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14 fevereiro, 2008

Amor paixão

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. (será? interessante, dar-lhe-ia outro arranjo)
O coração guarda o que se nos escapa das mãos.
A vida é uma coisa, o amor é outra.

Extratos de texto de MEC


A paixão é um sentimento oriundo da afinidade intelectual, da afinidade de interesses, da admiração sobre a personalidade alheia, do nível comparativo de utilidade da própria personalidade e sua conseqüente reafirmação. (leituradiaria.com)

11 fevereiro, 2008

Professorzecos!

O incrível sucedeu.

Este mês a ministra da educação foi à assembleia da república e alguns deputados do PS questionaram-na sobre algumas das suas políticas da educação.
Confrontada com essas dúvidas o que faz a ministra... Responde ?

Não...

Acusa antes os deputados de ao colocarem dúvidas estarem a dar voz aos "professorezecos"...
Assim mesmo, os "professorzecos".

Vale a pena ? Vale ?
Esta notícia foi publicada no Público, mas, por alguma razão, passou praticamente despercebida, divulguem-na para que se perceba o calibre desta ministra.

http://educar.files.wordpress.com/2008/01/ps.jpg




A relação entre profs e ministério da educação bateu no fundo!

Não há mais nada a dizer!



07 fevereiro, 2008

GIOCONDA



Hoje, a agência lusa divulga que a Gioconda revela curvatura de 12mm.
Os cientistas franceses especialistas em mecânicas de sólidos andam às voltas com os exames radiológicos e ecográficos, e descobriram também uma grande ruga por baixo do olho esquerdo.
Grande admiração!
A mulher está cota que chega, não é fácil apresentar-se com bom aspecto e saudável no século XXI.

Ora deixem-me fazer as contas!... século XVI, a madame está com a provecta idade de 400 anos, mais coisa menos coisa.
Só não entendo um pormenor, para que servem os especialistas em mecânicas de sólidos. Isto não é uma questão de discopatia degenerativa resultantes do estilo de vida sedentário que a prima dona leva?
Todo o santo dia, ali plantada, na sala do Louvre, a receber visitas de toda a espécie, desde meninos bem comportados, até aos insuportávelmente mal criados, gajos chatos que se põe à frente dela e não despegam, outros que a ignoram…sei lá!
Motivos não lhe devem faltar para justificar a tal curvatura. Como se pode imaginar era deverá estar sentada numa má postura, depois o corpo acomoda-se, e surge a fadiga muscular de ter de apresentar permanentemente aquele sorriso patético, ou até a origem do problema estará em causas psicossomáticas associadas ao stress dos turistas japoneses, a fotografá-la a toda a hora. Tudo isso pode justificar perfeitamente a tal curvatura. Falta saber que orientação tem a tal curvatura. Mas com 400 anos nem o jiatsu lhe vale, nem milhares de agulhinhas espetadas ao longo dos meridianos!
Para mim aquilo deve ser uma coluna repleta de hérnias, e só tem uma solução, desmontar as peças da coluna, uma a uma, numerá-las, dar-lhes uma limpeza com jacto de areia e voltar a montar na mesma ordem. Chamem mazé os arqueólogos e os arquitectos, pois eles é que percebem disto!

Quanto à ruga… é a força da idade a funcionar. As tais drenagens linfáticas, que ainda não percebi o que são, mas tão divulgadas pelas doutoras esteticistas, não resolverão o problema?... e os peelings? E os botox e os cristais de algas e uvas, as glucosaminas???? Heimmm, não dá?
Pelo que me apercebo ela tem não só as tais rugas dinâmicas mas também as estáticas. As rugas provocadas pelo movimento facial (quando ela segue os visitantes com o olhar, dizem…) e as rugas estáticas, aquelas que são presentes mesmo sem movimento facial. E deitem estático nisso, 4 séculos de estática forçada! Apliquem-lhe a Toxina Botulínica, vulgarmente conhecida por botox, e vão ver a ela a remoçar!
Ou então se a prima dona esta sensível à dor e já não aguenta cortes e injecções recorram ao botox eléctrico GFX (rádiofrequencia para as linhas glabeláres).
Eu bem dou as ideias!

...não façam nada não, e verão que até no colo ela vai ter rugas. A força da gravidade é terrível, tudo vai para baixo. Vejam bem, o sorriso da Mona Lisa no século XVI não era nada assim! Não sabiam? Pois é, ela tinha um daqueles sorrisos de orelha a orelha, um sorriso escancarado que deixa todo o corta-palha e respectivas gengivas à mostra. Claro!!! A força da gravidade não perdoa, põe-se a actuar com os 9,78m/s2 e pronto, e por isso temos agora lhe ver o tal sorriso irritante. Mas não há mal que sempre dure, sosseguem!
Imaginem que foram feitos estudos, e a força da gravidade ainda vai converter a mona Lisa numa mulher séria ou seja sisuda, cara fechada. Eu já cá não estarei para ver, mas pelo menos tenho o conforto que aquele sorriso irá pró maneta.

05 fevereiro, 2008

Profs/ensino/números


















"Os PROFESSORES em Portugal não são assim tão maus..."Consulte a última versão (2006) do Education at a Glance, publicadopela OCDE.Aqui:http://www.oecd.org/dataoecd/44/35/37376068.pdf

Se for à página 58, verá desmontada a convicção generalizada de que os professores portugueses passam pouco tempo na escola e que no estrangeiro não é assim.É apresentado no estudo o tempo de permanência na escola, onde osprofessores portugueses estão em 14º lugar (em 28 países), com temposde permanência superiores aos japoneses, húngaros, coreanos, espanhóis,gregos, italianos, finlandeses, austríacos, franceses, dinamarqueses, luxemburgueses,checos, islandeses e noruegueses!
No mesmo documento de 2006 poderá verificar, na página 56, que osprofessores portugueses estão em 21º lugar (em 31 países) quanto a salários!



Na página 32 poderá verificar que, quanto a investimento na educação
em relação ao PIB, estamos num modesto 19º lugar (em 31 países) e que estamos em 23º lugar (em 31 países) quanto ao investimento por aluno.

E isto, o M.E. não manda publicar...Não há problema. Já estamos habituados a fazer todos os serviços, por issotambém não nos custa promover a divulgação do relatório dando-o a conhecerao maior número de pessoas possível, para que se faça eco da verdade.

04 fevereiro, 2008

AFRO

Recebi-a curiosa, e ansiosa porque aquele sitio é o único onde leio sem óculos. Apesar da minha hipermetropia avançada, conjugada com muita letrinha consumida, ali leio sem óculos, pois as revistas que existem nos cabeleireiros são tão xinfrim que dispenso os óculos. Para ver as fofocas medíocres, basta-me as imagens. Como fico com as orelhas meio coloridas também, não tenho onde apoiar os vidrinhos, e reforço a atitude, vejo mesmo só os bonecos e distancio a revista quando dá.
Mas uma revista AFRO!!!!!
Merecia um bom par de vidrinhos (julgava eu).
Revista Afro, acabadinha de estrear: Fevereiro 2008 nº 1, editora Impala.
Fiquei balançada com o título e desapontada com cada página que folheava.Afinal não passa de mais uma revista cor-de-rosa, mas com tendência exclusivamente marron.
Tudo muito cor de chocolate, as negras com sucesso e pouco mais… mas com sucesso nas telenovelas brasileiras, Thaises Araujos, mais as misses angolas, Micaelas super produzidas, modelos tipo Naomis, umas receitas de papaia com mais não sei o que, mesa vestida à angolana, decorações etno (um quadrito de parede com umas listas), a poligamia no homem africano, dossier especial noivas…
Parece que o objectivo é despertar o interesse de todos os interessados na cultura africana… hummm não estou a ver!!!
Depois apresenta-se como sendo a primeira revista portuguesa «para a mulher de origem africana».Mas isto agora é por raças??? Nas fotos não vi nem uma branquela…. Exclusivamente negros. Mas os africanos não se esgotam nos negros, assim como os europeus não se esgotam nos arianos branquelas. Que limitação, que falta de imaginação! Onde nós estamos? Depois queixem-se da xenofobia, dos preconceitos raciais, bla, bla, bla.
Podia ser uma boa revista! Se se evitasem os lugares comuns e o seguidismo fútil dos modelos da imprensa cor de rosa europeia, pois há um universo de coisas interessantes a divulgar. Afinal continua a mesmisse de sempre, estilo Maria, e de Afro só tem mesmo a predominância do castanho.
Fiquei francamente decepcionada.
Esta é uma opinião muito pessoal.

01 fevereiro, 2008

O meu sonho


Alguém me ajude a reencontrar o meu sonho.
Quem não sonha enquanto dorme?
Sonhos estranhos, bizarros, surrealistas, sonhos agradáveis, sonhos que nos alimentam a existência.
Quando temos sonhos maus, queremos acordar rapidamente, e acordamos ofegantes, cansados, aflitos, dizem-me que esses sonhos se chamam pesadelos.
Quando temos bons sonhos, deixamo-nos embalar nos braços do Morfeu e evitamos grandes sobressaltos para não acordar. Por vezes acordamos e fazemos um esforço para entrar de novo no mesmo sonho e quase sempre perdemos a porta da entrada, ou a competência para entrar.
Mas temos sonhos que se repetem. Repetem-se ao longo dos anos, dando-nos o mesmo conforto onírico, de outras tantas vezes, aperfeiçoando a nossa consciência dentro desse sonho, dando-nos a capacidade de reconhecer o tal sonho, no meio de tantos outros e estimulando-nos a permanecer neles. Sonhamos com o que já aconteceu e com aquilo que nunca aconteceu. Sonhamos até com aquilo que nunca imaginamos que poderia acontecer. Sonhamos que já sonhamos daquela maneira, sonhamos que não estamos a gostar tanto desse sonho. Sonhamos a cores, com ângulos de visão a 360º, sonhamos em perspectiva dirigindo os sonhos e as suas personagens até diversos pontos de fuga. Sonhamos para dentro de nós em dimensões inconcretizáveis entre o infinitamente grande e o infinitamente pequeno, e sem que isso nos dê preocupações de maior. Sonhamos, e acordamos despreocupados com as possíveis interpretações, direccionados apenas pelo sonhar de novo.

Um dia perdi o meu sonho.

Só me apercebi, passadas semanas, tendo ultrapassado o tempo razoável de o reclamar numa qualquer secção de perdidos e achados.
Procurei através de outros sonhos sonhados e outros ainda em lista de espera, mas em vão.
Tentei substitui-lo por outro sonhos com as mesmas características, mas continuo carente desse sonho. Utilizei truques antes de adormecer, literários, poéticos e mais ou menos. Mas nada! o sonho parece que foi de férias para a Atlântida.
Faz-me falta esse sonho.
Abandonou-me por um motivo qualquer que posso conhecer ou não, mas deixou de habitar as minhas noites, deixando-me triste, incompleta, sentindo-me como se esse sonho tivesse morrido, mas procurando ou desejando esperançosamente que volte numa noite, me encontre a dormir suavemente e recorde a password de entrada.

24 janeiro, 2008

ménage criativa

Será que endoidei?
Lamento informar a quem interessar, que não endoidei, ainda não é desta!.
Ando arquitectanto e desta vez na área do PH.
Eu não disse que colocaria aqui no estirador aquilo em que ocupo a mente no dia a dia?


Voilá!


Aturem-me!

Nestes dias ocupo-me de farmácias!

Frasquinhos, pipetas, provetas, almofarizes, medicamentos, cosmética… sei lá, tenho que organizar isso tudo de forma funcional, esteticamente atraente, original, ergonómica, segura para os utentes, respondendo a todas as regras do jogo, que são mais que muitas, e no fim ainda tenho que gostar.
Este último parâmetro é aquele que se apresenta cada mais difícil de cumprir.
E é por isso que penso, investigo, proponho soluções, desarrumo as estantes, revisto de livros as mesas de trabalho, interneto a rasgar, sonho, rabisco, auto-critíco, rasgo papeis … o caixote do lixo, nesta fase não tem descanso, nem o digital nem o real.
Vivo uma ansiedade solitária e silenciosa, uma angustia não partilhada, onde os neurónios são postos à prova, a paciência estica, o desejo por chocolate triplica,… e por vezes sento-me na minha poltrona (long chaise para alguns) e fico a olhar o infinito, quase sem respirar, não transparecendo a amálgama de conceitos, ideias, modelos, referências, exigências, o real, o imaginário, os conflitos estéticos, as operações geométricas que habitam dentro de mim de forma anárquica e que precisam de uma urgente e rigorosa organização.
Pareço calma, tranquila, por vezes até me dou ao luxo de fechar os olhos e ouvir música, situada num mutismo imóvel de ménage criativa.


Quem me observa pensa para os seus botões: bela vida que esta leva!!!!



21 janeiro, 2008

Homenagem a 5 africanos + 1 papagaio

Texto transferido já de muitos lugares, e que publico também aqui para quem não adivinha em mim, o ritmo dos batuques, as cores e os cheiros da savana.



Luanda além de ser morfologicamente bonita, fotogenicamente bela, tem história, tem cheiro, tem contrastes, tem sentimento, tem sangue nas veias, é o ortocentro de África... e é essencial que contenha a minha infância e adolescência, para que se converta numa expressão matemática Verdadeira, traduzida nos eixos xis e ipsilone dos meus afectos, através de uma curva parabólica que supostamente deveria limitar um oceano, mas que afinal se circunscreve apenas no eixo z. Complicado?... afinal a terra é redonda!...
é o cordão umbilical a gritar mais alto!

...são as corridas de criança por entre os mangais,
...é a flor de acácia no cabelo,
...é a pesca à linha na Restinga,
...é o churrasco no Kuanza,
...são os meninos do Panguila,
...é o preto Jerónimo (1),
...são os mergulhos na Barracuda,
...é a turma da Vila Alice,
...é a esplanada do Mónaco,
...é o gelado na SAPU,
...é o lanche na Versailles,
...é a onda inesquecível do pessoal da rádio,
...é o merengue mornamente dançado,
...é a musica da Bonzão,
...é a desatada da sangria,
...são os westerns do Kipaka,
..são as estreias do Império,
...é a Fuentovejuna no Avenida,
...é o figo da índia da Eugénio de Castro,
...são as apaixonites da Combatentes,
...é o beijo no Miramar,
...são as meninas LGL nas suas minis,
...é o abandonar do soutien,
...é a idade das escolhas e da politização,
...é o poster do Che,
...são as novidades vindas de Paris,
...é a Alliance Française,
...são os carrinhos de rolamentos,
...é a rampa das Ingombotas,
...são as idas ao fardex da Casa Branca,
...é a matacanha no dedão,
...é a subida ao coqueiro,
...são os livros proibidos,
...é o Carnaval na marginal,
...são as esperas no aeroporto,
...é o aroma forte de fuel de avião,
...é o jogo do abafa,
...Oi JACARÉ, JACARÉ,
...é o néon da Tamar,
...é o rock dançado na Adão,
...são os autógrafos na Tara,
...é o imaginário do BO,
...é o observatório da Mulemba,
...é a colega Vandunem,
...é o aterrar constante dos helicópteros,
...é o hospital militar,
...são as loiras do Punta del Paso,
...são as calças com boca de sino,
...é o missionário italiano,
...são as queimadas de capim,
...são as visitas a Massangano,
...é a estrada de Catete,
...é o cheiro do Cacuaco,
...é a Dodge estacionada,
...é a gincana do 9 de Junho,
...é uma osga no tecto,
...é o camaleão na parede,
...é adrenlina em cima de um Buggy,
...são as BDs em 2ª mão,
...é a dança do Jacob (2),
...é o prego do Majestic,
...é a rebita na cubata do Gasolina,
...éhh bananéeee, bananéeee!!!!
...é a muamba do fundo de quintal,
...é a conversa com Segunda Jamba (3),
...é o misturar de areia e cimento numa obra qualquer,
...é o esticar do aço no Kikolo,
...é a moagem da farinha,
...é o desconfiar que nem tudo corre bem,
...é o despertar da justiça social,
...são os Vampiros proibitivamente escutados,
...é o sapato mata barata ao canto,
...é o arame farpado do Grafanil,
...é o desfilar da quitandeira,
...é o adorno de missanga,
...é o cigarro fumado para dentro,
...são os temperos de Beatriz(4),
...é a buganvília laranja,
...é a girafa embalsamada do museu,
...são os aceleras na rotunda da alameda,
...é a saída das traineiras,
...são os snipes na baía,
...são os calcinhas de Luanda,
...é a Sra. da Muxima,
...é a formiga salalé,
...é a terra vermelha na sapatilha,
...é a lixeira a céu aberto,
...são as cascas de banana no chão do porto,
...é o sinaleiro da Mutamba,
...é o suor da 1 hora da tarde,
...é o magro salário de Gingolita(5),
...é o prédio azul da Cuca,
...é o poeta visitado na cadeia,
...é o jogo da bola sobre a areia,
...é o cacimbo de Agosto,
...é o espreitar de uma varanda,
... o despertar da puberdade,
...é o "je t'aime moi, non plus",
...é o óleo de dendém,
...são as montanhas de laranjas,
...são as fotos de Catalacassala,
...é a água do Bengo,
...são as enxurradas nas Barrocas,
...é a conversa mole de Conceição(6),
...é trepar a um coqueiro,
...é a alforreca da Corimba,
...é a caldeirada ao domingo,
...é a sombra dum cajueiro,
...é chupar cana no mercado de S. Paulo,
...são as makas do bairro Prenda,
...é o sangue negro igualmente vermelho,
...é a goma do kiabo,
...é a casca da ginguba,
...é gindungo na vez do sal,
....é o amor de coração aberto,
....é o tempo que não volta nunca e por isso me atrevo a localizá-lo numa cidade bela.

Depois há aquele ditado: quem feio ama, bonito lhe parece!
Serão os sentidos que procedem às escolhas?


O registo saudosista pode entorpecer a mente......acabo o chá, que já esfriou!


...afinal, todas as cidades são bonitas pois inscrevo nelas o melhor de mim.

1) Jerónimo - preto de Luanda, limpador de escadas dos prédios dos brancos, sempre atencioso para as crianças.

2) Jacob - ilustre papagaio, verdadeiro multiplicador de sons, autor de diversas zaragatas animais no bairro Salazar.
(3) Segunda Jamba - preto bailundo de pés duros, esclarecido politicamente, consciente do seu desempenho proletário, e que primeiro (precocemente, talvez) me fez reflectir sobre as assimetrias sociais.
(4) Beatriz - preta quase cega, sem idade definida, óptima a cozinhar e dona de um lindo sorriso, mesmo que desnudado de dentes.

(5) Gingolita - operário de sol a sol, descendente de escravos embarcados para o Brasil, timidamente honesto, humildemente trabalhador fabril.(6) Conceição - o preto mais malandro de Luanda, gingão, homem de muitas mulheres e de múltiplas dívidas.
6) Conceição - o preto mais malandro de Luanda, gingão, homem de muitas mulheres e de múltiplas dívidas.

Anabela Quelhas

20 janeiro, 2008

Estranha contabilidade

As escolhas envolvem um processo de decisão que implica sempre perdas.
Impossível evitar isto.
Quando eu decido caminhar no campo, tenho a oportunidade de ver flores, ouvir os passarinhos, respirar ar puro, … isto forma o meu ganho.
Mas como decidi caminhar no campo, recusando a outra opção que seria caminhar numa cidade, eu perdi a cidade. Com esta decisão eu perdi o fervilhar urbano, o café na esplanada, o grito do pregão …. Isto são as perdas.
Se tivesse optado por passear na cidade, as perdas inverter-se-iam com os ganhos.
(A contradança de perdas e ganhos. Parece balancete de contabilista.)
O problemático é nem sempre ganharmos e não podermos evitar as perdas. Estas estão sempre garantidas.
Se eu tenho dois caminhos à minha frente e me decido por um, estou a rejeitar o outro, ou estou a decidir não seguir o outro. E, ao seguir esse caminho deixo de ter a possibilidade de avaliar no final, se a minha decisão foi correcta, pois passo a ignorar tudo que me aconteceria pelo outro caminho, e assim deixo de ter termo de comparação, para avaliar correctamente, o mais e o menos.
Se perdi alguma coisa, não sou feliz.
E se não perder? Será que sou feliz?
Para não perder basta-me não escolher?
Mas posso perder na mesma.
A recusa de decidir e a recusa em fazer opções, não afecta o que nos rodeia: o tempo não pára, nem o mundo. Tudo continua a acontecer e apenas nos limitamos a deixar o universo, e a força que provoca o movimento do tempo, a decidir por nós. Porque mesmo que eu não escolha um caminho, eu estou num caminho, diferente de todos os outros, dentro da máquina do tempo que não pára de girar . ... e ... ainda existe tudo o resto que está fora desse caminho.
Não decidir é mais cómodo, desresponsabiliza-nos. Entramos na onda determinista, o que tiver que acontecer acontecerá e daí lavamos as nossas mãos. Sentimo-nos confortáveis, úterinamente protegidos, pelo menos por algum tempo, pois não tivemos que fazer escolhas, nem rejeições, e isso de certa forma anima-nos... mas as pangeias cá continuam a habitar dentro de nós, martirizando-nos com as perdas efectuadas, sem a nossa escolha, numa contabildade infinitesimal que nos afecta muito mais: o
desespero de não podermos escolher, de não podermos decidir, de nos retirarem a capacidade de sermos donos de nós.


19 janeiro, 2008

profs

: Profs....a culpa é deles!

Texto notável de Ricardo Araújo Pereira

Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou o ensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode ser deles, aliás. Os alunos estão lá a contragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos os anos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm tempo suficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vão conseguindo escapar com vida.

É evidente que a culpa é deles.
E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é uma acusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam os professores.
Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas que escolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão ser colocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano de um aluno ou de qualquer um dos seus familiares.

O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se eles possuíssem algum tipo de sabedoria,
tê-Ia-iam usado em proveito próprio. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas com esta capacidade de discernimento? Parece-me claro que não.
A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento.

O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta por passar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro e a ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater. Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofro de quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivar este contacto entre crianças e adultos masoquistas.

Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão.

Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo de escola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agora o há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomando sempre novas qualidades, este mundo.

Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povo cigano.

Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bem das escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iam pedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é a minha proposta.

Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menos esperança.
Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de ser agredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressores vivem, claramente, não está preparada para o mundo.



Ricardo Araújo Pereira in Opinião, Boca do Inferno, Revista Visão

16 janeiro, 2008

Quando o céu vira tela









Estava num laboratório de de físico-químicas, neste sábado à tarde, algures por aí, entre experiências acústicas, vibrações, timbres e outras coisas que tais e assim num repente senti um feeling de sair - aquelas sensações que nem física, nem quimica sabem explicar através de fórmulas matemáticas ou tubos de ensaio. Não há Big Bangs, pontos Alfa e pontos Omega que nos impeçam de sair de fininho, mesmo correndo o risco de alguém nos julgar de modo menos conveniente.
Cheguei cá fora e olhei o céu...

16 dezembro, 2007

A PAPISA JOANA

Autora: Dona Woolfolk Cross



Sinopse: A autora reuniu, numa perfeita combinação, aspectos lendários com factos históricos do qual resultou um romance sobre Joana de Ingelheim. Filha de um missionário inglês e de uma mãe saxónica, Joana, nascida a 814, sente-se frustrada pelas limitações impostas à sua vida pelo simples facto de ter nascido com o sexo errado. O seu irmão Mateus começou a ensiná-la a ler e escrever quando Joana contava apenas seis anos. Com a sua morte, Joana recorre a toda a sua astúcia e capacidade de ludibriar de modo a continuar a dar largas à sua paixão pelo saber. Mais tarde, Joana foge de casa para seguir os passos do seu irmão João, a caminho da escola religiosa na Catedral de Dorstadt, onde ela se torna a única presença e estudante feminina tolerada. É quando surge Geraldo, e a vida de Joana muda ao aperceber-se de que o ama. No entanto, o seu amor é-lhe interditado pelas maquiavélicas manobras de Ritschild. Usando as roupas e identidade do irmão, depois deste ter sido chacinado durante um ataque normando, Joana foge e entra para o mosteiro de Fulda, onde ela se passa a denominar, depois de feitos os votos primordiais, João Anglicus. Trilhando o caminho de monge a padre num instante, enquanto apurava o seu conhecimento e técnicas de cura, Joana começa a traçar a sua rota direita a Roma, onde os seus dons lhe abrem caminho para se tornar confidente e físico curador dos dois papas. É nos meandros de várias intrigas políticas no meio eclesiástico que Joana, ela própria, ascende ao posto de pontífice máximo da Igreja Católica. A Papisa Joana resulta numa fabulosa e vívida recriação do período por nós conhecido como a "Idade das Trevas".

Opinião:

Afinal do século 9 ao século 21, só passaram 12 séculos!!!!
A descriminação da mulher na Idade das Trevas era só um pouco mais brutal. A sociedade também o era em todos os aspectos.
"Acreditava-se que o sangue mentrual azedava o vinho, arruinava as colheitas, tornava as lâminas rombas, enferrujava o metal e infectava a mordedura dos cães com um veneno mortal. Salvo raras excepções as mulheres eram tratadas como se fossem sempre menores, sem quaisquer direitos legais ou de propriedade. A lei previa que pudessem ser espancadas pelos maridos. A violação era considerada uma forma menor de roubo. A educação das mulheres era desencorajada porque uma mulher instruída era considerada não só contra a natureza como também perigosa".


Uma simples descamação do útero ainda hoje tem uma carga negativa na mulher, sinal de castigo da antiga, pobre e bem descriminada Eva. A mulher menstruda faz baixar as claras em castelo, a maionese estraga-se, as colheitas em que toca perdem-se, as sementes nos jardins secam, a fruta das árvores cai, os favos das abelhas murcham e o ferro fica perdido pela oxidação. O cheiro torna os cães raivosos.

No Ocidente a emancipação de algumas mulheres deu-se há 3, 4 décadas. Mesmo assim a violência doméstica permanece e quantos não pensam que uma mulher instruída e autónoma só complica e atrapalha?????

A Idade das Trevas continua a estender os seus braços até aos dias de hoje.

07 dezembro, 2007

Convites: Agustina,Graça Morais e Pedro Caldeira Cabral











Normalmente a minha caixa de correio real, confunde-se com a minha caixa de correio electrónico. As semelhanças são a quantidade de documentos postais que lá vão parar. A grande maioria vai para o lixo. O lixo virtual elimina-se de forma facil. A outra é mais maçadora e enche sacos e sacos de papel, que seguem para o papelão. Ambas têm de sofrer uma vigilância diária, para não ficarem a abarrotar pelas costuras.
De todo o trafego aproveito uma pequena percentagem. Hoje foi um dos dias que valeu a pena abrir a caixa de correio real: 3 convites, todos optimos! Não sei por quais me vou decidir!
Assim está bem!!!!!!



01 dezembro, 2007

DIA MUNDIAL CONTRA A SIDA




Cartazes chocantes, impressionantes, agressivos,... como afinal tem que ser!!!!!

27 novembro, 2007

Sociedade da informação/socidade industrial e o eterno norte/sul




O actual modelo da sociedade da informação caracteriza-se essencialmente por ser uma sociedade onde o desenvolvimento tecnológico possibilita cada vez mais, a intervenção sobre a própria informação. Na sociedade industrial a dinâmica foi inversa, a acumulação e o tratamento da informação tinha como objectivo a revolução tecnológica.
A primeira caracteriza-se por ser globalizante. A informação circula rapidamente por todo o mundo conectado ao digital, gera actualização constante, interliga diversas áreas do saber, promove a criatividade e a participação colectiva, abre múltiplos caminhos para a resolução de problemas e cria cada vez mais estímulos à evolução na aprendizagem. O utilizador abandona o seu papel de mero receptor de informação, e passa automaticamente a funcionar como entidade activa, também capaz de gerar informação e de a divulgar rapidamente, utilizando os mesmos canais.
A sociedade industrial caracteriza-se por se apresentar mais isolada, condicionada na circulação da informação. O tempo institui-se como uma dimensão a considerar, uma barreira difícil de ultrapassar, permitindo que a informação permaneça quase estática, e a actualização do conhecimento, seja sempre uma novidade de difícil concretização.
As sociedades pretendem-se democráticas. O ensino também. A escola nunca o conseguiu ser.
Esta caminhada do paradigma digital vem acentuar ainda mais as desigualdades de acesso à informação, que agora não se centra apenas nas desigualdades sociais, e nos handicaps culturais de cada um, mas sim na aldeia global que é o mundo. Os países em vias de desenvolvimento, além de serem os mais pobres do planeta, são aqueles que se situam mais afastados daquela que parece ser a grande riqueza actual, a informação. Os países com maior desenvolvimento industrial, como sempre, são os privilegiados e agora, os verdadeiros utilizadores das tecnologias de informação e comunicação, possibilitando-lhes dar o passo de gigante, na evolução do Homem.
A perda da identidade, ou pelo menos a ocorrência de grandes alterações sobre esse domínio, o aumento do desemprego, a desqualificação rápida para o trabalho, a redução da privacidade individual, e os direitos de autor sobre a informação, que circula a nível mundial, são outros aspectos problemáticos da caminhada do paradigma.
Anabela Quelhas



(Intervenções no "O paradigma digital")




23 novembro, 2007

Socialização


Ser sociável e socialização, penso que não será exactamente o mesmo.
O ser sociável implica uma certa integração num grupo, mas não implica haver uma grande identificação com o grupo.
Socialização é um processo mais abrangente através do qual o individuo se integra num grupo,interiorizando hábitos, crenças, códigos... a cultura do grupo, aprendendo a interagir com esse grupo, mas construindo gradualmente e em simultâneo a sua identidade.
Este processo faz-se ao longo da vida, primeiro com a família e depois com a familia + escola.
Substituir uma sala de aula ou uma escola, por um forum ou por um chat, é uma troca que resulta pobre para a construção dessa identidade.
Mas existem outras vantagens, lógico! A primeira, é a motivação, pelo menos por enquanto.

Anabela Quelhas

(intervenções no "Paradigma digital")

21 novembro, 2007

Ensino on line



O primeiro aspecto importante do ensino on line que vou salientar, é o facto de possibilitar a leitura “desorganizada” dos textos e poder estruturar as consultas de uma forma totalmente livre, em tempo e em espaço. A não necessidade de existir sincronia entre o “professor” e o aluno e ainda entre os diversos alunos, imprime logo à partida um factor de motivação e de dinâmica pedagógica, o que não implica a ausência de interacção virtual, mas sim a construção de uma grande liberdade na gestão das dimensões referidas: tempo e espaço.

O conceito de Professor Animador define o perfil do novo professor. Será um perfil de professor activo, atento, próximo, multifacetado, dinâmico, versátil, criativo e capaz de converter o processo ensino aprendizagem numa acção colectiva, de interiorização e aplicação de conhecimentos, mas numa perspectiva biunívoca (aprendizagem realizada nos dois sentidos), tendo sempre como suporte as tecnologias de informação e comunicação.

Achei interessante a frase:”a informação envelhece. O tempo de vida dos saberes é cada vez menor”. Esta reflexão leva-nos para a importância da actualização rápida da informação que é feita on line, e leva-nos também ao fim anunciado, da biblioteca tradicional como armazém de conhecimento.

Considero como aspecto menos positivo, a vertente da socialização.
Claro que o ciberespaço proporciona interacção, a construção de grupos, e até de redes de afectos, mas a socialização é algo mais complexo que o mundo virtual.

09 novembro, 2007

Para mim é tudo igual

Nunca sei distinguir muito bem entre uma gripe e uma vulgar constipação.
Para mim é tudo igual. Os efeitos são os mesmos:
1 .Tenho que comprar rapidamente um super pack de lenços de papel.
2. Vou à farmácia com aquele olhar de cão comprar uns comprimidos.
3. Espirro a toda a hora.
3. Consulto o armário dos medicamentos para ver se ainda há bissolvon.
4. Procuro umas meias de lã para compensar o gelo dos pés.
5. A criatividade baixa ao nível zero.
6. A voz sai anasalada.
7. Embrulho-me num edredon, deito-me em frente à televisão, com o caixote do lixo mesmo ao lado.
8. Adormeço a pensar qual teria sido a causa de tudo isto.

Quando saio de casa, porque afinal não será assim tão grave para faltar ao trabalho, encontro sempre alguém daquele clube contra a vacina da gripe.
- Ah tás doente? Tás com gripe! Não me digas que tomaste a vacina da gripe?! Toda a gente que conheço que tomou a vacina, ficou com uma valente gripe!

Como me pedem para não dizer, eu não digo. Limito-me a sorrir.
Há um grupo instituído, e patrocinado não sei por quem, contra a vacina da gripe.


Tomo vacina da gripe há 15 anos, sim senhor! Ainda ninguém me convenceu a não fazê-lo!
Também não vou na conversa do mel e chá do limão. Isso é outro clube!

14 outubro, 2007

Atletismo mental


Hoje Karl Jaspers e Descartes retomaram o seu lugar entre os meus pensamentos e afirmações.
Ser mãe, obriga a isto!
A iniciação à Filosofia, como área do saber que nasce do colocar questões sobre a existência do Homem e de tudo que o rodeia. A única área do saber que não tem princípio nem fim, tal qual uma recta e que pretende ir à raiz das questões, inserida numa problemática universal. Diria, incorrectamente, que é uma área do saber que começa onde as outras terminam; isso seria uma semi-recta: com princípio, mas sem fim. De facto a filosofia não tem limites e envolve todo o tipo de operações, as concretas e as abstractas, e a própria filosofia tem dificuldade em se definir.
Os jovens adolescentes revelam alguma dificuldade e resistência em transitar dum ensino muito estruturado ora em dogmas, ora em experiências, para uma outra dimensão, tipo 3ª via, que não tem limites, que é valida pelo exercício e não pelas conclusões, e onde a testagem cientifica não existe, é uma procura. Têm dificuldade em sair do seu mundo lúdico, de casulo de playstation, limitado aos pontos, níveis e graus de dificuldade e, entrar pela porta das questões universais subjectivas, que vertiginosamente lhes retira o tapete dos pés.
Os jovens constatam que a sua mente evoluiu um pouco enferrujada durante 15 anos, no tomar de consciência da problemática de existir, da essência das coisas, e demoram algum tempo para ginasticar o seu pensar, coordenando-o com o agir, e consciencializando todo o processo que afinal é dialéctico: O que se pensa hoje, já não se pensará amanhã.
Afinal o Fernando Pessoa, será que era mesmo marado ou não? perguntam eles.

Portanto, hoje entrei em treinos de atletismo mental. Ficamos ainda pelo período de aquecimento, mas já se adivinham grandes provas de teimosia, de desconstrução de certezas e de implantação de enorme áreas de dúvidas, de angústias e de interrogações. De onde vim? para onde vou? o que ando aqui a fazer?
São 23, 27! Boa noite. Darei notícias se sobreviver.