27 março, 2026

Alentejo Marmóris

 


Largo Gago Coutinho - Vila Viçosa









Adeus Inverno


 

Então, adeus, inverno, até o próximo ano,

guardarei em mim a tua lembrança fria,

pois na despedida há também esperança,

de um novo ciclo, de um novo dia.

AQ

25 março, 2026

Velharias/antiguidades

 

Velharias/antiguidades

Nas grandes cidades gosto de visitar mercados e espaços de venda de velharias. O meu gosto pelas velharias é uma forma de me confrontar com o passado por meio de objectos em desuso, mas que resistiram ao tempo. Alguém os dispensou para estarem ali simultaneamente visíveis e incógnitos.

Procurar antiguidades é uma aventura que mistura o espírito de Indiana Jones com a ansiedade de um coleccionador em busca do objecto perfeito — aquele que faz o coração acelerar mais do que um electrão em movimento. Essa procura rapidamente passa de um gosto para um vício.

Nunca se sabe o que se vai encontrar, portanto é como uma navegação sem destino e sem GPS. Caricaturando parece que levamos uma lupa na mão, desvendando os mistérios do passado, enquanto o nosso cérebro, equipado com a sabedoria de séculos de história, tenta distinguir uma verdadeira relíquia entre várias réplicas de plástico.

O charme do caçador de relíquias é que acredita que aquele objecto banal pode esconder uma história fascinante. Como um mini Sherlock Holmes, o coleccionador treina o olhar, evoca conhecimento rápido e um pouco de intuição para poder realizar uma avaliação rápida, com o objectivo de comprar bom, único e barato; segundo estudos, é uma combinação de experiências acumuladas e uma pitada de sorte, ou como dizem na ciência, uma variável aleatória que dá aquele tempero especial à pesquisa.

Às vezes observo as pessoas que compram com critérios diferentes dos meus, e interrogo-me sobre o que motivou determinada compra. Uns preferem os “cacos”, outros, mobiliário, joias, moedas, automóveis, livros, cassetes, discos, rádios, relógios e por aí fora.

Há sempre peças únicas misturadas com corriqueiras. A sorte sorri quando se encontra uma peça invulgar, única, valiosa por uma pechincha.

Há também o lado divertido dessa busca: as histórias fantasiosas que surgem, as negociações quase dramáticas, e a esperança de encontrar um tesouro escondido no sótão da avó de alguém ou na loja de antiguidades mais suspeita. Afinal, quem nunca sonhou em encontrar uma peça única, que possa valer uma fortuna ou, pelo menos, proporcionar uma boa história para contar aos amigos?

Normalmente lamento-me por várias peças que perdi, por falta de dinheiro, por receio de arriscar ou porque alguém se antecipou a mim.

O segredo para comprar uma boa velharia reside no equilíbrio entre o conhecimento técnico e a capacidade de "garimpar" em locais menos óbvios. Para encontrar peças com valor real, deve focar-se na autenticidade, no estado de conservação e no potencial de valorização.

Na próxima vez que o leitor se aventurar na procura por antiguidades, lembre-se: além de uma pesquisa científica, é uma jornada divertida, cheia de descobertas, surpresas e, claro, uma boa dose de humor. Porque, no fundo, o segredo da busca por relíquias é exatamente isso: uma mistura de ciência, sorte e uma pitada de loucura.

            Quando procurar móveis procure por encaixes manuais assimétricos (em vez de cortes industriais perfeitos) e acabamentos originais em verniz boneca ou cera.

Se o seu foco for prataria e porcelana, verifique as marcas do fabricante - nomes famosos elevam significativamente o valor. Se forem materiais avulsos, as antiguidades genuínas (geralmente com mais de 100 anos) utilizam materiais sólidos e técnicas de construção artesanais que as distinguem das réplicas modernas.

O conhecimento do design e da história é um parâmetro necessário em todas as procuras, para evitar comprar gato por lebre.

Avalie se a peça precisa de restauro profissional. Móveis que exigem logística complexa (desmontagem e transporte) devem ser comprados a preços mais baixos. Evite o Valor Sentimental, o preço de mercado não considera o apego emocional do vendedor.

Em mercados de usados, o preço inicial é raramente o final; esteja preparado para negociar com base nos defeitos ou na necessidade de restauro. E não esqueça, quando se interessar por uma peça, não mergulhe de imediato no negócio. Primeiro manifeste interesse por outras peças, e quando sentir o cansaço do vendedor, é o momento para mencionar aquilo que, na verdade, lhe interessa. Se pretende um bom negócio procure um ferro-velho em vez de um antiquário.

Publicado em NVR|25|03|2026


POESIA


 POESIA

A poesia é uma forma de expressão artística que ultrapassa as palavras, utilizando as próprias palavras, permitindo transmitir emoções, pensamentos e experiências de maneira profunda e muitas vezes universal.

Desde os tempos antigos, a poesia desempenha um papel fundamental na cultura e na história das sociedades, sendo uma ferramenta poderosa de comunicação, resistência e reflexão. Ela tem a capacidade de tocar o coração e emocionar a alma das pessoas, despertando sentimentos e promovendo a conexão entre indivíduos e a sociedade, além de preservar tradições e identidades culturais.

No contexto da poesia lusófona, essa importância amplia-se ainda mais, pois ela reflecte a diversidade e a riqueza cultural dos países de expressão portuguesa, afirmada em diversos territórios. A poesia lusófona abrange uma vasta gama de estilos, temas e expressões, temas clássicos de amor e saudade, reflexões contemporâneas sobre identidade e sociedade que abordam questões sociais, políticas e ambientais. Poetas como Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Mia Couto, Alda Lara e Cesário Verde, entre outros, representam essa diversidade, cada um contribuindo com uma visão única do mundo, marcada por influências de diferentes histórias, idiomas e tradições.

O que dizer de Camões, reconhecido como o maior poeta da língua portuguesa e uma figura cimeira da literatura universal? A sua obra, funde o génio erudito do Renascimento com uma sensibilidade popular, explora a fundo a condição humana, o amor contraditório, as mudanças do tempo e a epopeia dos Descobrimentos Portugueses, elevando a língua a um patamar de excelência.

A poesia lusófona é especialmente importante pelo seu papel na formação da identidade e na resistência cultural, sobretudo em contextos de colonização e pós-colonização. Ela serve como meio de manter viva a história, as memórias e os valores das comunidades, promovendo o orgulho pela herança cultural e incentivando a reflexão sobre o presente e o futuro. Além disso, a poesia lusófona enriquece o panorama literário mundial, trazendo vozes únicas que contribuem para um diálogo intercultural mais amplo e rico.

A poesia, é uma ferramenta essencial para fortalecer a cultura, promover o entendimento mútuo e celebrar a diversidade do mundo. Ela continua a inspirar gerações, demonstrando que, por meio da palavra, é possível construir pontes de esperança, resistência, criatividade e liberdade. É uma ferramenta rigorosa, meticulosa e ousada exigindo uma introspecção do leitor. A poesia não é um consumo passivo; é um impacto dialético. Ela exige que o leitor abandone a superfície e mergulhe no próprio silêncio para encontrar sentido nos versos que lê. É um exercício de paciência e coragem. Se a poesia é ousada, o leitor precisa de ser, no mínimo, um cúmplice disposto a ser transformado.

O processo poético que obriga o leitor a olhar para dentro não é apenas estético, mas sim uma arquitetura do pensamento simbólico. Para que a poesia deixe de ser apenas palavras e se torne um espelho policromático, ela utiliza mecanismos de desestabilização do sentido comum.

Destabilize-se!

[21 de Março, Dia Mundial da Poesia]

Publicado em NVR 18|03|2026

AMOR de PERDIÇÃO ópera

 

Excelente homenagem a Camilo Castelo Branco.

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