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25 julho, 2017

A lealdade anima-me,
A fome deprime-me,
A arte inquieta-me,
A arrogância revolta-me,
A paciência engrandece-me,
A guerra tolhe-me,
A liberdade fascina-me,
A mentira enoja-me,
A paixão transcende-me.

AQ

21 março, 2017

Sendo dia de poesia


Sendo dia de poesia
            Sendo dia da poesia, escrevo em prosa e não em verso, para que a distinção se sinta nesta minha atitude ousada de insistir em juntar as palavras sem regra. Escrevo sem rima, sem métrica, sem estrofes, sem versos, ao meu ritmo e ao meu estilo, aventurando-me em território desconhecido e que não domino. Escrevo como vivo, um pouco em desalinho, um pouco em contramão, abrindo os canais das vivências interiores e dando-lhes forma, sem filtros, sem regras, ensaiando a liberdade plena que só os ignorantes praticam. Nem sempre distingo o verso da prosa. Para mim tudo o que dou um sentido mais estético e mais profundo, mais temperado com toda a ansiedade e carência afectiva que habitam em mim, é poesia.
            Gosto de poemar.
           Gosto de me expressar em linguagem intrigante, inquieta e misteriosa, que tenha impactos diversos para quem a lê ou quando se lê. Descubro-me só, nestes momentos mágicos da escrita, não conseguindo prever quando escrevo, o que escrevo e para quem escrevo. É uma aventura dialéctica que flui na primeira pessoa, como se fosse um auto-retrato primaveril, que me tranquiliza desenhá-lo e vive-lo, descobrindo sensações diversas no meu íntimo sentimental.
          Poemar é viver sempre na linha que divide o real do onírico, realçando o sublime e o simbólico, é ser capaz de dar brilho a encantamentos obscuros que desconheço em mim. É um grito imprevisto, é um gozo profundo, traduzidos numa linguagem feita de corpo e de alma, que pode ser doce, elegante, com fragância a jasmim, mas também pode ser agressiva e violenta, capaz de rasgar preconceitos, mover precipícios, derrubar muros e libertar lágrimas salgadas de mim. É melodia sem pauta, é dança com fogo, é geometria sem teoremas, é mar solto sem horizonte, é tempo intemporal e sem dimensão com perspectivas diversas.
            É ouro… é prata recortada de luar.

            Escrevo para quem?
                                   Mas tem de haver alguém no destino?
                                                           Escrevo para a terra vermelha, escrevo para um homem que não existe, escrevo para a paixão infinitamente trancada no meu coração, escrevo para quem se irmana comigo neste desespero desassossegado e profano de estar e não estar, escrevo para aqueles que acreditam no arco-iris, escrevo para o universo que me inclui e me respeita, vestida na minha reduzida dimensão.
In “Ensaios de escrita, um projecto sempre adiado” – Anabela Quelhas

04 março, 2017

Há brancos que invadem as noites


Há brancos que invadem as noites
Parecendo um mar que invade a montanha,
Mar sereno e tranquilo,
Que se escuta pelo silêncio do nosso olhar.
Cobrem penedos e os ângulos mais agudos,
Gelando o calor e a melancolia,
Tornando as horas sem tempo
Mais longas e fechadas sobre si.
A lua vira prata, a escuridão vira luar,
O hoje escorrega para o amanhã,
E eu permaneço aqui, imóvel,
Recordando para onde voltarei,…
Cassiopeia!

AQ

22 setembro, 2015

Bom dia, cassiopeia espera-nos!


Oferece-me anéis, colares, pulseiras,
Joias douradas, cravejadas de todas as cores,
Jades, rubis e ametistas
E eu quero as estrelas,
Brilhos de sedas e cetins de noites escuras,
Bordados de lua cheia.
Oferece-me diamantes
E eu quero dançar,
pautas musicais, que só nós ouvimos,
flutuando num salão qualquer.
Oferece-me tanzanitas azuis,  
E eu quero o abraço da mesma cor,
Envolvente e único,
Nascendo da voz mais profunda do mundo:
- Bom dia, cassiopeia espera-nos!
AQ

28 março, 2013

24 novembro, 2011

Me encanta a dança


Aos sons das chávenas e das colheres

em compasso aleatório

soma-se o aroma dos cimbalinos

que circulam entre iguais

numa dança

desenhada sobre bandejas.

Aprecio a dança.

Não aprecio o sabor,

Sou de uma anormalidade genética

de não apreciar café.

Sofro de ausência de sensibilidade

para apreciar o precioso liquido.

Liquido marron de tingimento de café,

liquido fumegante

que obriga a rituais e dependências após almoços e jantares,

geração após geração,

acompanhados de conversa sobre coisa nenhuma

gravada nas madeiras,

nos espelhos,

nas mesas dos cafés da baixa do Porto.

Não aprecio,

mas me encanta a dança

E a dependência.


A. Quelhas

20 novembro, 2011

Reflexo dos espelhos

(Clique para ampliar)

Num reflexo dos espelhos

Espreito a alma

De alguém que se silencia a meu lado:

Um ilustre desconhecido.

Divirto-me pensando no acaso

Que me permite aproximar daquilo

Que não conheço

Observar o que nunca vi

Desnudar a intimidade

Do quotidiano de alguém

Que nunca mais encontrarei.

Dentro de minutos voará

Para outras dimensões urbanas

Transportando essências únicas

E in codificáveis

Ignorando-me.

Eu olharei os espelhos novamente

Espreitarei de novo

E saborearei o chá entretanto arrefecido.

Doce

E aromatizado com limão.

Filigrana


Foto: A. Quelhas ( Confeitaria do Bolhão)

17 abril, 2011

ESTILHAÇOS DE CESARINY POR LUXÚRIA CANIBAL



Estava preparada para assistir a um registo punk à Mão Morta com muita luxúria e pitadas de canibal à mistura.

Arrastei uma amiga comigo.

À entrada pensei que talvez ela não apreciasse, fiquei na dúvida se iria ser seca para ela, mas…

Fomos presenteadas com um espectáculo de altíssimo nível.

Caramba fazem-se espectáculos tão bons em Portugal!

É um espectáculo de poesia, de leitura de textos, a maioria de Mário Cesariny, mas também de música. Adolfo Luxúria Canibal, declama calmamente sentado à mesa no centro do palco, iluminado por um candeeiro de mesa e os músicos acompanham. Não sei quem concebeu a parte musical, mas eu achei de altíssima qualidade. Já procurei na net alguns dos registos, mas não aparece nada. Não não imaginem que foi o seguimento dos registos musicais dos Mão Morta, pois imaginarão errado. Que pena não poder partilhar convosco! A voz de ALC a percorrer as palavras de Cesariny, com o timbre e entoação características só dele e aquela musica de fundo única, absorvente....adorei.

"Os poetas não passam de aprendizes dos mistérios do infinito"

20 novembro, 2010

Descompassei a vida

(clique para ampliar)

18 novembro, 2010

29 setembro, 2010

Eu poderia suportar

Magnifico como sempre e profundo!
Thanks!

17 janeiro, 2009

Quase um poema de amor


Quase um poema de amor
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.
Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
--- Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor



Miguel Torga
Veja a homenagem a Torga em http://mardepedra.blogspot.com/

23 novembro, 2008

Parti

(clique para ampliar)

10 setembro, 2008

De alfazema faço a chuva


(clique para ampliar)

01 agosto, 2008

AUTOPSICOGRAFIA


AUTOPSICOGRAFIA



O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.



E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.



E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
28.02.1929