Mostrar mensagens com a etiqueta reflexão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta reflexão. Mostrar todas as mensagens

02 outubro, 2010

23 setembro, 2010

As inteligências


O psicólogo Howard Gardner da Universidade de Harward, nos Estados Unidos, propõe “uma visão pluralista da mente” ampliando o conceito de inteligência única para o de um feixe de capacidades. Para ele, a inteligência é a capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos valorizados num ambiente cultural ou comunitário. Assim, ele propõe uma nova visão da inteligência, dividindo-a em 7 competências diferentes que se interpenetram, pois sempre que resolvemos um problema utilizamos mais do que uma capacidade..

Embora existam predominâncias, as inteligências se integram:

Inteligência Verbal ou Lingüística: habilidade para lidar criativamente com as palavras na linguagem escrita e falada, implicando compreensão e capacidade de expressão..
Inteligência Lógico-Matemática: capacidade para solucionar problemas envolvendo números e demais elementos matemáticos; habilidades para o raciocínio dedutivo.
Inteligência Cinestésica Corporal: capacidade de usar o próprio corpo de maneiras diferentes e hábeis.
Inteligência Espacial: noção de espaço e direcção, capacidade para visualizar e interpretar imagens mesmo que estas não sejam concretas/visíveis.
Inteligência Musical: capacidade de organizar sons de maneira criativa.
Inteligência Interpessoal: habilidade de compreender os outros; a maneira de como aceitar e conviver com o outro. Capacidade em saber como tirar de cada um o que precisa - característica dos líderes.
Inteligência Intrapessoal: capacidade de relacionamento consigo mesmo, autoconhecimento. Habilidade de administrar os seus sentimentos e emoções a favor dos seus projectos. É a inteligência da auto-estima.

Segundo Gardner, todos nascem com o potencial das várias inteligências. A partir das relações com o ambiente, aspectos culturais, algumas são mais desenvolvidas ao passo que deixamos deperfeiçoar outras.
Nos anos 90, Daniel Goleman, também psicólogo da Universidade de Harward, afirma que ninguém tem menos que 9 inteligências. Além das 7 citadas por Gardner, Goleman acrescenta mais duas:

Inteligência Pictográfica: habilidade que a pessoa tem de transmitir uma mensagem pelo desenho que faz.
Inteligência Naturalista: capacidade de uma pessoa em sentir-se um componente natural.

18 junho, 2010

Um livro INTERROMPIDO


Morreu José Saramago.

Este ponto final, parágrafo de fim de vida, recordou-me outro ponto finalíssimo de há 18 anos atrás.

.......

Um dia descobri que o meu pai também lia Saramago.

Depois das refeições, esticava-se no sofá, descia os óculos, pousados transitoriamente na bonita calvice, e encaixava-os sobre o nariz para iniciar os momentos da leitura.

Por vezes adormecia serenamente, por breves instantes, ampliando e enriquecendo a leitura noutras dimensões, e despertava, ainda na mesma página seleccionada, retomando a leitura sem qualquer sobressalto..

Quando tinha disponibilidade para o ouvir, contava-me sobre o que lia, especialmente se eu ainda não tinha lido a obra em causa.

Aconteceu com o "Evangelho segundo Jesus Cristo". Criaram-se diversos momentos de análise e de partilha da obra, que tanta polémica causou nessa época, servindo de ponto de partida para outros contextos, para vivências diversas.

Numa manhã de 2ª feira, o meu pai surpreendeu-se, com a estática definitiva do seu coração.

Surpresa partilhada por todos: Impossível de prever.

O livro ficou a meio.

Fiz questão em herdar aquele livro e traze-lo para casa.

Não sei em que página foi interrompida a sua leitura, porque nunca abri o livro, mas sei que ficou marcado com uma folha de papel, que continua lá.

Não, nunca abri o livro.

O livro vive junto de muitos outros, numa das minhas estantes.

Olho para ele muitas vezes, e olho por ele... limpo-lhe o pó, alinho-o, ou organizo a sua localização, mediante os livros vizinhos. Passo os olhos pela lombada e proporciono-me a viagens relâmpago ao passado.

Nunca quis ler o livro.
Nem esse, nem outro exemplar da mesma obra, porque para mim só faz sentido, aquele livro, assim mesmo: interrompido e fechado.

31 janeiro, 2010

Vê lá se arranjas um 31!




ESPÍRITO DO REVIRALHO


ESPÍRITO DO PORTO


ESPÍRITO DA LIBERDADE


VIVA A REPÚBLICA!




- Vê lá não arranjes um 31!

10 janeiro, 2010

Chegou o nevão e o frio polar amplamente prometido

Às 15h já parecia neve!





O meu nevómetro: às 15h tem 10 cm de neve (neva há 3h e 30m).



No atelier às 12h a neve apenas polvilhava a varanda e arredores.

09 janeiro, 2010

Não me conformo



Há coisas que aceleram a minha gastrite com uma rapidez galopante.
Revolto-me.
Não me conformo.
Sempre que chegam os dias frios, a comunicação social dá visibilidade aos sem abrigo e ao metro das grandes cidades,que faz o favor de não encerrar as suas portas, para acolher os sem abrigo nas noites mais geladas.
Isto para mim revolve-me as tripas!
Cruzo-me com eles nas ruas, nos caixotes do lixo, nos sítios que sobram quando a noite avança.
Conheço alguns, sei que são todos diferentes.
Sei que se esconde por trás da aparência maltrapilha e por vezes nojenta grandes dramas pessoais ligados a esta vida madrasta, que não soube aproveitar o que há de melhor em cada um deles. Alguns vivem situações familiares graves, acompanhados com contabilidades muitos negativas dos afectos. Alguns vivem os sintomas agudos das doenças mentais, consequências de surtos de loucura permanente. Alguns vivem a pobreza, a ausência de bens.... Muitos vivem ainda uma espécie de dignidade que lhes resta antes do colapso final determinado pela paragem da vida.
Os sem abrigo estão no fim da linha da estrutura social e da degradação humana.


Queiramos ou não, são o produto "menor" da sociedade em que vivemos e somos todos responsáveis por eles. Vão surgindo alguns apoios e acções de solidariedade para os ajudar, quando a situação dramática que vivem diariamente ainda se torna mais dramática.
A minha gastrite aumenta quando penso como é relativamente fácil arranjar algumas soluções que iriam tirar a maior parte destas pessoas da rua. Constroem-se estádios superhipermegamercados, shopings, centro culturais ..... e não vejo plataformas de abrigo temporário para os sem abrigo, onde se assegure condições mínimas higiene, o depósito dos seus parcos bem, onde tenham um colchão para dormir.... e onde se centre o trabalho de equipas especializadas e adaptadas para apoiar estas pessoas omitidas, esquecidas, de corpo maltratado e de alma a sangrar, que bateram no fundo do poço e lá permanecem irremediavelmente.
Há sites na internet.
O portal do cidadão fornece algumas informações para os sem abrigo, como se fosse possível que eles tivessem acesso ou se interessassem em navegar na net.
Há equipas de rua, há voluntários, há até algumas organizações que tem feito um trabalho meritório....mas não chega!
Sei que cada é um caso, e um caso difícil e complexo, mas não me conformo com esta miséria sem solução à vista.

Segundo a AMI, há 4 grandes grupos
a) Sem Abrigo
. Pessoas que vivem na rua
. Pessoas que vivem em alojamentos de emergência

b) Sem Alojamento
. Lares de alojamento provisórios – fase de inserção
. Lares de mulheres
. Alojamento para Imigrantes
. Pessoas que saíram de hospitais ou estabelecimentos prisionais
. Alojamento assistidos / acompanhado

c) Habitação Precária
. Habitação temporária / precária – casa de amigos, familiares, sem arrendamento, ocupação ilegal
. Pessoas à beira do despejo
. Vítimas de violência doméstica

d) Habitação Inadequada
. Pessoas que vivem em estruturas provisórias, inadequadas às normas sociais – exemplo: caravana
. Pessoas em alojamento indigno – exemplo: barraca
. Sobrepopulação

Esta população apresenta estas características:
- 89% está desempregada
- 28% tem formação profissional
- 92% tem familiares vivos, mas apenas 37% se relaciona com eles
- 39% não tem médico de família
- 7% tem HIV
- 28% consome substância activas
- 43% tem filhos
.....
No 2010 ano europeu de combate à pobreza e à exclusão social, Portugal gastará mais de 700 mil euros e as autoridades prometem mobilizar a sociedade civil para o seu combate.


Dá para rir ou seja, dá para chorar!
O estádio do Águeda parece que custa qualquer coisa como 80.000 € de manutenção anual.
O estádio do Leiria parece que custou uma soma de 90 milhões de euros e a sua manutenção custa cerca d e 5.000 euros dias (será que li bem?)
Façam lá as contas... por isso a minha gastrite tem uma forte tendência a virar uma ulcera crónica.
.

30 novembro, 2009

!!!!!!!!!!!!!





Vi uma e lembrei-me de outra!

31 julho, 2009

11 julho, 2009

07 julho, 2009

28 junho, 2009

Homens tigre


Passa-se no Rio de Janeiro no início do século XIX
(...)
"A urina e as fezes dos moradores, recolhidas durante a noite, eram transportadas de manhã para serem despejadas no mar por escravos que carregavam grandes tonéis de esgoto às costas. Duranteo percurso, parte do conteúdo desses tonéis repleto de amónia e ureia, caía sobre a pele e, com o passar do tempo, deixava listas brancas sobre as costas negras. Por isso, estes escravos eram conhecidos como "tigres"."
in "1808" de Laurentino Gomes
Fiquei estarrecida!

12 junho, 2009

11 junho, 2009

VII - A ética do género humano (7)


VII - A ética do género humano


"El camino se hace al andar" (Antonio Machado)
A educação deve conduzir à "antropo-ética", levando em conta o carácter ternário da condição humana, que é ser ao mesmo tempo indivíduo/sociedade/espécie. Nesse sentido, a ética indivíduo/espécie necessita do controle mútuo da sociedade pelo indivíduo e do indivíduo pela sociedade, ou seja, a democracia; a ética indivíduo/espécie convoca, ao século XXI, a cidadania terrestre.
A ética não poderia ser ensinada por meio de lições de moral. Deve formar-se nas mentes com base na consciência de que o humano é, ao mesmo tempo, indivíduo, parte da sociedade, parte da espécie.

Carregamos em nós esta tripla realidade.

Desse modo, todo desenvolvimento verdadeiramente humano deve compreender o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e da consciência de pertencer à espécie humana.
Partindo disso, esboçam-se duas grandes finalidades ético-políticas do novo milénio: estabelecer uma relação de controle mútuo entre a sociedade e os indivíduos pela democracia e conceber a Humanidade como comunidade planetária.

A educação deve contribuir não somente para a tomada de consciência de nossa "Terra-Pátria", mas também permitir que esta consciência se traduza em vontade de realizar a cidadania terrena.
Não possuímos as chaves que abririam as portas de um futuro melhor. Não conhecemos o caminho traçado. Podemos, porém, explicitar as nossas finalidades: a busca da hominização na humanização, pelo acesso à cidadania terrena.
FIM

08 junho, 2009

VI - Ensinar a compreensão (6b)


Educação para os obstáculos à compreensão


Há múltiplos obstáculos exteriores à compreensão intelectual:
- o "ruído" que interfere na transmissão da informação, criando o mal-entendido e ou não-entendido;

- a polissemia de uma noção que, enunciada num sentido, é entendida de outra forma;

- há a ignorância dos ritos e costumes do outro, especialmente os ritos de cortesia, o que pode levar a ofender-se inconscientemente ou desqualificar a si mesmo perante o outro (diversidade cultural);

- existe a incompreensão dos valores imperativos propagados no seio de outra cultura - respeito aos idosos, crenças religiosas, obediência incondicional das crianças, ou, ao contrário, na nossa sociedade, o culto ao indivíduo e o respeito pelas liberdades;

- há a incompreensão dos imperativos éticos próprios de uma cultura, o imperativo da vingança nas sociedades tribais, o imperativo da lei nas sociedades evoluídas;

- existe a impossibilidade, enquanto visão de mundo, de compreender as idéias e os argumentos de outra visão de mundo, assim como uma ideologia/filosofia compreender outra ideologia/filosofia;

- existe, enfim, a impossibilidade de compreensão de uma estrutura mental em relação a outra.

A ética da compreensão

É a arte de viver que nos demanda, em primeiro lugar, compreender de modo desinteressado. Demanda grande esforço, pois não pode esperar nenhuma reciprocidade: aquele que é ameaçado de morte por um fanático compreende porque o fanático quer mata-lo, sabendo que este jamais o compreenderá. A ética da compreensão pede que compreenda a incompreensão.


(cont.)

07 junho, 2009

VI - Ensinar a compreensão (6a)

VI - Ensinar a compreensão


A compreensão é a um só tempo, meio e fim da comunicação humana. Entretanto, a educação para a compreensão está ausente no ensino. O planeta necessita, em todos os sentidos, de compreensão mútua. Considerando a importância da educação para a compreensão, em todos os níveis educativos e em todas as idades, o desenvolvimento da compreensão pede a reforma das mentalidades. Esta deve ser a obra para a educação do futuro.
A compreensão mútua entre os seres humanos, quer próximos, quer estranhos, é daqui para a frente vital para que as relações humanas saiam de seu estado bárbaro de incompreensão. Daí decorre a necessidade de estudar a incompreensão a partir de suas raízes, suas modalidades e seus efeitos. Este estudo é tanto mais necessário porque focaria não os sintomas, mas as causas do racismo, da xenofobia, do desprezo. Constituiria, ao mesmo tempo, uma das bases mais seguras da educação para a paz, à qual estamos ligados por essência e vocação.


As duas compreensões
Há duas formas de compreensão: a compreensão intelectual ou objectiva e a compreensão humana intersubjectiva.

Compreender significa intelectualmente apreender em conjunto, comprehendere, abraçar junto (o texto e o seu contexto, as partes e o todo, o múltiplo e o uno). A compreensão intelectual passa pela inteligibilidade e pela explicação. Explicar é considerar o que é preciso conhecer como objecto e aplicar-lhe todos os meios objectivos de conhecimento. A explicação é, bem entendido, necessária para a compreensão intelectual ou objectiva.
Mas a compreensão humana vai além da explicação. A explicação é bastante para a compreensão intelectual ou objectiva das coisas anónimas ou materiais. A compreensão humana comporta um conhecimento de sujeito a sujeito. Por conseguinte, se vemos uma criança a chorar, nós a compreendemos, não pelo grau de salinidade das suas lágrimas, mas por buscar em nós mesmos as nossas aflições infantis, identificando-a connosco e identificando com ela. Compreender inclui, necessariamente, um processo de empatia, de identificação e de projecção. Sempre intersubjectiva, a compreensão pede abertura, simpatia e generosidade.


(cont.)