21 junho, 2007

A escolha de livros













Escolhi 5 livros, completamente à sorte, coisa mal pensada num dado momento, para responder ao desafio dos 5 livros. Amanhã a lista seria outra e mais outra. Não leio muito, leio quando posso, e ás vezes posso pouco, e cada livro que leio, carrego-o comigo como um companheiro.
Os livros para mim funcionam como terapia e muitas vezes como sonífero. Sinto que já me vai faltando tempo para ler todos os livros que quero ler, e alguns já suportam uma fila de espera há bastante tempo.
Houve livros que me marcaram mais, outros menos, alguns, atirei-os para o caixote do lixo. Tenho autores que esgoto tudo quanto escrevem e tem outros que não suporto, por vezes precipito-me a fazer o julgamento negativo apenas por um livro lido, eu sei.
Não tenho tendência para ver um livro mais do que uma vez, a não ser poesia, no entanto leio vários ao mesmo tempo. Arrumo-os de forma desorganizada, quando muito, junto-os por autor.
Detesto comprar livros por catálogo, gosto de ir á livraria.
Há uns anos atrás gostava de ler enquanto fumava.
Não me especializei em nenhum tipo de leitura. Não gosto de livros a metro, uso marcadores de livro, escrevo nos livros, assino-os na vertical, empresto livros, dou livros.
Vou aproveitar o ficheiro do pc para construir uma lista que irei adicionando, consoante me lembrar. Partilho convosco o início da lista.

Primeiro a lista da batata quente:
- Outono em Pequim, de Boris Vian (primeiro livro que li deste grande senhor, que me ensinou que existem outros caminhos na literatura)
- A metamorfose, de Kafka ( bemm… com 16 anos, até sonhava com aquele insecto de grandes dimensões)
- O manual dos inquisidores, de António Lobo Antunes (sempre)
- Cemitério de pianos, de José Luís Peixoto (porque tem a capacidade de me mostar o lado intimo de outras vidas distantes de mim, mas que existem)
- A família, de Mário Puzzo (Talvez o melhor romance histórico que li, posteriormente associado a uma série de livros de Juliette Benzoni, especialmente Fiora e o Papa Sisto IV)

Em rodapé… um livro que não conseguia lembrar-me do autor e nem do título correcto; disseram-me para tomar as gotas… e aí…: “Assim foi temperado o aço” de Nikolai Ostrovski
, narra uma historia exemplar de perseverança, de vontade férrea para ultrapassar os obstáculos, que foi uma referência na minha juventude.

Depois, igualmente merecedores de atenção, que não posso deixar de mencionar:

Toda a obra de Sartre especialmente a Idade da razão, As moscas, a Náusea e da sua companheira, Simone de Beauvoir – só é possível compreender o espaço onde se movimentava Sartre, lendo a Força da Idade, a Força das Coisas e todos os outros – marcharam todos e todos. A partir dos livros de Simone tive curiosidade em ler Albert Camus, Boris Vian (marcharam todos os traduzidos) e conhecer o que cantava Serge Regiani.
Alguns livros de Kafka, como a Metamorfe, O Processo e O Castelo…. O Processo foi um livro que me deixava deprimida e receosa… li-o precocemente.
Mais?
Jorge Amado – tudo
António Lobo Antunes – tudo, considero-o o melhor entre os melhores
Ellery Queen (policiais) – tuuuuudo
Eça de Queirós – tudo, especial destaque para A Relíquia.
Gabriel Garcia Marques – vários
Isabel Allende – todos
Dan Brown – todos
Hitchcock – muitos
Morris West – diversos
Aldous Huxley – mais que muitos, destaque para o Admirável Mundo Novo…alimentou o meu imaginário na adolescência
Miguel Torga – diversos
Irving Wallace – vários que já nem si o nome, lembro-me do Prémio.


A cidade dos prodígios – Eduardo Mendonza, construção da cidade de Barcelona
A insustentável leveza do ser – Milan Kundera
Estranhos perfumes – Marie Darriensseco
Nome de tango – Manuel Jorge Marmelo – estranhoooo
A casa dos budas ditosos – uma curtição sobre luxúria
Escuta Zé Ninguém – Wilhelm Reich, uma referência na consolidação de valores no final da adolêscencia
A arma do Juiz – Clara Pinto Correia
Despertar dos mágicos – Louis Paumels
O Valente Soldado Schweik - Jaroslav Hasek
Jornada em Africa – Manuel Alegre
Fazes-me Falta – Inês Pedrosa
Álibi Perfeito – Patrícia Higsmith, a prova que não há crime perfeito
O mosteiro e a coroa – Theresa Schadel
O judeu de Viena e Príncipe Rosa Cruz – José Braga Gonçalves
Budapeste – Chico Buarque, aprendi aqui que há a profissão de escrever para os outros
Nove mil passos – Pedro Almeida Vieira, a construção do aqueduto das aguas livres
Crónica do rei pasmado – Gonzalo Torrente Ballester, ainda melhor que o filme
Quantas noites tem a madrugada – Ondjaki, o livro mais hilariante que li nos últimos tempos, todos os angolanos deviam ler para limpar a alma.
A jangada de pedra, Memorial de convento, Envangelho segundo Jesus Cristo e Todos os nomes – Saramago, este último acabou comigo, deixei de ler Saramago
Peregrinação – Fernão Mendes Pinto
O Malhadinhas – Aquilino Ribeiro
Holanda – Ramalho Urtigão
Vale Abrãao – Agustina Bessa Luís
Kafka à beira mar e Norwegian Wood – Haruki Murakami, e o que mais virá por ai!!! .
.
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E outros que lembrarei oportunamente.

Ahhhh Pantera cor de rosa, Mafaldinha, Peninha e Biquinho, Zorro, Zé Carioca, e ainda hoje Calvin e Zits.
Na poesia, vou bicando conforme os dias – Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Jorge de Sena, Eugénio de Andrade, poesia Galaico-portuguesa, Florbela Espanca, David Mourão Ferreira, António Botto,…. Sei lá!!!! Só consigo ler poesia em Português!!!!!
Depois deste texto… parece que me despi um pouco em publico.
Ando a preparar-me para ler a Bíblia… enfim! Lá terá que ser!
Passarei a batata quente a outros, já agora!!!

Qual o critéro? Pura curiosidade em saber...
(esta batata foi-me passada por http://www.sanzalando.blogspot.com/)

19 junho, 2007

PEDAGOGIA EFICIENTE

Hoje que estamos na primeira semana de exames nacionais, depois de uma vigilãncia de 90minutos em pé e em silêncio, fora os antes e os depois,...continuarei a falar de escola e vou mostrar-vos como há acções que resultam muito melhor que dezenas de manuais de pedagogia. Aí vai:


Numa escola estava a ocorrer uma situação inusitada: Um grupo de meninas de 12 anos que usava baton diariamente, removia o excesso beijando o espelho da casa de banho.
O director andava muito aborrecido com isso, porque a senhora da limpeza tinha um trabalho enorme para limpar o espelho.
Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de baton. Chegou a chamar a atenção delas durante 2 meses, e nada mudou, todos os dias acontecia a mesma coisa....

Um dia o director juntou as meninas e a senhora da limpeza na casa de banho, explicou pacientemente que era muito difícil limpar o espelho de todas aquelas marcas que elas faziam.
Depois de uma hora a falar, e elas com cara de gozo, o director pediu à senhora "para demonstrar a dificuldade do trabalho".

A senhora da limpeza imediatamente pegou um pano, molhou-o na sanita e passou-o no espelho.
Nunca mais lá apareceram marcas de baton!!!!

" Há professores e há educadores".

18 junho, 2007

17 junho, 2007

O Mágico e o Papagaio


Um mágico estava trabalhando num navio de cruzeiro pelo Caribe.
Como o público mudava a cada fim de semana, ele resolveu fazer sempre os mesmos truques, sem nenhuma variação, afinal ninguém perceberia, exceto...o papagaio do capitão.
Como o danado via os espetáculos toda a semana, resolveu sacanear mágico e começou a desmascarar o coitado no meio se seus números:

-"Currupaco! Olhem não é o mesmo chapéu";

-"Vejam ele está escondendo as flores debaixo da mesa!";

-"Aposto que todas as cartas são Ás de Espadas!!!"

... e assim por diante.

O mágico estava doido da vida, mas não pôde fazer nada, afinal era o papagaio do capitão.

Um dia o navio bateu num iceberg e afundou. O mágico se agarrou num pedaço de madeira e o papagaio aproveitou indo junto.

Durante dois dias ficaram flutuando no mar, se encarando com ódio, mas sem dizer uma só palavra. Depois de uma semana o papagaio se rendeu e disse:

- OK,"seu-filho-da-mãe", você venceu, onde é que está o barco?

16 junho, 2007

TEATRO DEL MONDO





O teatro do mundo foi projectado pelo arquitecto italiano, Aldo Rossi, inaugurado a 11 de Novembro de 1979, integrado na bienal de arquitectura e teatro de Veneza. Tudo isto seria vulgar, se efectivamente este, fosse um teatro comum, onde se vai assistir a um bom espectáculo das artes de Thalma. Mas não é, e por isso decidi trazê-lo ao estir@dor.




O “teatro del mondo” foi inspirado numa tradição do século XVIII, e entretanto desaparecida, do teatro flutuante que ancorava na cidade de Veneza, na época do Carnaval.
O edificio foi construído em estrutura metálica e revestido a madeira, quer no interior quer no exterior e suportado por uma plataforma flutuante: uma jangada.
Formado por um paralelipípedo central de base quadrada com 9, 5m de largura e 11m de altura, e cobertura octogonal em zinco, contém no seu interior um palco situado numa área central. O teatro acolhia 400 espectadores, dos quais 250 sentados.


A sua simplicidade formal e as cores utilizadas nos acabamentos imprimiram uma imagem de sonho a este equipamento que tinha como fundo Veneza e os seus canais.
Os utentes que entravam naquele teatro para assistir ao desempenho artístico dos actores, tornavam-se imediatamente também eles, personagens de um evento que interagia com Veneza, observadores e observados, a partir da Punta della Dogana, avistando-se a praça de S. Marcos das suas janelas. Uma verdadeira Arca de Noé de toda a Bienal.


Todo este edifício esta embuído das ideias de Rossi, pouco percepcionadas pelo observador comum, que desconheça as teorias Rossianas sobre a arquitectura e as cidades, aliás tema de um livro de sua autoria, e que tanto influenciou os arquitectos da minha geração. A simplicação formal da arquitectura característica de Rossi, atinge aqui a sua maior expressão. Este foi o edifício mais imaginativo da sua carreira.

Este foi a grande atracção da bienal e Aldo Rossi referia-se a este projecto como “ um lugar onde a arquitectura termina e o mundo da imaginação começa”.


No fim da Bienal, o teatro atravessou o Adriático, rebocado para Dubrovnik e em 1981 foi desmantelado.


Em 2004, o teatro foi reconstruído em Génova, para as celebrações de “Génova, capital Europeia da cultura”.

15 junho, 2007

A mulher através da arte




(não resisti em trazer este trabalho ao estir@dor, obrigado António)

14 junho, 2007

13 junho, 2007

Pés



Sobre as mulheres pesam diversas violências.


Na China desde o século que X que as chinesas padecem de uma tortura continuada relacionada com os seus pés.

Cada sociedade tem as suas preferências, as suas fantasias, as suas opções estéticas sobre o que as rodeiam e inclusivamente sobre as pessoas.


Entendia-se na época, lá na China e durante mais uma dezena de séculos, que pés sensuais e eróticos seriam pézinhos pequenos, minúsculos… que não excedessem 8, 10 cm de comprimento ou seja, a dimensão do pé duma criança de 6, 7 anos. Uma mulher era tanto mais charmosa e sensual, quanto menores fossem os seus pés… mesmo que para isso tivesse muita dificuldade em andar. Isto era os homens a pensar, obviamente!


Assim desde a mais tenra idade, as chinesinhas viam os seus pés violentamente enfaixados, para que estes não crescessem em comprimento, dobrando os dedos para a parte inferior do pé e arqueando-o o mais possível, alterando dia após dia, o crescimento da estrutura natural dos pés.

O normal seria os pés crescerem até aos vinte e poucos centímetros; contrariar este processo, implicava um sofrimento torturante de noite e de dia. È impossível avaliarmos, sem ver. Isto acabou em 1949; ainda hoje existem algumas mulheres que padecem desta barbaridade que fizeram com elas.




E o que me dizem das mulheres que ainda acham bonito usar sapatos apertados, pontiagudos e com 10 cm de salto? Não estarão a querer pôr os olhos em bico?


É tão bonito ter os pés direitinhos, sem calos, nem joanetes!


Alguém teve oportunidade de observar os pés de Rudolf Nureyev? Catastróficos? Indescritivelmente feios e deformados também! Mas aí a tortura era outra, o balett! O treino durante anos em pontas, capazes de suportar o seu peso e de mais uma companheira, fez com que o dedo maior dos seus pés se desenvolve-se de uma forma abismal, com forma de suporte estável, de garra. Vi e não gostei. Associei a forma à pata de avestruz. Simplesmente horrível!

12 junho, 2007

10 junho, 2007

09 junho, 2007

FOJO DO LOBO



Fojo do lobo
A um km da estrada nacional Chaves -Vila Real, perto da aldeia de Samardã (Vila Pouca de Aguiar). Actualmente está integrada no Circuito do Lobo. Subimos a serra e encontramos do lado direito uma cerca com 50m de diâmetro, aproximadamente, construída em forma circular, mas encostada a um declive acentuado, e com aspecto de muralha sem castelo. É o fojo do lobo.
Antes de lá chegar, é bem provável que se cruze com um grande rebanho, espraiado pela encosta, indiferente á sua passagem, guardado pelo respectivo pastor, e 5 cães de guarda, dois destes, castro laboreiros com ar de poucos amigos.
Hoje o lobo é um animal em vias de extinção, sendo acautelado e protegido. Há décadas atrás, abundavam pelas serras de Trás-os-Montes, alimentando-se à custa dos rebanhos que habitavam aqueles declives de manha à noite. Nem os cães de guarda valiam às cabras ou ovelhas mais distraídas. A lei da vida!
A arte e o engenho dos seres pensantes, engendraram uma armadilha para apanhar os lobos: o Fojo do Lobo.
Um muro construído em granito, pedra irregular, com cerca de 3m de altura, com a particularidade do seu remate superior, ser formado por lages salientes para o interior, pontiagudas, tendo uma função muito especifica: impossibilitar a passagem do interior para o exterior.
Atendendo à morfologia do terreno, era possível os lobos saltarem para dentro deste recinto, utilizando a parte mais elevada, só que não conseguiam fazer o caminho inverso.
Assim, a tal “muralha possuía” uma pequena abertura onde era introduzida uma cabra velha, manca ou doente, tinhosa como lhe chamavam; tapavam o buraco com uma pedra e deixavam-na lá a pastar, com um pequeno pio com água. Era este o chamariz dos lobos, que rapidamente pressentiam a presença da cabra fora do rebanho. Saltavam o muro facilmente pelo topo superior, comiam a rés e só depois se sentiam encurralados, tendo que esperar pelo seu fim tão ardilosamente preparado.
No dia seguinte, os pastores chamariam os caçadores para matarem o lobo. Era costume, o caçador exibir o predador defunto, no lombo de um burro e passeá-lo pela aldeia, construindo oportunidade para convívio, prova de salpicões e emborcar uns quartilhos de vinho.

Estas construções de arquitectura popular, com origem ascentral, estão também em vias de extinção. Muitas se esqueceram, engolidas pelo mato de giestas, outras se desagregaram, ou ainda serviram de material de construção para outros espaços.
Resta ainda este, bem perto de todos nós, mas já adulterado: localizaram na sua parte central umas placas comemorativas, que alteram a conjuntura da cerca da morte.

Camilo Castelo Branco que viveu uma parte da sua vida em Vilarinho de Samardã, imortalizou esta vivência:



“Eu é que conheço a Samardã, desde os meus onze anos. Está situada na província Transmontana, entre as serras do Mé­sio e do Alvão. Nas noites nevadas, as alcateias dos lobos descem à aldeia e cevam a sua fome nos rebanhos, se vingam descancelar as portas dos currais; à míngua de ovelhas, co­mem um burro vadio ou dois, consoante a necessidade. Se não topam alimária, uivam lugubremente, e embrenham-se nas gargantas da serra, iludindo a fome com raposas ou gatos bra­vos marasmados pelo frio. Foi ali que eu me familiarizei com as bestas-feras; ainda assim, topei-as depois, cá em baixo, nos matagais das cidades, tais e tantas que me eriçaram os ca­belos.Na vertente da montanha que dominava a Samardã, havia um fojo – uma cerca de muro tosco de calhaus a esmo onde se expunha à voracidade do lobo uma ovelha tinhosa. O lobo, engodado pelos balidos da ovelha, vinha de longe, derreado, rente com os fraguedos, de orelha fita e o focinho a farejar. Assim que dava tento da presa, arrojava-se de um pincho para o cerrado. A rês expedia os derradeiros berros fugindo e fur­tando as voltas ao lobo que, ao terceiro pulo, lhe cravava os dentes no pescoço, e atirava com ela escabujando sobre o espi­nhaço; porém, transpor de salto o muro era-lhe impossível, porque a altura interior fazia o dobro da externa. A fera pro­vavelmente compreendia então que fora lograda; mas em vez de largar a presa, e aliviar-se a carga, para tentar mais esco­teira o salto, a estúpida sentava-se sobre a ovelha e, depois de a esfolar, comia-a. Presenciei duas vezes esta carnagem em que eu – animal racional – levava vantagem ao lobo tão-somente em comer a ovelha assada no forno com arroz.De uma dessas vezes, pus sobre uns sargaços a Arte do padre António Pereira, da qual eu andava decorando todo o latim que esqueci; marinhei com a minha clavina pela parede por onde saltara a fera, e, posto às cavaleiras do muro, gastei a pólvora e chumbo que levava granizando o lobo, que raivava dentro do fojo atirando-se contra os ângulos aspérrimos do muro. Desci para deixar morrer o lobo sossegadamente e livre da minha presença odiosa. Antes de me retirar, espreitei-o por entre a juntura de duas pedras. Andava ele passeando na cir­cunferência do fojo com uns ares burgueses e sadios de um sujeito que faz o quilo de meia ovelha. Depois, sentou-se à beira da restante metade da rês; e, quando eu cuidava que ele ia morrer ao pé da vítima, acabou de a comer. É forçoso que eu não tenha algum amor-próprio para con­fessar que lhe não meti um só graeiro de cinco tiros que lhe desfechei. As minhas balas de chumbo naquele tempo eram inofensivas como as balas de papel com que hoje assanho os colmilhos de outras bestas-feras. Este conto veio a propósito da Samardã, que distava um quarto de légua da aldeia onde passei os primeiros e únicos felizes anos da minha mocidade.”



Camilo Castelo Branco, em “O Degredado”

07 junho, 2007

ADORO RIR


You more in tea lee jean tea

Um Inglês a viver em Portugal ia fazendo um esforço para dizer umas coisas em Português. Foi ao supermercado e fez a seguinte lista, à sua maneira:

- Pay she

- MacCaron

- My on easy

- All face

- Car need boy (may you kill oh!)

- Spar get
- Her villas

- Key jo (parm soon)

- Cow view floor

- Pee men too

- Better hab

- Lee moon

- Bear in gel
Ao chegar a casa, bateu com a mão na testa e disse:

- Food ace! Is key see me do too much! Put a keep are you!







Aprecio a seriedade, a honestidade, a lealdade, a solidariedade, a responsabilidade, a competência, a criatividade.... sei lá, mas a tolerância e o sentido de humor é a nota que evita que sejamos cinzentos; o sentido de humor evidencía o nosso lado infantil, torna-nos mais humanos, menos despretenciosos, mais vulneráveis, capazes de rir das nossas fragilidades e aguça o espírito crítico... além de que lava a alma. O riso atenua hostilidades, por vezes atenua diferenças, pois o riso contrói laços entre os seres humanos facilitando o diálogo e estimulando a amizade.

Adoro essa prática de rir.

06 junho, 2007

Ski dome




Ski Dome:
Construção gigantesca, projectada por Kajima Design, localizada no Japão, com 87.300 m2, complexo de lazer destinada ao exercício de actividades relacionadas, com os desportos de Inverno.

Um verdadeiro frigorífico que custou US$301,000,000 em 1993. É a maior pista para ski fechada e engloba três espaços: para principiantes, intermédios e avançados. Para além da pista há outros espaços de lazer.

As vibrações resultantes da sua utilização convertem esta estrutura, em algo complicado e perigoso que os engenheiros tentam resolver, mas parece que sem sucesso.
Ski Dome fecha em 2001 e é demolida em 2004.


Agora nova versão no Dubai.

04 junho, 2007

03 junho, 2007

01 junho, 2007

Dia Mundial da Criança

Fotografia: Jean Dieuzaide

Isto é para lembrar todos os dias!

Aqui

Neste país,

Europeu,

Chamado Portugal,

Ainda há crianças maltratadas
Ainda há crianças violadas
Ainda há crianças com fome
Ainda há crianças com piolhos
Ainda há crianças que não vão à escola
Ainda há crianças que trabalham
Ainda há crianças que nunca foram à praia
Ainda há crianças com medo de falar
Ainda há crianças que nunca lavaram os dentes
Ainda há crianças abandonadas
Ainda há crianças sem médico de família
Ainda há crianças a pedir esmola
Ainda há crianças sem livros
Ainda há crianças com frio
Ainda há crianças que cheiram mal, porque estão sujas
Ainda há crianças sem pais
Ainda há crianças desprotegidas
Ainda há crianças sem brinquedos
Ainda há crianças que dormem com as ovelhas
Ainda há crianças tristes
Ainda há crianças sem mimo
Ainda há crianças que não sabem sorrir
Ainda há crianças sem direitos
Ainda há crianças sem infância.

Isto é para lembrar todos os dias!!!!
Ana D' Or

31 maio, 2007

VAZIOS URBANOS



Os “Vazios Urbanos” constituem o tema central da primeira Trienal de Lisboa 2007.
São espaços expectantes, mais ou menos abandonados, mais ou menos delimitados no coração da cidade tradicional, ou mais ou menos indefinidos nas periferias difusas. São manchas de “não-cidade”, espaços ausentes, ignorados ou caídos em desuso, alheios ou sobreviventes a quaisquer sistemas estruturantes do território.
Para estes “Vazios Urbanos”, em muitas cidades do mundo, equacionam-se, debatem-se e concretizam-se novos conceitos e estratégias de intervenção, modelos de sustentabilidade e gestão, bem como plataformas de interação público/privado.
Também os “Vazios Urbanos” de Lisboa, quase sempre de origem pública, estão na ordem do dia e colocam inúmeras questões: Parque Mayer, Feira Popular, Vale de Alcântara, Vale de Chelas, Matinha, Quimiparque e Siderurgia. Ou ainda, na orla difusa, da Amadora à Falagueira, de Queluz à Portela de Sintra. Aliás, em toda a região metropolitana, os “Vazios Urbanos” são hoje notícia a pretexto de grandes projectos imobiliários que alteram profundamente a paisagem da cidade e território lisboetas.
Com este pano de fundo, a Trienal de Lisboa propõe-se reflectir, debater e equacionar soluções, propostas, meios e instrumentos de intervenção. Nos palcos do fórum será dada voz a todos os actores: arquitectos, urbanistas, paisagistas, e outros autores e pensadores. Como, também, a entidades administrativas, investidores, promotores e construtores envolvidos nas transformações em perspectiva para a metrópole lisboeta. O futuro das principais cidades e territórios urbanos do planeta depende, em muito, do destino destes “Vazios Urbanos”. E com estes, também, está chegada a altura de pensar e equacionar a Lisboa do século XXI.

30 maio, 2007

GREVE GERAL


Comissão de Protecção de Dados proíbe divulgação de listagem de grevistas
A Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) decidiu esta segunda-feira "proibir qualquer tratamento autónomo de dados pessoais, relativos aos trabalhadores aderentes a greves, por considerar ser um procedimento discriminatório".


Em comunicado divulgado esta terça-feira, a CNPD esclarece que esta decisão surge "no seguimento de uma participação apresentada na semana passada à CNPD pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), na qual se dava conta de um despacho interno da Direcção-Geral de Impostos, ordenando aos vários serviços o preenchimento de um mapa com o número mecanográfico e o número de identificação fiscal dos trabalhadores ausentes por motivo de greve, a ser enviado à Direcção de Recursos Humanos da DGCI, no prazo máximo de 48 horas após a greve". Este despacho da DGCI "tinha por fim a realização mais célere dos descontos necessários no vencimento dos trabalhadores e a posterior comunicação à Direcção-Geral do Orçamento do número de funcionários com descontos efectuados por motivo de greve, no prazo estipulado no Despacho do Ministro das Finanças e da Administração Pública, de 15 de Maio último", acrescenta-se no comunicado. Analisando a questão, "a CNPD considerou que para efeitos de processamento dos necessários descontos na retribuição, os dados relativos às ausências do trabalhador por motivos de greve devem ser tratados, como até agora, de forma conjunta com os dados respeitantes a outras eventuais ausências reflectidas nos mapas de assiduidade". A CNPD salienta, na sua Deliberação nº 225/ 2007, que "é justamente o carácter autónomo e independente deste tratamento, face à invocada finalidade de processamento de vencimentos, que coloca em crise a sua licitude". A CNPD sublinha que "a adesão à greve por parte de trabalhadores da Administração Pública reflecte uma opinião política" e que o tratamento autonomizado e identificado dos trabalhadores que fizeram greve "consubstancia decerto um procedimento discriminatório". Neste sentido, a CNPD considera que qualquer tratamento autónomo de dados relativos à adesão à greve constitui uma violação dos artigos 13º e 35º da Constituição e do artigo 7º da Lei de Protecção de Dados. A CNPD apreciou igualmente o conteúdo do Despacho do ministro das Finanças e da Administração Pública, de 15 de Maio, "tendo concluído não haver qualquer violação da Lei de Protecção de Dados, uma vez que a comunicação à Direcção-Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP) do número total de trabalhadores ausentes por motivo de greve em cada serviço não permite identificar os trabalhadores em greve, pelo que não configura um tratamento de dados pessoais".

29 maio, 2007

encontros 2

O arquitecto Jorge Graça Costa, premiado em 2006 com a medalha de ouro do concurso internacional de design em Osaka, vai estar na Ordem dos Arquitectos para apresentar as suas pesquisas sobre a água como elemento regulador da temperatura em edifícios.
Jorge Graça Costa, 36 anos, apresenta «o estudo das potencialidades térmicas da água e a sua aptidão para uma eventual aplicação na arquitectura como elemento termo-regulador», no ciclo :Encontros2 (apresentação de teses), a 29 de Maio (19h).
O arquitecto desenvolve a actividade na área da arquitectura sustentável e da eficiência energética dos edifícios, tendo concluído o mestrado em arquitectura bioclimática em 2006.
As pesquisas de Jorge Graça Costa, que pretenderam explorar propriedades da água de tal modo que ela seja preponderante na regulação térmica de edifícios e proporcione a redução dos consumos energéticos, levaram-no a apresentar um sistema construtivo premiado com a medalha de ouro num concurso internacional no Japão, em 2006.

28 maio, 2007

TORGA


Grafito de riscador sobre papel

27 maio, 2007

MAGDALENA JETELOVÁ

ICELAND PROJECT


Vemos os meridianos e os paralelos nos mapas, e habituamos-nos a essas linhas imaginárias que se tornaram cada mais vez mais importantes na arrumação do mapa mundo, e olhamos para elas, considerando-as quase reais.... e se fossem?
Pois bem Magdalena Jetelová (ainda não percebi, se é homem ou mulher, sei que nasceu na Checoslováquia, faz esculturas, fazendo a junção dos materiais tradicionais com os meios electrónicos através de projecções de luz) fez algo parecido: resolveu dividir fisicamente o continente europeu do continente americano, como se fosse um meridiano... linha fácil de traçar!
Escolheu a Islândia para a sua localização.



Realizou um estudo detalhado da geografia da ilha, para poder conceber uma visualização rigorosa da fronteira intercontinental que separa a Europa da América.

Em 1992, finalmente redesenhou essa linha divisória usando um feixe laser. Os fotógrafos registaram a acção, através da tal linha de luz que divide visualmente as rochas, ora em zonas elevadas, ora em depressões, ora dissolvendo-se nos vapores dos geiseres.


Este acto de dividir a Islândia acabou por revitalizar a ilha e evidenciar a sua beleza. Hoje não sobrevivem uma sem a outra. A linha luminosa converteu-se numa parte da ilha, e esta, sem a tal linha não seria a mesma, a fascinação reside exactamente na interelação construída a partir das duas -uma linha com 350Km.

(...ainda dizem que os arquitectos são marados!!!!!)


26 maio, 2007

Summer of Love

Chegou a noite, e vi que me tinha esquecido deste estirador.
Aí vai...


Neste verão, nos States vai ser possível revisitar o boom da arte dos anos 60, por alguns denominada por psicadélica, marcada pela contestação e irreverência da geração hipppie. Uma fabulosa exposição "Verão do Amor" que estará patente desde ontem, até Setembro, no museu Whitney, em Nova Iorque. Para além de pinturas, esculturas e fotografias, estarão expostos outros materiais que fizeram furor nessa época: capas de albuns, posters, e o Porsche de .... adivinhem, Janis Joplin.



24 maio, 2007

Cometa Mc Naught



A 26 de Janeiro de 2006 em Perth, na Austrália, umamultidão juntou-se numa praia local para testemunhar um espectáculo de fogo-de-artifício.

Entretanto, uma trovoada começou a aparecer do lado direito.Mas o mais inesperado, foi entre estas duas manifestações de luz, aparecer uma terceira, o Cometa McNaught.

Um autêntico três-em-um que resultou nesta foto fantástica.