10 novembro, 2006

MONTA MAZUNA (será????)

Transferi esta imagem da net, sem autor, sem contexto, e não mais a reencontrei. Copiei-a porque há uns tempos atrás, o meu caderno de rabiscos, só tinha disto - a procura de alçados rigorosamente quadrados, para habitação de dois pisos 7X7X7; mesmo sem qualquer encomenda, por vezes deparo-me a procurar obcessivamente uma solução. Esta imagem vive no meu arquivo de imagens há imenso tempo e chegou a hora de saltar para o estir@dor. Sei lá porque?!!!!!!!!!!!
ME GUSTA! ME ENCANTA!

09 novembro, 2006

Edifício rotunda

Michael Graves

Projectei um edifício há uns anitos, e a sua localização e envolvente morfológica evoluiu para uma rotunda. Quem diria!!!!
Incrível!
Como é que um edifício de uma série de pisos, construído, cujos proprietários adquiriram como se tratando de um edifício de esquina, de repente se converte no edifício-rotunda?
Meus amigos, é a isto que eu chamo de sociedade em desenvolvimento!
Há sempre génios a pensar por nós, e por isso votamos neles, depositamos neles a nossa confiança, e só temos que nos mostrar eternamente gratos! Podemos dormir descansados, ir para férias, pois fica sempre alguém vigilante, com os neurónios a trabalhar, a tentar introduzir parâmetros na sociedade com o objectivo de melhorar a nossa qualidade de vida.
Primeiro, nós! Isto dá um conforto mental extraordinário! É a almofada que todos gostaríamos de ter.
No meu currículo, casas tortas tenho várias, edifícios com pinta, também, amarelos idem, edifícios-rotundas é exemplar único, e poucos colegas poderão competir comigo nesta característica – privilégio só de alguns, meus caros! Ora, ora!!!!!
Imaginem, acordar de manhã, e verificar que ocupamos o centro de uma rotunda. Deve dar uma emoção!!! é como habitar uma ilha! É como se a terra fosse o centro do sistema solar, este, o centro da via láctea e esta por sua vez, o centro do universo.
É só vantagens! …automóveis a rodear-nos por todos os lados… permite-nos ficar à janela apreciar o trânsito, visto verdadeiramente de dentro – é assim que se pode começar a construir a verdadeira felicidade, habitando uma rotunda.
Para já, o edifício fica altamente valorizado, pois deixa de ter traseiras, fica com 4 frentes. No registo da conservatória não há que enganar sobre as confrontações – é sempre via pública. A contribuição autárquica até devia ser devidamente actualizada, pois não é justo para os outros contribuintes, não usufruir das 4 hipóteses para colocar o seu estendal de roupa. Seja Verão, seja Inverno, são os 4 pontos cardeais que estão em causa, não é brincadeira! Qual solstício, qual equinócio, aqui é sempre a rodar, os raios solares estão como querem!
Estabelece-se de imediato, verdadeiros laços de amizade entre os vários condóminos, que se reúnem muito mais vezes, ocupando os seus tempos livres com abaixo assinados, com consultas ao Código Civil, ao advogado… podendo servir de pretexto para partilhar a bica e o cognaque, as dúvidas sobre os TPCs dos filhos, e as poucas vitórias do glorioso, que de outro modo não ocorreriam. A vida fica muito mais animada e valorizada. A socialização construída através da empatia de vizinhos, cria laços indestrutíveis.

Torna-se fácil orientar os amigos quando vão lá a casa.
– Vens sempre em frente e quando encontrares o edifício rotunda,… é aí! Não há que enganar!
Quem se pode gabar disto? Quem não gostaria de habitar num Arco do Triunfo ou na parte central duma Praça Navona? No coliseu já não diria, pois aquilo tem um baixo astral, tudo esburacado, muito cristão atirado às feras, talvez perturbe uma boa noite de sono.

Não podes estacionar o carro à porta, mas isso é apenas um pormenor, em contrapartida tens 4 passadeiras de acesso, permitindo-te passar o tempo a utiliza-las, se por acaso não estiver ninguém em casa, ainda podes ver as montras, em simultâneo, sentir a adrenalina dos automóveis a circular no sentido contrário aos ponteiros do relógio e tu seres o centro desse relógio. Já viram?! Nem Dali construíu uma evasão destas!

As saídas das garagens são admiráveis, já que saímos das garagens, subimos uma rampa e ficamos logo bem posicionados no trânsito. Não temos que esperar, dar prioridade para entrar na rotunda, nada disso… pois habitamos lá mesmo no meio, portanto estamos primeiro que os outros! Se tivessem sido projectadas com este objectivo, não teriam saído melhor.
Ninguém vai para a rotunda passear o canito – outra vantagem - podemos utilizar o passeio sem estarmos preocupados se pisamos em mole… e se pisamos, já temos a certeza que foi o canito do 2º andar.
Também ninguém vai sobrelotar as caixas de correio com publicidade! Aquilo é um sossego!
Se alguém quiser fazer cargas e descargas, é muito fácil! estaciona em cima das passadeiras, que estão devidamente assinaladas, permitindo assim que, descontraidamente, se saia e abra a porta traseira do lado do condutor, dando aos putos, acesso directo ao passeio. Se for necessário abrir a mala, toda a segurança é reforçada pela tal passadeira, e pela mala aberta, que fica bem visível para os outros condutores.
Se chegas de táxi, e o taxista não sabe muito bem onde parar, não há problema nenhum é só circular e parar na próxima passadeira.
Viver numa rotunda dá outro status!
Se vives noutro edifício qualquer, ninguém dá por ti, ninguém te conhece, ninguém sabe quantas vezes vais jantar fora, se recebes a família ao fim de semana, se vais ao teatro,... és mais um no aglomerado urbano, que só contas para os cadernos eleitorais e te mimetizas na mancha populacional.
Vivendo numa rotunda é diferente, tens outra qualidade de vida. Tens outra visibilidade social. Logo de manhã podes ter a agradável surpresa de ser cumprimentado ao sair de casa, e com cumprimento extensível à tua mãe. Isto só em condomínios fechados! Tu não conheces quem circula dentro dos automóveis, mas eles conhecem-te! É como ser do jet 7 e sair todas as semanas na revista "Caras " e companhia!
Se trocas de mobília, até podes fazer essa operação obtendo os móveis a um preço mais em conta, pois a própria rotunda é meio publicitário à empresa com quem negociaste. A operação de carga e descarga, e o acesso dos grandes móveis através do elevador/ grua que hoje corriqueiramente é utilizado, faz parar o trânsito. Todo o mundo fica apreciar, com gosto, todas as manobras, possibilitando assim a leitura atenta e atempada da publicidade que figura na carrinha de transporte.
A questão do lixo é outra coisa óptima.
Depois de um bruto jantar, é necessário ir colocar o lixo no contentor. Esta situação permite que os privilegiados rotúndicos, usufruam de um pouquinho de acção na vida monótona e rotineira que levam. Depois da janta, as suas vidas ficam com um pouco mais de sentido, com a ida ao contentor, no exterior da rotunda. A emoção de atravessar a rotunda para o lado do mundo real, é como um Kit Cat - satisfaz-te duas vezes…. Quando vais e quando adrenalinamente regressas!
Se jantares cedo, ou se optares por colocar o lixo antes do jantar, e tiveres a sorte de apanhar um pouquinho de hora de ponta, então aí é o clímax! quando regressas dás outro valor ao teu sofá. Podes crer!
Curiosamente a agência bancária, existente no rés-do-chão, passados 6 meses, fechou a porta e transferiu-se para outro local. Mas, isso é pessoal, que pensa pequenino, que não tem visão estratégica sobre a urbanidade, ou não lhe pagam para pensar! Pior para eles!
O edifício-rotunda é um modelo a seguir. Já viram como a cidade do Porto beneficiaria com um edifício-rotunda na Boavista? Sempre que os tripeiros ganhassem campeonatos podiam pendurar bandeirinhas no perímetro do edifício, intercalando o azul do dragão com os quadradinhos boavisteiros. Daria um treco ao Rui Rio, mas…. ou no Marquês em Lisboa – possibilidade de imensas passadeiras - junto ao mercado Kinaxixe em Luanda – edifício complementar ao futuro shopping.
Enfim, chegou a hora de todas as cidades se afirmarem pela positiva, possuindo pelo menos um edifício do género pois é assim que se cria um verdadeiro testemunho do urbanismo moderno interligado com a arquitectura contemporânea.
Eu, afixei logo uma foto com uma pionaise, no placard ao lado do meu estirador e escrevi orgulhosamente, com marcador de forma bem visível - este edifico fui eu quem projectou!
Estou a considerar seriamente abandonar o meu modesto tetraplex e adquirir um pequeno loft num próximo edifício rotunda, pelo menos para passar o weekend!

A. Quelhas

07 novembro, 2006

06 novembro, 2006

05 novembro, 2006

O lado errado da noite


O Lado Errado da Noite
Santa Apolónia arrotava magotes de gente
Do seu pobre ventre inchado, sujo e decadente
Quando Amélia desceu da carruagem dura e pegajosa
Com o coração danificado e a cabeça em polvorosa
Na mala o frasco de "Bien-Être" mal vedado
E o caderno dos desabafos todo ensopado
Amélia apresentava todos os sintomas de quem se dirige
Ao lado errado da noite
Para trás ficaram uma mãe chorosa e o pai embriagado
O pequeno poço dos desejos todo envenenado
A nódoa de bagaço naquela farda republicana
Que a queria levar para a cama todos os fins de semana
E o distinto patrão daquela maldita fundição
A quem era muito mais difícil dizer não
Amélia transportava todas as visões de quem se dirige
Ao lado errado da noite
Amélia encontrou Toni numa velha leitaria
Entre as bolas de Berlim com creme e o Sol que arrefecia
Ele falou-lhe de um presente bom e de um futuro emocionante
E escondeu-lhe tudo o que pudesse parecer decepcionante
Mais tarde, no quarto da pensão, chamou-lhe sua mulher
Seria ele a orientar o negócio de aluguer
Toni tinha todas as qualidades para ser um rei
No lado errado da noite
Jonas está agarrado ao seu saxofone
A namorada deu-lhe com os pés pelo telefone
E ele encontrou inspiração numa notícia de jornal
Acerca de uma mulher que foi levada a tribunal
Por ter assassinado uma criança recém nascida
O juíz era um homem que prezava muito a vida
E a pena foi agravada por tudo se ter passado
No lado errado da noite
Jorge Palma

04 novembro, 2006

De repente



"Já regressei e ainda não cheguei. Porque estou a escrever, a rever, a reescrever, a voltar a sentir, a repetir, a assustar-me, a maravilhar-me, a sentir horror, a querer fugir, a querer voltar, a não querer acabar. De repente tenho saudades tuas sem saber porquê."

Pedro Paixão in Asfixia

03 novembro, 2006

02 novembro, 2006

01 novembro, 2006

31 outubro, 2006

Morena



Morena dos olhos d'água
Chico Buarque/1966

Morena dos olhos d'água
Tira os seus olhos do mar
Vem ver que a vida ainda vale
O sorriso que eu tenho
Pra lhe dar
Descansa em meu pobre peito
Que jamais enfrenta o mar
Mas que tem abraço estreito, morena
Com jeito de lhe agradar
Vem ouvir lindas histórias
Que por seu amor sonhei
Vem saber quantas vitórias, morena
Por mares que só eu sei
O seu homem foi-se embora
Prometendo voltar já
Mas as ondas não tem hora, morena
De partir ou de voltar
Passa a vela e vai-se embora
Passa o tempo e vai também
Mas meu canto ainda lhe implora, morena
Agora, morena, vem

30 outubro, 2006

28 outubro, 2006

Escada em caracol

Outer Banks Carolina do Norte
Porque guardo isto no meu estirador?....olho esta escada e lembro-me de Escher. É uma escada das mais complicadas de desenhar, pois não se inscrevem num circulo, mas sim numa elipse. Se a planta é complicada, os alçados e os cortes..... ufff.... a perspectiva rigorosa, um desespero, um passaporte para a loucura.

Homenagem a Pablo Picasso

Nascido em Málaga em 25 de Outubro de 1881

26 outubro, 2006

Uma espera feita de amor (II)

Quando entrei, de novo, no estranho Hospital acompanhado da minha amada, olhei demoradamente à minha volta. Perscrutei tudo o que me rodeava, auscultando introspectivamente se tudo estava normal e, se nenhuma situação insólita ou esquisita não reinavam naquele dia, resplandecente aos meus olhos.
Era decisivo para mim e para ela!
Suspirei de alívio!
Não vi anzóis, arpões ou limpa pára - brisas à vista ou em conversas.
Sosseguei, um pouco mais, eu que me enervo facilmente.
Já era razoável ao meu exigente pensamento.
Não!
Não pensem que me esqueci do nosso chefe e Sr. Professor e,
muito estimado e respeitado, José. Imaginei logo o nosso valoroso Sr.Professor, entretido a compor e a medir rigorosamente o segmento de recta do bloco operatório, protestando por não o chamarem logo nesse arranjo, perito em segmentos de recta.
Pensei, que ele tinha razão!
Um chefe tem sempre razão, mesmo que ninguém concorde!
Pensei também, que os seus protestos e a sua indignação tinham todo o meu aplauso. Nem todos têm rigor no traço! Se ele era perito, deveriam tê-lo chamado de imediato! As pessoas têm todo o valor em alguma coisa e, por isso, o seu talento deveria ser mostrado e elogiado de imediato e prontamente. Mais uma vez, o nosso chefe tivera toda a razão. Ainda, não sei se preencheu o livro de reclamações do estranho Hospital ou não. Por certo, não deve existir, senão deveria usá-lo, que é para estes casos que ele serve.
Pelo menos terá sempre o meu apoio.
Penso que deve bastar o meu apoio porque ele também me apoiaria, se eu fosse bom em segmentos de recta como ele. Infelizmente, não sou!
Mas, deixemos o prezado Sr. Professor e Chefe e os segmentos de recta em que é perito em PAZ.
Não o vi e, isso, é que interessa para o meu bem-estar, eu que sou muito complicado.
Olhei de novo. Senti um arrepio pensando que vira a diligente senhora da cadeira de rodas e que me ameaçara com umas chineladas, em sua casa, se eu fosse marido dela, por eu não querer largar a sopa e ter chegado ligeiramente atrasado.
Tremi e arregalei bem os olhos.
Não! Não era ela.
Esqueço-me sempre dos óculos, eles que me fazem tanta falta e, torna-se necessário forçar um pouco a vista, para descortinar alguém que conheço. Não temi as chineladas, mas fiquei muito mais aliviado por não ser ela, podem crer!
Não que lhe quisesse mal, pois era a sua profissão, mas era melhor assim, para evitar complicações de novo. Até podia estar mal disposta e sabe-se lá no que lhe daria para fazer? Ponto Final, estava mais descansado! E, é tudo! Entretido nestas divagações, apurei o meu turvo olhar e constatei um facto: todos os doentes tinham um envelope junto deles!
A minha amada também tinha um, mas nunca espreitei lá para dentro, confesso. Era dela! E só dela! O deles era só deles! Respeitei-os, apesar desta constatação não merecer que alguém ma explicasse. Achei curioso. Só isso! Este envelope merecerá sempre a minha consideração. Estou a falar-vos sinceramente! Quero... Exijo que compreendam, porque estou a falar mesmo de verdade! É apenas curioso! Só isso! Nada mais!
Após, conversar com a jovem e esbelta menina do balcão, sentamo-nos.
Parecera-me ser uma adolescente sem problemas de qualquer índole e não carecer de falta de identidade, próprias da idade. Por certo, o complexo de Édipo, já teria sido ultrapassado com sucesso. Parecera-me normal, em suma. Simpática e atenciosa! Não lhe perguntei se estava informada sobre as protecções de carácter sexual que devia ter, pois, ela estava a atravessar esta fase algo complicada da vida, porque não quis incomodar, mas pressagio que sim.
Devia estar informada e bem informada!
O porquê?
Não sei! Sempre me interessei pelos problemas da adolescência e tudo era de esperar ali, mas esforcei-me e não disse nada.Poderia ser inconveniente, mas algo me soprava, para que conversasse com ela. Eu ficaria mais descansado! Não nos podemos esquecer que era jovem.
Resolvi-me calar, seguindo os conselhos simpáticos da minha amada. Ela havia-me dito, que se fosse possível não abrisse ali a boca, apesar de poder encontrar alguma coisa fora do normal. E eu, custosamente anuíe permaneci calado, mas entregue aos meus pensamentos, porque sinto necessidadede pensar.
Sinto necessidade de pensar, por mais esquisitos e absurdos que estes pensamentos sejam! Ela sabe e foi por isso que me mandou não abrir a boca. Disse-me pacientemente que, quando saíssemos, teria uma surpresa e aí já poderia dizer tudo o que me viesse à cabeça, habituada que já estava. Eu compreendi, mas tive pena de não esclarecer e informar a jovem sobre os problemas que poderia ter.
Afinal, eu sou um Educador!
E, os Educadores educam.
Que dissessem alguma coisa deste género ao Sr. Professor José. Aí deles! Nem vale a pena explicar o que aconteceria! Ele, é um Educador e dos bons! Ele, de boca fechada? Nem pensar! Competência e a atitude de educar são com ele.
Ou pensam que percebe só de segmentos de recta? Nem pensar. Isto é com ele, bom como é. Outro dia até me confessou que iria escrever um romance de amor!
Fiquei estarrecido, porque ele também tem bom coração. Só que ninguém vê?
Ele explicaria tudo à jovem. E com desenvoltura! Tenho a plena certeza. É pena não aproveitarem este talentoso rapaz !
Como já dissera ou se não o disse, digo agora, a tentação da sopa poderia esperar por agora. É certo que me acalmaria, mas resolvi esperar, para acompanhar a minha amada na evolução dos acontecimentos, naquele estranho Hospital.
E, já sentia um vazio manifesto no meu estômago. Mas, prometi-lhe e era para cumprir. Não que ela não compreendesse ou se importasse. Mas, resolvi esperar, só um pouco mais! Também não tinha nada que fazer!
Olhei, tudo de novo. Estava imensa gente. Sentados nas suas cadeiras sussurrando uns com os outros de forma bem audível os seus pensamentos. Apurei que a sala estava cheia.
Nunca compreendi a razão porque aquele Hospital estava sempre cheio, esquisito como era.
Ouviam atentamente os altifalantes mal colocados, que os chamariam não sei para quê.
Lá estava eu, ao pé da minha amada, também ouvindo o momento de escutar o seu nome.
Explicou-me, pausadamente, que não havia necessidade de ir com ela lá dentro. Ela exploraria, sozinha, aquele local. Só teria de guardar a sua gabardina.
Compreendi que tinha imenso gosto naquela gabardina! Tinha uma espécie de amor pela gabardina, incompreensível, porque eu estava ali e tinha - a conhecido primeiro.
Lá teria as suas razões!
Eu assenti e disse-lhe, que a defenderia até à morte, aquela gabardina e a sua espécie de amor por ela!
Que tivesse um envelope, se calhar com a planificação das aulas para os alunos na sua escola, era compreensível, mas deixar-me entregue a uma gabardina, não entendi lá muito bem.
Se calhar, era a expressão da sua total confiança depositada em mim.
Estava a matutar um pouco sobre aquilo, quando ouvi o seu nome no altifalante, mal posicionado. Deu-me um beijo, que retribui. Levantou-se e dirigiu-se à porta malfadada, donde eu a vira sair da outra vez, arpoada.
Resolvi ir fumar um cigarro, mas agarrado à gabardina. Eu deveria defender a gabardina até à morte! Para lá disso era agradável ao olhar e até poderia vesti-la na sua ausência. Não! Penso que não, era dela! Só dela!
Quando regressei, via-se sair com um sorriso plantado na boca, emanando satisfação. Tudo havia decorrido muito bem e estava boa de saúde. Nada nela fora detectado de anormal. Estava de perfeita saúde! Entreguei-lhe a gabardina e beijei-a várias vezes, com ternura e carinho. Sorri para toda a gente que ali estava, solidario com todos eles e esperançado na cura rápida de todos eles.
Sorri virtualmente e, como se estivessem perto de mim, para todos os que me incentivaram a descrever um pouco a minha angústia vivida quase há um ano, com a minha esposa.
Agradeci a todos os que me apoiaram.
Agradeci aEle.
Agradeci ao amor que nutro pela minha esposa e ela por mim. Enfim, a todas as pessoas do Mundo que conseguiram ultrapassar as suas doenças, com força de vontade e querer. Acima de tudo, agradeço a todos os profissionais de saúde, pela dedicação e amor que nutrem pelos seus doentes e tudo fazem para combater os seus males.
No fim de tudo, resta dizer que fui comer a sopa, que mais uma vez me acalmou.
A minha amada acompanhou-me e, ambos sorrimos, pelo amor mútuo que sentimos umpelo outro.
Indissolúvel e inequívoco!
Pena, 2006

25 outubro, 2006

24 outubro, 2006

Shaolin (parte IV)

Onde é que eu ia?...

Sim, …. Os chineses importaram o modelo do JC, mas respeitaram as suas características originais! Nada de implantação do mau gosto: Cristo de olhos em bico, com barbinha de chinês ou rebaldarias do género!!! NÂO!

Não vos vou maçar com estas cenas de arte sacra, limitar-me-ei a descrever apenas uma versão, para mim indiscutivelmente melhor que as outras.
Uma versão dinâmica, com influências cubistas, onde está patente a inspiração e o trabalho criativo do artista, e que ficaria bem, em qualquer hall de entrada ou sala de estar; sala de refeições desaconselho, pois há pra aí muito marmanjo que não vai à bola com cabidelas.

Não é o cubismo, que, algo que está de frente parece estar de lado e de lado, desaparece? dando o efeito dinâmico, inventando novas relações tempo/espaço, fazendo inveja a qualquer Einstein?

Pois então! O tal Cristo tem um ar sofredor, confesso, tipo paixão de Cristo, Mel Gibson, muito sangue e enquadrado na tal coroa de espinhos, com que os judeus e os romanos gramavam de decorar a cabeça de um cristão (as folhas de louro viriam a seguir, ou já estavam fora de moda, não sei bem…), mas o sofrimento faz parte!

A história não foi sempre um mar de rosas como alguns querem fazer crer!

Esta obra de arte tem a particularidade de expressar o tempo e a tendência cubista; muda de expressão consoante nos deslocamos à sua frente, pisca os olhos, verte lágrimas e suplica aos céus.

Isto é obra!

Nem o Miguel Ângelo que andou lá às voltas cubistas com a Madonna dele, conseguiu tal proeza! Muito se esforçou, mas limitou-se a pintar um olhar renascido! já não foi mau!

Uma nota de preocupação! Verifiquei que as plantas da felicidade, entraram na fase do plástico, … também estas se reproduzem por sementinhas? … e deram um black out nas sementinhas, naquela de terminators e outros gurts que tais? Fico preocupada!

Uma falha! Por mais que procurasse, não arranjei um bonsai adulta, só vendem bonsais com 20/30 centímetros, tudo pequenino! Há montes de anos que ando à procura! A China exporta só árvores pequenas… deve ser condicionante do transporte.

Finalizei as compras, e gostei, porque gostei! Amei! ADOREI!
E tem mais! Agora pelo Natal, podem contar, Hiper China!!!! Pensam que vou na conversa, que aquele negócio, assim e assado, cozido e frito? Benefícios fiscais? Isenções? Descriminação? É o pogresso, meus amigos (nãooooooo, não falta o èrre! Pode faltar o bolo rei mas o èrre não!)! Trabalham até ao fim de semana e precisamos de os ajudar!!!! Tadinhos dos Chineses!

Nota final:
Cheguei a casa, descarreguei as compras, sob o olhar atento do kandengue que me esperava à porta, e coloquei 4 gerbérias (ai naturais!!!... quantas horas são da China até cá?) numa jarra e o espanta espíritos à entrada.

O espanta espírito revelou-se logo algo incómodo, pois desperta o que há de mais tenebroso na minha cadela, pondo-a a ganir todo o tempo.
Cadela hipersensível à fuga dos espíritos.
Não se deve mexer com o sobrenatural, se os espíritos andam por aqui, deixá-los andar ou levitar, como lhes der mais jeito.

O kandengue barricou-se no WC, em sinal de protesto à minha incursão domingueira. Está lá, há mais de 6 horas. É o que dá, deixá-lo ver os telejornais! Não há quem o convença que as flores artificiais são melhores que as naturais!
Deixei-lhe o jantar à porta num tabuleiro daqueles que tem a Nossa Senhora de Fátima e os 3 pastorinhos, que ele ainda não tinha visto. Pode ser que a curiosidade o desbarrique!
Ana d'Or

23 outubro, 2006

Shaolin (parte III)

Por lá tem muito que ver.
Tudo objectos de grande utilidade… tem de tudo, todo o tipo de isqueiros, canetas de escrever e canetas que não são de escrever, bijouterias, marroquinaria, suportes para telemóveis, vestuário, sapatos, panelas, tapawares, ou tabledances como dizia o outro, objectos com design, outros nem por isso.
Tive que me conter, pois rapidamente enchi o cestinho das compras.
O Shaolin é a versão reduzida do El Cortes Inglês. No centro das cidades é dificil arranjar lojas grandes, mas ele não dorme! Aguardem-no
Não apreciei a zona dos detergentes e afins… demasiado vulgares, e perigosos… imaginem que enquanto faço as compras, em vez de beber uma cola, me engano na prateleira e bebo um tira nódoas para vincos difíceis! e depois? como é? Quando é que no hospital atinam com o antídoto em chinês? Naaaa, não está bem!
Palavra, gramei à brava dos postiços, dos leques e duma tourada tipo polipocket, versão garridamente castelhana (desconhecia as touradas na China, é a tal de globalização).
Comprei um postiço rosa que vai bem com os dias de hoje!
Achei estranho, venderem quadros com o Sagrado Coração de Jesus, pois estava convencida que na China, o que estava a dar, era o Buda e deusas da felicidade. Mas não, acho que lhe perderam a forma ou o jeito, não sei bem, e tiveram que recorrer ao Jota Cê da Nazaré, aquele mesmo da coroa de espinhos, para reactivar a produção em série, e evitar milhares de desempregados.
Assim, temos várias versões de Jota Cês, para todos os gostos, nos mais diversos objectos, coloridas e tudo!
Atenção,… importaram o modelo, mas respeitaram as suas características originais!
Copy paste sem espinhas!
Anda praí um movimento contra o copy past completamente despropositado… qual é o mal de aparecer no meio de um trabalho de investigação apurada, num português de Camões, palavras como planejamento, parabenizar, ozônio…etc e tal?
O Camões foi para oriente, mas também poderia ir para ocidente… foi para onde o levaram, ok? Ele, que eu saiba, não conduzia naus!
Em vez de uma Dinamene, amaria uma Itajubá, e o amor dele continuaria a arder sem se ver, pois o problema do Luís era mesmo do foro oftalmológico. Podem crer!
"Ah! minha Dinamene! Assim deixaste
Quem não deixara nunca de querer-te!"
"Ah! minha Itajubá! Assim deixaste
Quem não deixara nunca de querer-te!"
Não ficava mal, rimava na mesma!

Que mal tem, copiar capítulos e capítulos de história? Se a história está feita, é para ser copiada, meus amigos!
Que mania!
Daqui a nada, dizem que estou a copiar o Saramago!
Não querem lá ver, logo esse, que tem uma escrita obscura e apertada lá pelo lazarote, ou lá o que é… se ainda fosse uma escritora profunda e criativa como a Margarida Rebelo Pinto… que só de ver os títulos, dá vontade de comprar os livros: “eu sei lá”, “não há coincidências” (concordo! Não há mesmo!), “Artista de Circo”… que até escreve em inglês “I’m in love with a Pop Star”!
Agora, “Jangada de pedra” (afunda de certeza, isto é desconhecer as leis da física), “Ensaio sobre a cegueira” (tá pior que o Camões!) “As intermitências da morte”, “A caverna” (dá claustrofobia a qualquer um!)
Perdi-me de novo.
(continua)
Ana d'Or

22 outubro, 2006

Shaolin (parte II)

Bom, o que falha aqui é a ligação entre os restaurantes e o Shaolin.
Os restaurantes até tem guarda-vento, o que conserva bem os aromas orientais no seu interior… Bem sei que às vezes o proprietário é o mesmo, ou então parece, todos de olhinhos puxados e a falal sem os èles.
A nossa tendência é revirar os olhos e o pescoço, ortogonalmente para cima; e fixando pormenorizadamente os dragões, verifica-se um movimento circular, quase hipnótico, que por vezes resulta num pequeno torcicolo.
Eu que o diga!
Como muitos dizem, é tudo uma questão de marketing…. Lá dentro também se vende o liquido milagroso, vermelho, que dá para tudo, incluindo torcicolos, equivalente à nossa banha da cobra em versão yellow.
Voltando à entrada, não posso esquecer de referir, que para aqueles que são mesmo muito, muito distraídos, e já pacientes de torcicolo, o Shaolin pensou em tudo, e colocou de ambos lados da entrada, vasos com dois arbustos em material sintético verde.
Arbustos económicos, não gastam água, não gastam tesoura da poda, e esteticamente elegantes, de grande efeito decorativo.
Só não percebo porque nunca me apoiaram na sua compra, aqui para casa! Eu só solicitei ajuda no transporte, dado que uma coisa que falha na loja Shaolin, é a ausência de estacionamento, mais nada, até pagava eu!!!. Também não percebo porque de repente a aguerrida campanha da poupança de água, que se fazia aqui em casa, amorneceu!!! Coisas que ultrapassam o raciocínio duma simples mortal, temente a Deus!!!
Entrei!
Mal puxei a porta, para mim – sim que a loja do Shaolin, já tem uma porta que obedece às normas de segurança: abre para o exterior e mede 90 cm! Interfere um pouco com a circulação do passeio, mas isso são picuinhices dos arquitectos, e os vasos referidos tem a dupla função de avisar os queridos peões, que se não estão interessados na loja do Shaolin, deverão mudar de passeio. Tudo resolvido!
A propósito de dupla função, o engenhocas do Shaolin, colocou outro objecto exótico sobre a porta, que chocalha com o movimento, e que se trata de um espanta-espíritos e simultaneamente espanta-gamadores discretos.
Aí está!
Objecto simpático que adquiri prontamente.
Passeei-me demoradamente pela loja.
(continua)
Ana d'Or