicada no Público, mas, por alguma razão, passou praticamente despercebida, divulguem-na para que se perceba o calibre desta ministra.

http://educar.files.wordpress.com/2008/01/ps.jpg




A relação entre profs e ministério da educação bateu no fundo!

Não há mais nada a dizer!